in Jornal de Notícias
A taxa de juro no crédito à habitação caiu em Novembro para novo mínimo histórico, 2,077 por cento, assim como a prestação média vencida, que se fixou em 256 euros, menos 113 euros que no início do ano.
Segundo os dados divulgados hoje, quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a taxa de juro para o conjunto dos contratos de crédito à habitação voltou a atingir novo mínimo histórico em Novembro, tendo caído já 3,899 pontos percentuais desde Dezembro de 2008.
A queda da taxa face ao mês de Outubro foi de 0,134 pontos percentuais.
Por sua vez, também a prestação média vencida no mês anterior atingiu novo histórico, situando-se nos 256 euros, diminuindo três euros relativamente a Outubro, e menos 113 euros que no inicio do ano (-30,7 por cento).
A diminuição mensal da taxa do conjunto dos contratos em vigor ocorreu em todos os períodos considerados. A queda foi de 0,113 pontos percentuais, últimos três meses, 0,108 pontos percentuais, últimos seis meses, e 0,138, últimos 12 meses. As taxas fixaram-se em 2,164, 2,087 e 2,077 por cento, respectivamente.
A queda verificou-se em todos os destinos de financiamento: os juros nos contratos para a "aquisição de terreno para construção de habitação" caíram 0,124 pontos percentuais, enquanto na "construção de habitação" e na "aquisição de habitação" desceram 0,134 pontos percentuais.
As taxas para estes destinos de financiamento fixaram-se nos 1,904 por cento, 2,033 por cento e 2,087 por cento respectivamente.
O INE explicou ainda que, no total dos contratos de crédito à habitação, em média, as pessoas deviam 55.897 euros, mais 96 euros que em Outubro.
Os contratos para a compra de casa foram os que registaram maior aumento do capital em dívida, que subiu 100 euros face a Outubro, para se situar nos 59.906 euros.
Os créditos para construir casa registaram um aumento do valor médio devido de 40 euros em Novembro, face ao mês anterior, para os 42.334 euros, mas o valor médio a pagar mais alto registou-se nos contratos celebrados para quem comprou terreno para construir casa, fixando-se em Novembro nos 92.709 euros.
30.12.09
2000 sem-abrigo em Lisboa e no Porto
in Esquerda.Net
Estima-se que só nas duas maiores metrópoles do país existam mais de dois mil sem-abrigo. É o que se sabe a partir do recenseamento em curso, na véspera do início do Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social. O processo de registo dos sem-abrigo existentes em Portugal está em curso e quase em fase de conclusão, algo que só acontecerá depois de Março de 2010. Trata-se do recenseamento dos cerca de três mil sem-abrigo que se estima existirem no país, está a ser feito pelo Instituto de Segurança Social (ISS), em estreita articulação com várias Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Estima-se que dois terços do total das pessoas que vivem na rua estão em Lisboa e no Porto. A maioria destes sem-abrigo são homens em idade activa (entre os 30 e os 49 anos), são solteiros ou divorciados e de nacionalidade portuguesa.
O processo de recolha de dados engloba os que vivem e pernoitam ao relento em sete capitais de distrito: Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Coimbra, Setúbal e Faro. O objectivo deste projecto não é apenas saber o nome e proceder à identificação de cada cidadão. “É, sobretudo, conhecer as circunstâncias em que vive e o motivo que o levou a essa condição”, disse Edmundo Martinho, presidente do ISS, ao Jornal de Notícias (JN).
Com estas informações, será possível conhecer as fragilidades de cada indivíduo, as tentações, tendências ou dependências que o condicionem, mas também potencialidades que possam ser aproveitadas no futuro. Deste modo, o conhecimento das situações e do passado profissional de um sem-abrigo contribuirá para traçar um plano de vida alternativo, no caso de revelar vontade em iniciar um quotidiano diferente. No entanto, um dirigente de uma IPSS considera, porém, que este tipo de recenseamento é "inconveniente" e não crê que seja bem sucedido, porque, argumentou ao JN, "a maioria dos sem-abrigo prefere manter o anonimato e têm direito à sua privacidade".
Em vista está o projecto de reinserção social “Casa Primeiro”, para o qual já foram escolhidos 20 dos cidadãos registados como estando nesta condição e que possuem o perfil e as características adequadas. Em breve, irão viver sozinhas, ou não, para apartamentos. Espera-se que subsistam através de pensões ou de apoios estatais e serão acompanhados pela Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS). "Queremos evitar as soluções em espaços colectivos de vida", como albergues onde vivem em grupo."É preciso fazer um corte e este começa por a pessoa sentir que tem a sua casa, o seu quarto e as suas coisas", afirmou Edmundo Martinho.
Estas informações surgem a dois dias do arranque do Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social e a par do anúncio de 700 mil euros afectos a um programa para colocar o tema da pobreza na ordem do dia e mobilizar a sociedade civil para o seu combate. O programa será co-financiado pela União Europeia e por verbas nacionais. No entanto, já se sabe que a maior parte das iniciativas irá caber a entidades públicas e privadas, ou seja, parte dos gastos não está ainda contabilizada.
Vão ser também realizados estudos sobre pobreza infantil e analisada a relação das baixas qualificações dos trabalhadores com os baixos salários e riscos acrescidos de exposição à pobreza.
O responsável pelo programa é o presidente do ISS, que considera que os indicadores relativos ao risco de pobreza em Portugal têm melhorado nos últimos anos, mas continuam a ser preocupantes. "Temos números que não podem deixar de nos inquietar e mobilizar para fazer tudo o que está ao nosso alcance. E o que queremos com este ano é dar esse contributo", explicou à Lusa.
Contudo, os dados fornecidos pelas instituições de solidariedade social e ong's que prestam auxílio e serviço social nesta área, são também preocupantes mas não indicando melhorias, muito menos, neste último ano de crise.
No passado dia 16 de Outubro, assinalou-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza com a vinda a público dos números da pobreza em Portugal. Estes indicam que 18 em cada 100 portugueses são pobres e o desemprego é uma das principais causas de pobreza em no país, informação prestada pela Rede Europeia Anti-Pobreza.
A Assistência Médica Internacional (AMI) também divulgou que os seus centros Porta Amiga apoiaram, no primeiro semestre do ano de 2009, mais 10 por cento de pessoas do que no mesmo período do ano anterior.
Estima-se que só nas duas maiores metrópoles do país existam mais de dois mil sem-abrigo. É o que se sabe a partir do recenseamento em curso, na véspera do início do Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social. O processo de registo dos sem-abrigo existentes em Portugal está em curso e quase em fase de conclusão, algo que só acontecerá depois de Março de 2010. Trata-se do recenseamento dos cerca de três mil sem-abrigo que se estima existirem no país, está a ser feito pelo Instituto de Segurança Social (ISS), em estreita articulação com várias Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS). Estima-se que dois terços do total das pessoas que vivem na rua estão em Lisboa e no Porto. A maioria destes sem-abrigo são homens em idade activa (entre os 30 e os 49 anos), são solteiros ou divorciados e de nacionalidade portuguesa.
O processo de recolha de dados engloba os que vivem e pernoitam ao relento em sete capitais de distrito: Lisboa, Porto, Aveiro, Braga, Coimbra, Setúbal e Faro. O objectivo deste projecto não é apenas saber o nome e proceder à identificação de cada cidadão. “É, sobretudo, conhecer as circunstâncias em que vive e o motivo que o levou a essa condição”, disse Edmundo Martinho, presidente do ISS, ao Jornal de Notícias (JN).
Com estas informações, será possível conhecer as fragilidades de cada indivíduo, as tentações, tendências ou dependências que o condicionem, mas também potencialidades que possam ser aproveitadas no futuro. Deste modo, o conhecimento das situações e do passado profissional de um sem-abrigo contribuirá para traçar um plano de vida alternativo, no caso de revelar vontade em iniciar um quotidiano diferente. No entanto, um dirigente de uma IPSS considera, porém, que este tipo de recenseamento é "inconveniente" e não crê que seja bem sucedido, porque, argumentou ao JN, "a maioria dos sem-abrigo prefere manter o anonimato e têm direito à sua privacidade".
Em vista está o projecto de reinserção social “Casa Primeiro”, para o qual já foram escolhidos 20 dos cidadãos registados como estando nesta condição e que possuem o perfil e as características adequadas. Em breve, irão viver sozinhas, ou não, para apartamentos. Espera-se que subsistam através de pensões ou de apoios estatais e serão acompanhados pela Associação para o Estudo e Integração Psicossocial (AEIPS). "Queremos evitar as soluções em espaços colectivos de vida", como albergues onde vivem em grupo."É preciso fazer um corte e este começa por a pessoa sentir que tem a sua casa, o seu quarto e as suas coisas", afirmou Edmundo Martinho.
Estas informações surgem a dois dias do arranque do Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social e a par do anúncio de 700 mil euros afectos a um programa para colocar o tema da pobreza na ordem do dia e mobilizar a sociedade civil para o seu combate. O programa será co-financiado pela União Europeia e por verbas nacionais. No entanto, já se sabe que a maior parte das iniciativas irá caber a entidades públicas e privadas, ou seja, parte dos gastos não está ainda contabilizada.
Vão ser também realizados estudos sobre pobreza infantil e analisada a relação das baixas qualificações dos trabalhadores com os baixos salários e riscos acrescidos de exposição à pobreza.
O responsável pelo programa é o presidente do ISS, que considera que os indicadores relativos ao risco de pobreza em Portugal têm melhorado nos últimos anos, mas continuam a ser preocupantes. "Temos números que não podem deixar de nos inquietar e mobilizar para fazer tudo o que está ao nosso alcance. E o que queremos com este ano é dar esse contributo", explicou à Lusa.
Contudo, os dados fornecidos pelas instituições de solidariedade social e ong's que prestam auxílio e serviço social nesta área, são também preocupantes mas não indicando melhorias, muito menos, neste último ano de crise.
No passado dia 16 de Outubro, assinalou-se o Dia Internacional para a Erradicação da Pobreza com a vinda a público dos números da pobreza em Portugal. Estes indicam que 18 em cada 100 portugueses são pobres e o desemprego é uma das principais causas de pobreza em no país, informação prestada pela Rede Europeia Anti-Pobreza.
A Assistência Médica Internacional (AMI) também divulgou que os seus centros Porta Amiga apoiaram, no primeiro semestre do ano de 2009, mais 10 por cento de pessoas do que no mesmo período do ano anterior.
Cultivar a paz preservando a criação
Miguel Oliveira Panão, in Agência Ecclesia
Tema escolhido por Bento XVI para o próximo Dia Mundial da Paz ganha nova relevância depois de Copenhaga
A cimeira de Copenhaga terminou apenas com uma intenção de acção relativa a uma questão moral que nos atinge a todos: a crise ecológica. Segundo o secretário da ONU para as alterações climáticas, Yvo de Boer, apesar de não ter qualquer efeito vinculativo, “tomar nota” do acordo é «uma forma [dos países] reconhecerem que algo existe, mas não a ponto de dizerem que se tornam parte [dele]». Porque não se atingiu consenso? A interpretação que lemos nos jornais é ter havido um bloqueio resultante de diferendos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Mas, será este o motivo? Sugiro uma outra interpretação.
Na preparação desta cimeira foram identificados como pontos essenciais pelos organizadores: a redução das emissões de gases com efeito de estufa, nomeadamento o CO2; e as ajudas financeiras aos países mais pobres (que são, sem dúvida, importantes). Porém, preocupados com os números, esqueceu-se aquilo que importava reduzir verdadeiramente: o défice relacional entre os países, expressão que Bento XVI identifica como a «necessidade de uma profunda renovação cultural». Enquanto o ser humano não se der conta que a crise ecológica é um reflexo da crise cultural que atravessa e uma manifestação da «urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo», o acordo será difícil. Por outro lado, é preciso que as sociedades mais avançadas tecnologicamente «estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as próprias necessidades de energia». Assim, existem duas palavras essenciais na mensagem do Dia Mundial da Paz escrita por Bento XVI: solidariedade e sobriedade. O resultado da cimeira não seria o mesmo se fossem estes os pontos essenciais identificados pelo organizadores em vez de emissões e dinheiro.
