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3.9.20

Défice de 2021 agrava-se em mais de €1.950 milhões (sem contar com as medidas contra a crise)

Joana Nunes Mateus, in Expresso

Ministério das Finanças revela que medidas já tomadas aumentarão a despesa do próximo Orçamento do Estado para 2021 em mais de 2%. E ainda falta o impacto da Covid-19 e o resultado das negociações com a esquerda

O Ministério das Finanças quantifica em €1.956 milhões de euros o agravamento do saldo orçamental de 2021 resultante de medidas já tomadas em anos anteriores, desde investimentos em curso a progressões nas carreiras da função pública ou atualizações das pensões - sem contar com as medidas recentes de combate à crise nem com os eventuais resultados das negociações à esquerda.

Isto significa que, mesmo sem tomar quaisquer novas medidas, o Orçamento do Estado (OE) para 2021 já “implica em termos globais um aumento da despesa no próximo ano de cerca de 2,1%, em comparação com 2020, exclusivamente por via destas medidas e tendências estruturais de aumento de despesa”.

A informação consta do Quadro de Políticas Invariantes que o ministério das Finanças remeteu à Assembleia da República a 31 de agosto. Esta é a primeira vez que este documento é tornado público, o que permite perceber a evolução das contas públicas caso não fossem tomadas mais medidas no futuro.

A atual crise dificulta o cálculo deste impacto em percentagem do PIB. Caso este ronde os €200 mil milhões, estará em causa um agravamento do défice orçamental próximo de 1% do PIB.

O pior é que este exercício do ministério das Finanças exclui “medidas de caráter temporário e extraordinário (one-off), medidas implementadas ou a implementar no âmbito da pandemia covid-19, bem como impactos ou efeitos resultantes dos estabilizadores automáticos da economia (por exemplo, aumento do subsídio de desemprego ou diminuição da receita contributiva)”. Ou seja, a pressão sobre o aumento da despesa e a quebra da receita será ainda maior à partida das negociações sobre o próximo OE2021.

O documento a que o Expresso teve acesso – e que decorre da nova versão da Lei de Enquadramento Orçamental - incorpora o impacto de medidas já autorizadas na receita e na despesa, designadamente com despesa fiscal, carreiras, prestações sociais e investimentos estruturantes, e respetivo incremento no ano seguinte.

Pretende-se para o efeito identificar a variação das receitas e despesas estruturais do setor das Administrações Públicas na ótica das Contas Nacionais, quer por via de medidas de política que, por terem sido legisladas em momentos anteriores, passaram a ser constantes para os anos futuros, quer por uma evolução estrutural da despesa que não depende do ciclo económico.

A maior pressão orçamental virá do aumento dos investimentos estruturantes em curso (mais €590 milhões face a 2020), das pensões (mais €457 milhões) e da função pública (mais €411 milhões), dos quais progressões e promoções (€231 milhões) e professores e outras carreiras especiais (€102 milhões).

Pelo contrário, o ministério das Finanças conta poupar €161 milhões em juros devidos pelas administrações públicas e €13 milhões em PPP rodoviárias.

24.1.13

Portugal sai do défice com o exterior e regista excedente de 900 milhões de euros

Félix Ribeiro, in Público on-line

O défice de 1200 milhões de euros com o exterior registado no segundo trimestre de 2012 foi corrigido para um excedente da balança comercial de 900 milhões de euros.

Portugal saiu do défice da balança de pagamentos com o exterior e registou um excedente de 900 milhões de euros no terceiro trimestre de 2012, de acordo com os dados publicados nesta quinta-feira pelo Eurostat. No trimestre anterior, Portugal registou um défice com o estrangeiro de 1200 milhões de euros e, no terceiro trimestre de 2011, o défice foi de 1500 milhões de euros.

Ao contrário do que a acontece com a balança de pagamentos orçamental, a balança de pagamentos com o exterior deixa de lado todas as transferências financeiras no território nacional. De resto, esta balança regista o saldo de todas as transações financeiras entre entidades nacionais e estrangeiras em bens, serviços e salários.

A tendência para a redução do défice com o exterior começou no último trimestre de 2011. A partir deste período, em que Portugal registou um défice de 2000 milhões de euros, a recuperação da balança de pagamentos com o exterior não teve interrupções.

Também a Zona Euro recuperou de um défice com o exterior no terceiro trimestre. O saldo da balança de pagamentos dos 17 países do Euro recuperou de um défice de 6800 milhões de euros para um excedente de 28.800 milhões de euros.

O sector dos serviços deu um empurrão aos números da balança orçamental portuguesa, ao ter subido para um excedente de 3300 milhões de euros no terceiro trimestre. No trimestre anterior, este valor tinha ficado num excedente de 2000 milhões de euros.

A acompanhar a tendência portuguesa estão também a Grécia, Espanha e Itália. De acordo com o Eurostat, ambos os países recuperaram do défice no segundo trimestre para um excedente nos últimos resultados para o terceiro trimestre.

A Grécia recuperou de um défice com exterior de 1900 milhões de euros e regista agora um excedente de 3000 milhões de euros. Já a Espanha recuperou de um défice de 2700 milhões e entrou num excedente de 1900 milhões de euros. A Itália, por sua vez, passou dos 700 milhões de euros de défice no segundo trimestre para um excedente de 1000 milhões de euros no terceiro trimestre de 2012.

Mas o maior excedente da balança de pagamentos com o exterior continua a pertencer à Alemanha, que tem praticamente quatro vezes mais excedente comercial da Holanda, o segundo país com o maior valor. No terceiro trimestre, a Alemanha registou um aumento do excedente com o exterior para os 41.500 milhões de euros, depois de no trimestre anterior ter registado 37.600 milhões. A Holanda subiu também o excedente no terceiro trimestre, para os 12.600 milhões.

Já o Reino Unido tem o maior défice da balança de pagamentos com o exterior. No terceiro trimestre de 2012, os britânicos registaram perdas de 20.200 milhões de euros.