Texto de Mariana Correia Pinto, in Públio on-line (P3)
José Soeiro, sociólogo e deputado bloquista, estudou a luta dos enfermeiros da Linha Saúde 24 na tese de doutoramento sobre o "precariado" português que defendeu no início deste mês. Este é "o primeiro exemplo colectivo da aplicação da lei contra a precariedade"
Eram mesmo falsos recibos verdes. Mais de um ano após o início de uma “luta desigual” entre trabalhadores e a empresa com a concessão da linha Saúde 24, parte integrante do Serviço Nacional de Saúde, a Autoridade para as Condições de Trabalho deu razão aos enfermeiros que diziam ser “falsos recibos verdes” e reclamavam o direito a um contrato de trabalho efectivo. Há ainda casos em recurso, mas alguns trabalhadores já viram esse vínculo reconhecido.
Este é um dos dois estudos de caso apresentados na tese de José Soeiro (o outro é sobre o FERVE, “os assessores” dos recibos verdes) e representa “o primeiro exemplo colectivo da aplicação da lei contra a precariedade”. “Significa que, apesar de tudo, é possível em contexto desfavorável e em contra-ciclo ter uma conquista legal”, sublinha o sociólogo. Na investigação, é relatada a acção de quatro dos enfermeiros envolvidos neste caso (fazendo a análise das origens sociais, percursos laborais, antecedentes como activistas, etc.) e faz-se uma reconstituição da luta, iniciada online e originária de duas greves.
Parte dos trabalhadores que integraram esta disputa não tinha na linha Saúde 24 a sua única fonte de rendimento, tendo, por isso, “mais facilidade em arriscar um processo”, admite o autor da tese “A formação do precariado — transformações no trabalho e mobilizações de precários em Portugal”, a primeira que estuda as formas de luta dos precários. Ainda assim, acredita, a disputa foi “um caso exemplar”. Por serem recibos verdes, os trabalhadores não podiam formalmente convocar a greve. O próprio Sindicato dos Enfermeiros resistiu à ideia e a empresa apelidou a acção de “greve selvagem”. Mas, primeiro com a ajuda do Facebook e, depois, em assembleias, os trabalhadores organizaram-se e activaram a lei contra a precariedade para ver reconhecida a sua condição. “Nem sempre é assim. Mas neste caso, a lei pode ser um instrumento de luta pelos precários.”
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20.7.15
10.4.13
Adiamento da nova gestão da linha Saúde 24 custa 500 mil euros por mês
in Jornal de Notícias
A linha de atendimento Saúde 24 custa mensalmente mais 500 mil euros do que custaria se já tivesse sido resolvido o concurso internacional para a gestão deste serviço, ao qual o Tribunal de Contas recusou um visto, segundo o coordenador.
A completar seis anos de existência, no próximo dia 25 de abril, e após ter ultrapassado os 4,5 milhões de contactos, a Linha Saúde 24 vai deixar de ser gerida pela LCS, empresa do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD).
O coordenador da linha, o enfermeiro Sérgio Gomes, disse à agência Lusa que o concurso ainda não foi resolvido, apesar de já ter sido selecionada uma empresa: a PT.
Isto porque o Tribunal de Contas recusou o visto a este contrato, por alegadamente não concordar com o critério de que a empresa venceu por ter sido a mais rápida a apresentar a proposta.
Sérgio Gomes considera este critério perfeitamente admissível e, sobre o fato da PT ter apresentado a sua proposta um quarto de hora depois, disse ser natural, uma vez que as condições já eram conhecidas.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) não concordou com este argumento do Tribunal de Contas, tendo já enviado a sua posição.
Este concurso internacional tem o valor de 17,8 milhões de euros e permitirá ao Estado poupar perto de metade do que gasta atualmente com a Linha de Saúde 24, que, segundo Sérgio Gomes, impede que cerca de 20% das pessoas que ligam vá às urgências.
Se a nova gestão já estivesse em vigor, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) pagaria cerca de metade do milhão de euros que gasta mensalmente com este serviço, adiantou o coordenador da linha.
De acordo com Sérgio Gomes, o número de contactos diários para a linha Saúde 24 é de cerca de dois mil. Mensalmente são cerca de 60 mil as chamadas realizadas para o número 808242424.
