Joana Amorim, in Jornal de Notícias
Pedro Queirós e Lourenço Macedo Santos viveram esta terça-feira o segundo sismo no Nepal. No dia 25 de abril eram simples turistas quando um violento terramoto tirou a vida a mais de oito mil pessoas. Hoje, continuam a ajudar a população distribuindo milhares de quilos de comida e de litros de água.
"A terra tremeu de novo durante algum tempo. A BBC está a falar em 7.4. Estamos bem e seguros no Hotel Dwarikas, o nosso quartel general. Já conhecemos os procedimentos". Assim escrevia, ao início desta manhã, na sua página de Facebook, Pedro Queirós.
O português, de 33 anos, andava de férias com o amigo Lourenço Macedo Santos, de 35 anos, quando, a 25 de abril, um violento sismo sacudiu o Nepal. Decidiram ficar, ajudar, fazer a diferença. Outros portugueses juntaram-se à missão. Uns permanecem no terreno, outros tiveram que retomar as suas vidas profissionais. São cinco: o Pedro e o Lourenço, a Ana Dias, o José Batalha e a Ana Almeida. E estão todos bem.
Esta terça-feira tinham destinado o dia para montar a operação de amanhã: distribuir packs a 800 famílias num local remoto, mais de dez mil toneladas de mantimentos. Estavam no hotel, em Katmandu, quando um novo sismo abalou o Nepal. "Outra réplica, grande, sentiu-se na Índia. Estávamos dentro do quarto e corremos o mais rápido possível para a rua", escrevia Lourenço na sua página de Facebook.
Nos seus registos contam que não há eletricidade, pedem que não enviem mensagens para não ficarem sem bateria, dizem que estão a "perceber os próximos passos". E passos grandes deram já aqueles portugueses no teto do Mundo. Nos seus diários no Facebook, Pedro conta que, ao oitavo dia de missão, tinham sido já distribuídos 13350 quilogramas de arroz, 70 quilos de leite em pó, 9604 pacotes de bolachas, 2410 litros de água, 50 tendas, entre outros, num total gasto de 10.302 euros.
Hoje, cumprem o 14.º dia. De uma missão que pôs os nepalases de cartazes na mão onde se pode ver a bandeira nacional e ler: "Obrigado Portugal". Atualmente, trabalham em conjunto com a Bpw Nepal - Business and Professional Women do Nepal. "Não param. E são elas que arranjam os voluntários todos. E tratam-me a mim e ao Lourenço como filhos", contava Pedro Queirós no passado dia 5.
Criaram uma conta para quem quiser e puder ajudar: NIB 003300000098021915378. E todos, dos vários cantos do Mundo, têm sido generosos, garantem. "Obrigada Portugal. Nós também somos Nepal". E, a ver pelas mensagens que lhes são deixadas nas páginas de Facebook, os portugueses dizem: Obrigado Pedro e Lourenço.
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12.5.15
5.5.15
Tráfico de crianças no Nepal preocupa Unicef após sismo
in RR
Autoridades nepalesas subiram para 7.557 o número de mortos do terramoto registado no passado dia 25 de Abril.
O núcleo da Unicef em Katmandu alertou para o risco de aumento do tráfico de crianças no Nepal, na sequência do terramoto, e para o perigo de agravamento de problemas já existentes, como a subnutrição.
A organização está preocupada com o movimento ilegal de crianças "no meio do caos" associado a qualquer emergência, pelo que continua a trabalhar com a polícia e as autoridades fronteiriças. "As notícias que nos chegam dos campos de deslocados não são alarmantes nesse sentido, mas temos que estar atentos porque sabemos que em todas as situações de emergência os riscos são elevados", frisou a chefe da Protecção Infantil da Unicef no Nepal, Virginia Pérez, numa entrevista à agência noticiosa Efe.
Segundo dados de que a Organização das Nações Unidas (ONU) dispõe, relativos a 2001, 12 mil crianças eram traficadas por ano no Nepal.
"Não sabemos até que ponto esses números estão actualizados", referiu Virginia Pérez, acrescentando que o Nepal e a Índia têm uma fronteira permeável que se pode atravessar com facilidade e sem documentação.
A mesma responsável explicou que o risco incide, sobretudo, nas crianças que não têm quem cuide delas, que se movem de um lado para o outro, que podem separar-se dos pais e acabar na Índia ou noutro país.
Segundo algumas das primeiras avaliações, no distrito de Gorkha (norte), perto de 80% das escolas estão destruídas, pelo que continuam a trabalhar para impedir as doenças. Já antes do terramoto de 25 de Abril, o Nepal tinha índices de exploração infantil, de tráfico de menores e de abuso e violência "muito altos", referiu.