Bento XVI afirma a crise ecológica como «uma oportunidade histórica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direcção mais respeitadora da criação e de um desenvolvimento humano integral». Contudo, pode haver desenvolvimento humano integral quando existem «pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo – deixando lá muitas vezes também os seus bens – tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada», o que Bento XVI apelidou de “refugiados ambientais”? Como escreve na sua última Encíclica «o modo como o ser humano trata o ambiente influi sobre o modo como se trata a si mesmo, e vice-versa» (Caritas in veritate, n. 51).
De facto, «a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana», daí a ligação profunda entre “ecologia humana” e “ecologia ambiental”. Essa ligação dá-se, sobretudo, através da categoria da relação. Se assumirmos que somos constituídos na relacionalidade, reconhecemos cada ser humano como parte da mesma família humana. Relação é um conceito profundamente ecológico e suportado pelas ciências naturais. No mundo, tudo está em relação com tudo, cada coisa com cada coisa. Penso que Copenhaga carecia desta visão familial dos relacionamentos entre nações com implicações para o relacionamento destas com o meio ambiente.
Existe um último ponto na mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz que pode ser uma chave de leitura útil para o pós-Copenhaga: o significado daquilo que Bento XVI apela de “função superior do homem”. Bento XVI apela a um modelo de desenvolvimento fundado na «centralidade do ser humano», e critica uma concepção de relação entre ser humano e natureza dita biocêntrica, ou ecocêntrica, pelo facto de eliminar a diferença ontológica (natureza da existência) e axiológica (ao nível dos valores) entre ambos, elimina também a «função superior do homem». Isto sugere que a visão de Bento XVI pode ser interpretada como antropocêntrica, o que seria uma conclusão precipitada e redutora daquela que é a “função superior” que faz parte da vocação do ser humano na natureza, isto é, «o dever de exercer um governo responsável da criação, preservando-a e cultivando-a». Tal função ou governo não parte de uma noção de “cima para baixo” entre o homem e a natureza, mas de uma noção familial do homem e da natureza como membros da “família da criação”. Logo, neste caso, “função superior” é sinónimo de “serviço”.
Cultivar a paz, preservando a criação, depois de Copenhaga, significa reconhecer que somos todos “família da criação” e que o país do outro é também o meu. Quando ultrapassarmos o preconceito do interesse individual, encontraremos a solução e o acordo no interesse relacional. Isto não cabe apenas às nações e seus líderes, mas sobretudo, a cada um de nós.
Tema escolhido por Bento XVI para o próximo Dia Mundial da Paz ganha nova relevância depois de Copenhaga
A cimeira de Copenhaga terminou apenas com uma intenção de acção relativa a uma questão moral que nos atinge a todos: a crise ecológica. Segundo o secretário da ONU para as alterações climáticas, Yvo de Boer, apesar de não ter qualquer efeito vinculativo, “tomar nota” do acordo é «uma forma [dos países] reconhecerem que algo existe, mas não a ponto de dizerem que se tornam parte [dele]». Porque não se atingiu consenso? A interpretação que lemos nos jornais é ter havido um bloqueio resultante de diferendos entre países desenvolvidos e em desenvolvimento. Mas, será este o motivo? Sugiro uma outra interpretação.
Na preparação desta cimeira foram identificados como pontos essenciais pelos organizadores: a redução das emissões de gases com efeito de estufa, nomeadamento o CO2; e as ajudas financeiras aos países mais pobres (que são, sem dúvida, importantes). Porém, preocupados com os números, esqueceu-se aquilo que importava reduzir verdadeiramente: o défice relacional entre os países, expressão que Bento XVI identifica como a «necessidade de uma profunda renovação cultural». Enquanto o ser humano não se der conta que a crise ecológica é um reflexo da crise cultural que atravessa e uma manifestação da «urgência de uma solidariedade que se projecte no espaço e no tempo», o acordo será difícil. Por outro lado, é preciso que as sociedades mais avançadas tecnologicamente «estejam dispostas a favorecer comportamentos caracterizados pela sobriedade, diminuindo as próprias necessidades de energia». Assim, existem duas palavras essenciais na mensagem do Dia Mundial da Paz escrita por Bento XVI: solidariedade e sobriedade. O resultado da cimeira não seria o mesmo se fossem estes os pontos essenciais identificados pelo organizadores em vez de emissões e dinheiro.
Bento XVI afirma a crise ecológica como «uma oportunidade histórica para elaborar uma resposta colectiva tendente a converter o modelo de desenvolvimento global segundo uma direcção mais respeitadora da criação e de um desenvolvimento humano integral». Contudo, pode haver desenvolvimento humano integral quando existem «pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo – deixando lá muitas vezes também os seus bens – tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada», o que Bento XVI apelidou de “refugiados ambientais”? Como escreve na sua última Encíclica «o modo como o ser humano trata o ambiente influi sobre o modo como se trata a si mesmo, e vice-versa» (Caritas in veritate, n. 51).
De facto, «a degradação da natureza está intimamente ligada à cultura que molda a convivência humana», daí a ligação profunda entre “ecologia humana” e “ecologia ambiental”. Essa ligação dá-se, sobretudo, através da categoria da relação. Se assumirmos que somos constituídos na relacionalidade, reconhecemos cada ser humano como parte da mesma família humana. Relação é um conceito profundamente ecológico e suportado pelas ciências naturais. No mundo, tudo está em relação com tudo, cada coisa com cada coisa. Penso que Copenhaga carecia desta visão familial dos relacionamentos entre nações com implicações para o relacionamento destas com o meio ambiente.
Existe um último ponto na mensagem do Papa para o Dia Mundial da Paz que pode ser uma chave de leitura útil para o pós-Copenhaga: o significado daquilo que Bento XVI apela de “função superior do homem”. Bento XVI apela a um modelo de desenvolvimento fundado na «centralidade do ser humano», e critica uma concepção de relação entre ser humano e natureza dita biocêntrica, ou ecocêntrica, pelo facto de eliminar a diferença ontológica (natureza da existência) e axiológica (ao nível dos valores) entre ambos, elimina também a «função superior do homem». Isto sugere que a visão de Bento XVI pode ser interpretada como antropocêntrica, o que seria uma conclusão precipitada e redutora daquela que é a “função superior” que faz parte da vocação do ser humano na natureza, isto é, «o dever de exercer um governo responsável da criação, preservando-a e cultivando-a». Tal função ou governo não parte de uma noção de “cima para baixo” entre o homem e a natureza, mas de uma noção familial do homem e da natureza como membros da “família da criação”. Logo, neste caso, “função superior” é sinónimo de “serviço”.
Cultivar a paz, preservando a criação, depois de Copenhaga, significa reconhecer que somos todos “família da criação” e que o país do outro é também o meu. Quando ultrapassarmos o preconceito do interesse individual, encontraremos a solução e o acordo no interesse relacional. Isto não cabe apenas às nações e seus líderes, mas sobretudo, a cada um de nós.
Jovens cristãos iniciam o ano a ajudar os sem-abrigo
Sonia Neves, in Agência Ecclesia
O núcleo SER AJUDA marca o apoio aos sem-abrigo através de rondas nocturnas, a próxima marcada já para dia 2 de Janeiro, realizada pelos próprios jovens em Lisboa. Esta ronda será juntamente com a CASA – Centro de Apoio ao Sem-Abrigo.
Começando o ano de forma mais solidária o convite é lançado a todos os que se querem juntar e ter uma noite diferente na promoção do bem-estar e de luta contra a exclusão social. A campanha iniciou com enorme sucesso de recolha de bens alimentares, de higiene e vestuário na Freguesia da Ajuda desde o mês de Outubro, sendo um dos grupos de jovens de génesis cristã pioneiro nesta área.
A noite de 2 de Janeiro iniciará pelas 20h00 na Igreja da Nª Sra. da Ajuda e aos jovens é pedido que levem roupa e calçado confortável, mochilas para carregar com roupas para os sem abrigo, passe social para se deslocarem e uma caneta. O conselho é deixar os telemóveis, dinheiro e equipamentos de som em casa. O itinerário passará por Arroios, Martim Moniz e Terreiro do Paço.
Para se juntar a esta e outras rondas basta acompanhar o espaço virtual http://serajudasa.blogspot.com ou contactar pelo mail serajuda@gmail.com
O núcleo SER AJUDA marca o apoio aos sem-abrigo através de rondas nocturnas, a próxima marcada já para dia 2 de Janeiro, realizada pelos próprios jovens em Lisboa. Esta ronda será juntamente com a CASA – Centro de Apoio ao Sem-Abrigo.
Começando o ano de forma mais solidária o convite é lançado a todos os que se querem juntar e ter uma noite diferente na promoção do bem-estar e de luta contra a exclusão social. A campanha iniciou com enorme sucesso de recolha de bens alimentares, de higiene e vestuário na Freguesia da Ajuda desde o mês de Outubro, sendo um dos grupos de jovens de génesis cristã pioneiro nesta área.
A noite de 2 de Janeiro iniciará pelas 20h00 na Igreja da Nª Sra. da Ajuda e aos jovens é pedido que levem roupa e calçado confortável, mochilas para carregar com roupas para os sem abrigo, passe social para se deslocarem e uma caneta. O conselho é deixar os telemóveis, dinheiro e equipamentos de som em casa. O itinerário passará por Arroios, Martim Moniz e Terreiro do Paço.
Para se juntar a esta e outras rondas basta acompanhar o espaço virtual http://serajudasa.blogspot.com ou contactar pelo mail serajuda@gmail.com
Pobreza: vem aí um novo subsídio para famílias com crianças
in TVI
Famílias com baixos rendimentos e filhos menores receberão mais um apoio estatal
As famílias com filhos menores e dificuldades financeiras vão receber um apoio estatal para que passem a ter rendimentos acima do limiar da pobreza, anunciou o presidente do Instituto de Segurança Social (ISS), citado pela Lusa.
A medida está prevista no Programa do Governo e deverá entrar em vigor já em 2010, Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social.
«Sei que a intenção é que durante o ano de 2010 seja activado» o apoio que garantirá às famílias trabalhadoras rendimentos acima do limiar da pobreza, disse, em entrevista à agência Lusa, Edmundo Martinho, presidente do ISS e representante do grupo de trabalho nacional do Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social.
«O modelo de concretização da medida ainda não está completamente fechado. Ainda estamos no modelo de avaliação», explicou Edmundo Martinho.
Para já, o presidente do ISS garante apenas que «2010 significará o arranque da medida», reconhecendo que no final do próximo ano não será ainda possível dizer que já não existirão em Portugal famílias trabalhadoras com filhos a viver com rendimentos abaixo do limiar da pobreza.
Edmundo Martinho diz que Portugal vai dar «prioridade número um» ao combate à pobreza infantil. «No caso da pobreza infantil e das famílias que têm crianças, a nossa preocupação é muito grande, porque não podemos continuar a aceitar que o país continue a permitir que haja crianças que cresçam e se desenvolvam fora do acesso aos mais elementares bens que têm que ver com o seu crescimento, desenvolvimento e qualificação», alerta.
Famílias com baixos rendimentos e filhos menores receberão mais um apoio estatal
As famílias com filhos menores e dificuldades financeiras vão receber um apoio estatal para que passem a ter rendimentos acima do limiar da pobreza, anunciou o presidente do Instituto de Segurança Social (ISS), citado pela Lusa.
A medida está prevista no Programa do Governo e deverá entrar em vigor já em 2010, Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social.
«Sei que a intenção é que durante o ano de 2010 seja activado» o apoio que garantirá às famílias trabalhadoras rendimentos acima do limiar da pobreza, disse, em entrevista à agência Lusa, Edmundo Martinho, presidente do ISS e representante do grupo de trabalho nacional do Ano Europeu da Luta Contra a Pobreza e Exclusão Social.
