6.12.10

Camas para doentes idosos não chegam para a procura

Inês Schreck, in Jornal de Notícias

Taxas de ocupação das unidades de cuidados continuados estão a atingir os limites na Região Norte


As camas para acolher doentes idosos que precisam de cuidados continuados são cada vez mais, mas continuam a ser insuficientes para a procura. As taxas de ocupação destas unidades no Norte andam nos limites, o que torna mais difícil a gestão da lista de espera.

Na última semana de Novembro, a taxa de ocupação das 16 unidades de convalescença da região Norte (para internamentos até 30 dias), com um total de 278 camas, foi de 95%. As tipologias de média e longa duração (para internamentos até 90 dias e superiores, respectivamente) andam sempre a rondar os 100%.

A lista de espera varia com muita frequência, mas no dia 26 de Novembro, havia 19 doentes a aguardar internamento numa unidade de convalescença, um para os paliativos, 28 referenciados para as unidades de longa duração e 12 à espera de serem internados nas unidades de média duração.

Os números revelam, por um lado, que os hospitais e centros de saúde estão a referenciar para a rede cada vez mais doentes idosos que precisam de cuidados de saúde, mas não têm rectaguarda familiar. Por outro lado, a taxa de ocupação mostra que a rede precisa de continuar a crescer para dar resposta à procura.

"Às vezes temos que dizer não, seja por falta de vagas ou por não termos lugar nas unidades que os doentes querem", afirmou, ao JN, Filomena Cardoso, vogal do Conselho Directivo da Administração Regional de Saúde do Norte (ARSN).

"No Verão passado aconteceu, por exemplo, haver 13 vagas em convalescença e ter sete doentes em lista de espera que não queriam as unidades livres", acrescentou a responsável.

A distribuição dos doentes pela rede é feita consoante a disponibilidade de camas e a proximidade da residência. No caso de ficarem internados muito longe de casa, os doentes vão sendo transferidos para unidades mais próximas, quando abrem vagas.

Para que os "nãos" sejam cada vez menos e a lista de espera diminua vão abrir, até ao final deste ano na região Norte, 41 camas para cuidados de convalescença e mais 15 em 2011.

As tipologias de média e longa duração, as que têm mais procura e maior lista de espera, vão contar no próximo ano com mais 111 e 401 camas, respectivamente. Os cuidados paliativos serão reforçados com 20 camas.

"Estas vagas vão abrir seguramente. Há ainda outra candidatura que vamos ver como vai evoluir", referiu Filomena Cardoso.
A responsável da ARSN destaca ainda o investimento feito nos cuidados domiciliários com a criação de equipas que vão a casa dos doentes prestar os cuidados de saúde. No início do ano, a rede tinha capacidade para assistir ao domicílio 230 idosos. Actualmente consegue responder a 750 doentes.

O objectivo da ARSN é chegar a 2013 com capacidade para responder a 4587 doentes idosos referenciados para todas as tipologias. Para já, as taxas de ocupação mostram que esse rácio estimado pela Unidade de Missão dos Cuidados Continuados Integrados está a corresponder à realidade.