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30.6.16

Violência doméstica associada a metade de crimes de homicídio

In "Diário de Aveiro"

Quase metade das vítimas de crimes de homicídio tentado e consumado, que a Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV) ajudou em 2015, tinha um contexto de violência doméstica, tendo o organismo acompanhado 64 crimes e atendido 845 vítimas. Os dados foram divulgados ontem e fazem parte do relatório anual para 2015 da Rede de Apoio a Familiares e Amigos de Vítimas de Homicídio (RAFAVH), uma sub-rede especializada de apoio, criada em 2013 pela APAV.
No decorrer destes três anos, a RAFAVH acompanhou 230 crimes, entre 135 homicídios na forma tentada e 95 homicídios consumados. Na relação dos anos, a evolução mostra um aumento do número total de crimes entre 2013 e 2014, passando de 80 para 86, verificando-se posteriormente uma descida em 2015 para 64.
No ano passado, a APAV apoiou 845 vítimas ou familiares e amigos de vítimas de crimes de homicídio tentado ou consumado, tendo realizado 660 atendimentos, aos quais se juntaram 16 atendimentos relativos a processos de apoio iniciados em 2013. Houve também 129 atendimentos em situações de homicídio tentado e 40 relativos a familiares e amigos de vítimas de homicídio consumado, que transitaram de processos iniciados em 2014.

21.6.16

Micaela: como o meu pai matou a minha mãe

in Diário de Notícias

A jovem de 26 anos, licenciada em Psicologia, conta no livro a história real do pai, Álvaro Dias, que em abril de 2009 invadiu o escritório onde a mulher trabalhava e matou-a a tiro

"História de vida - Por ti e para ti" é o livro que Micaela Pereira, de 26 anos, escreveu e que apresentará hoje na Feira do Livro de Paços de Ferreira, conta o Jornal de Notícias. No centro da narrativa está o drama da sua própria família: Álvaro Dias, o pai, que matou a mãe de Micaela a tiro em abril de 2009.

Micaela cresceu a ver o pai agredir a mãe. E em muitas situações foi mesmo obrigada a colocar-se entre os dois para proteger a progenitora, Laura Andrade. Ao longo dos anos, a jovem de 26 anos foi prevendo que as agressões quase diárias iriam terminar numa tragédia e tentou convencer a mãe a abandonar a casa da família, situada em Paços de Ferreira. Conseguiu-o em abril de 2009, mas três semanas depois de ela, o irmão e a mãe terem deixado a residência, o pai invadiu o escritório onde a mulher trabalhava e matou-a a tiro. Em seguida, tentou suicidar-se, mas falhou o seu intento.

Até hoje Álvaro Dias recusa receber a filha na cadeia. Para Micaela o livro foi uma "terapia" e uma "homenagem à mãe e a todas as vítimas de violência doméstica".

16.7.13

Crise é gatilho que faz disparar homicídios

Carlos Varela e Susana Otão, in Jornal de Notícias

Mulheres são as principais vítimas de homicídios no seio familiar

O número de homicídios está a crescer e com um cada vez maior desprezo pela vida humana. Para Carlos Poiares, psicólogo forense, a culpa é da crise. "As pessoas perderam a esperança", diz.

Os sinais de alarme quanto aos números começaram em 2012, mas a tendência manteve-se no primeiro trimestre deste ano, com uma subida de 20%. E os dados recolhidos pelo JN dão conta de que a aritmética da morte já vai, este ano, em 71 homicídios, até ontem, mais oito do que o registado no ano passado, até ao final deste mês. O último caso aconteceu ontem, em Loures.