«O modelo de concretização da medida ainda não está completamente fechado. Ainda estamos no modelo de avaliação», explicou Edmundo Martinho.
Para já, o presidente do ISS garante apenas que «2010 significará o arranque da medida», reconhecendo que no final do próximo ano não será ainda possível dizer que já não existirão em Portugal famílias trabalhadoras com filhos a viver com rendimentos abaixo do limiar da pobreza.
Edmundo Martinho diz que Portugal vai dar «prioridade número um» ao combate à pobreza infantil. «No caso da pobreza infantil e das famílias que têm crianças, a nossa preocupação é muito grande, porque não podemos continuar a aceitar que o país continue a permitir que haja crianças que cresçam e se desenvolvam fora do acesso aos mais elementares bens que têm que ver com o seu crescimento, desenvolvimento e qualificação», alerta.
29.12.09
Programa Porta 65 - Arrendamento jovem vai sofrer “ajustamentos” em 2010
in Público On-line
O programa governamental de apoio ao arrendamento jovem vai sofrer “ajustamentos” em 2010 para alargar o perfil dos potenciais beneficiários, reduzir fragilidades sociais e promover a mobilidade, disse à Lusa a secretária de Estado do Ordenamento do Território, Fernanda do Carmo.
Segundo Fernanda do Carmo, também responsável pela pasta das Cidades, a primeira avaliação externa do programa Porta 65 Jovem ficou concluída no início de Outubro, mas a tutela preferiu esperar pela apresentação das candidaturas da última fase deste ano, em Dezembro, para divulgar os resultados.
A secretária de Estado revelou que “a avaliação, no global, foi boa”, aos níveis do “comportamento do programa”, do universo de pessoas abrangidas, dos objectivos de incentivar um estilo de vida mais autónomo e da simplificação administrativa deste tipo de procedimentos.
No entanto, admitiu, foram identificados “alguns aspectos que poderiam ser melhorados com pequenos ajustamentos” já no primeiro concurso do próximo ano, que deverá ocorrer em Abril, tal como em 2008 e 2009.
“Alargar” perfil dos beneficiários
“Vamos ainda ver exactamente os critérios específicos, mas as linhas de ajustamento visam alargar um bocadinho o perfil dos potenciais beneficiários para garantir que mais jovens cheguem ao programa e para atingir todo o universo que queremos”, explicou, referindo que o Governo pondera incluir nos potenciais beneficiários pessoas que estejam “nos escalões mais baixos de rendimento”.
A medida será concretizada, contudo, “sem comprometer a taxa de esforço”: “Pretende-se dar apoio a um início de vida, mas depois o jovem tem de se manter por si próprio.”
Outro dos objectivos é auxiliar mais situações de fragilidade social – como casos de portadores de deficiência, famílias monoparentais ou que tenham sofrido algum “percalço temporário” – e assim introduzir “critérios de justiça social” que permitam diferenciar estas maiores dificuldades na selecção das candidaturas.
Por outro lado, explicou Fernanda do Carmo, a tutela quer que os jovens consigam mudar de casa ao longo dos três anos em que se pode usufruir das subvenções: “Essa alteração de local é possível e desejável, uma vez que um dos objectivos é estimular a mobilidade e a autonomia.”
A secretária de Estado sublinhou que o Porta 65 Jovem, lançado no final de 2007, vai manter-se com os mesmos objectivos, tendo no próximo ano um orçamento que “irá certamente responder às necessidades”.
Na terceira e última fase da edição de 2009, em Dezembro, foram recebidas 1456 candidaturas, depois de terem sido aprovados apoios a mais de seis mil casos nas etapas de Abril/Maio e Setembro.
O programa governamental de apoio ao arrendamento jovem vai sofrer “ajustamentos” em 2010 para alargar o perfil dos potenciais beneficiários, reduzir fragilidades sociais e promover a mobilidade, disse à Lusa a secretária de Estado do Ordenamento do Território, Fernanda do Carmo.
Segundo Fernanda do Carmo, também responsável pela pasta das Cidades, a primeira avaliação externa do programa Porta 65 Jovem ficou concluída no início de Outubro, mas a tutela preferiu esperar pela apresentação das candidaturas da última fase deste ano, em Dezembro, para divulgar os resultados.
A secretária de Estado revelou que “a avaliação, no global, foi boa”, aos níveis do “comportamento do programa”, do universo de pessoas abrangidas, dos objectivos de incentivar um estilo de vida mais autónomo e da simplificação administrativa deste tipo de procedimentos.
No entanto, admitiu, foram identificados “alguns aspectos que poderiam ser melhorados com pequenos ajustamentos” já no primeiro concurso do próximo ano, que deverá ocorrer em Abril, tal como em 2008 e 2009.
“Alargar” perfil dos beneficiários
“Vamos ainda ver exactamente os critérios específicos, mas as linhas de ajustamento visam alargar um bocadinho o perfil dos potenciais beneficiários para garantir que mais jovens cheguem ao programa e para atingir todo o universo que queremos”, explicou, referindo que o Governo pondera incluir nos potenciais beneficiários pessoas que estejam “nos escalões mais baixos de rendimento”.
A medida será concretizada, contudo, “sem comprometer a taxa de esforço”: “Pretende-se dar apoio a um início de vida, mas depois o jovem tem de se manter por si próprio.”
Outro dos objectivos é auxiliar mais situações de fragilidade social – como casos de portadores de deficiência, famílias monoparentais ou que tenham sofrido algum “percalço temporário” – e assim introduzir “critérios de justiça social” que permitam diferenciar estas maiores dificuldades na selecção das candidaturas.
Por outro lado, explicou Fernanda do Carmo, a tutela quer que os jovens consigam mudar de casa ao longo dos três anos em que se pode usufruir das subvenções: “Essa alteração de local é possível e desejável, uma vez que um dos objectivos é estimular a mobilidade e a autonomia.”
A secretária de Estado sublinhou que o Porta 65 Jovem, lançado no final de 2007, vai manter-se com os mesmos objectivos, tendo no próximo ano um orçamento que “irá certamente responder às necessidades”.
Na terceira e última fase da edição de 2009, em Dezembro, foram recebidas 1456 candidaturas, depois de terem sido aprovados apoios a mais de seis mil casos nas etapas de Abril/Maio e Setembro.
OCDE diz que ainda há riscos
in Diário de Notícias
Apesar dos sinais de recuperação, a economia mundial "não está fora de perigo", afirmou ontem o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) .
Em entrevista ao diário Estado de São Paulo José Ángel Gurría sublinhou que o processo de limpeza dos activos tóxicos ainda não terminou.
"Não estamos fora de perigo", afirmou. "A limpeza é necessária para chegar ao momento de recapitalização", acrescentou o responsável.
Apesar dos sinais de recuperação, a economia mundial "não está fora de perigo", afirmou ontem o secretário-geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) .
Em entrevista ao diário Estado de São Paulo José Ángel Gurría sublinhou que o processo de limpeza dos activos tóxicos ainda não terminou.
"Não estamos fora de perigo", afirmou. "A limpeza é necessária para chegar ao momento de recapitalização", acrescentou o responsável.
Psiquiatras recusam tratar homossexualidade
por Ana Bela Ferreira e Elisabete Silva, in Diário de Notícias
Médicos defendem que a homossexualidade não se altera por acção clínica. Parecer da Ordem dos Médicos, que é discutido hoje, fala, porém, em casos mutáveis.
Os psiquiatras consideram que a homossexualidade não é mutável por acção médica e recusam tratar quem lhes peça este tipo de ajuda. Uma posição diferente aquela defendida pelo parecer do Colégio de Especialidade de Psiquiatria, que hoje deverá ser aprovado (ver texto ao lado), e onde se refere que em alguns casos a orientação sexual pode ser mutável e, que os médicos não devem ignorar os pedidos de ajuda dos homossexuais.
"Se tenho à minha frente um homossexual exclusivo que não aceita esse facto e me pede para ser heterossexual digo que não há tratamento", defende Júlio Machado Vaz. Também o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, António Palha, não têm dúvidas que "a homossexualidade não se trata". Uma opinião reforçada por Caldas de Almeida, coordenador nacional para a Saúde Mental: "As pessoas homossexuais não deixam de o ser por causa de um tratamento com o psiquiatra".
Apesar de recusar a validade dos tratamentos, Pedro Varandas admite que ainda"há determinadas terapias de orientação comportamental que já provaram ser eficazes em algumas pessoas que sofrem com a sua homossexualidade". Isto no caso dos indivíduos insistirem num tratamento.
Filipe Nunes Vicente também não acredita em terapias de reconversão, mas sabe "que há médicos que defendem o tratamento da homossexualidade". Contudo, este psicólogo confessa que não recusa tratar "uma pessoa homossexual que se apaixone por alguém do sexo oposto" e que lhe solicite ajuda.
Ideia reforçada por Daniel Sampaio. O psicólogo considera que "a orientação sexual não é imutável", mas realça que "o médico não deve tentar mudar, deve dis-cutir, deve ajudar essa pessoa".
Já a psiquiatra Graça Cardoso é peremptória: "Não se pode fazer nada. A homossexualidade não é uma escolha. Tratar um homossexual para que o deixe de ser é o mesmo que tratar alguém por ser alto ou baixo." Para esta médica é essencial ajudar a pessoa "a viver com essa situação", para tentar evitar depressão que, em casos extremos, pode levar ao suicídio.
Existem no entanto problemas de mudança de orientação que chegam aos psiquiatras por causa das dúvidas e ansiedade que criam. "Há casos de pessoas com a sua vida formalizada, casadas e com filhos e que não conseguem conter mais essa situação. São pessoas que percebem o que se passa mas não têm armas para sobreviver às tensões sociais", explica o psiquiatra Marcelo Feio.
As dificuldades em aceitar uma mudança na orientação sexual, acontecem "tanto em homens como em mulheres", adianta o médico do Hospital Santa Maria, em Lisboa.
Da mesma forma que há pessoas que "sempre se afirmaram como homossexuais e numa fase mais tardia da sua vida fazem uma viragem para a heterossexualidade", acrescenta Marcelo Feio.
Médicos defendem que a homossexualidade não se altera por acção clínica. Parecer da Ordem dos Médicos, que é discutido hoje, fala, porém, em casos mutáveis.
Os psiquiatras consideram que a homossexualidade não é mutável por acção médica e recusam tratar quem lhes peça este tipo de ajuda. Uma posição diferente aquela defendida pelo parecer do Colégio de Especialidade de Psiquiatria, que hoje deverá ser aprovado (ver texto ao lado), e onde se refere que em alguns casos a orientação sexual pode ser mutável e, que os médicos não devem ignorar os pedidos de ajuda dos homossexuais.
"Se tenho à minha frente um homossexual exclusivo que não aceita esse facto e me pede para ser heterossexual digo que não há tratamento", defende Júlio Machado Vaz. Também o presidente da Sociedade Portuguesa de Psiquiatria, António Palha, não têm dúvidas que "a homossexualidade não se trata". Uma opinião reforçada por Caldas de Almeida, coordenador nacional para a Saúde Mental: "As pessoas homossexuais não deixam de o ser por causa de um tratamento com o psiquiatra".
Apesar de recusar a validade dos tratamentos, Pedro Varandas admite que ainda"há determinadas terapias de orientação comportamental que já provaram ser eficazes em algumas pessoas que sofrem com a sua homossexualidade". Isto no caso dos indivíduos insistirem num tratamento.
Filipe Nunes Vicente também não acredita em terapias de reconversão, mas sabe "que há médicos que defendem o tratamento da homossexualidade". Contudo, este psicólogo confessa que não recusa tratar "uma pessoa homossexual que se apaixone por alguém do sexo oposto" e que lhe solicite ajuda.
