26.11.15

Apenas com uma sopa e prato ingerimos 75% do sal recomendado

in Jornal de Notícias

Uma refeição individual de sopa e prato principal num restaurante de comida portuguesa tem 75% da dose diária de sal recomendada pela Organização Mundial de Saúde, conclui um estudo da Universidade do Porto.

A Lusa teve acesso aos resultados preliminares de uma amostra realizada entre setembro e outubro deste ano onde foram avaliadas cerca de 60 refeições individuais de sopa e prato principal de comida considerada "caseira" em 17 restaurantes de Matosinhos e Maia (Porto).

O resultado a que chegaram os investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) foi o de que uma pessoa ingeria, em média, 3,8 gramas de sal, ou seja, cerca de 75% dos cinco gramas que constituem a dose diária de sal recomendada pela OMS.

"Os valores são muito preocupantes. O consumo de sal excessivo é um problema em Portugal. As políticas de saúde, a legislação, ainda não são eficazes neste combate", atesta Conceição Calhau, investigadora e coordenadora do projeto científico da Universidade do Porto, considerando que a amostra tem "uma expressão muito significativa sobretudo, porque não houve grandes variações de resultados".

Conceição Calhau defende que se devia "repensar a política" do sal nos restaurantes e sugere que os estabelecimentos de comida confecionada deveriam ter o saleiro na mesa com frases de alerta, à semelhança dos maços de tabaco, a dizer que mata, com o objetivo de "responsabilizar as pessoas".

"O ideal era que os restaurantes fossem mentalizados ou forçados a que a refeição tivesse o menos sal possível deixando a liberdade do consumidor à mesa colocar o sal", acrescentou a investigadora.

Apesar dos resultados preliminares não terem causado "muita surpresa, "porque já era aquilo que nós suspeitávamos", o estudo vai ser alargado a mais território português nos próximos meses, confirmou a coordenadora do estudo.

Segundo Conceição Calhau, ao contrário de outros países da Europa, em Portugal o problema não será estancado em medidas focadas apenas na indústria alimentar.

"O que é adicionado nas cozinhas, em casa ou em restaurantes, talvez seja um problema que atinge uma dimensão muito maior", como sugere este estudo, explica, sublinhando que provavelmente "ninguém tem a noção que só naquela pequena refeição já está a fazer a ingestão de 75% do limite de sal recomendado a ingerir por dia.

Os investigadores da FEUP "recomendam aos restaurantes a acentuada redução do conteúdo de sal nas refeições confecionadas" e recordam que o consumo de sal acima de cinco gramas por dia é um dos fatores que mais contribuem para a hipertensão arterial e a principal responsável pelas doenças cardiovasculares.

Um outro estudo da Universidade do Porto, conhecido em maio transato, sobre hábitos alimentares das crianças portuguesas indica que 93% ingeriam sal a mais do que o recomendado pela OMS e que 54% ingeriam sal acima do máximo tolerável.

O estudo desenvolvido pela FMUP contou com uma parceria de um grupo de investigadores da engenharia química do Instituto Superior de Engenharia do Porto e com Jorge Polónia, docente da FMUP e investigador do CINTESIS (Center for Health Technology and Services Research).

Não Te Refugies: Do Porto à Sérvia, é preciso ajudar

Por Julien Verge, in Jornalismo.net

O projeto de voluntariado Não Te Refugies quer ajudar refugiados do Médio Oriente que se encontram na Sérvia. Para o efeito decorre, até ao dia 29 de novembro, uma iniciativa de recolha de bens e há também uma campanha de crowdfunding até ao dia 4 de dezembro.

Ajudar os refugiados do Médio Oriente, vindos de países como a Síria, Afeganistão ou Iraque – e que agora se encontram na Sérvia – é o que propõe o projeto Não Te Refugies, fundado por Jorge Sá. A ideia surgiu quando Jorge, formado em Enfermagem, foi de férias no verão para a Sérvia com a namorada, de lá nativa, Milica Bogdanov.

Durante esse período, ambos participaram em campanhas de solidariedade e ações de voluntariado locais, de forma a ajudar os refugiados que iam chegando. “Estávamos lá a distribuir ajuda só que não havia lá nada. Não havia nada do que eles precisavam, nem nada de particularmente útil”, revelou ao JPN. Decidiu então que, após o seu regresso em Portugal em setembro, iria tratar de organizar uma recolha de material, ainda que numa escala reduzida.

Assim, um dia após o seu regresso, já tinha posto a sua ideia em andamento. “Foi tudo a 28 de setembro, foi assim uma coisa relâmpago”, afirmou Jorge. Começou por entrar em contacto com a Cruz Vermelha da Sérvia e, depois de lhe enviarem uma lista que continha as suas maiores necessidades, falou com entidades competentes de cá para pôr o seu plano em ação, nomeadamente a Embaixada da Sérvia em Portugal. “Há um mar burocrático a ultrapassar, porque depois também há a alfândega. Não é como enviar ajuda na Europa que é muito mais fácil, há todo um processo que é preciso preparar e burocracias e acreditações”, referiu o mesmo.

O que é preciso?

Quer ajudar? O Não te Refugies, através de associações estudantis está a organizar, até ao dia 29 de novembro, uma campanha de recolha de roupas quentes, calçado, roupa interior nova ou ainda produtos de higiene pessoal que vão poder ser enviados à Sérvia. No entanto, visto estar quase alcançado o limite máximo de volume permitido no transporte para a Sérvia, o processo está já na fase final. Além disso, o grande foco do projeto de voluntariado neste momento é a campanha de crowdfunding, lançada no passado dia 12 de novembro, que está ainda a decorrer. O objetivo da campanha é a angariação de 2000 euros para serem adquiridas 35 tendas, com capacidade de 3 a 4 pessoas, e sacos-cama para serem enviados para a Sérvia. A campanha termina no dia 4 de dezembro.

Depois deste passo, o processo foi seguindo. Começou pelo contacto mais próximo, através de família e amigos, mas rapidamente o projeto chegou mais longe. “Foram aparecendo pessoas espontaneamente noutras cidades nomeadamente Lisboa, Arcos de Valdevez, Aveiro. Houve pessoas que se juntaram individualmente, e houve instituições que também se juntaram”, recordou.

E, pouco a pouco, também algumas escolas se foram associando à causa o que, para Jorge, foi fundamental visto que “uma das partes importantes disto era a sensibilização”, de forma a “desmaterializar um bocado aquela ideia de refugiados serem terroristas”. Após a divulgação do Não te Refugies nos órgãos de comunicação social, a campanha foi-se tornando cada vez mais substancial.

