in RR
"Em relação a esta pobreza envergonhada, penso que temos que aprender com algumas instituições da Igreja, que conseguem fornecer, além de comida, aquele apoio humano que leva as pessoas a não sentir vergonha de pedir."
A psicóloga Cristina Sá Carvalho considera que os governantes devem tomar medidas para combater as carências alimentares de muitas crianças em Portugal. Caso contrário, diz, a situação pode tornar-se "explosiva" a curto prazo.
"Como as ajudas institucionalizadas foram apertadas, eles têm acesso global ao apoio da acção social escolar, que também terá tendência para diminuir. Penso que ou os nossos governantes percebem isto e tomam medidas ou então, a curto prazo, estamos a caminhar para uma situação explosiva a curto prazo."
Segundo a psicóloga, especializada em psicologia educacional e professora na Universidade Católica, já há professores que pagam do seu bolso o almoço de crianças mais carenciadas. "Penso que há escolas que estão a encaminhar os pequenos lucros do bar, ou estão a pedir ajuda a instituições vizinhas, mas há outras em que são os professores que estão a pagar os almoços dos alunos, que, a partir do meio do mês, já não trazem dinheiro para almoçar."
Para responder este fenómeno, defende Cristina Sá Carvalho, tem que se dar autonomia às escolas. "Há uma alteração de comportamento, dores de cabeça, ida à enfermaria, desmaios. No outro diam vi um aluno que estava verde às nove da manhã - não devia comer há muitas horas. Não disse que tinha fome, mas via-se que era isso que ele tinha.”
Neste campo do apoio aos mais desfavorecidos, o Estado "tem a aprender" com as instituições da Igreja, considera Cristina Sá Carvalho. "Em relação a esta pobreza envergonhada, penso que temos que aprender com algumas instituições da Igreja, que conseguem fornecer, além de comida, aquele apoio humano que leva as pessoas a não sentir vergonha de pedir."
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6.12.12
9.11.12
Governo reconhece que há mais de dez mil crianças com fome nas escolas
Por Kátia Catulo, in iOnline
Há 10 385 alunos com carências alimentares, revelou ontem o secretário de Estado Casanova no parlamento. Metade destas crianças toma o pequeno-almoço na escola
São até ao momento 10 385 os alunos que 253 agrupamentos de escolas públicas sinalizaram como crianças com carências alimentares. O número foi revelado ontem pelo secretário de Estado da Educação, João Casanova de Almeida, durante a audição da comissão parlamentar de orçamento, finanças e administração pública.
Metade destas crianças está a ser apoiada através do programa “Pequeno-Almoço na Escola”. Os 5547 alunos que tomam a primeira refeição do dia na cantina da escola correspondem, segundo a tutela, a 51% dos casos sinalizados pelos professores, mas Casanova de Almeida anunciou que também as famílias destas crianças serão apoiadas através do Banco Alimentar Contra a Fome.
Os números agora revelados surgem na sequência das confederações de associações de pais terem denunciado na véspera que o programa “Pequeno Almoço” – fornecido por empresas do sector alimentar e gerido pela tutela – não estaria a chegar a boa parte dos estabelecimentos de ensino.
Cortes na educação foi aliás o principal tema e ponto de discórdia entre os deputados da oposição e a equipa de Nuno Crato, com especial atenção ao ensino superior. A contestação dos reitores das universidades e presidentes dos politécnicos levou o ministro da Educação a assumir ontem no parlamento que vai trabalhar com o ministro das Finanças Vítor Gaspar no sentido de encontrar uma solução para os problemas que as reduções orçamentais vão provocar no ensino superior. Nuno Crato assegurou que ambos os ministérios estão a negociar numa alternativa e têm “abertura” para “reunir com os reitores e os presidentes dos politécnicos”, garantindo também que o Ministério da Educação está atento à crise no ensino superior: “sabemos as dificuldades que têm e queremos estar do lado da solução”.