Ideia reforçada por Daniel Sampaio. O psicólogo considera que "a orientação sexual não é imutável", mas realça que "o médico não deve tentar mudar, deve dis-cutir, deve ajudar essa pessoa".
Já a psiquiatra Graça Cardoso é peremptória: "Não se pode fazer nada. A homossexualidade não é uma escolha. Tratar um homossexual para que o deixe de ser é o mesmo que tratar alguém por ser alto ou baixo." Para esta médica é essencial ajudar a pessoa "a viver com essa situação", para tentar evitar depressão que, em casos extremos, pode levar ao suicídio.
Existem no entanto problemas de mudança de orientação que chegam aos psiquiatras por causa das dúvidas e ansiedade que criam. "Há casos de pessoas com a sua vida formalizada, casadas e com filhos e que não conseguem conter mais essa situação. São pessoas que percebem o que se passa mas não têm armas para sobreviver às tensões sociais", explica o psiquiatra Marcelo Feio.
As dificuldades em aceitar uma mudança na orientação sexual, acontecem "tanto em homens como em mulheres", adianta o médico do Hospital Santa Maria, em Lisboa.
Da mesma forma que há pessoas que "sempre se afirmaram como homossexuais e numa fase mais tardia da sua vida fazem uma viragem para a heterossexualidade", acrescenta Marcelo Feio.
Portugueses gastaram 380 milhões num só dia
Lucília Tiago, in Jornal de Notícias
Foram feitos mais levantamentos e mais compras mas o valor médio por transacção baixou
A crise não travou as compras de Natal dos portugueses que, entre levantamentos e pagamentos com cartão, fizeram o Multibanco bater novos recordes. Só no dia 23 de Dezembro, gastaram-se cerca de 264 mil euros por minuto.
Mais movimentos, mas de menor valor. É esta a conclusão mais imediata sobre os levantamentos de dinheiro e compras com cartão efectuadas pelos portugueses entre 1 e 26 de Dezembro. Ao longo daqueles dias, foram levantados 2,13 mil milhões de euros no multibanco e pagos 2,57 mil milhões de euros através dos terminais da mesma rede. Somados, estes valores, significam que cada pessoa gastou, em média, 470 euros - ou praticamente o que vai valer o salário mínimo nacional a partir de 2010.
Os dados ontem divulgados pela SIBS (a entidade que gere a rede Multibanco), mostram que por comparação com 2008, os portugueses levantaram mais dinheiro (2,53%) e gastaram mais nas compras (subida de 10,64%). Mas revelam também que houve uma subida no número de movimentos, pelo que o resultado imediato foi uma ligeira queda no montante gasto por em cada transacção: nas compras efectuadas ao longo destes mês, gastou-se em média 44 euros (menos um euro que em Dezembro do ano passado). O valor médio dos levantamentos também baixou um euro, passando de 69 para 68 euros.
Mas, como mostram os números totais, comprar mais barato e levantar menos dinheiro de cada vez não se traduziu numa contenção dos gastos. Antes pelo contrário, houve até uma subida de 300 milhões de euros. Os números falam por si: em Dezembro de 2008, os portugueses levantaram ou pagaram 4,4 mil milhões de euros. Mas este ano, estas operações ascenderam a 4,7 mil milhões de euros.
A informação da SIBS mostra ainda que muitas pessoas continuam a deixar as compras de Natal para a última hora. É isso que justifica que, no dia 23 de Dezembro, a rede do Multibanco tenha registado novos máximos históricos - nos levantamentos e nas compras pagas através dos terminais automáticos e nas operações, que ascenderam a 6,8 milhões. Só neste dia, os portugueses fizeram 6,8 milhões de operações, movimentando mais de 380 milhões de euros. Na prática, isto significa que naquela quarta-feira foram gastos cerca de 264 mil euros por minuto ou uns impressionantes 4300 euros por segundo.
Ao longo do dia 23, verificou-se também que o valor médio gasto em cada compra foi de 48 euros, superando assim a média de 44 euros do mês de Dezembro.
As compras de última hora prolongaram-se ainda pela manhã do dia 24 . Prova disso mesmo é o facto de nessa data, a SIBS ter registado a realização de cerca de 150 transacções por segundo - havendo mesmo momentos em que se atingiram as 175 - bastante acima dos 80 movimentos por segundo que se observam num dia "normal". Apesar do elevado número de transacções (mais do dobro do que o habitual), não houve registo de quebras de serviço, ao contrário do que sucedeu no final de Novembro, quando, já com o subsídio de Natal na conta, se verificou uma saturação da rede provocada pelo elevado número de levantamentos de dinheiro.
Entre 1 e 26 de Dezembro, foram efectuadas 58 milhões de compras, mais 7 milhões do que em 2008.
El Corte Inglés ainda à espera da inspecção da ASAE
Durante este ano, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou 97 operações de fiscalização em período de saldos, num total de 1248 lojas, nas quais foram detectadas 610 infracções que deram origem à abertura de 393 processos de contra-ordenação. A falta de afixação de preços terá sido, de acordo com o documento consultado pela Lusa, o principal motivo de contra-ordenação.
As promoções em simultâneo com os saldos são, também, motivo de contra-ordenação. Mas, por não ser "nem saldos, nem promoções", a União das Associações do Comércio e Serviço (UACS) apresentou queixa, este ano, contra a "blackfriday", organizada pelo El Corte Inglés, no ano passado. "Até agora, nada nos disseram sobre esse assunto e acho que é de questionar quantas dessas fiscalizações da ASAE foram feitas na Grande Distribuição", critica Vasco de Mello, da UACS. O JN inquiriu a ASAE sobre este assunto, mas não obteve resposta.
O El Corte Inglés repetiu o evento, entretanto, na passada sexta-feira. A "blackfriday" é um conceito importado de outros países em que, num determinado dia, é lançada uma campanha agressiva de baixa de preços que pode durar apenas umas horas e estar limitada a determinados produtos. O El Corte Inglés entende que não está a violar a lei dos saldos em Portugal, porque o objectivo não é escoar stocks de fim de estação, podendo assim organizar aquele dia de descontos antes da época.
Foram feitos mais levantamentos e mais compras mas o valor médio por transacção baixou
A crise não travou as compras de Natal dos portugueses que, entre levantamentos e pagamentos com cartão, fizeram o Multibanco bater novos recordes. Só no dia 23 de Dezembro, gastaram-se cerca de 264 mil euros por minuto.
Mais movimentos, mas de menor valor. É esta a conclusão mais imediata sobre os levantamentos de dinheiro e compras com cartão efectuadas pelos portugueses entre 1 e 26 de Dezembro. Ao longo daqueles dias, foram levantados 2,13 mil milhões de euros no multibanco e pagos 2,57 mil milhões de euros através dos terminais da mesma rede. Somados, estes valores, significam que cada pessoa gastou, em média, 470 euros - ou praticamente o que vai valer o salário mínimo nacional a partir de 2010.
Os dados ontem divulgados pela SIBS (a entidade que gere a rede Multibanco), mostram que por comparação com 2008, os portugueses levantaram mais dinheiro (2,53%) e gastaram mais nas compras (subida de 10,64%). Mas revelam também que houve uma subida no número de movimentos, pelo que o resultado imediato foi uma ligeira queda no montante gasto por em cada transacção: nas compras efectuadas ao longo destes mês, gastou-se em média 44 euros (menos um euro que em Dezembro do ano passado). O valor médio dos levantamentos também baixou um euro, passando de 69 para 68 euros.
Mas, como mostram os números totais, comprar mais barato e levantar menos dinheiro de cada vez não se traduziu numa contenção dos gastos. Antes pelo contrário, houve até uma subida de 300 milhões de euros. Os números falam por si: em Dezembro de 2008, os portugueses levantaram ou pagaram 4,4 mil milhões de euros. Mas este ano, estas operações ascenderam a 4,7 mil milhões de euros.
A informação da SIBS mostra ainda que muitas pessoas continuam a deixar as compras de Natal para a última hora. É isso que justifica que, no dia 23 de Dezembro, a rede do Multibanco tenha registado novos máximos históricos - nos levantamentos e nas compras pagas através dos terminais automáticos e nas operações, que ascenderam a 6,8 milhões. Só neste dia, os portugueses fizeram 6,8 milhões de operações, movimentando mais de 380 milhões de euros. Na prática, isto significa que naquela quarta-feira foram gastos cerca de 264 mil euros por minuto ou uns impressionantes 4300 euros por segundo.
Ao longo do dia 23, verificou-se também que o valor médio gasto em cada compra foi de 48 euros, superando assim a média de 44 euros do mês de Dezembro.
As compras de última hora prolongaram-se ainda pela manhã do dia 24 . Prova disso mesmo é o facto de nessa data, a SIBS ter registado a realização de cerca de 150 transacções por segundo - havendo mesmo momentos em que se atingiram as 175 - bastante acima dos 80 movimentos por segundo que se observam num dia "normal". Apesar do elevado número de transacções (mais do dobro do que o habitual), não houve registo de quebras de serviço, ao contrário do que sucedeu no final de Novembro, quando, já com o subsídio de Natal na conta, se verificou uma saturação da rede provocada pelo elevado número de levantamentos de dinheiro.
Entre 1 e 26 de Dezembro, foram efectuadas 58 milhões de compras, mais 7 milhões do que em 2008.
El Corte Inglés ainda à espera da inspecção da ASAE
Durante este ano, a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) realizou 97 operações de fiscalização em período de saldos, num total de 1248 lojas, nas quais foram detectadas 610 infracções que deram origem à abertura de 393 processos de contra-ordenação. A falta de afixação de preços terá sido, de acordo com o documento consultado pela Lusa, o principal motivo de contra-ordenação.
As promoções em simultâneo com os saldos são, também, motivo de contra-ordenação. Mas, por não ser "nem saldos, nem promoções", a União das Associações do Comércio e Serviço (UACS) apresentou queixa, este ano, contra a "blackfriday", organizada pelo El Corte Inglés, no ano passado. "Até agora, nada nos disseram sobre esse assunto e acho que é de questionar quantas dessas fiscalizações da ASAE foram feitas na Grande Distribuição", critica Vasco de Mello, da UACS. O JN inquiriu a ASAE sobre este assunto, mas não obteve resposta.
O El Corte Inglés repetiu o evento, entretanto, na passada sexta-feira. A "blackfriday" é um conceito importado de outros países em que, num determinado dia, é lançada uma campanha agressiva de baixa de preços que pode durar apenas umas horas e estar limitada a determinados produtos. O El Corte Inglés entende que não está a violar a lei dos saldos em Portugal, porque o objectivo não é escoar stocks de fim de estação, podendo assim organizar aquele dia de descontos antes da época.
Obesidade: Cuidados primários sem nutricionistas
Leonor Paiva Watson*, in Jornal de Notícias
O objectivo do Governo de colocar, durante 2009, um nutricionista em todos os agrupamentos de centros de saúde ficou por concretizar. Temos apenas 80 nos cuidados primários, prevendo-se um aumento para o próximo ano.
A ideia era destacar um nutricionista para cada um dos 68 agrupamentos de centros de saúde (ACES), aproximando Portugal dos números da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo a qual o nosso país tem apenas um quinto dos profissionais de que necessita. O objectivo é combater e prevenir doenças como a obesidade e a diabetes.
Segundo os últimos dados da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN), ainda existem 32 ACES sem nutricionista. Nos ACES de Santarém não há nenhum e nos de Lisboa, Évora, Beja e Portalegre há apenas um para o agrupamento inteiro.
Fonte oficial do Ministério da Saúde (MS) adiantou à agência Lusa que existem cerca de "80 nutricionistas nos cuidados de saúde primários", prevendo que estes "números subam significativamente, durante 2010, no âmbito do programa de estágios da Administração Pública".
Segundo o MS, estes profissionais deverão começar a actividade no segundo trimestre de 2010. A APN alerta que pode haver alguns centros de saúde que têm profissionais a trabalhar nesta área, mas "não são detentores da licenciatura em Ciências da Nutrição e, portanto, não possuem esta profissão".