O fundador conta com a ajuda de duas amigas, Lígia Pinto e Bárbara Seabra que, ainda que não tenha experiência na área, tentaram “perceber como é que se faz e se ajuda, falar com tudo e todos para tentar atingir o objetivo”. Rapidamente passou ao plano de ação, que consistiu na recolha de roupas quentes e objetos de higiene pessoal para que as famílias de refugiados conseguissem aguentar o clima difícil da Sérvia, sobretudo com a aproximação do inverno. Segundo Jorge já foram, até hoje, empacotadas mais de três toneladas de vestuário. O vestuário inapropriado foi aproveitado. “Já devemos ter dado mais de uma tonelada à Cruz Vermelha do Porto”, referiu o mesmo.
As ajudas

Para conseguir sustentar o projeto, Jorge Sá precisou de ajuda. Desde os mais variados quartéis de bombeiros da área do Grande Porto, que se disponibilizaram para recolher as roupas que a população quis doar, às associações e grupos de estudantes de diferentes universidades, o Não te Refugies – localizado no CACE Cultural do Porto – conta com bastante apoio.

Através do núcleo VO.U Mundo, pertencente à Associação de Voluntariado Universitário (VO.U), alguns órgãos culturais e associações de estudantes juntaram-se ao projeto de voluntariado. Entre as quais a Associação de Estudantes do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar da Universidade do Porto (AEICBAS), a Tuna Feminina de Biomédicas (TFB), a Associação de Estudantes de Escola Superior de Enfermagem do Porto (AEESEnfP), a Associação de Estudantes da Faculdade de Economia da Universidade do Porto (AEFEP), a Associação de Estudantes da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (AEFMUP) e o Orfeão Universitário do Porto.

Margarida Cardoso, membro do núcleo VO.U Mundo e vice-presidente de comunicação e imagem do Orfeão Universitário explicou ao JPN que, após uma parceria entre as duas entidades, o Órfeão propôs à Associação de Voluntariado Universitário que fosse um posto de recolha da campanha. Margarida salientou a importância que organismos como a VO.U têm para a divulgação de projetos desta dimensão. Visto que o Orfeão funciona todos os dias, o grupo tem “um acesso muito mais fácil e um contacto muito direto com as pessoas”, o que lhe permite “pedir e influenciar, de uma maneira mais próxima”. Assim, além de dar a oportunidade de conhecer iniciativas destas mais facilmente ao público, estão simultaneamente a dar “a conhecer esta realidade que, às vezes, passa um bocado ao lado”.

Mário Parada, vice-presidente do Orfeão Universitário, acrescentou ainda que é preciso ajudar, reforçando a ideia de que toda a gente o devia fazer. “Que seja o Orfeão ou cada um individualmente, qualquer tipo de associação, isto é para bem de todos”, disse o vice-presidente.

Papa condena violência e "ataques bárbaros" em nome de Deus

in Diário de Notícias

"Com demasiada frequência radicalizam-se os jovens em nome da religião para semear a discórdia", disse Francisco

O papa Francisco denunciou hoje em Nairobi, primeira etapa na sua viagem a África, a radicalização dos jovens em "ataques bárbaros" e condenou toda a violência reivindicada em nome de Deus.

"O nome de Deus não pode justificar o ódio e a violência", disse, diante dirigentes religiosos quenianos - muçulmanos, protestantes e anglicanos -, denunciando o facto de "jovens se terem radicalizado em nome da religião" para cometer "ataques bárbaros", citando os massacres do Westgate Mall, de Garissa e de Mandera.

Os exemplos citados referem-se aos quatro atentados mais graves ocorridos no Quénia nos últimos dois anos, todos atribuídos ou reivindicados pelo grupo 'jihadista' somali Al Shabab, que contesta o destacamento de tropas quenianas no território da Somália: o ataque ao comercial de Westgate (67 mortos), os dois na povoação de Mandera (64 mortos) e o da Universidade de Garissa (148 mortos).

"Com demasiada frequência radicalizam-se os jovens em nome da religião para semear a discórdia e o medo, e para desgarrar o tecido das nossas sociedades", lamentou Francisco.

Para o papa, a relação entre distintos credos "impõe desafios e interrogações", contudo, o diálogo ecuménico e inter-religioso "não é um luxo", mas antes algo "fundamental de que o mundo "necessita cada vez mais".

"Num mundo cada vez mais interdependente, vemos sempre, com maior clareza, a necessidade de uma mútua compreensão inter-religiosa, de amizade e colaboração para a defesa da dignidade" e o direito dos povos a "viver em liberdade e felicidade", argumentou.

Neste sentido, recordou que este ano se celebra o 50.º aniversário da conclusão do Concílio Vaticano II, em que a Igreja católica se comprometeu com o diálogo ecuménico e inter-religioso ao serviço da compreensão e da amizade.

Depois do encontro, o papa vai oficiar uma missa na Universidade de Nairobi, o acontecimento mais esperado do sumo pontífice no Quénia.

A missa vai juntar dezenas de milhares de pessoas no interior e nos arredores da universidade.

Esta tarde, reunir-se-á com religiosos e seminaristas antes de discursar na sede do programa da ONU para o Ambiente e ONU-Habitat, uma intervenção muito esperada e que tem lugar alguns dias antes do início da conferência sobre alterações climáticas em Paris (COP21).

O papa chegou na tarde de quarta-feira à capital do Quénia, para a sua primeira visita ao continente africano, um périplo que também vai incluir o Uganda e a República Centro-Africana, país que enfrenta uma vaga de violência religiosa e sectária.

Francisco, que realiza a 11.ª visita internacional, é o quarto pontífice a viajar para o continente africano depois de Paulo VI, João Paulo II - que visitou 42 países africanos - e Bento XVI.

Cinco semanas num campo de refugiados mudaram a vida dela

Ana Maria Henriques, in "P3"

Por causa de uma intoxicação alimentar, Sara Almeida e Jack Lewis decidiram fazer voluntariado com refugiados. Juntos viajaram até à ilha de Lesbos, na Grécia, e lá ficaram cinco semanas. "Uma das coisas que mudou em nós foi o respeito que temos por qualquer pessoa que encontremos na rua", confessou a jovem portuguesa ao P3. Um testemunho na primeira pessoa

“Depois de termos vivido na Nova Zelândia por um ano, o meu namorado [Jack Lewis] e eu fizemos uma viagem pela Ásia. Quando estávamos no Laos tivemos uma intoxicação alimentar e ficámos presos no hotel, onde a CNN era o único canal em inglês. Foi no dia em que o Aylan Kurdi morreu. Todas as notícias que víamos eram sobre refugiados. Fez-se um clique e decidimos que tínhamos de fazer algo. Estávamos numa fase sem compromissos, sem emprego, sem casa e tínhamos algum dinheiro poupado. Começámos logo a tentar contactar organizações e, três ou quatro dias depois, os Médicos do Mundo disseram-nos onde éramos precisos e marcámos a viagem. Tínhamos completa noção de que não percebíamos nada do que se estava a passar e deixámos tudo a cargo da organização.