A solução contudo poderá passar também por as instituições de ensino superior encontrarem o seu próprio caminho. Nuno Crato destacou o “exemplo” da Universidade de Lisboa e Universidade Técnica de Lisboa, que têm em curso um projecto de fusão que é mais que uma “junção” das duas instituições. O ministro defendeu por isso que a racionalização da rede deve significar, à semelhança daquele processo de fusão, uma “real cooperação” entre instituições e “coordenação de oferta de cursos”.
A cooperação, segundo Crato, deve também ser um modelo a seguir pelos politécnicos e escolas secundárias com ensino profissional. Dessa união entre o secundário e o superior iria resultar um ensino mais integrado, defendeu o ministro: “Um dos caminhos que temos indicado é coordenarem-se com o ensino profissional secundário. Têm instalações, professores e especialistas que as secundárias não têm e podem oferecer uma experiência avançada mais cedo que o habitual”. A proposta de Crato, no entanto, parece ser mais do que uma simples orientação. “É algo para pôr em prática já este ano”, avisou.
O ministro defendeu também que os números do orçamento para a educação garantem o “respeito pelos contribuintes e o cumprimento do programa do governo”, numa distribuição de recursos em que “cada euro aplicado é um euro bem gasto”.
Há 10 385 alunos com carências alimentares, revelou ontem o secretário de Estado Casanova no parlamento. Metade destas crianças toma o pequeno-almoço na escola
São até ao momento 10 385 os alunos que 253 agrupamentos de escolas públicas sinalizaram como crianças com carências alimentares. O número foi revelado ontem pelo secretário de Estado da Educação, João Casanova de Almeida, durante a audição da comissão parlamentar de orçamento, finanças e administração pública.
Metade destas crianças está a ser apoiada através do programa “Pequeno-Almoço na Escola”. Os 5547 alunos que tomam a primeira refeição do dia na cantina da escola correspondem, segundo a tutela, a 51% dos casos sinalizados pelos professores, mas Casanova de Almeida anunciou que também as famílias destas crianças serão apoiadas através do Banco Alimentar Contra a Fome.
Os números agora revelados surgem na sequência das confederações de associações de pais terem denunciado na véspera que o programa “Pequeno Almoço” – fornecido por empresas do sector alimentar e gerido pela tutela – não estaria a chegar a boa parte dos estabelecimentos de ensino.
Cortes na educação foi aliás o principal tema e ponto de discórdia entre os deputados da oposição e a equipa de Nuno Crato, com especial atenção ao ensino superior. A contestação dos reitores das universidades e presidentes dos politécnicos levou o ministro da Educação a assumir ontem no parlamento que vai trabalhar com o ministro das Finanças Vítor Gaspar no sentido de encontrar uma solução para os problemas que as reduções orçamentais vão provocar no ensino superior. Nuno Crato assegurou que ambos os ministérios estão a negociar numa alternativa e têm “abertura” para “reunir com os reitores e os presidentes dos politécnicos”, garantindo também que o Ministério da Educação está atento à crise no ensino superior: “sabemos as dificuldades que têm e queremos estar do lado da solução”.
A solução contudo poderá passar também por as instituições de ensino superior encontrarem o seu próprio caminho. Nuno Crato destacou o “exemplo” da Universidade de Lisboa e Universidade Técnica de Lisboa, que têm em curso um projecto de fusão que é mais que uma “junção” das duas instituições. O ministro defendeu por isso que a racionalização da rede deve significar, à semelhança daquele processo de fusão, uma “real cooperação” entre instituições e “coordenação de oferta de cursos”.
