27.6.23

Vagas de trabalho caem para 48 mil e pressionam desemprego a subir

Salomé Pinto, in Dinheiro Vivo

Havia menos 6830 ofertas entre janeiro e março em comparação com o trimestre anterior. Vendedores e investigadores concentram maior número de lugares por preencher.

número de vagas de trabalho em Portugal continua a cair, pressionando o desemprego a subir. Entre janeiro e março, havia 48 103 postos por preencher, menos 6830 face ao trimestre anterior, quando existiam 54 933 lugares vazios, o que corresponde a uma quebra de 12,4%, segundo a mais recente síntese estatística publicada pelo Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho. Note-se que também nos primeiros três meses do ano, a taxa de desemprego subiu para 7,2%, atingindo o nível mais alto desde 2020, ainda que, em abril, tenha voltado a cair para 6,8%, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).

É o segundo trimestre consecutivo em que as vagas de emprego têm vindo a recuar, desde outubro a dezembro de 2022, interrompendo as subidas anteriores, revelam os vários relatórios consultados pelo DN / Dinheiro Vivo. Aliás, os lugares por preencher estiveram sempre em crescendo até ao terceiro trimestre de 2022, de julho a setembro, altura em que havia 61 625 ofertas de trabalho. Agora são 48103, menos 13 555, o que corresponde a um corte de 21,9%. Os dados estatísticos do gabinete do Ministério do Trabalho não explicam, contudo, o motivo desta redução, isto é, se as ofertas foram sendo preenchidas ou se as empresas estão a cortar na contratação de pessoal.
Praticamente todos os setores registaram uma diminuição de vagas de trabalho. As atividades artísticas e de espetáculo e desportivas assim como as relacionadas com informação e comunicação foram as que demonstraram a maior redução de ofertas de emprego, na comparação homóloga, com uma queda de 22,6% e de 21,4%, respetivamente. Em sentido contrário, as empresas da área financeira e dos seguros registaram um crescimento exponencial de vagas, tendo mais do que duplicado as ofertas. Os dados do gabinete de estatística mostram que, no primeiro trimestre, houve um aumento de 111,6% de lugares disponíveis naquele setor. Também as vagas na indústria da construção registaram uma subida, mas menos expressiva, de 28%.

Por grupos profissionais, a área que junta vendedores, trabalhadores de serviços pessoais, de proteção e segurança é a que concentra mais vagas por preencher: quase um quarto (24,3%) ou 11 680 do total de 48 103 lugares vazios. Em segundo lugar, com 16,2% das vagas de emprego, estão os especialistas das atividades intelectuais e científicas e, em terceiro, os trabalhadores não qualificados, com 14,5%.

Os dados mostram um país a duas velocidades. Por um lado, as empresas continuam a precisar de mão-de-obra barata com poucas qualificações, como é caso dos vendedores, que possuem o nível de competências 2, com ensino secundário completo mas sem licenciatura, ou mesmo de trabalhadores não qualificados, que só têm o ensino básico completo. Mas, por outro lado, há ainda muitas ofertas por preencher para profissionais com um elevado nível de competências, com ensino superior, e, por regra, com salários elevados, onde se encontram os especialistas intelectuais e científicos.

Observando a distribuição dos grupos profissionais por regiões, verificou-se que as empresas procuram sobretudo vendedores, trabalhadores de serviços pessoais, de proteção e segurança, mas também trabalhadores qualificados da indústria, construção e artífices e trabalhadores não qualificados. A Área Metropolitana de Lisboa e a região do Alentejo precisam de mais vendedores e de serviços de limpeza e segurança. O Centro e o Norte estão sobretudo a contratar na área da construção e indústria. Algarve, Açores e Madeira têm mais ofertas para trabalhadores não qualificados, muito por força do dinamismo da atividade do turismo, que exige mais empregados de mesa e de limpeza, por exemplo.

Se analisarmos a proporção de ofertas sem candidatos disponíveis sobre o número de empregos preenchidos e os que ainda permanecem por ocupar, Portugal registou, no primeiro trimestre do ano, uma taxa de empregos vagos de 1,3%, uma queda de 0,1 pontos percentuais face ao período homólogo e um recuo de 0,2 pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior, entre outubro e dezembro de 2022, segundo as estatísticas do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho.

"As taxas de empregos vagos em maior destaque foram registadas nas atividades de Informação e de Comunicação, com 2,8 %, nos estabelecimentos do setor privado com 250 ou mais trabalhadores, com 1,9%, e na região do Algarve, com 2,9 %", de acordo com o mesmo boletim.
Comparativamente com os 25 países da União Europeia (UE) analisados, Portugal situou-se na 20. ª posição, com menos 1,5 pontos percentuais face à taxa da UE, que ficou nos 2,8%, no primeiro trimestre. A média da zona euro foi de 3%.