6.12.10

Consultas tornaram-se mais acessíveis

in Jornal Público

No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, entre 2009 e 2010, até ao fim de Outubro, houve um aumento das primeiras consultas de 2952 para 3337, enquanto as segundas se mantiveram estáveis. A directora do serviço, também docente universitária e vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria e Saúde Mental, Maria Luísa Figueira, ressalva, porém, que se deve ter em conta o facto de as consultas se terem tornado mais acessíveis, "porque os médicos de família passaram a marcá-las online".

Também no Hospital de São João, no Porto, comparando até ao fim de Outubro de 2009 e de 2010, as consultas externas aumentaram 17,6 por cento. Porém, o director do serviço, Roma Torres, defende que o acréscimo real de primeiras consultas se fica pelos 3,4 por cento, uma vez que houve uma diminuição em cerca de 50 por cento do tempo de espera. "É simplista dizer-se que há mais consultas por causa da crise", afirma, defendendo que "há estudos que dizem que, em cenários de dificuldade, pode, paradoxalmente, haver menos depressão, porque leva as pessoas a desenrascarem-se e a reagir".

No Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, o director clínico, Pires Preto, diz que, até final de Outubro em 2009 e em 2010, as diferenças não são significativas, "embora tenha havido um aumento de cerca de 3 por cento nas primeiras consultas e uma diminuição das consultas de seguimento". Porém, na análise destes dados devem pesar, entre outros factores, as saídas de médicos.

O presidente da administração do Hospital de Magalhães Lemos, no Porto, António Leuschner, entende que é "precipitado fazer previsões". Neste hospital, que deixou de abranger Santo Tirso e Trofa, as consultas diminuíram, entre 2009 e 2010 (1 de Janeiro a 30 de Novembro), de 4234 para 3929 (primeiras consultas) e 43.491 para 42.424 (segundas).