Fizeram-nos uma espécie de entrevista, pediram-nos currículos e diplomas da universidade e enviaram-nos um e-mail a dizer que o sítio onde precisavam de nós era Lesbos, na Grécia. Chegámos à ilha a 2 de Outubro e ficámos lá, no campo de Moria, perto de cinco semanas.

O primeiro impacto foi logo na viagem. Íamos num voo ‘charter’ de uma empresa de viagens e o avião ia cheio de turistas que bebiam ‘cocktails’. Lembro-me de o piloto dizer para nos divertirmos nas férias e fomos os únicos que, quando saímos do avião, não fomos ter com os agentes de viagem. Ao apanharmos o autocarro do aeroporto para a cidade vimos logo que estávamos no sítio certo: em todos os espaços verdes havia sinais de que já lá tinham estado pessoas a viver ou a acampar, em algumas rotundas ainda havia pessoas.

Os coletes salva-vidas também faziam parte da cidade. Era impossível ignorar o que estava a acontecer. Só fomos dois dias ao Norte da ilha, aonde chegavam os barcos, a 50 quilómetros do campo. Essa é a distância que os refugiados têm que fazer a pé. Era surreal porque o caminho estava cheio de coletes, em penhascos ou em cima de árvores, e conseguíamos imaginar as pessoas a chegar lá, a meio da noite. Os escuteiros limpavam as praias, mas no dia seguinte estavam na mesma. Muitos dos coletes não eram de boa qualidade e os refugiados, em vez de apertarem o fecho, amarravam as tiras para se sentirem seguros. Quando chegavam, rompiam com uma faca para os tirarem e deixavam-nos.

No primeiro dia, quando decidimos ir passear no centro da cidade, voltámos para casa 10 minutos depois porque eu estava com medo. Eram milhares de refugiados à minha volta. O porto onde as pessoas apanham o ‘ferry’ para Atenas é no meio da cidade e, quando já compraram o bilhete ou estão à espera do barco, elas amontoam-se todas no centro. No dia seguinte percebi quão estúpida tinha sido. Quando lá fomos durante o dia foi uma situação completamente diferente: todas as pessoas que conhecíamos davam-nos comida, faziam perguntas, abraçavam-nos, agradeciam-nos. A partir daí percebi que havia uma discrepância entre aquilo que ouvia nas notícias e a realidade.

Num dia normal começávamos às 14horas e acabávamos pelas 22horas. Escolhemos esse turno porque era o que tinha menos voluntários e muita gente não o queria fazer. No campo onde estávamos é feito o registo dos refugiados e os Médicos do Mundo têm um gabinete. Os contentores estavam organizados da seguinte forma: polícia, roupas, Médicos do Mundo. Toda a gente que passava pela polícia passava também por nós, que estávamos à porta do contentor das roupas e víamos aquilo de que as pessoas podiam precisar. Havia crianças sem sapatos ou sem casaco, pessoas molhadas do barco. O nosso trabalho era distribuir o mais possível por toda a gente.

O drama que acontece todos os dias é o pior. O desespero das pessoas quando não sabem de algum familiar que desapareceu e que não é possível encontrar… Quando choveu, o desespero atingiu níveis incompreensíveis. Num dia normal dávamos roupa a qualquer pessoa molhada. Com chuva, toda a gente estava molhada e era impossível dar a todos. Como tínhamos muitos lençóis de cama, achámos que os podiam usar como cobertores ou toalhas. Depois de fecharmos o contentor, eu estava a caminhar e vi um dos lençóis de cama a tremer, no meio do lixo. Era uma criança, com quatro ou cinco anos, nua e sozinha. Fiquei a olhar para ela e achei que aquilo não estava a acontecer… Peguei na criança, embrulhei-a no lençol e perguntei de quem era. Um pai desesperado, também ele encharcado, que estava na fila para os papéis, disse que era dele. Abri de novo o contentor e fiquei agarrada à criança, a tentar recompor-me. Tirei-lhe o lençol, sequei-a, vesti-a e fiz um dos sacos que nós dávamos, com fraldas, água, pasta e escova dos dentes, champô. Aquele pai tinha mais duas crianças na mesma situação: nuas num lençol, a única coisa seca.

Tal como eu, muito poucos voluntários sabem como se devem fazer as coisas em condições. Fazem o melhor que podem com aquilo que sabem, e às vezes não é o suficiente.

O número de pessoas no campo variava muito. Havia dias em que eram 4.000, outros 500. Quando chegam dos barcos, vão a pé até a campo e têm que ir imediatamente para a fila dos papéis [para a obtenção do estatuto de refugiado]. Ficam na fila o tempo que for preciso para os conseguirem. Depois vão-se embora. Percorrem os dez quilómetros até ao porto de Lesbos e compram o bilhete do ‘ferry’. No porto, a situação ainda é pior porque não há organizações, é um parque de estacionamento. Quem acampa em Moria é quem já não tem dinheiro para continuar a viagem.

A situação muda todos os dias. Neste momento não estão a chegar barcos a Lesbos e qualquer informação que tenha sido dada na semana passada já está desactualizada. A melhor maneira de saber o que é necessário é consultar o site Refugeemap.com, que todos os dias é actualizado e tem um ponto para cada localização. Em termos gerais, é preciso encontrar uma maneira segura de as pessoas chegarem a Lesbos. Esse é o maior problema a ser resolvido e não passa por voluntários. Em termos particulares, são precisas meias, casacos de Inverno.

Existem muitas pessoas a organizarem-se e a fazerem ‘kits’ ou mochilas. Eu sou de Ovar e criámos um movimento civil, o ‘Ovar, Vamos Ajudar?', com um evento solidário para angariar fundos. O Jack e eu vamos distribuir essas mochilas com uma barrita de energia, gorros, meias, cachecóis, garrafas de água. Ainda não sabemos para onde nos vão mandar, mas estamos em contacto com os Médicos do Mundo de França e talvez Calais seja o destino. Quando estava em Lesbos, se alguém me contactasse a dizer que tinha uma quantia para gastar, eu sabia o que fazer. Se eram precisos medicamentos, ia à farmácia e comprava. Ou então comprava meias ou pão de forma para distribuir por quem estava nas filas. Acho que a melhor maneira de ajudar é acolher as pessoas nas suas cidades, como Ovar fez agora com a família do Ali. É preciso confiar nos refugiados, da mesma maneira que eles vieram à confiança para encontrar algo melhor na Europa, e fazê-los sentirem-se bem vindos.

Ainda estou um bocadinho adormecida pela experiência, não tive tempo de não falar do assunto. O Jack e eu apercebemo-nos de que uma das coisas que mudou em nós foi o respeito que temos por qualquer pessoa que encontremos na rua.”