Para Alexandra Bento, da APN, os números ainda estão "muito aquém do necessário", lembrando que a proposta feita pela APN ao Ministério da Saúde é de "um rácio de um nutricionista para cada 20 mil habitantes". Alexandra Bento salientou, porém, o esforço que tem sido realizado: "Muitas vezes, quando não é possível alcançar o excelente, vamos por passos e isso é já a demonstração de um caminho".
"Em 2007, havia 52 nutricionistas nos cuidados de saúde primários, este ano, em Maio, eram 75", disse, comentando que foi "um incremento grande em dois anos, embora ainda manifestamente insuficiente".
A especialista lembrou a promessa do secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, de, pelo menos, um nutricionista em cada agrupamento, defendendo que "é um número mínimo desejável". Para a nutricionista, a falta de verbas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é a "grande questão" para o problema ainda não ter sido solucionado. Na sua opinião, a população está mais sensibilizada para o problema da obesidade, que continua a crescer em Portugal, assim como as doenças que lhe estão associadas.
*Com Lusa
O objectivo do Governo de colocar, durante 2009, um nutricionista em todos os agrupamentos de centros de saúde ficou por concretizar. Temos apenas 80 nos cuidados primários, prevendo-se um aumento para o próximo ano.
A ideia era destacar um nutricionista para cada um dos 68 agrupamentos de centros de saúde (ACES), aproximando Portugal dos números da Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo a qual o nosso país tem apenas um quinto dos profissionais de que necessita. O objectivo é combater e prevenir doenças como a obesidade e a diabetes.
Segundo os últimos dados da Associação Portuguesa de Nutricionistas (APN), ainda existem 32 ACES sem nutricionista. Nos ACES de Santarém não há nenhum e nos de Lisboa, Évora, Beja e Portalegre há apenas um para o agrupamento inteiro.
Fonte oficial do Ministério da Saúde (MS) adiantou à agência Lusa que existem cerca de "80 nutricionistas nos cuidados de saúde primários", prevendo que estes "números subam significativamente, durante 2010, no âmbito do programa de estágios da Administração Pública".
Segundo o MS, estes profissionais deverão começar a actividade no segundo trimestre de 2010. A APN alerta que pode haver alguns centros de saúde que têm profissionais a trabalhar nesta área, mas "não são detentores da licenciatura em Ciências da Nutrição e, portanto, não possuem esta profissão".
Para Alexandra Bento, da APN, os números ainda estão "muito aquém do necessário", lembrando que a proposta feita pela APN ao Ministério da Saúde é de "um rácio de um nutricionista para cada 20 mil habitantes". Alexandra Bento salientou, porém, o esforço que tem sido realizado: "Muitas vezes, quando não é possível alcançar o excelente, vamos por passos e isso é já a demonstração de um caminho".
"Em 2007, havia 52 nutricionistas nos cuidados de saúde primários, este ano, em Maio, eram 75", disse, comentando que foi "um incremento grande em dois anos, embora ainda manifestamente insuficiente".
A especialista lembrou a promessa do secretário de Estado da Saúde, Manuel Pizarro, de, pelo menos, um nutricionista em cada agrupamento, defendendo que "é um número mínimo desejável". Para a nutricionista, a falta de verbas do Serviço Nacional de Saúde (SNS) é a "grande questão" para o problema ainda não ter sido solucionado. Na sua opinião, a população está mais sensibilizada para o problema da obesidade, que continua a crescer em Portugal, assim como as doenças que lhe estão associadas.
*Com Lusa
Rede poderia travar delinquência juvenil
in Jornal de Notícias
O director do centro de acolhimento de crianças e jovens Refúgio Aboím Ascensão defende que a criação de um serviço nacional de emergência infantil ajudaria a travar o aumento da delinquência juvenil e do absentismo escolar em Portugal.
Luís Villas-Boas considera que a criação de uma rede nacional de instituições análogas à que dirige - tuteladas pela Segurança Social e com relações com os tribunais e hospitais -, tem sido "bem acolhida" pelo Governo. "Se houvesse um conjunto de instituições análogas ao Refúgio Aboím Ascensão, baseadas num modelo preventivo do desvio comportamental, em poucos anos haveria muito menos delinquência juvenil".
De acordo com o psicólogo, se as crianças em situação de risco fossem "agarradas" mais cedo "em poucos anos deixaria de haver delinquência aos 12 ou 13 anos", já que, por vezes, quando chegam às instituições "já é tarde demais".
O director daquela instituição afirmou à Lusa que a implementação de uma rede nacional de instituições de acolhimento temporário para crianças poderia também contribuir para aumentar o número de adopções.
Segundo dados da Segurança Social, no final de Novembro deste ano estavam registadas nas listas nacionais de adopção 561 crianças: 567 foram integradas em famílias em situação de pré-adopção e 55 estão em vias de ser integradas. Só no Algarve, em Dezembro, estavam inscritas nas listas de adopção 84 candidaturas, mas há processos que se arrastam durante anos, sobretudo porque os casais procuram na maioria das vezes crianças com pouca idade.
"Os tempos de espera variam entre cinco a seis anos para uma criança até um ano de idade, sem patologias ou deficiências", afirmou fonte do Instituto da Segurança Social. Mas os processos podem durar apenas um mês com crianças entre os 10 e os 12 anos. Se for um grupo de irmãos que não podem ser separados ou uma criança mais pequena, mas com patologias ou deficiência, o tempo de espera que os casais têm que cumprir até à adopção também diminui substancialmente.
O Refúgio Aboím Ascensão, com capacidade para acolher 95 crianças até aos cinco anos, é uma das maiores instituições de acolhimento temporário de crianças do país e foi reconhecida em 1998 como um organismo com capacidade para intervir no âmbito da adopção. "O nosso objectivo é dar à criança uma família e não dar à família uma criança", conclui Villas-Boas.
O director do centro de acolhimento de crianças e jovens Refúgio Aboím Ascensão defende que a criação de um serviço nacional de emergência infantil ajudaria a travar o aumento da delinquência juvenil e do absentismo escolar em Portugal.
Luís Villas-Boas considera que a criação de uma rede nacional de instituições análogas à que dirige - tuteladas pela Segurança Social e com relações com os tribunais e hospitais -, tem sido "bem acolhida" pelo Governo. "Se houvesse um conjunto de instituições análogas ao Refúgio Aboím Ascensão, baseadas num modelo preventivo do desvio comportamental, em poucos anos haveria muito menos delinquência juvenil".
De acordo com o psicólogo, se as crianças em situação de risco fossem "agarradas" mais cedo "em poucos anos deixaria de haver delinquência aos 12 ou 13 anos", já que, por vezes, quando chegam às instituições "já é tarde demais".
O director daquela instituição afirmou à Lusa que a implementação de uma rede nacional de instituições de acolhimento temporário para crianças poderia também contribuir para aumentar o número de adopções.
Segundo dados da Segurança Social, no final de Novembro deste ano estavam registadas nas listas nacionais de adopção 561 crianças: 567 foram integradas em famílias em situação de pré-adopção e 55 estão em vias de ser integradas. Só no Algarve, em Dezembro, estavam inscritas nas listas de adopção 84 candidaturas, mas há processos que se arrastam durante anos, sobretudo porque os casais procuram na maioria das vezes crianças com pouca idade.
"Os tempos de espera variam entre cinco a seis anos para uma criança até um ano de idade, sem patologias ou deficiências", afirmou fonte do Instituto da Segurança Social. Mas os processos podem durar apenas um mês com crianças entre os 10 e os 12 anos. Se for um grupo de irmãos que não podem ser separados ou uma criança mais pequena, mas com patologias ou deficiência, o tempo de espera que os casais têm que cumprir até à adopção também diminui substancialmente.
O Refúgio Aboím Ascensão, com capacidade para acolher 95 crianças até aos cinco anos, é uma das maiores instituições de acolhimento temporário de crianças do país e foi reconhecida em 1998 como um organismo com capacidade para intervir no âmbito da adopção. "O nosso objectivo é dar à criança uma família e não dar à família uma criança", conclui Villas-Boas.
28.12.09
Pobres ajudam pobres
Rui Martins, in Agência Ecclesia
Em Peniche, o apoio às necessidades sociais já não passa sem a colaboração de voluntários que perderam as suas fontes de rendimento
O Centro de Solidariedade e Cultura de Peniche encontrou uma forma de valorizar as aptidões dos desempregados e, simultaneamente, contribuir para as necessidades das instituições de solidariedade da paróquia.
O projecto de voluntariado «Vinde e Vede» conseguiu que quase 50 pessoas saíssem do isolamento e da esterilidade dos seus dias, colocando as suas capacidades ao serviço dos vários sectores da “Pastoral da Fraternidade”: acolhimento temporário para crianças em risco, lar de idosos, creche, jardim-de-infância, Rendimento Social de Inserção, Programa de Ajuda Alimentar a Carenciados, entre outros.
“Penso que esta é uma resposta muito importante para a crise que estamos a atravessar: as pessoas, quando perdem o trabalho, tendem a ficar em casa, desanimadas e deprimidas”, explica à Agência ECCLESIA o director de serviços do Centro, Jofre Pereira.
Ainda que a principal finalidade da iniciativa seja valorizar e aproveitar as competências dos desempregados em favor da comunidade, um dos efeitos mais importantes do projecto traduz-se na ajuda que os voluntários recebem dos paroquianos, nomeadamente em alimentos e vestuário.
“A Pastoral da Fraternidade tem uma coisa muito boa: os pobres trabalham para os pobres”, resume Jofre Pereira. A desocupação e o desânimo dão lugar à possibilidade de os desempregados “trabalharem por um mundo melhor”. É que as valências do Centro “envolvem muita gente”, pelo que a colaboração dos voluntários é essencial.
Durante o Advento, os inscritos neste projecto empenharam-se na montagem de alguns presépios paroquiais: “É uma forma de integração”, observa o director. “Em vez de ficarem voltados para a sua solidão e para os seus problemas, criam um espaço comunitário de partilha”, acrescenta.
“As situações que mais me tocam o coração – revela Jofre Pereira – são de pessoas que tinham a sua vida já estabilizada e que, de repente, ficaram sem trabalho e vêm aqui pedir comida e emprego.”
Em Abril deste ano, o Centro abriu uma «Loja Solidária», cuja principal finalidade consiste em ter sempre uma reserva de alimentos para socorrer os casos de pobreza extrema.
O financiamento deste projecto é assegurado pela venda, “a preços simbólicos”, dos bens doados por fábricas, grandes superfícies comerciais e lojistas da cidade, embora parte dos artigos seja oferecida às pessoas mais carenciadas.
O número de famílias beneficiadas com a Loja Solidária – aproximadamente duas centenas – cresceu após o Verão, quando cessaram os trabalhos sazonais relacionados com o turismo e a indústria da pesca.
A educação é outra das apostas sociais do Centro de Solidariedade e Cultura. Actualmente está prestes a terminar uma formação que qualificou 16 adultos com o 12.º Ano, através do curso de ajudante de acção educativa.
Na semana passada arrancou um programa dirigido a jovens com insucesso escolar ou que abandonaram o sistema de ensino. Se forem aprovados, os 16 alunos ficarão com uma certificação profissional e escolar ao nível do 9.º Ano. A partir de Janeiro procurar-se-á abrir outro curso nos mesmos moldes, duplicando o número de estudantes.
Para Jofre Pereira, esta é uma oportunidade para desenvolver os talentos pessoais. E sintetiza: "evangelizar é também promover a dignidade humana”.
Em Peniche, o apoio às necessidades sociais já não passa sem a colaboração de voluntários que perderam as suas fontes de rendimento
O Centro de Solidariedade e Cultura de Peniche encontrou uma forma de valorizar as aptidões dos desempregados e, simultaneamente, contribuir para as necessidades das instituições de solidariedade da paróquia.
