por Carla Aguiar, in Diário de Notícias
Só 20% dos estudantes trabalham mais do que uma hora por semana, a menor percentagem em 10 países da UE analisados.
Os alunos universitários portugueses são dos que menos conciliam o estudo com o trabalho no espaço da União Europeia. Numa comparação com outros 10 países europeus, Portugal é o País com menor percentagem de estudantes trabalhadores, não indo além dos 20% os que tenham trabalhado pelo menos uma hora por semana. Os dados constam da tese de doutoramento de Luísa Cerdeira, O Financiamento do EnsinoSuperior - A partilha de custos, a que o DN teve acesso. O estudoapurou que o ensino politécnico privado é o que mais alberga estudantes-trabalhadores.
Segundo o estudo Eurostudent 2005, no outro extremo da tabela encontrava-se a Holanda, com 91% de estudantes activos ou a Irlanda com 69%. Mas também nos países do Sul, como a Espanha, o envolvimento dos estudantes com o mundo profissional é substancialmente mais elevado, a mais do dobro do registado em Portugal, na ordem dos 50%. Os dados surpreendem, sobretudo porque Portugal é justamente dos países em que mais custa um curso superior, em termos relativos.
Luísa Cerdeira concluiu que "no ensino privado os estudantes têm uma taxa de ocupação durante a vida académica maior do que a dos estudantes do ensino público, em particular os que frequentam o politécnico". Com base num inquérito a estudantes, a autora apurou que nos politécnicos privados, a percentagem era a maior, da ordem dos 27%, quando o valor menor é encontrado também no ensino politécnico, mas público, não indo além dos 12,4%. No ensino universitário público, a situação é superior, com 15,7%.
O mesmo estudo indica diferenças por área de estudos, com os alunos das Ciências Sociais e do Direito a terem a maior participação no mercado de trabalho (24,4%), logo seguidos pelos de Gestão e Ciências Computacionais (21,4%). Enfermagem e Ciências a têm a menor inclusão precoce nas empresas, não indo além dos 10%. Quase metade dos que trabalhavam referiram que sem esses rendimentos não conseguiriam estudar no Superior.