in Revista Fórum
O total de pobres no país no final de 2017 era de 23,3 milhões - um grupo maior do que a população chilena, segundo estudo da FGV
Desde o final de 2014 até final de 2017 o aumento de pobreza foi de 33%, passando de 8,38% a 11,18% da população brasileira, segundo estudo da Fundação Getúlio Vargas. 6,27 milhões de brasileiros voltaram à pobreza, fazendo com que o total de pobres no país seja de 23,3 milhões – um grupo maior do que a população chilena.
A linha de pobreza corresponde a uma renda de R$ 233/mês por pessoa, de acordo com a FGV. Este movimento de empobrecimento inclui o aumento de 19,3% da pobreza entre 2014 e 2015 pela PNAD antiga, 3,2% de aumento entre 2016 e 2017 da PNAD Anual e mais 8,33% de incremento entre 2015 e 2016.
Por conta da crise, houve queda da renda média e aumento da desigualdade – ambas fruto da recessão. Houve reversão do crescimento de 5,12% no primeiro trimestre de 2014 para uma queda na ordem de 5,51% em meados de 2016. A desigualdade de renda vai completar 3 anos de alta, fato que não acontecia desde 1989, recorde histórico.
A PNADC revela severa queda de renda média do trabalho entre todos em idade ativa, não somente entre os ocupados. Entre o segundo trimestre de 2015 e de 2018, a perda de renda média acumulada é de 3,44%. Esta perda é mais forte entre os jovens (-20,1% entre 15 e 19 anos e -13,94% entre 20 e 24 anos), entre pessoas com ensino médio incompleto (-11,65%) e entre os responsáveis dos domicílios (-10,38%).
No período 2015 a 2018, o desemprego explica boa parte da queda de renda. “A crise fiscal crônica, agora acompanhada do teto dos gastos públicos, dá força à ideia de que o Estado não vai poder socorrer aos cidadãos em apuros, reforçando comportamentos que reduzem o consumo e a demanda, deprimindo ainda mais a economia” diz o economista Marcelo Neri, coordenador do estudo.
Enquanto a média de renda caiu 7%, a renda dos 5% mais pobres caiu 14% desde 2015 – o congelamento nominal é o principal responsável por essa redução maior da renda entre os mais pobres. Os mais pobres tiveram a sua crise dobrada em relação à média geral da nação. “Uma lição da crise atual é olharmos primeiro para os mais pobres buscando protegê-los, preservando o movimento da economia como um todo”, finaliza Neri.
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3.9.18
23.7.13
Dilma Rousseff propõe aliança para combater pobreza
in Jornal de Notícias
A presidente brasileira, Dilma Rousseff, propôs, esta terça-feira, ao Papa Francisco, no Rio de Janeiro, uma aliança para combater as desigualdades e para difundir iniciativas contra a probeza, que já tiveram resultados positivos no Brasil.
"Um homem que vem do povo latino-americano, da vizinha Argentina, reúne mais condições para criar uma aliança (entre o governo brasileiro e a igreja católica) de combate à pobreza e de difusão de boas experiências", afirmou Rousseff, no discurso na cerimónia de receção do Papa.
Francisco iniciou uma visita de uma semana ao Brasil para participar nas 28.ª Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ).
Rousseff afirmou que pretende aproveitar a visita de Francisco para renovar o diálogo entre o Governo brasileiro e a Igreja católica sobre justiça social, solidariedade, direitos humanos e paz entre as nações, princípios partilhados pelas duas partes.
"Sabemos que estamos perante um líder religioso sensível e atento às preocupações dos nossos povos de justiça social e oportunidades para todos. Lutamos contra um inimigo comum: as desigualdades em todas as suas formas", sublinhou.
A presidente referiu-se ainda aos cerca de 40 milhões de brasileiros que, de acordo com as estatísticas oficiais, deixaram de viver no limiar da pobreza, na última década, e disse que o Brasil está muito orgulhoso de ter alcançado uma meta tão importante.
Parte deste êxito, deve-se aos programas de transferência de rendimentos para os mais pobres e a outros programas sociais adotados pelo Governo nos últimos anos, acrescentou.
"Fizemos muito e sabemos que ainda há muito por fazer, e nesse processo contámos com a associação importante da igreja", disse.
Rousseff garantiu que as diferentes pastorais do episcopado brasileiro foram estratégicas nas ações para melhorar as condições de vida das populações menos favorecidas, incluindo agricultores sem terra, pessoas que vivem na rua, reclusos e desempregados.