A linha de atendimento Saúde 24 custa mensalmente mais 500 mil euros do que custaria se já tivesse sido resolvido o concurso internacional para a gestão deste serviço, ao qual o Tribunal de Contas recusou um visto, segundo o coordenador.
A completar seis anos de existência, no próximo dia 25 de abril, e após ter ultrapassado os 4,5 milhões de contactos, a Linha Saúde 24 vai deixar de ser gerida pela LCS, empresa do grupo Caixa Geral de Depósitos (CGD).
O coordenador da linha, o enfermeiro Sérgio Gomes, disse à agência Lusa que o concurso ainda não foi resolvido, apesar de já ter sido selecionada uma empresa: a PT.
Isto porque o Tribunal de Contas recusou o visto a este contrato, por alegadamente não concordar com o critério de que a empresa venceu por ter sido a mais rápida a apresentar a proposta.
Sérgio Gomes considera este critério perfeitamente admissível e, sobre o fato da PT ter apresentado a sua proposta um quarto de hora depois, disse ser natural, uma vez que as condições já eram conhecidas.
A Direção-Geral da Saúde (DGS) não concordou com este argumento do Tribunal de Contas, tendo já enviado a sua posição.
Este concurso internacional tem o valor de 17,8 milhões de euros e permitirá ao Estado poupar perto de metade do que gasta atualmente com a Linha de Saúde 24, que, segundo Sérgio Gomes, impede que cerca de 20% das pessoas que ligam vá às urgências.
Se a nova gestão já estivesse em vigor, o Serviço Nacional de Saúde (SNS) pagaria cerca de metade do milhão de euros que gasta mensalmente com este serviço, adiantou o coordenador da linha.
De acordo com Sérgio Gomes, o número de contactos diários para a linha Saúde 24 é de cerca de dois mil. Mensalmente são cerca de 60 mil as chamadas realizadas para o número 808242424.
26.4.12
Linha Saúde 24 evita por mês 25 mil idas às urgências
in Diário de Notícias
Um telefonema para a Linha Saúde 24 evita por mês perto de 25 mil deslocações desnecessárias às urgências, tendo as chamadas aumentado e atingido as 210 mil no primeiro trimestre deste ano, revelou o coordenador.
O serviço completa hoje cinco anos de existência e, em declarações à Agência Lusa, o coordenador da Linha Saúde 24 (808 24 24 24) fez um balanço positivo, apontando que tem conseguido atingir os objetivos propostos, nomeadamente o aumento do acesso a cuidados de saúde e a redução das idas desnecessárias às urgências hospitalares.
"Da leitura que fazemos dos dados, o número de idas evitadas [às urgências] é de cerca de 20 mil a 25 mil por mês pelo facto de terem ligado para o [serviço Linha] Saúde 24", revelou o enfermeiro Sérgio Gomes.
Do total de pessoas que contactam a Linha Saúde 24, só cerca de 20 por cento é aconselhada a ir às urgências, havendo cerca de 30 por cento de utentes a quem é recomendado o auto-cuidado.
Apontou que cerca de metade do total de utentes que recorrem à Linha admitem que a outra opção seria ir para as urgências e que, após a avaliação dos profissionais clínicos, apenas 30 por cento acaba efetivamente por recorrer às urgências.
"Muitos dos utentes que nos ligam dizendo que iam às urgências ou que iriam ao seu médico, após a avaliação, concordam em ficar a prestar os seus auto-cuidados de acordo com o aconselhamento que realizamos e por vezes também com seguimento de chamadas para percebermos a evolução dos sintomas e se os aconselhamentos que demos foram adequados e suficientes para resolver a situação", explicou o responsável.
De acordo com o coordenador, o número de chamadas tem vindo gradualmente a aumentar e 2009 foi um ano atípico por causa da gripe H1N1 que provocou um número recorde de contactos.
"Nós já atendemos cerca de 3,7 milhões de chamadas, com uma distribuição que, em 2007, e considerando que foram só oito meses de chamadas, foi de cerca de 300 mil, em 2008 cerca de 500 mil, 1 200 mil em 2009, 630 mil em 2010, 670 mil em 2011 e já nestes primeiros três meses de 2012 foram atendidas 210 mil chamadas", adiantou.
O enfermeiro Sérgio Gomes acrescentou que a Linha Saúde 24 recebe em média 1.700 chamadas por dia e uma média de 60 mil a 70 mil contactos por mês.
