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27.11.12

Recessão em 2013 vai ser mais grave e prolongada do que espera Governo

in Jornal de Notícias

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico prevê que a economia portuguesa se contraia 1,8% em 2013, quase o dobro do que esperam o Governo e a "troika" (1%).

A OCDE também prevê que o crescimento económico só regresse "no final de 2013", enquanto o Governo e a 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu) esperam que já no segundo trimestre do próximo ano a economia volte a crescer.

Estes dados constam de um documento de previsões económicas hoje divulgado pela OCDE.

A OCDE prevê, tal como o Governo, que o desemprego atinja um máximo histórico no próximo ano. A previsão da OCDE é, contudo, ainda mais gravosa: uma taxa de 16,9%, mais ainda que os 16,4% avançados pelo Governo.

Ao contrário do Executivo, a OCDE já avança previsões para 2014: uma ligeira recuperação de 0,9%, impulsionada pelas exportações e pelo investimento, com o consumo privado a permanecer retraído. O desemprego deverá reduzir-se apenas de forma muito ligeira (para 16,4%).

Como tem sido sistemático nos documentos de previsão das instituições internacionais, estes dados implicam uma revisão em baixa das perspetivas para Portugal relativamente aos números avançados pela OCDE em julho.

E mesmo este cenário poderá voltar a agravar-se. A OCDE alerta para os "riscos" que subsistem, visto que a economia portuguesa "continuará sensível a novas deteriorações nas condições de crédito e das economias de outros países do euro".

29.10.12

Conselho Económico e Social diz que recessão de "apenas 1%" prevista para 2013 "é irrealista"

in Jornal de Notícias

O Conselho Económico e Social considera que o cenário macroeconómico apresentado na proposta do Orçamento do Estado para 2013 será difícil de concretizar e classifica de "irrealista" a previsão de uma recessão de apenas 1% no próximo ano.

De acordo com o projeto de parecer sobre o Orçamento do Estado (OE) 2013, ao qual a Lusa teve acesso, elaborado pelo conselheiro Rui Leão Martinho e que será apreciado hoje na Comissão Especializada Permanente de Política Económica e Social (CEPES), "o Conselho Económico e Social (CES) considera dificilmente concretizável o cenário macroeconómico apresentado na proposta de Orçamento".

Entende que "a previsão de uma recessão de apenas 1% no próximo ano é irrealista" e que "não existe qualquer base objetiva para esperar que venha a haver crescimento no segundo trimestre de 2013".

O CES adverte que "o aumento da carga fiscal sobre as famílias irá acentuar a quebra do rendimento disponível, a qual terá efeitos recessivos, afetando não apenas o consumo, mas também o investimento".

Nesse sentido, o Conselho "vê com muita preocupação o aumento do IRS, que irá ter efeitos imediatos no rendimento disponível devido à alteração dos escalões e das tabelas de retenção na fonte e à sobretaxa de 4%".

Este aumento da carga fiscal, alerta o CES, irá conduzir à "contração da procura interna, que se vem tornando patente através do número elevado de insolvências e falências".

O CES chama igualmente a atenção para o facto de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter admitido ter calculado mal o impacto da austeridade sobre a economia.

"Enquanto antes estimava que com menos um euro na despesa se perdia 0,5 euros no PIB (Produto Interno Bruto), agora admite que essa perda varia entre 0,9 e 1,7", assinala o CES.

Apesar de o Ministério das Finanças não divulgar que indicador utiliza para Portugal, o CES estima que "se forem adotados aqueles multiplicadores [usados pelo FMI] tem-se, considerando um esforço orçamental de 5.338 milhões de euros, uma queda do PIB entre 2,8 e 5,3%".

O CES adverte ainda que a proposta do Orçamento do Estado irá determinar uma recessão "mais profunda do que o previsto, o que terá efeitos na redução do nível de emprego e no agravamento do desemprego, que seguramente será também mais elevado do que o previsto, com as previsíveis consequências em matéria orçamental que decorrem do crescimento das prestações sociais".

O projeto de parecer sobre o OE2013, que poderá sofrer algumas alterações na reunião de segunda-feira, será votado no plenário do CES a 05 de novembro.