O projecto de voluntariado «Vinde e Vede» conseguiu que quase 50 pessoas saíssem do isolamento e da esterilidade dos seus dias, colocando as suas capacidades ao serviço dos vários sectores da “Pastoral da Fraternidade”: acolhimento temporário para crianças em risco, lar de idosos, creche, jardim-de-infância, Rendimento Social de Inserção, Programa de Ajuda Alimentar a Carenciados, entre outros.
“Penso que esta é uma resposta muito importante para a crise que estamos a atravessar: as pessoas, quando perdem o trabalho, tendem a ficar em casa, desanimadas e deprimidas”, explica à Agência ECCLESIA o director de serviços do Centro, Jofre Pereira.
Ainda que a principal finalidade da iniciativa seja valorizar e aproveitar as competências dos desempregados em favor da comunidade, um dos efeitos mais importantes do projecto traduz-se na ajuda que os voluntários recebem dos paroquianos, nomeadamente em alimentos e vestuário.
“A Pastoral da Fraternidade tem uma coisa muito boa: os pobres trabalham para os pobres”, resume Jofre Pereira. A desocupação e o desânimo dão lugar à possibilidade de os desempregados “trabalharem por um mundo melhor”. É que as valências do Centro “envolvem muita gente”, pelo que a colaboração dos voluntários é essencial.
Durante o Advento, os inscritos neste projecto empenharam-se na montagem de alguns presépios paroquiais: “É uma forma de integração”, observa o director. “Em vez de ficarem voltados para a sua solidão e para os seus problemas, criam um espaço comunitário de partilha”, acrescenta.
“As situações que mais me tocam o coração – revela Jofre Pereira – são de pessoas que tinham a sua vida já estabilizada e que, de repente, ficaram sem trabalho e vêm aqui pedir comida e emprego.”
Em Abril deste ano, o Centro abriu uma «Loja Solidária», cuja principal finalidade consiste em ter sempre uma reserva de alimentos para socorrer os casos de pobreza extrema.
O financiamento deste projecto é assegurado pela venda, “a preços simbólicos”, dos bens doados por fábricas, grandes superfícies comerciais e lojistas da cidade, embora parte dos artigos seja oferecida às pessoas mais carenciadas.
O número de famílias beneficiadas com a Loja Solidária – aproximadamente duas centenas – cresceu após o Verão, quando cessaram os trabalhos sazonais relacionados com o turismo e a indústria da pesca.
A educação é outra das apostas sociais do Centro de Solidariedade e Cultura. Actualmente está prestes a terminar uma formação que qualificou 16 adultos com o 12.º Ano, através do curso de ajudante de acção educativa.
Na semana passada arrancou um programa dirigido a jovens com insucesso escolar ou que abandonaram o sistema de ensino. Se forem aprovados, os 16 alunos ficarão com uma certificação profissional e escolar ao nível do 9.º Ano. A partir de Janeiro procurar-se-á abrir outro curso nos mesmos moldes, duplicando o número de estudantes.
Para Jofre Pereira, esta é uma oportunidade para desenvolver os talentos pessoais. E sintetiza: "evangelizar é também promover a dignidade humana”.
Fundão: Famílias apoiadas pela Loja Social aumentaram de 50 para 290
in Correio de Minho
O número de famílias apoiadas regularmente pela Loja Social do Fundão cresceu de 50 para 290 em oito meses, a maioria das quais afectadas pelo desemprego, disse à Agência Lusa o vice-presidente da câmara local, Paulo Fernandes.
Chama-se loja, mas ali tudo é oferecido a quem precisa. Desde que abriu portas em Abril, o espaço que junta o município e instituições sociais já entregou quatro toneladas de bens alimentares e outro tanto de vestuário.
Além de oferecer bens materiais, o autarca acredita que impulsiona também a auto-estima das famílias. “Tem a imagem de uma loja para romper com a perspectiva estigmatizada dos espaços de caridade e conta com a ajuda de algumas das pessoas apoiadas”.
A loja estimula os beneficiários que estejam disponíveis “a dar parte da sua energia ao projecto, o que lhes reforça a auto-estima e os auxilia nos projectos de reinserção na comunidade”.
No global, os serviços de acção social da Câmara do Fundão contam com o apoio de 650 doadores, por entre particulares e instituições, e 75 voluntários. Quando a actividade arrancou, os idosos eram os que mais recebiam ajuda, assim como famílias desestruturadas ou em situação de exclusão social.
“Do Verão para cá houve claramente um aumento de situações de dificuldade económica súbita provocada por perca de emprego. Hoje, 75 por cento das famílias que apoiamos têm problemas de desemprego”, sublinhou Paulo Fernandes.
A loja serviu esta semana de base para a distribuição de 120 cabazes de Natal pelos agregados mais necessitados, parte dos quais angariados e m campanhas porta-a-porta pelas freguesias e apoiadas pelos escuteiros.
Jorge Oliveira é um dos utentes da loja social, graças à qual neste Natal pode oferecer brinquedos aos três filhos, referiu à Lusa. Esteve desempregado durante quatro anos em que o salário de 563 euros da esposa era o único sustento da família.
Além da ajuda em bens alimentares, o contacto com a loja social permitiu-lhe chegar a uma nova ocupação. Hoje é coveiro no cemitério da cidade, “um serviço de que nem toda a gente gosta”, mas importante para sustentar o agregado.
Ao seu lado para receber o cabaz de Natal estava Jesus Barroca, avó que tem os três netos à sua guarda depois do falecimento da filha. “Tenho 341 euros de reforma que não chegavam para cuidar deles. As mercearias e roupa que recebo são uma grande ajuda”, descreveu.
Para 2010, novas actividades estão ser planeadas para “alimentar a dinâmica de solidariedade”, disse Alcina Cerdeira, vereadora para a área da acção social na Câmara do Fundão, à Agência Lusa.
A autarquia elaborou uma candidatura ao programa nacional do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, que se assinala em 2010. A candidatura inclui eventos como um concerto em que a entrada vai ser paga em géneros.
“Acho fantástico podermos entregar um quilo de arroz ou um quilo de açúcar para assistir a um concerto”, assinalou a vereadora. A candidatura envolve toda a rede social do Fundão e as actividades terminam em Outubro com uma feira que vai mostrar as actividades de todas as instituições da área no concelho.
O número de famílias apoiadas regularmente pela Loja Social do Fundão cresceu de 50 para 290 em oito meses, a maioria das quais afectadas pelo desemprego, disse à Agência Lusa o vice-presidente da câmara local, Paulo Fernandes.
Chama-se loja, mas ali tudo é oferecido a quem precisa. Desde que abriu portas em Abril, o espaço que junta o município e instituições sociais já entregou quatro toneladas de bens alimentares e outro tanto de vestuário.
Além de oferecer bens materiais, o autarca acredita que impulsiona também a auto-estima das famílias. “Tem a imagem de uma loja para romper com a perspectiva estigmatizada dos espaços de caridade e conta com a ajuda de algumas das pessoas apoiadas”.
A loja estimula os beneficiários que estejam disponíveis “a dar parte da sua energia ao projecto, o que lhes reforça a auto-estima e os auxilia nos projectos de reinserção na comunidade”.
No global, os serviços de acção social da Câmara do Fundão contam com o apoio de 650 doadores, por entre particulares e instituições, e 75 voluntários. Quando a actividade arrancou, os idosos eram os que mais recebiam ajuda, assim como famílias desestruturadas ou em situação de exclusão social.
“Do Verão para cá houve claramente um aumento de situações de dificuldade económica súbita provocada por perca de emprego. Hoje, 75 por cento das famílias que apoiamos têm problemas de desemprego”, sublinhou Paulo Fernandes.
A loja serviu esta semana de base para a distribuição de 120 cabazes de Natal pelos agregados mais necessitados, parte dos quais angariados e m campanhas porta-a-porta pelas freguesias e apoiadas pelos escuteiros.
Jorge Oliveira é um dos utentes da loja social, graças à qual neste Natal pode oferecer brinquedos aos três filhos, referiu à Lusa. Esteve desempregado durante quatro anos em que o salário de 563 euros da esposa era o único sustento da família.
Além da ajuda em bens alimentares, o contacto com a loja social permitiu-lhe chegar a uma nova ocupação. Hoje é coveiro no cemitério da cidade, “um serviço de que nem toda a gente gosta”, mas importante para sustentar o agregado.
Ao seu lado para receber o cabaz de Natal estava Jesus Barroca, avó que tem os três netos à sua guarda depois do falecimento da filha. “Tenho 341 euros de reforma que não chegavam para cuidar deles. As mercearias e roupa que recebo são uma grande ajuda”, descreveu.
Para 2010, novas actividades estão ser planeadas para “alimentar a dinâmica de solidariedade”, disse Alcina Cerdeira, vereadora para a área da acção social na Câmara do Fundão, à Agência Lusa.
A autarquia elaborou uma candidatura ao programa nacional do Ano Europeu de Combate à Pobreza e Exclusão Social, que se assinala em 2010. A candidatura inclui eventos como um concerto em que a entrada vai ser paga em géneros.
“Acho fantástico podermos entregar um quilo de arroz ou um quilo de açúcar para assistir a um concerto”, assinalou a vereadora. A candidatura envolve toda a rede social do Fundão e as actividades terminam em Outubro com uma feira que vai mostrar as actividades de todas as instituições da área no concelho.
Desemprego vai continuar a subir até meados de 2010
in Diário de Notícias
Mercado de trabalho reage com desfazamento aos sinais, ainda ténues, de recuperação económica. IEFP admite subida do desemprego em 2010.
Portugal chega a 2010 com quase 550 mil desempregados, o nível mais alto em cerca de 30 anos, mas os economistas estimam que a trajectória de subida do desemprego ainda vai demorar mais algum tempo a passar.
Apesar dos sinais de recuperação da economia (com o PIB a avançar 0,7% no terceiro trimestre face ao anterior), o mercado de trabalho é habitualmente o último a recuperar, razão pela qual o desemprego deverá continuar a aumentar nos primeiros meses do próximo ano.
Inverter esta escalada do desemprego será provavelmente o desafio mais delicado do Governo para 2010, tendo em conta que se trata de um dos factores que mais influenciam a percepção pública sobre a actuação do Executivo.
A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 9,8% no terceiro trimestre de 2009, com 547,7 mil pessoas à procura de trabalho, revelou o INE.
O número não deverá começar a diminuir antes de "meados de 2010", disse na terça-feira à agência Lusa o presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Francisco Madelino. "Mesmo com as economias internacionais e a economia portuguesa a recuperarem, não é expectável que antes de meados de 2010 se verifique uma inversão desta situação do desemprego", disse Francisco Madelino.O presidente do IEFP falava à Lusa no dia em que aquele instituto divulgou que o número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 28,2% em Novembro, para quase 524 mil indivíduos.
O agravamento do desemprego tem sido o cenário mais provável traçado pelos economistas para os próximos anos, mas, se de um lado, há quem acredite no congelamento do mercado de trabalho, há também quem preveja uma subida da taxa de desemprego até aos 15%.
"Julgo que a taxa de desemprego poderá chegar aos 15%quando as ajudas do Governo às empresas, à formação profissional e aos estágios terminar, seja por razões orçamentais, seja por razões estratégicas", disse o economista Carlos Pereira da Silva. Igual opinião tem Bagão Félix, que admite que a taxa de desemprego ainda aumentará em 2010, por um lado porque o crescimento do PIB será ainda "incipiente" e, por outro lado, "por causa do fim das medidas públicas de ataque à crise".
Para Pedro Adão e Silva, por sua vez, o mais provável é que ocorra "uma espécie de congelamento" do mercado de trabalho, ou seja, "não haverá diminuições do desemprego, nem crescimento do emprego", mas este será "social, económica e politicamente dramático".
Mercado de trabalho reage com desfazamento aos sinais, ainda ténues, de recuperação económica. IEFP admite subida do desemprego em 2010.
