6.12.10

Futuros jornalistas no combate à pobreza

Filipa Moreno, in Jornal de Notícias

"A importância de 20 euros e de carinho na vida de uma criança africana" é o título português finalista do Young Reporters Against Poverty. Renata Silva está em Bruxelas para a fase final do concurso que convidou estudantes de Comunicação a falar sobre pobreza.

Foi através de um estágio curricular que Renata Silva conheceu a ATACA - Associação de Tutores e Amigos da Criança Africana. Apaixonou-se pelo projecto e decidiu escrever sobre ele para o concurso do Centro Europeu de Jornalismo e da Comissão Europeia.

Young Reporters Against Poverty (YRAP) lançou o repto aos estudantes de diferentes áreas da Comunicação, para que escrevessem ou gravassem peças de rádio sobre formas de ajuda a países em desenvolvimento.

"Este concurso tem tudo a ver comigo", conta a aspirante a jornalista. "Uma das coisas de que mais gosto no Jornalismo é o facto de poder mudar a sociedade e alertar para a diferença."

Aos 22 anos, Renata frequenta um mestrado em Ciências da Comunicação. Quando soube do concurso foi-lhe dito que não poderia participar, pois era reservado a estudantes de Jornalismo.

"Fiquei felicíssima quando soube que era finalista, mas já foi uma grande vitória poder concorrer", conta sobre a experiência.

Está em Bruxelas até ao dia 8, com os outros 32 finalistas europeus. O concurso leva à Comissão Europeia os participantes, que farão a cobertura noticiosa dos European Development Days.

"Estou com grandes expectativas de que possa aprender muitas coisas. Vou contactar com jornalistas experientes e jovens estudantes com as mesmas paixões que eu", diz a representante portuguesa. Depois, têm uma semana para redigir um novo trabalho para uma última avaliação. Os três vencedores recebem uma viagem a África, prémio com um sabor especial para Renata, por ter escrito sobre as condições de vida de crianças moçambicanas.

"Assamo, órfão, natural de Moçambique, 12 anos". É com esta história que Renata inicia a reportagem finalista. Assamo tem, na ATACA, uma tutora que, com 20 euros por mês, assegura as suas necessidades básicas de educação, saúde, vestuário e alimentação. Este gesto comoveu a estudante da Universidade do Porto, que se envolveu no relato.

O seu artigo, diz, cumpriu os objectivos de divulgar a associação e de deixar no leitor a vontade de ajudar. "É um espelho da pobreza" que existe em Moçambique e, assim, reflecte a mensagem do ano pelo combate a estas questões. Numa realidade em que muitas crianças são portadoras de HIV e em que "há muita pobreza a nível da alimentação", o apoio da ATACA é essencial. "Sem esta ajuda as crianças não têm maneira de ser educadas e conseguirem sobreviver", explica a autora.

Renata Silva considera que o concurso ajudou a sensibilizar futuros jornalistas. E acrescenta: "No combate à pobreza, a Comunicação Social é uma arma. Se não mostrarmos a realidade, é como se ela não existisse."