A subnutrição, o perigo da falta de alimentos e o atraso no regresso à escola, assim como o perigo das doenças causadas pela falta de saneamento, são também preocupações da Unicef. O trabalho infantil é outra das preocupações, já que agora é necessária muita mão-de-obra para reconstruir o país.
Aumenta o número de mortos
As autoridades nepalesas informaram que "um exército" de trabalhadores está finalmente a conseguir fazer chegar a ajuda aos sobreviventes do sismo no Nepal. Mais de 131 mil militares e polícias nepaleses participam actualmente na massiva operação, apoiados por mais de uma centena de equipas de trabalhadores humanitários estrangeiros.
O Centro de Operações de Emergência Nacional elevou, esta terça-feira, para 7.557 o número de mortes causadas pelo forte sismo, o mais mortífero do país em mais de 80 anos, o qual provocou também 14.536 feridos. Mas as autoridades advertiram, porém, que o balanço final deve aumentar, atendendo a que as equipas de resgate começam apenas agora a ter acesso a zonas remotas da nação.
O terramoto, registado no passado dia 25 de Abril, também fez mais de uma centena de mortos nas vizinhas Índia e China.
O Governo do Nepal tem sido alvo de críticas pelos atrasos na entrega de ajuda, uma situação que o Ministério do Interior afirmou estar actualmente sob controlo.
Autoridades nepalesas subiram para 7.557 o número de mortos do terramoto registado no passado dia 25 de Abril.
O núcleo da Unicef em Katmandu alertou para o risco de aumento do tráfico de crianças no Nepal, na sequência do terramoto, e para o perigo de agravamento de problemas já existentes, como a subnutrição.
A organização está preocupada com o movimento ilegal de crianças "no meio do caos" associado a qualquer emergência, pelo que continua a trabalhar com a polícia e as autoridades fronteiriças. "As notícias que nos chegam dos campos de deslocados não são alarmantes nesse sentido, mas temos que estar atentos porque sabemos que em todas as situações de emergência os riscos são elevados", frisou a chefe da Protecção Infantil da Unicef no Nepal, Virginia Pérez, numa entrevista à agência noticiosa Efe.
Segundo dados de que a Organização das Nações Unidas (ONU) dispõe, relativos a 2001, 12 mil crianças eram traficadas por ano no Nepal.
"Não sabemos até que ponto esses números estão actualizados", referiu Virginia Pérez, acrescentando que o Nepal e a Índia têm uma fronteira permeável que se pode atravessar com facilidade e sem documentação.
A mesma responsável explicou que o risco incide, sobretudo, nas crianças que não têm quem cuide delas, que se movem de um lado para o outro, que podem separar-se dos pais e acabar na Índia ou noutro país.
Segundo algumas das primeiras avaliações, no distrito de Gorkha (norte), perto de 80% das escolas estão destruídas, pelo que continuam a trabalhar para impedir as doenças. Já antes do terramoto de 25 de Abril, o Nepal tinha índices de exploração infantil, de tráfico de menores e de abuso e violência "muito altos", referiu.
A subnutrição, o perigo da falta de alimentos e o atraso no regresso à escola, assim como o perigo das doenças causadas pela falta de saneamento, são também preocupações da Unicef. O trabalho infantil é outra das preocupações, já que agora é necessária muita mão-de-obra para reconstruir o país.
Aumenta o número de mortos
As autoridades nepalesas informaram que "um exército" de trabalhadores está finalmente a conseguir fazer chegar a ajuda aos sobreviventes do sismo no Nepal. Mais de 131 mil militares e polícias nepaleses participam actualmente na massiva operação, apoiados por mais de uma centena de equipas de trabalhadores humanitários estrangeiros.
O Centro de Operações de Emergência Nacional elevou, esta terça-feira, para 7.557 o número de mortes causadas pelo forte sismo, o mais mortífero do país em mais de 80 anos, o qual provocou também 14.536 feridos. Mas as autoridades advertiram, porém, que o balanço final deve aumentar, atendendo a que as equipas de resgate começam apenas agora a ter acesso a zonas remotas da nação.
O terramoto, registado no passado dia 25 de Abril, também fez mais de uma centena de mortos nas vizinhas Índia e China.
O Governo do Nepal tem sido alvo de críticas pelos atrasos na entrega de ajuda, uma situação que o Ministério do Interior afirmou estar actualmente sob controlo.
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