Portugal chega a 2010 com quase 550 mil desempregados, o nível mais alto em cerca de 30 anos, mas os economistas estimam que a trajectória de subida do desemprego ainda vai demorar mais algum tempo a passar.
Apesar dos sinais de recuperação da economia (com o PIB a avançar 0,7% no terceiro trimestre face ao anterior), o mercado de trabalho é habitualmente o último a recuperar, razão pela qual o desemprego deverá continuar a aumentar nos primeiros meses do próximo ano.
Inverter esta escalada do desemprego será provavelmente o desafio mais delicado do Governo para 2010, tendo em conta que se trata de um dos factores que mais influenciam a percepção pública sobre a actuação do Executivo.
A taxa de desemprego em Portugal atingiu os 9,8% no terceiro trimestre de 2009, com 547,7 mil pessoas à procura de trabalho, revelou o INE.
O número não deverá começar a diminuir antes de "meados de 2010", disse na terça-feira à agência Lusa o presidente do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), Francisco Madelino. "Mesmo com as economias internacionais e a economia portuguesa a recuperarem, não é expectável que antes de meados de 2010 se verifique uma inversão desta situação do desemprego", disse Francisco Madelino.O presidente do IEFP falava à Lusa no dia em que aquele instituto divulgou que o número de desempregados inscritos nos centros de emprego subiu 28,2% em Novembro, para quase 524 mil indivíduos.
O agravamento do desemprego tem sido o cenário mais provável traçado pelos economistas para os próximos anos, mas, se de um lado, há quem acredite no congelamento do mercado de trabalho, há também quem preveja uma subida da taxa de desemprego até aos 15%.
"Julgo que a taxa de desemprego poderá chegar aos 15%quando as ajudas do Governo às empresas, à formação profissional e aos estágios terminar, seja por razões orçamentais, seja por razões estratégicas", disse o economista Carlos Pereira da Silva. Igual opinião tem Bagão Félix, que admite que a taxa de desemprego ainda aumentará em 2010, por um lado porque o crescimento do PIB será ainda "incipiente" e, por outro lado, "por causa do fim das medidas públicas de ataque à crise".
Para Pedro Adão e Silva, por sua vez, o mais provável é que ocorra "uma espécie de congelamento" do mercado de trabalho, ou seja, "não haverá diminuições do desemprego, nem crescimento do emprego", mas este será "social, económica e politicamente dramático".
Aumento de pensões confirmado
in Jornal de Notícias
A partir de 1 de Janeiro, as pensões da Segurança Social de valor igual ou inferior a 628,83 euros são aumentadas em 1,25 % e as pensões de valor compreendido entre 628,83 euros e 1500 euros sobem 1 %.
As restantes pensões mantêm o seu valor actual. Às pensões da Caixa Geral de Aposentações são aplicados os mesmos valores percentuais de actualização.
A medida de carácter excepcional já era conhecida, mas a confirmação oficial só chegou ontem no Diário da República. Em condições normais, as regras ditam que a actualização das pensões dependem do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) e da variação média dos últimos 12 meses do índice de preços no consumidor (IPC), sem habitação, disponível a 30 de Novembro do ano anterior ao que se reporta a actualização. No entanto, a Lei prevê situações especiais em que os indicadores têm valores muito baixos ou negativos.
A partir de 1 de Janeiro, as pensões da Segurança Social de valor igual ou inferior a 628,83 euros são aumentadas em 1,25 % e as pensões de valor compreendido entre 628,83 euros e 1500 euros sobem 1 %.
As restantes pensões mantêm o seu valor actual. Às pensões da Caixa Geral de Aposentações são aplicados os mesmos valores percentuais de actualização.
A medida de carácter excepcional já era conhecida, mas a confirmação oficial só chegou ontem no Diário da República. Em condições normais, as regras ditam que a actualização das pensões dependem do crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) e da variação média dos últimos 12 meses do índice de preços no consumidor (IPC), sem habitação, disponível a 30 de Novembro do ano anterior ao que se reporta a actualização. No entanto, a Lei prevê situações especiais em que os indicadores têm valores muito baixos ou negativos.
Dívidas: Conselhos práticos
in Jornal de Notícias
Avaliar bem necessidades. É o primeiro conselho a dar para evitar o sobreendividamento: analise bem se a compra que está a pensar fazer é mesmo necessária. Se não, talvez seja boa ideia adiar a compra para uma altura em que tenha poupado dinheiro suficiente.
Fazer listas de gastos. Se já chega ao final do mês com as contas apertadas, faça duas listas: uma de todas as despesas que faz ao longo do dia, para perceber se tem alguns hábitos desnecessários; e outra das despesas da casa. Assim poderá ficar com uma noção de onde pode poupar algum dinheiro.
Pagar cartões a 100%. Escolha sempre pagar todo o valor que tem em dívida nos cartões de crédito. Assim não terá que pagar juros.
Juntar créditos num só. "Consolidar créditos" quer dizer juntar um só empréstimo todos os créditos que já tem. Assim poderá ter melhores prazos e taxas de juro.
Avaliar bem necessidades. É o primeiro conselho a dar para evitar o sobreendividamento: analise bem se a compra que está a pensar fazer é mesmo necessária. Se não, talvez seja boa ideia adiar a compra para uma altura em que tenha poupado dinheiro suficiente.
Fazer listas de gastos. Se já chega ao final do mês com as contas apertadas, faça duas listas: uma de todas as despesas que faz ao longo do dia, para perceber se tem alguns hábitos desnecessários; e outra das despesas da casa. Assim poderá ficar com uma noção de onde pode poupar algum dinheiro.
Pagar cartões a 100%. Escolha sempre pagar todo o valor que tem em dívida nos cartões de crédito. Assim não terá que pagar juros.
Juntar créditos num só. "Consolidar créditos" quer dizer juntar um só empréstimo todos os créditos que já tem. Assim poderá ter melhores prazos e taxas de juro.
Deco recebe oito pedidos de ajuda diários por dívidas
Alexandra Figueira, in Jornal de Notícias
Até Novembro já 2620 pessoas tinham recorrido ao aconselhamento financeiro da associação.
É certo que os pedidos de ajuda caíram nos dois últimos meses face a 2008, mas só porque, por esta altura do ano passado, estávamos no auge da crise financeira. Até Novembro, a Deco recebeu mais quase 600 solicitações.
A Defesa do Consumidor não tem tido mãos a medir com o disparar das solicitações de aconselhamento por parte das famílias que se vêem sem conseguir pagar as contas. Que o diga Natália Nunes, que dirige o gabinete de apoio ao sobreendividado e a quem, entre consultas, pouco tempo sobra para comentar a situação actual dos orçamentos das famílias.
Mas os dados falam por si. Até Novembro, 2060 pessoas foram a um dos escritórios da Deco admitir que já não têm dinheiro suficiente para pagar todas as contas - mais 586 do que na mesma altura do ano passado. A confirmar estes dados estão os valores do crédito malparado ainda esta semana divulgados pelo Banco de Portugal: os empréstimos em atraso continuam a subir a um ritmo superior ao da concessão de novo crédito, fazendo crescer o global da taxa do malparado junto da Banca.
Na Deco, o número de pedidos de ajuda aumentou claramente a partir do Outono do ano passado, quando o mundo acordou para a crise financeira que bloqueou o sistema bancário, ao saber da falência de um dos mais maiores bancos norte-americanos, o Lehman Brothers. Por isso, este ano, sobretudo no mês do grande choque, Outubro, os pedidos de ajuda ficaram abaixo do registado do ano passado - menos 55, mas ainda assim houve 276 que, só nesse mês, foram à Deco solicitar ajuda. E, em Novembro, os pedidos ascenderam a 201.
Continuam a estar centrados em torno de Lisboa, que responde por 86 dos 201 pedidos de ajuda entregues em Novembro; na região Norte houve 62 solicitações, contra 21 no Centro. As restantes 32 deram entrada nas delegações da Deco do resto do país.
Como se espera que o desemprego continue a subir, pelo menos no início do ano que aí vem, é também expectável que o número de sobreendividados continue a aumentar. Por isso, Natália Nunes está particularmente preocupada com a falta de informações sobre a eventual renovação, ou não, das medidas de ajuda aos desempregados que estiveram em vigor este ano. Entre elas está a moratória ao crédito à habitação, que permite aos desempregados pagar apenas metade do valor da prestação, durante dois anos. Ao JN, o Ministério das Finanças disse estar a ponderar a renovação da medida, mas ainda nenhuma decisão final foi anunciada.
Até Novembro já 2620 pessoas tinham recorrido ao aconselhamento financeiro da associação.
É certo que os pedidos de ajuda caíram nos dois últimos meses face a 2008, mas só porque, por esta altura do ano passado, estávamos no auge da crise financeira. Até Novembro, a Deco recebeu mais quase 600 solicitações.
A Defesa do Consumidor não tem tido mãos a medir com o disparar das solicitações de aconselhamento por parte das famílias que se vêem sem conseguir pagar as contas. Que o diga Natália Nunes, que dirige o gabinete de apoio ao sobreendividado e a quem, entre consultas, pouco tempo sobra para comentar a situação actual dos orçamentos das famílias.
Mas os dados falam por si. Até Novembro, 2060 pessoas foram a um dos escritórios da Deco admitir que já não têm dinheiro suficiente para pagar todas as contas - mais 586 do que na mesma altura do ano passado. A confirmar estes dados estão os valores do crédito malparado ainda esta semana divulgados pelo Banco de Portugal: os empréstimos em atraso continuam a subir a um ritmo superior ao da concessão de novo crédito, fazendo crescer o global da taxa do malparado junto da Banca.
Na Deco, o número de pedidos de ajuda aumentou claramente a partir do Outono do ano passado, quando o mundo acordou para a crise financeira que bloqueou o sistema bancário, ao saber da falência de um dos mais maiores bancos norte-americanos, o Lehman Brothers. Por isso, este ano, sobretudo no mês do grande choque, Outubro, os pedidos de ajuda ficaram abaixo do registado do ano passado - menos 55, mas ainda assim houve 276 que, só nesse mês, foram à Deco solicitar ajuda. E, em Novembro, os pedidos ascenderam a 201.
Continuam a estar centrados em torno de Lisboa, que responde por 86 dos 201 pedidos de ajuda entregues em Novembro; na região Norte houve 62 solicitações, contra 21 no Centro. As restantes 32 deram entrada nas delegações da Deco do resto do país.
Como se espera que o desemprego continue a subir, pelo menos no início do ano que aí vem, é também expectável que o número de sobreendividados continue a aumentar. Por isso, Natália Nunes está particularmente preocupada com a falta de informações sobre a eventual renovação, ou não, das medidas de ajuda aos desempregados que estiveram em vigor este ano. Entre elas está a moratória ao crédito à habitação, que permite aos desempregados pagar apenas metade do valor da prestação, durante dois anos. Ao JN, o Ministério das Finanças disse estar a ponderar a renovação da medida, mas ainda nenhuma decisão final foi anunciada.
Portagens, transportes e pão mantêm preços
in Jornal de Notícias
Em 2010, o preço da electricidade vai aumentar quase um euro numa factura média de 40 euros, mas portagens, transportes públicos e pão não vão ter aumentos.
Já na factura de Janeiro da electricidade, as famílias do Continente vão notar um aumento de 2,9 por cento, que representará um encargo adicional de quase um euro para uma factura média de 40 euros.
Na Madeira, a subida será de 2,5 por cento e nos Açores será de 2,1 por cento.
O preço dos gás mantém-se, pelo menos, até Julho, altura em que serão conhecidas as novas tarifas para os consumidores domésticos.
Quanto à água, os aumentos deverão ser conhecidos nos próximos meses, uma vez que os preços variam porque são definidos pelas autarquias.
Em 2010, as rendas não aumentam e as prestações da casa também não deverão aumentar nos próximos meses, uma vez que as taxas de referência do Banco Central Europeu deverão manter-se em um por cento.