Em relação ao perfil do utilizador da Linha Saúde 24, Sérgio Gomes descreveu-o como jovem, do litoral do país, urbano e ainda maioritariamente feminino.
"Temos verificado, principalmente depois da pandemia de 2009, um desvio da faixa pediátrica para a faixa adulta e do idoso, a partir dos 65 anos. A procura a partir dos 30 anos está de facto a aumentar, desde 2010, 2011", apontou, indicando que se trata de um aumento que andará perto dos cinco por cento.
Atualmente os contactos para crianças até aos 18 anos representam 47 por cento, valor que reduziu ligeiramente depois de em 2009 ter alcançado os 56 por cento.
"Acreditamos que no futuro o serviço possa ter mais valor acrescentado e assim proporcionar ao cidadão um serviço ainda melhor, mais dirigido às respostas às suas necessidades e também com a mesma acessibilidade", concluiu.
Um telefonema para a Linha Saúde 24 evita por mês perto de 25 mil deslocações desnecessárias às urgências, tendo as chamadas aumentado e atingido as 210 mil no primeiro trimestre deste ano, revelou o coordenador.
O serviço completa hoje cinco anos de existência e, em declarações à Agência Lusa, o coordenador da Linha Saúde 24 (808 24 24 24) fez um balanço positivo, apontando que tem conseguido atingir os objetivos propostos, nomeadamente o aumento do acesso a cuidados de saúde e a redução das idas desnecessárias às urgências hospitalares.
"Da leitura que fazemos dos dados, o número de idas evitadas [às urgências] é de cerca de 20 mil a 25 mil por mês pelo facto de terem ligado para o [serviço Linha] Saúde 24", revelou o enfermeiro Sérgio Gomes.
Do total de pessoas que contactam a Linha Saúde 24, só cerca de 20 por cento é aconselhada a ir às urgências, havendo cerca de 30 por cento de utentes a quem é recomendado o auto-cuidado.
Apontou que cerca de metade do total de utentes que recorrem à Linha admitem que a outra opção seria ir para as urgências e que, após a avaliação dos profissionais clínicos, apenas 30 por cento acaba efetivamente por recorrer às urgências.
"Muitos dos utentes que nos ligam dizendo que iam às urgências ou que iriam ao seu médico, após a avaliação, concordam em ficar a prestar os seus auto-cuidados de acordo com o aconselhamento que realizamos e por vezes também com seguimento de chamadas para percebermos a evolução dos sintomas e se os aconselhamentos que demos foram adequados e suficientes para resolver a situação", explicou o responsável.
De acordo com o coordenador, o número de chamadas tem vindo gradualmente a aumentar e 2009 foi um ano atípico por causa da gripe H1N1 que provocou um número recorde de contactos.
"Nós já atendemos cerca de 3,7 milhões de chamadas, com uma distribuição que, em 2007, e considerando que foram só oito meses de chamadas, foi de cerca de 300 mil, em 2008 cerca de 500 mil, 1 200 mil em 2009, 630 mil em 2010, 670 mil em 2011 e já nestes primeiros três meses de 2012 foram atendidas 210 mil chamadas", adiantou.
O enfermeiro Sérgio Gomes acrescentou que a Linha Saúde 24 recebe em média 1.700 chamadas por dia e uma média de 60 mil a 70 mil contactos por mês.
Em relação ao perfil do utilizador da Linha Saúde 24, Sérgio Gomes descreveu-o como jovem, do litoral do país, urbano e ainda maioritariamente feminino.
"Temos verificado, principalmente depois da pandemia de 2009, um desvio da faixa pediátrica para a faixa adulta e do idoso, a partir dos 65 anos. A procura a partir dos 30 anos está de facto a aumentar, desde 2010, 2011", apontou, indicando que se trata de um aumento que andará perto dos cinco por cento.
Atualmente os contactos para crianças até aos 18 anos representam 47 por cento, valor que reduziu ligeiramente depois de em 2009 ter alcançado os 56 por cento.
"Acreditamos que no futuro o serviço possa ter mais valor acrescentado e assim proporcionar ao cidadão um serviço ainda melhor, mais dirigido às respostas às suas necessidades e também com a mesma acessibilidade", concluiu.
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