O Brasil está a difundir estes programas de combate à pobreza em outros países da América Latina e em África e na Ásia, disse.
"Acreditamos que o apoio da igreja a estes processos pode transformar estas iniciativas locais bem sucedidas em iniciativas globais", sublinhou, referindo-se à aliança proposta ao Vaticano.
A chefe de Estado brasileira afirmou que, como o Papa, considera que as estratégias de superação da atual crise não podem limitar-se a medidas de austeridade e precisam de ter em conta os problemas sociais dos mais pobres e dos jovens, as principais vítimas da crise.
Esta foi a mensagem das manifestações por melhores serviços públicos que, em junho, sacudiram todo o país e chegaram a mobilizar, em alguns dias, mais de um milhão de pessoas numa centena de cidades, disse.
"Os jovens exigem nas ruas mais direitos sociais, mais educação, qualidade de vida (...). Os jovens exigem respeito, ética e transparência. Querem que a política responda aos seus interesses e não seja território de privilégios. Os jovens estão cansados da violência que os torna nas principais vítimas e querem combater todas as formas de discriminação", declarou Dilma Rousseff.
Neste sentido, a presidente brasileira elogiou as iniciativas das JMJ por "um mundo melhor", de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE.
A presidente brasileira, Dilma Rousseff, propôs, esta terça-feira, ao Papa Francisco, no Rio de Janeiro, uma aliança para combater as desigualdades e para difundir iniciativas contra a probeza, que já tiveram resultados positivos no Brasil.
"Um homem que vem do povo latino-americano, da vizinha Argentina, reúne mais condições para criar uma aliança (entre o governo brasileiro e a igreja católica) de combate à pobreza e de difusão de boas experiências", afirmou Rousseff, no discurso na cerimónia de receção do Papa.
Francisco iniciou uma visita de uma semana ao Brasil para participar nas 28.ª Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ).
Rousseff afirmou que pretende aproveitar a visita de Francisco para renovar o diálogo entre o Governo brasileiro e a Igreja católica sobre justiça social, solidariedade, direitos humanos e paz entre as nações, princípios partilhados pelas duas partes.
"Sabemos que estamos perante um líder religioso sensível e atento às preocupações dos nossos povos de justiça social e oportunidades para todos. Lutamos contra um inimigo comum: as desigualdades em todas as suas formas", sublinhou.
A presidente referiu-se ainda aos cerca de 40 milhões de brasileiros que, de acordo com as estatísticas oficiais, deixaram de viver no limiar da pobreza, na última década, e disse que o Brasil está muito orgulhoso de ter alcançado uma meta tão importante.
Parte deste êxito, deve-se aos programas de transferência de rendimentos para os mais pobres e a outros programas sociais adotados pelo Governo nos últimos anos, acrescentou.
"Fizemos muito e sabemos que ainda há muito por fazer, e nesse processo contámos com a associação importante da igreja", disse.
Rousseff garantiu que as diferentes pastorais do episcopado brasileiro foram estratégicas nas ações para melhorar as condições de vida das populações menos favorecidas, incluindo agricultores sem terra, pessoas que vivem na rua, reclusos e desempregados.
O Brasil está a difundir estes programas de combate à pobreza em outros países da América Latina e em África e na Ásia, disse.
"Acreditamos que o apoio da igreja a estes processos pode transformar estas iniciativas locais bem sucedidas em iniciativas globais", sublinhou, referindo-se à aliança proposta ao Vaticano.
A chefe de Estado brasileira afirmou que, como o Papa, considera que as estratégias de superação da atual crise não podem limitar-se a medidas de austeridade e precisam de ter em conta os problemas sociais dos mais pobres e dos jovens, as principais vítimas da crise.
Esta foi a mensagem das manifestações por melhores serviços públicos que, em junho, sacudiram todo o país e chegaram a mobilizar, em alguns dias, mais de um milhão de pessoas numa centena de cidades, disse.
"Os jovens exigem nas ruas mais direitos sociais, mais educação, qualidade de vida (...). Os jovens exigem respeito, ética e transparência. Querem que a política responda aos seus interesses e não seja território de privilégios. Os jovens estão cansados da violência que os torna nas principais vítimas e querem combater todas as formas de discriminação", declarou Dilma Rousseff.
Neste sentido, a presidente brasileira elogiou as iniciativas das JMJ por "um mundo melhor", de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE.
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