Transportes com preço inalterado
O preço dos transportes públicos urbanos e suburbanos também vai permanecer inalterado no próximo ano, pelo menos até Julho, altura em que, habitualmente, é feita uma revisão dos preços.
Andar de táxi também não vai ser mais caro em Janeiro, permanecendo a bandeirada nos dois euros.
Inalteradas permanecem também as portagens da grande maioria das auto-estradas nacionais, com excepção para os sublanços Palmela-Nó de Setúbal (A2/A12) e Montijo-Pinhal Novo.
Durante o próximo ano ano, poderão também surgir aumentos na A5 (Cascais/Lisboa), uma hipótese já admitida pela Brisa e que surge na sequência da abertura da A16.
Pão e leite sem aumentos
O presidente da Associação de Comércio e Indústria da Panificação (ACIP), Carlos Alberto dos Santos, disse à Agência Lusa que "mediante a actual situação, e tendo em conta que os salários dos trabalhadores do sector não serão actualizados, não se justifica aumentar os preços".
No caso do leite, o secretário-geral da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac), Fernando Cardoso, prevê para 2010 "alguma estabilidade, depois da volatilidade" verificada este ano.
Baixa de preços nas comunicações
A Portugal Telecom (PT) anunciou que vai descer o preço das chamadas fixas em cerca de 10,5 por cento e oferecer chamadas ilimitadas dentro da sua rede aos fins-de-semana a partir do dia 01 de Janeiro.
Nas comunicações móveis, fonte oficial da Vodafone disse "não ter, de momento, qualquer indicação de actualização dos preços", a Optimus "não tem previsto qualquer aumento geral de preços" e quanto à TMN a Lusa não conseguiu obter informação em tempo útil.
No caso das empresas concessionárias dos sistemas municipais, as tarifas são definidas no momento do estabelecimento da concessão e actualizadas de acordo com as regras constantes do respectivo contrato com aprovação pelo município.
Em 2010, o preço da electricidade vai aumentar quase um euro numa factura média de 40 euros, mas portagens, transportes públicos e pão não vão ter aumentos.
Já na factura de Janeiro da electricidade, as famílias do Continente vão notar um aumento de 2,9 por cento, que representará um encargo adicional de quase um euro para uma factura média de 40 euros.
Na Madeira, a subida será de 2,5 por cento e nos Açores será de 2,1 por cento.
O preço dos gás mantém-se, pelo menos, até Julho, altura em que serão conhecidas as novas tarifas para os consumidores domésticos.
Quanto à água, os aumentos deverão ser conhecidos nos próximos meses, uma vez que os preços variam porque são definidos pelas autarquias.
Em 2010, as rendas não aumentam e as prestações da casa também não deverão aumentar nos próximos meses, uma vez que as taxas de referência do Banco Central Europeu deverão manter-se em um por cento.
Transportes com preço inalterado
O preço dos transportes públicos urbanos e suburbanos também vai permanecer inalterado no próximo ano, pelo menos até Julho, altura em que, habitualmente, é feita uma revisão dos preços.
Andar de táxi também não vai ser mais caro em Janeiro, permanecendo a bandeirada nos dois euros.
Inalteradas permanecem também as portagens da grande maioria das auto-estradas nacionais, com excepção para os sublanços Palmela-Nó de Setúbal (A2/A12) e Montijo-Pinhal Novo.
Durante o próximo ano ano, poderão também surgir aumentos na A5 (Cascais/Lisboa), uma hipótese já admitida pela Brisa e que surge na sequência da abertura da A16.
Pão e leite sem aumentos
O presidente da Associação de Comércio e Indústria da Panificação (ACIP), Carlos Alberto dos Santos, disse à Agência Lusa que "mediante a actual situação, e tendo em conta que os salários dos trabalhadores do sector não serão actualizados, não se justifica aumentar os preços".
No caso do leite, o secretário-geral da Federação Nacional das Cooperativas de Produtores de Leite (Fenalac), Fernando Cardoso, prevê para 2010 "alguma estabilidade, depois da volatilidade" verificada este ano.
Baixa de preços nas comunicações
A Portugal Telecom (PT) anunciou que vai descer o preço das chamadas fixas em cerca de 10,5 por cento e oferecer chamadas ilimitadas dentro da sua rede aos fins-de-semana a partir do dia 01 de Janeiro.
Nas comunicações móveis, fonte oficial da Vodafone disse "não ter, de momento, qualquer indicação de actualização dos preços", a Optimus "não tem previsto qualquer aumento geral de preços" e quanto à TMN a Lusa não conseguiu obter informação em tempo útil.
No caso das empresas concessionárias dos sistemas municipais, as tarifas são definidas no momento do estabelecimento da concessão e actualizadas de acordo com as regras constantes do respectivo contrato com aprovação pelo município.
Em 2009 foram criados 30 IPSS e 30 mil novos postos de trabalho
in Jornal de Notícias
Em 2009, ano marcado pela crise económica e financeira mundial, foram criadas 30 novas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) em Portugal e 30 mil novos postos de trabalho neste tipo de entidades.
Segundo o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), "existem em Portugal mais de quatro mil instituições em grande actividade e não houve uma única que durante este ano fechasse portas".
"Não houve instituições a mandar utentes embora por não poderem comparticipar com as suas partes e, pelo contrário, admitiram mais utentes e colocaram mais 30 mil novos trabalhadores", acrescentou, em declarações à Lusa. O padre Lino Maia afirmou ainda que "durante 2009 surgiram, na CNIS, cerca de 30 novas IPSS por todo o país".
"Em Portugal temos, em proporção, muito mais IPSS do que em qualquer outro país e estas são de iniciativa dos cidadãos, não sendo o apoio do Estado significativamente forte porque não ultrapassa os 42% dos custos das instituições", salientou Lino Maia.
Para o presidente da CNIS, "aquilo que leva a constituir uma instituição [destas] é o exercício de cidadania, a solidariedade e a caridade e não objectivos financeiros", sublinhando que "ao longo deste ano foi visível a capacidade das instituições de superar as dificuldades".
"Eu gostaria que 2010 fosse um ano diferente já que é o ano europeu de luta contra a pobreza e a exclusão social por decisão da União Europeia", afirmou, acrescentando que "era importante que não fosse um ano de folclore, de mais relatórios e de mais grandes conferências, mas um ano em que se assumisse o combate à pobreza e à exclusão social como a prioridade das prioridades".
Em 2009, ano marcado pela crise económica e financeira mundial, foram criadas 30 novas Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) em Portugal e 30 mil novos postos de trabalho neste tipo de entidades.
Segundo o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS), "existem em Portugal mais de quatro mil instituições em grande actividade e não houve uma única que durante este ano fechasse portas".
"Não houve instituições a mandar utentes embora por não poderem comparticipar com as suas partes e, pelo contrário, admitiram mais utentes e colocaram mais 30 mil novos trabalhadores", acrescentou, em declarações à Lusa. O padre Lino Maia afirmou ainda que "durante 2009 surgiram, na CNIS, cerca de 30 novas IPSS por todo o país".
"Em Portugal temos, em proporção, muito mais IPSS do que em qualquer outro país e estas são de iniciativa dos cidadãos, não sendo o apoio do Estado significativamente forte porque não ultrapassa os 42% dos custos das instituições", salientou Lino Maia.
Para o presidente da CNIS, "aquilo que leva a constituir uma instituição [destas] é o exercício de cidadania, a solidariedade e a caridade e não objectivos financeiros", sublinhando que "ao longo deste ano foi visível a capacidade das instituições de superar as dificuldades".
"Eu gostaria que 2010 fosse um ano diferente já que é o ano europeu de luta contra a pobreza e a exclusão social por decisão da União Europeia", afirmou, acrescentando que "era importante que não fosse um ano de folclore, de mais relatórios e de mais grandes conferências, mas um ano em que se assumisse o combate à pobreza e à exclusão social como a prioridade das prioridades".
26.12.09
Comunidade Sant"Egídio ofereceu mais de 300 almoços
in Jornal Público
Mais de 300 pessoas carenciadas juntaram-se ontem no Mercado da Ribeira, em Lisboa, para o tradicional almoço de Natal oferecido pela Comunidade de Sant"Egídio, uma refeição quente que também faz esquecer a solidão.
O almoço começou com canja, seguindo-se depois o bacalhau acompanhado de batatas, vegetais e grão. Para sobremesa havia salada de fruta, bolos, chocolates, chá e café. Para Isabel Bento, responsável da Comunidade Sant"Egídio em Portugal, este almoço é muito mais do que "uma refeição quente num dia frio e chuvoso" e por isso "só faz sentido acontecer no dia de Natal".
Margarida tem 79 anos é do Porto e desde os 26 anos que vive sozinha em Lisboa. Veio para a capital para casar, mas foi abandonada pelo noivo. "Há dois anos que não vinha ao almoço, mas agora voltei", disse a idosa entre um pedaço de pão e uma rodela de chouriço. Este ano foi ao Mercado da Ribeira acompanhada de um vizinho para "comer uma refeição quentinha e conviver". António, de 75 anos, também vive sozinho, "umas vezes numa barraca, outras na rua". E acrescentou: "Estas senhoras são muito simpáticas e a comida é muito boa. Não tenho para onde ir e, em vez de passar o Natal sozinho, aqui sempre se come bem e passa-se o tempo com outras pessoas".
A maioria das pessoas beneficia da solidariedade da comunidade o ano inteiro e, segundo Isabel Bento, citada pela agência Lusa, anseiam por este aconchego. "São pessoas que seguimos o ano inteiro, já são um pouco como família. Esta festa acontece porque não queremos deixar ninguém sozinho no natal. Além da comida, é uma forma de fazer esquecer a solidão. Há cada vez mais idosos sozinhos que nos procuram".
Uma viola e muitas vozes afinadas dos cerca de 100 voluntários animaram o almoço com canções de Natal. A Comunidade de Sant"Egídio é uma instituição de solidariedade social, sem fins lucrativos, que presta assistência diária aos mais necessitados.
Mais de 300 pessoas carenciadas juntaram-se ontem no Mercado da Ribeira, em Lisboa, para o tradicional almoço de Natal oferecido pela Comunidade de Sant"Egídio, uma refeição quente que também faz esquecer a solidão.
O almoço começou com canja, seguindo-se depois o bacalhau acompanhado de batatas, vegetais e grão. Para sobremesa havia salada de fruta, bolos, chocolates, chá e café. Para Isabel Bento, responsável da Comunidade Sant"Egídio em Portugal, este almoço é muito mais do que "uma refeição quente num dia frio e chuvoso" e por isso "só faz sentido acontecer no dia de Natal".
Margarida tem 79 anos é do Porto e desde os 26 anos que vive sozinha em Lisboa. Veio para a capital para casar, mas foi abandonada pelo noivo. "Há dois anos que não vinha ao almoço, mas agora voltei", disse a idosa entre um pedaço de pão e uma rodela de chouriço. Este ano foi ao Mercado da Ribeira acompanhada de um vizinho para "comer uma refeição quentinha e conviver". António, de 75 anos, também vive sozinho, "umas vezes numa barraca, outras na rua". E acrescentou: "Estas senhoras são muito simpáticas e a comida é muito boa. Não tenho para onde ir e, em vez de passar o Natal sozinho, aqui sempre se come bem e passa-se o tempo com outras pessoas".
A maioria das pessoas beneficia da solidariedade da comunidade o ano inteiro e, segundo Isabel Bento, citada pela agência Lusa, anseiam por este aconchego. "São pessoas que seguimos o ano inteiro, já são um pouco como família. Esta festa acontece porque não queremos deixar ninguém sozinho no natal. Além da comida, é uma forma de fazer esquecer a solidão. Há cada vez mais idosos sozinhos que nos procuram".
Uma viola e muitas vozes afinadas dos cerca de 100 voluntários animaram o almoço com canções de Natal. A Comunidade de Sant"Egídio é uma instituição de solidariedade social, sem fins lucrativos, que presta assistência diária aos mais necessitados.
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