Já são conhecidos Os Nossos Heróis deste ano

Vânia Maia, In "Visão"

No encerramento da Grande Conferência da VISÃO Solidária e do Montepio, que contou com a presença do ex-presidente da República Jorge Sampaio, foram revelados os vencedores do prémio Os Nossos Heróis. Entre os vencedores, há um projeto de recuperação de móveis e um jovem médico

A grande Conferência da VISÃO Solidária e do Montepio, que se realizou esta tarde no auditório Montepio, em Lisboa, terminou com o anúncio dos vencedores da edição deste ano dos prémios Os Nossos Heróis, que distinguem pessoas e empresas que se destacam na área social.

HERÓI DO ANO
Na categoria Herói do Ano, a vencedora foi Maria Helena Freitas, 39 anos.

A jornalista originária de Setúbal é, também, a fundadora do projeto Garrrbage, que segue a filosofia de dar uma segunda vida a objetos que, aparentemente, poderiam parecer lixo (garbage, em inglês). Além da recuperação de móveis, eletrodomésticos, brinquedos e roupa também entram na lista de bens que são recuperados pelas pessoas em situação de desemprego ou socialmente isoladas do Bairro da Bela Vista, em Setúbal. O projeto conta apenas com um ano de vida, mas já tem uma loja e uma banca no mercado local. O sonho de Helena é levar o Garrrbage a todos os municípios do país, não só pela importância da redução do desperdício, mas sobretudo pela integração de pessoas em situações socialmente desfavoráveis.

MENÇÃO HONROSA
O jovem médico de 29 anos Hugo Martins foi premiado com uma Menção Honrosa. Interno do Hospital S. José, em Lisboa, é também o fundador e presidente da Associação Vox Lisboa, que presta cuidados de saúde junto da população sem-abrigo da capital. Apesar da associação ainda não ter um ano de vida, já esteve em contacto com mais de 300 pessoas que vivem na rua e conta com a colaboração de 35 profissionais de saúde. Hugo Martins começou a prestar cuidados de saúde a pessoas em situação de sem-abrigo há oito anos.

EMPRESA DO ANO
No que diz respeito à responsabilidade social empresarial, a Empresa do Ano é a Bel Portugal, que comercializa os queijos Baby Bel, Vaca Que Ri, Terra Nostra e Limiano. O motivo do galardão é a campanha #saycheese, que convida todas as pessoas a partilharem o seu sorriso através de uma fotografia publicada nas redes sociais. Por cada sorriso partilhado, a empresa oferece €1 à Fundação Bel, que apoia crianças adolescentes na área da nutrição. O objetivo é chegar aos 150 mil sorriso, ou sejam 150 mil euros.

MENÇÃO HONROSA
À We Bankor coube uma Menção Honrosa no âmbito do projeto eSolidar, uma plataforma online de leilões solidários . Desenvolvida por oito jovens bracarenses, a eSolidar permite apoiar causas solidárias através das compras na sua loja virtual. Foi com a ajuda da eSolidar que o festival EDP CoolJazz e a Câmara de Oeiras angariaram oito mil euros para a CerciOeiras com o leilão de uma guitarra autografada pelo músico Mark Knofler.

Ambos os vencedores do prémio Os Nossos Heróis, promovidos pela VISÃO Solidária e pelo Montepio, recebem um troféu desenhado pelo arquiteto Souto Moura
Ambos os vencedores do prémio Os Nossos Heróis, promovidos pela VISÃO Solidária e pelo Montepio, recebem um troféu desenhado pelo arquiteto Souto Moura
Lucília Monteiro
Os vencedores de cada categoria recebem um troféu desenhado pelo arquiteto Souto Moura (Pritzker 2011) e vão frequentar o curso ISEP Portugal IES powered by INSEAD, que se destina a capacitar os gestores de iniciativas sociais no sentido de potenciarem o impacto social das suas iniciativas.

O júri que escolheu os vencedores da terceira edição dos prémios Os Nossos Heróis era composto por Mercedes Balsemão, presidente da SIC Esperança, António Tavares, Provedor da Misericórdia do Porto, Conceição Zagalo, presidente da assembleia-geral do GRACE - Grupo de Reflexão e Apoio à Cidadania Empresarial, Dulce Rocha, presidente executiva do Instituto de Apoio à Criança, Maria Angélica Aires, da área da Responsabilidade Social no Montepio e Mafalda Anjos, diretora-adjunta da VISÃO.

O anúncio dos vencedores foi feito V Conferência da VISÃO Solidária e do Montepio, que teve como orador principal o ex-presidente da República Jorge Sampaio, "Pensar a questão dos refugiados fora da caixa" foi o tema da sua comunicação, o presidente da Plataforma Global de Assistência Académica de Emergência a Estudantes Sírios (APGES) trouxe, ainda, vários testemunhos de estudantes sírios, bolseiros da APGES.

O evento contou, também, com uma mesa redonda sobre o tema dos refugiados com a participação de Rui Marques, coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados, João Manzarra, apresentador e voluntário e Ahmed Abdalla, cidadão português, ex-refugiado da Somália.

Coube a António Tomás Correia, presidente do Conselho de Administração da Associação Mutualista Montepio e a Francisco Pinto Balsemão, chairman Grupo Impresa, dar as boas-vindas ao público do evento.

Saiba mais sobre a Grande Conferência VISÃO Solidária e Montepio aqui. E conheça as histórias dos vencedores do prémio Os Nossos Heróis na edição da VISÃO da próxima semana, nas bancas dias 3.

Acreditar comemora 20.º aniversário com livro

António Henriques, in "PT Jornal"

‘Vidas Contadas – 20 anos de Estórias da Acreditar’ conta com o testemunho de cerca de 100 crianças e famílias apoiadas pela instituição e de 10 dos seus voluntários. O livro será lançado no dia 28 de novembro, às 16h00, na Fundação Cidade de Lisboa.

Para ajudar a celebrar os seus 20 anos de existência, a Acreditar – Associação de Pais e Amigos de crianças com cancro, lança um livro no próximo dia 28 de novembro, pelas 16 horas, na Fundação Cidade de Lisboa, em Lisboa.

A obra, que pretende celebrar e homenagear, não só todas crianças e jovens que tenham sofrido patologias oncológicas, como todas as famílias, organizações e sociedade civil que os apoiam, conta com a participação de cerca de 100 crianças e famílias apoiadas pela instituição e de 10 dos seus voluntários.

Mais do que a história da Acreditar, este livro traz-nos estórias de quem integra a associação, através das cartas de crianças e famílias que passaram por situações de cancro infantil, e dos testemunhos de voluntários que as apoiaram.

Para estas crianças, estes amigos e estes pais a Acreditar é mais que uma associação: é uma família, é um pilar é o seu suporte durante meses e meses.

Meses que se tornam mais pequenos graças a estes heróis da vida real. Um livro feito de testemunhos reais, de quem passa e por quem ajuda a ultrapassar o cancro, “(…) a força das crianças, dos pais, de toda essa gente que faz parte da comunidade Acreditar engrandecem uma pessoa enquanto ser humano e enriquecem a Vida”.