A cooperação, segundo Crato, deve também ser um modelo a seguir pelos politécnicos e escolas secundárias com ensino profissional. Dessa união entre o secundário e o superior iria resultar um ensino mais integrado, defendeu o ministro: “Um dos caminhos que temos indicado é coordenarem-se com o ensino profissional secundário. Têm instalações, professores e especialistas que as secundárias não têm e podem oferecer uma experiência avançada mais cedo que o habitual”. A proposta de Crato, no entanto, parece ser mais do que uma simples orientação. “É algo para pôr em prática já este ano”, avisou.
O ministro defendeu também que os números do orçamento para a educação garantem o “respeito pelos contribuintes e o cumprimento do programa do governo”, numa distribuição de recursos em que “cada euro aplicado é um euro bem gasto”.
"Pequeno-almoço na escola" está chegar a 51 por cento dos 10385 alunos apontados pelos agrupamentos
Por Graça Barbosa Ribeiro, in Público on-line
O secretário de Estado da Educação, Casanova de Almeida, afirmou esta quinta-feira no Parlamento que, neste momento, estão a ser apoiadas no âmbito do projecto “Pequeno-Almoço na Escola”, 5547 crianças.
Este número, adiantou, corresponde a 51 por cento dos 10385 alunos, que foram identificados pelas direcções dos respectivos estabelecimentos de ensino como tendo aquele tipo de carência alimentar.
Segundo Casanova de Almeida, que frisou que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) está “a gerir um projecto que nasce da vontade da sociedade civil”, o primeiro grupo está a ser apoiado por quatro grandes empresas nacionais e os restantes, 5288, terão os alimentos garantidos por duas empresas com as mesmas características. Os alunos em causa estão distribuídos por 253 agrupamentos de escolas.
O secretário de Estada adiantou que ainda que os familiares das crianças em causa também serão apoiados através do Banco Alimentar Contra a Fome. Não especificou como é que se irá processar este apoio e também não disse como estavam a ser distribuídos os pequenos-almoços e do que constam.
No final do ano lectivo passado aludia-se à possibilidade de colaborarem na iniciativa grandes superfícies comerciais, com a doação de alimentos, e as câmaras municipais, que assegurariam o seu transporte e entrega nos estabelecimentos de ensino.
Na sessão em que está a ser debatido o Orçamento para a Educação foi referido que a legislação já prevê que as escolas apliquem receitas próprias no fornecimento de alimentos a crianças que mostrem ter necessidades daquele tipo. "Isso está a ser feito", disse Casanova de Almeida.
O secretário de Estado da Educação, Casanova de Almeida, afirmou esta quinta-feira no Parlamento que, neste momento, estão a ser apoiadas no âmbito do projecto “Pequeno-Almoço na Escola”, 5547 crianças.
Este número, adiantou, corresponde a 51 por cento dos 10385 alunos, que foram identificados pelas direcções dos respectivos estabelecimentos de ensino como tendo aquele tipo de carência alimentar.
Segundo Casanova de Almeida, que frisou que o Ministério da Educação e Ciência (MEC) está “a gerir um projecto que nasce da vontade da sociedade civil”, o primeiro grupo está a ser apoiado por quatro grandes empresas nacionais e os restantes, 5288, terão os alimentos garantidos por duas empresas com as mesmas características. Os alunos em causa estão distribuídos por 253 agrupamentos de escolas.
O secretário de Estada adiantou que ainda que os familiares das crianças em causa também serão apoiados através do Banco Alimentar Contra a Fome. Não especificou como é que se irá processar este apoio e também não disse como estavam a ser distribuídos os pequenos-almoços e do que constam.
No final do ano lectivo passado aludia-se à possibilidade de colaborarem na iniciativa grandes superfícies comerciais, com a doação de alimentos, e as câmaras municipais, que assegurariam o seu transporte e entrega nos estabelecimentos de ensino.
Na sessão em que está a ser debatido o Orçamento para a Educação foi referido que a legislação já prevê que as escolas apliquem receitas próprias no fornecimento de alimentos a crianças que mostrem ter necessidades daquele tipo. "Isso está a ser feito", disse Casanova de Almeida.
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