Modalidades em Braga unidas por uma causa

Décio Vigia, in "Modalidades"

A 25 de novembro assinalou-se o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher. São várias as iniciativas que se realizam neste âmbito e, este ano, o recém criado núcleo de Braga da Amnistia Internacional (AI) – uma organização mundial que luta pelos Direitos Humanos em todo o mundo – decidiu juntar-se com uma campanha a que alguns agentes de modalidades se juntaram.

A AI juntou os dois clubes de futsal da cidade que militam na Liga Sport Zone, o ABC/UMinho do Andebol1 e ainda o Hóquei Clube de Braga num vídeo com uma mensagem clara: a violência contra a mulher tem que terminar! André Machado, André Gomes e Vitor Hugo do SC Braga/AAUM, Ricardo Fernandes do Gualtar, Rodrigo Sousa do hóquei, Humberto Gomes, Ricardo Pesqueira, Nuno Grilo, Carlos Martins, Diogo Branquinho e ainda o treinador Carlos Resende, do ABC/UMinho são os desportistas que se associaram à causa e que dizem NÃO à violência contra a mulher.

Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso promove campanha de recolha de sangue

In "MetroNews"

A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, através do Banco de Voluntariado, vai assinalar o Dia Internacional do Voluntariado (5 de dezembro) com uma ação de recolha de sangue, numa iniciativa conjunta com o Instituto Português de Sangue e da Transplantação (IPST, IP).

Esta recolha vai realizar-se no dia 4 de dezembro, uma sexta-feira, entre as 9h00 e as 12h30, nas instalações do Banco de Voluntariado da Póvoa de Lanhoso (na avenida 25 de Abril, junto ao pavilhão municipal).

De modo a preparar e informar sobre esta ação de recolha, uma equipa técnica do Instituto Português de Sangue e da Transplantação dinamizará previamente, no dia 30 de novembro, pelas 15h00, no auditório da Casa da Botica, uma sessão de informação sobre a importância de ser dador/a de sangue, constituindo ao mesmo tempo uma oportunidade para que quem pretenda ser dador/a, possa ver esclarecidas todas as suas eventuais dúvidas.

A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso apela à participação da população nesta sessão informativa, de modo a poder estar convenientemente esclarecida sobre a importância de cada contributo e sobre a realização da própria colheita de sangue para participar ativamente na campanha de recolha do dia 4 de dezembro.

Em 1985, a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o 5 de dezembro como o Dia Internacional do Voluntariado, passando a data a constituir um motivo para homenagear e reconhecer a dedicação dos/as voluntários à causa e bem comuns.

Neste sentido e com o objetivo de assinalar convenientemente a importância dos/as voluntários/as que, de uma forma genuinamente altruísta e atuante, contribuem para o bem estar e desenvolvimento das comunidades, decidiu a Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso, promover a realização desta colheita de sangue, numa iniciativa conjunta com o Instituto Português de Sangue e da Transplantação (IPST,IP).

Casas abrigo são a resposta possível para proteger vítimas de violência doméstica

José Carlos Silva Lima, In "Diário do Minho"

As mulheres vítimas de violência doméstica são duplamente penalizadas, ao serem obrigadas a deixar a sua habitação e, por vezes os seus filhos, para poderem ser acolhidas numa “casa abrigo”, enquanto os agressores continuam no conforto da sua casa. Esta é a realidade com que se deparam muitas vítimas, mas as “casas abrigo” são «a resposta possível da sociedade» para evitar riscos de vida e a continuação de um “sofrimento insuportável”, para o qual a sociedade está cada vez mais sensibilizada, mas ainda há um grande caminho a fazer para acabar com esta “chaga social”.

Estas foram as ideias centrais da tertúlia sobre a “Violência contra as mulheres”, promovida pelo Núcleo de Braga da Amnistia Internacional, na FNAC do Braga Parque, com a participação do presidente da Cruz Vermelha/Braga Armando Osório, dos psicólogos João Belchior e José Ferreira e do cabo chefe Alberto Mendes do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE) da GNR.

Armando Osório foi o primeiro a denunciar o facto da vítima «ser penalizada duas vezes, ao ter que abandonar o seu lar e muitas vezes os filhos, enquanto o agressor comete um crime fica em casa». «É preciso que a sociedade penalize efetivamente o agressor, para que se possa erradicar este “cancro” que afeta a sociedade de uma forma transversal em qualquer estrato socio-económico», defendeu.

A saída da mulher para as “casas abrigo” deve, no entanto, ser encarada como «uma solução “fim de linha” para os casos de risco de vida». «As casas abrigo não devem ser encaradas como uma “solução social”, mas como um "fim tertúlia sobre a “Violência contra as mulheres”, promovida pela Amnistia Internacional Amnistia Internacional realizou debate no Dia para a Eliminação da Violência contra Mulheres A n t óni o F r e i t a s de linha” para uma mulher que está muitas vezes em perigo de vida e necessita de uma intervenção urgente», notou José Ferreira, que faz acompanhamento de apoio a vítimas, na Associação de Apoio à Vítima no Porto.

No mesmo sentido, João Belchior, que esteve ligado à instalação da primeira casa abrigo da Misericórdia do Porto, considerou que estas «são a resposta possível atendendo ao nosso quadro legislativo, em que o agressor é inocente até prova em contrário e em que o ónus da prova e a produção de efeitos demora muito tempo».

Sobre aquilo que ainda falta fazer, José Ferreira acentuou que «importa levar à prática a legislação que existe e o estatuto da vítima de violência doméstica, que dão à pessoa prioridade no acesso a emprego e no acesso à habitação, que são fatores básicos para a autonomia da vítima, mas que nem sempre se concretizam».

Este psicólogo destacou também a necessidade de «continuar a formar os técnicos e os agentes de autoridade que lidam com a violência doméstica», embora reconheça que «se registou uma evolução muito positiva nas competências e capacidade de resposta». Importa também «apostarmos cada vez mais na sensibilização, a começar nas escolas, pois ainda existem poucos programas de prevenção a serem implementados, para evitar que nas gerações futuras exista um número tão grande de situações de violência», reforçou.
GNR O cabo chefe Alberto Mendes, do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas (NIAVE) da GNR/Braga, afirmou, ontem, que há «uma preocupação cada vez maior da GNR em capacitar os militares para lidar com a violência doméstica, pois são vítimas que estão numa situação de especial fragilidade.

O NIAVE foi um projeto implementado desde 2004 a nível nacional precisamente com o objetivo de «sensibilizar todas as estruturas da GNR e da sociedade para esta problemática, de forma a melhorar a resposta operacional a nível de prevenção como da investigação criminal».

Vinte e sete mil participações de violência doméstica

In "Correio do Minho"

Em 2014 Vinte e sete mil participações de violência doméstica A violência doméstica representou, em 2014, oito por cento da criminalidade participada às autoridades, com um total de 27 mil participações.

Os dados são do relatório anual de segurança interna (RASI) e foram lembrados ontem por Rosa Saavedra, assessora técnica da direcção da Associação de Apoio à Vítima (APAV) no II Encontro sobre Violência Doméstica que decorreu em Esposende por iniciativa da autarquia local.
Mas esta problemática vai além dos crimes participados. Rosa Saavedra referiu que em 45 por cento das situações que chegaram à APAV não havia (ainda) queixa.

Em 81 por cento dos casos, a vítima é mulher.

Portugal líder na desigualdade entre os países desenvolvidos

Sérgio Aníbal, in Público on-line

O banco norte-americano Morgan Stanley analisou o fenómeno da desigualdade em 20 países do mundo desenvolvido, socorrendo-se de diversos indicadores. Portugal destacou-se.

Portugal tem a sociedade com uma maior desigualdade entre os 20 países desenvolvidos analisados num estudo do banco norte-americano Morgan Stanley.

O relatório, publicado esta terça-feira, analisa a questão da desigualdade utilizando diversos indicadores que vão da simples distribuição de rendimentos até à forma como são fornecidos os serviços de saúde, passando pela desigualdade de género.

Portugal, que entre os 20 países estudados fica em quarto no índice de Gini (o indicador que mede a desigualdade do rendimento), sobe para a liderança do indicador mais amplo calculado pelo Morgan Stanley ultrapassando os Estados Unidos e outros países do sul da Europa.

Em segundo lugar no indicador de desigualdade, surge a Itália, seguida da Grécia, Espanha e Estados Unidos. Nos últimos lugares, os países com níveis de desigualdade mais baixos são, como habitualmente, os nórdicos, com a Noruega, Suécia e Finlândia a destacarem-se.

Portugal fica com o nível mais alto de desigualdade nos cálculos do banco norte-americano pelo facto de obter classificações negativas em praticamente quase todas as componentes do índice.

No índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição do rendimento, Portugal apresenta o quarto valor mais elevado, o que corresponde a mais desigualdade. Entre os 20 países analisados, é superado pelos Estados Unidos (que lideram), o Reino Unido e a Grécia.

Depois, quando se olha para a dispersão salarial, que leva em conta factores como a variação real dos salários ou a desigualdade de género, fica novamente em quarto lugar.

Mais um quarto lugar é registado quando se olha para a forma como são fornecidos os serviços de saúde à população.

A pior classificação surge quando se analisa o acesso à economia digital. Aqui Portugal surge como o terceiro país mais desigual, ficando apenas atrás da Itália e da Grécia.

Por fim, no que diz respeito à inclusão no mercado de trabalho, onde se levam em conta factores como o desemprego jovem, o trabalho parcial involuntário ou o desemprego dos mais qualificados, Portugal está a meio da tabela, em 10º.

Os relatórios do banco de investimento Morgan Stanley são geralmente destinados a investidores nos mercados financeiros, que à primeira vista não teriam um grande incentivo a preocuparem-se com questões como a desigualdade.

Os autores do estudo, contudo, tentam contrariar esta ideia, afirmando que “embora a desigualdade não seja um assunto tipicamente discutido entre os participantes dos mercados financeiros, ela conta para as suas decisões de investimento”. Isso é explicado, defendem os autores do estudo, pelo facto de “a desigualdade altera a distribuição do consumo e das poupanças, assim como da alocação dos recursos”.

Além disso, diz o relatório, “a desigualdade pode ser perigosa se se tornar permanente”. “Se a distribuição é demasiado desigual ao longo do tempo, com uma diferença crescente e persistente entre os que estão no topo e na base da escala, impede a participação generalizada nos ganhos de bem-estar com o crescimento e, a prazo, arrisca-se a corroer a estrutura económica e social de um país”, diz o banco, que alerta para a possibilidade de ocorrência de “disrupções nos modelos de negócios e no consenso social, conduzindo a erros de política”.

Vários economistas têm assinalado, nos últimos anos, a ocorrência de um agravamento dos níveis de desigualdade dentro dos países desenvolvidos. O relatório do Morgan Stanley confirma também esse fenómeno, destacando os EUA e os países do Sul da Europa como Portugal como aqueles em que a desigualdade é mais persistente.

25.11.15

Desemprego sobe há três meses seguidos

Lucília Tiago, in Jornal de Notícias

O desemprego continua a recuar face a 2014, mas registou em outubro a terceira subida mensal consecutiva, algo que não tem paralelo com a evolução observada no ano passado.

De acordo com o Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), no final de outubro estavam registadas nos centros de emprego 542 030 desempregados. São mais 3317 do que em setembro.

Este ciclo de subidas mensais começou em agosto, mês em que é habitual observar-se um acréscimo dos desempregados face a julho devido ao movimento dos estudantes do ensino superior que concluem a sua formação e se inscrevem nos centros de emprego.

Mas os dados mostram que em setembro o desemprego avançou mais 0,4% face ao mês anterior e que agora registou novo acréscimo, de 0,6%. Em 2014, os dados assinalam descidas consecutivas ao longo de quase todo o ano, apenas pontualmente interrompidas (o que aconteceu em janeiro, agosto e dezembro).

Na comparação homóloga, os 542 030 desempregados inscritos em outubro correspondem a uma descida de 10,5%, o que significa que naquele mês os centros de emprego tinham menos 92 144 pessoas sem trabalho do que um ano antes. Esta descida verificou-se em todos os níveis de instrução, mas de forma mais significativa entre os que têm apenas o 1.º ciclo do ensino básico. Esta situação pode ser parcialmente explicada pelo facto de estas pessoas - que foram das mais afetadas pelo desemprego e que são das que revelam maiores dificuldades em conseguir um novo emprego - terem esgotado o seu subsídio de desemprego e perdido o interesse em manter a inscrição no centro de emprego.

O número de desempregados inscritos recuou em todas as regiões do país face a outubro de 2014, tendo esta descida sido mais acentuada no Algarve (-13,3%). Esta região volta a destacar-se na comparação mensal, mas desta vez pela negativa já que é aquela onde o desemprego mais subiu face a setembro (16,8%). Na evolução mensal, os dados mostram uma subida em quase todas as regiões. As únicas exceções foram os Açores e o Norte - sendo aqui que se concentram 42,5% dos inscritos. De acordo com o IEFP, as ofertas de emprego recebidas durante o mês de outubro totalizaram 16 166: superam em 905 as do mês homólogo, mas são menos 837 do que em setembro.

O fim de trabalho não permanente (contratos a prazo) continua a ser o principal motivo de desemprego. Outubro não foi exceção: das 66 995 pessoas que ao longo deste mês se inscreveram nos centro de emprego do continente, 28 180 fizeram-no na sequência de fim do contrato a prazo.

Do Canadá vieram 19 mil litros de leite

Miguel Amorim, in Jornal de Notícias

Um sindicato do Canadá ofereceu 19 200 litros de leite ao Banco Alimentar do Porto. Estranho... aconteceu mesmo? Sim, é verdade. A garantia é dada, com tremenda satisfação, por António Cândido Silva, o responsável pelo Banco.

Mas porquê uma instituição canadiana e logo um sindicato? Aparentemente, a explicação nada tem de especial e faz-nos pensar que a solidariedade pode chegar de qualquer ponto do Mundo. Desta vez, a estrelinha fez a ponte entre Toronto, no Norte da América, e o Porto, na Península Ibérica.

A par da solidariedade, as raízes portuguesas que nunca se perdem apesar do crescente fenómeno da diáspora também deram uma ajuda. Neste caso foram emigrantes açorianos a lembrarem-se da pátria lusitana. Também por isso, a oferta, o leite, tem a marca da arquipélago.

Os grandes responsáveis pela boa ação são os dirigentes do Sindicato da Construção Civil do Canadá (Labor International Union of North America), boa parte deles saídos dos Açores ou com família na Região Autónoma. O cônsul geral de Portugal, Luís Barros, também interveio e a prenda tomou o rumo do armazém do Banco Alimentar, em Perafita (Matosinhos).

Escusado será dizer que assim que chegou, o produto foi sendo escoado pelas instituições do distrito. O Banco, com presença física no Porto desde 1994, ajuda a suprir as carências alimentares de 95 mil pessoas. O presente canadiano surgiu em boa hora. Até pode servir de mote para a campanha que está aí a chegar, no próximo fim de semana, com o Natal cada vez mais próximo.

Toneladas de alimentos

"Foi fabuloso em todos os sentidos. Ilustra também o amor dos portugueses que estão lá fora pelo país de origem", sublinha, satisfeito, António Cândido Silva, que entrou para o Banco como voluntário e foi empossado este ano como presidente da direção do polo portuense. Ansioso pelo frenesim dos dias da recolha de alimentos nos supermercados, o líder da instituição confia na boa adesão popular. Aliás, a manter-se o ritmo de anos anteriores, a próxima campanha poderá assinalar um novo recorde. Por norma, são angariados entre 380 e 420 toneladas de bens em cada campanha.

"Arroz, massas, sardinhas, salsichas e açúcar, todos eles produtos proteicos e de longa duração" integram a lista de artigos recomendados para oferecer.

Importa acrescentar que quanto maior for o stock angariado agora, em melhor situação ficarão aqueles que necessitam de alimento. Pois a campanha seguinte só terá lugar em maio de 2016. "Alimente esta ideia" é, por isso, um slogan a praticar.

O Banco Alimentar não faz a distribuição direta dos alimentos. Há uma rede, devidamente montada, de 418 instituições, que recolhe os géneros alimentícios na sede, em Matosinhos, e trata da sua distribuição junto das pessoas.

Abertas inscrições para voluntariado dias 28 e 29

"Fazes falta", este é o lema do Banco Alimentar para cativar voluntários para a campanha do próximo fim de semana. Registados contam-se cerca de cinco mil, mas acrescentar a estes, novos ajudantes nunca é demais. A inscrição é fácil. Pode ser efetuada através de um simples clique no Facebook do Banco. Só no distrito do Porto aderiram ao movimento 250 supermercados e será neste circuito que os voluntários vão marcar presença, mediante a recolha, como é hábito, à entrada dos espaços comerciais.

140 países em luta contra a violência sobre as mulheres

in Diário de Notícias

Amanhã é o Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres e há 24 anos que é o início de uma campanha global que vai acabar a 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Cento e quarenta países uniram-se para programar 16 dias de ativismo, que conta com o apoio da ONU, e em Portugal é a União das Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR) a dinamizar esta luta. Estão agendadas iniciativas de norte a sul do País, incluindo as ilhas.

A campanha tem início esta quarta-feira com a realização da 5ª Marcha para a Eliminação de Todas as Formas de Violência contra as Mulheres, a partir das 18:00 na Praça do Comércio, em Lisboa. E Coimbra tem prevista à mesma hora, na praça 8 de maio, a Marcha pelo Fim das Violências Machistas. Antes serão apresentados os últimos dados do Observatório das Mulheres Assassinadas, prevendo-se que o número das 43 mortes registadas em 2014 seja ultrapassado.

No primeiro semestre deste ano foram contabilizadas pela UMAR 24 mulheres assassinadas (contadas pelas notícias na imprensa) no âmbito da violência doméstica. E em finais de outubro, a GNR, através do Núcleo de Investigação e de Apoio a Vítimas Específicas, indicou a morte de 40, a mais de dois meses de terminar o ano.

Violência doméstica. Assinadas 27 mulheres este ano pelos maridos ou companheiros

in iOnline

Menos 14 face ao ano passado.

Vinte e sete mulheres foram assassinadas este ano, a maioria com armas brancas e de fogo, utilizadas pelos maridos ou companheiros, menos 14 face ao período homólogo de 2014, revelam dados do Observatório de Mulheres Assassinadas (OMA), hoje divulgados.

Houve ainda 33 mulheres que foram vítimas de tentativa de homicídio, de 1 de Janeiro a 20 de Novembro, adianta o relatório da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), divulgado no Dia Internacional pela Eliminação da Violência Contra as Mulheres.

Apesar de haver “um menor número de homicídios consumados e tentados” em 2015, comparativamente ao mesmo período de 2014, não se pode afirmar que “o femicídio está em tendência decrescente”, tendo em conta os últimos 11 anos em que foram assassinadas 426 mulheres e 497 foram vítimas de tentativa de homicídio, refere o OMA no documento.

“Na realidade, este tipo de criminalidade contra as mulheres, e em particular nas relações de intimidade presentes ou pretéritas, mantêm uma estabilidade, contrariando a tendência decrescente verificada em Portugal do homicídio praticado noutros contextos”, sublinha.

Com base nos dados deste ano, o observatório conclui que, em média e por mês, “seis mulheres vêem as suas vidas serem atentadas, principalmente por pessoas com quem mantinham uma relação de intimidade”.

Destas mulheres, uma média de 2,6 a cada mês, perdem a vida, acrescentam os dados baseados nos crimes noticiados pela imprensa.

As mulheres assassinadas por homens com quem mantinham ou mantiveram uma relação de intimidade representam 85% dos casos (13). Dez mulheres foram assassinadas pelos ex-companheiros, uma foi morta pelo filho/a, outra, pelo pai ou mãe, e duas por outros familiares.

Relativamente à idade das vítimas, a UMAR refere que há uma maior incidência a partir dos 51 anos (63%), logo seguido das mulheres com idades entre os 36 e os 50 anos (22%). A idade dos homicidas segue o mesmo padrão das vítimas.

Os dados observam que 56% das vítimas estavam empregadas (41%) ou em situação de reforma (15%). Relativamente à situação profissional dos homicidas, 26% tinham actividade profissional e 18% estavam reformados.

Mais de um quarto dos homicídios (sete) ocorreu no distrito do Porto, seguindo-se os distritos de Lisboa (5), Setúbal (4), Coimbra (3) e Faro (3).

“Em 2015 e uma vez mais, o contexto de violência doméstica, a não-aceitação da separação, a atitude possessiva, os ciúmes e a compaixão pelo sofrimento da vítima representam 81% da motivação ou suposta justificação pela prática do crime”, sublinha o relatório.

A casa das mulheres continua a ser o local mais utilizado pelos homicidas (63% femicídios ou feminicídios e 64% das tentativas de homicídio) e a arma de fogo, o meio mais utilizado (em 14 crimes), seguida das armas brancas (9).

Houve ainda quatro mulheres que “foram barbaramente assassinadas por agressão com objecto e estrangulamento”.

A “história de violência doméstica na relação” foi identificada em mais de metade dos homicídios consumados e tentados (59% e 53%, respectivamente), refere o relatório, sublinhando que em cerca de um terço destes casos decorria um processo-crime.

Além das vítimas directas de homicídio, registaram-se ainda 21 vítimas associadas, das quais seis morreram, refere o OMA, que contabilizou ainda “um total de 40 filhas/os das vítimas de femicídio e tentativa de femicídio”.

Para o observatório, “o femicídio deve também ser contextualizado nas questões e discussões em torno da violência doméstica e das políticas públicas em matéria de violência doméstica e de género e igualdade de género”.

Lusa

Vieira da Silva e a eterna reforma da Segurança Social

in Diário de Notícias

A sustentabilidade do sistema público de Segurança Social

É o grande desafio que se coloca ao ministro do Trabalho, Vieira da Silva, que já tinha ocupado esta pasta no primeiro Governo de José Sócrates (2005-2009) e foi mesmo o rosto da reforma da Segurança Social de 2006. Diversificar as fontes de financiamento da Segurança Social e discutir o assunto em concertação social é o que lhe pede António Costa.

Para Vieira da Silva o futuro das pensões em Portugal "depende da capacidade que o país tiver de recuperar empregos, estabilidade no emprego e recuperar salários". "Esses são os principais três desafios que se colocam ao sistema de Segurança Social", defendeu recentemente o socialista.

Considera fundamental encontrar alternativas complementares às contribuições patronais, visto que a história dos últimos anos, segundo tem afirmado, "mostrou que as contribuições dependentes do factor salário" não são contribuições assim "tão seguras e definitivas".

Números do desemprego sobem de novo e apontam 9 milhões de pessoas

in Globo.com

Dados se referem a julho e setembro.

Expectativa para o cenário futuro não é nada animadora.

O número de desempregados subiu de novo entre julho e setembro. Agora são, pelo menos, 9 milhões de pessoas sem carteira assinada no país e a previsão do que vai acontecer daqui pra frente não é nada animadora.

Lá se vão sete meses sem trabalho. E Dylan está de novo em mais uma busca por emprego.

Eliana Silva diz que topa mudar de função. “Eu sou operadora de loja, mas se não der, a gente topa outra coisa”, diz.

Eles estão entre os milhares de candidatos que enfrentam madrugadas na fila com a esperança de conseguir uma das 6 mil vagas oferecidas por 20 empresas em um feirão em Niterói, região metropolitana do Rio. A quantidade de gente dá a dimensão de como o trabalho está cada vez mais escasso no país.

A construção civil e a indústria foram os setores que mais demitiram. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, o desemprego foi maior no Nordeste e menor, no Sul do país.

Os economistas explicam que a nossa economia vinha sendo sustentada por dois indicadores: o consumo das famílias e os gastos do governo. O desequilíbrio nas contas obrigou o governo a diminuir esses gastos e a inflação e os juros altos frearam as famílias. Sem esses dois pilares, o consumo em geral caiu no país. Produzindo menos, as empresas tiveram que demitir e mais brasileiros começaram a procurar trabalho.

Para o economista Mauro Rochlin, por enquanto, não há expectativa de recuperação. “Muito difícil a gente imaginar que uma retomada da indústria aconteça a curto prazo ou em qualquer outro setor, mesmo o de serviços, portanto acho que 2016 será um ano de muita dificuldade no ponto de vista do emprego”.

Catástrofes naturais. Mais de 600 mil mortos em 20 anos, diz a ONU

Melissa Lopes, in iOnline

Relatório da ONU revela que nas últimas duas décadas quase 90% das mortes causadas por desastres naturais aconteceram em países pobres.

Cheias, tempestades e furacões, tsunamis: os desastres naturais são cada vez mais frequentes e cada vez mais demolidores. Desde 1995, estas catástrofes mataram 606 mil pessoas, uma média de 30 mil por ano, com 4,1 mil milhões de pessoas feridas, que perderam as suas casas ou ficaram com necessidade de ajuda urgente. Os números foram compilados e divulgados pelo gabinete da ONU para a redução dos riscos de catástrofes (UNISDR) e mostram ainda que a grande maioria destas mortes (89%) ocorreram em países de fracos rendimentos e causaram perdas financeiras avaliadas em 1,8 mil milhões de euros.

“O conteúdo deste relatório sublinha a importância de um novo acordo sobre alterações climáticas” na conferência do clima (COP21), afirmou a directora do gabinete, Margareta Wahlstorm. A COP21, que vai ter lugar em Bourget, na periferia nordeste de Paris, tem como principal objectivo fazer com que os 195 países assumam um acordo mundial para atenuar o aquecimento global. Em cima da mesa vai estar o compromisso dos países para conter a subida das temperaturas a 2 oC relativamente à era pré-industrial.

Ana Rita Antunes, do grupo de trabalho Energia e Alterações Climáticas da Quercus, explica que os países em desenvolvimento são os que mais sofrem as consequências das grandes catástrofes porque são justamente aqueles que “têm piores de condições de vida e menos capacidade de resposta a estas calamidades, quer na prevenção quer na actuação”. E é por isso que estão a fazer pressão para que na cimeira do clima se chegue a um acordo sobre a redução das emissões de carbono, por um lado, e a pedir maior financiamento aos mais ricos para lidarem com estes fenómenos.

Para Ana Rita Antunes, não se trata de “culpar”as grandes potências, mas sim de responsabilizá-las. “Têm por um lado uma responsabilidade histórica sobre este novo fenómeno das alterações climáticas: foram os primeiros a emitir gases com efeito de estufa”, recorda. Por outro lado, Ana Rita sublinha que têm capacidade financeira que os países em desenvolvimento não têm. “Daí a questão do financiamento para mitigação e adaptação ser uma questão fundamental para os países em desenvolvimento, que deve constar do futuro acordo de Paris”, resume a especialista.

De resto, há uma ligação forte entre as calamidades e o nível de pobreza destas regiões mais afectadas que, continuando a sofrer cada vez mais fenómenos desta natureza, dificilmente deixarão de ser pobres. Recentemente, Barack Obama pediu a todos os líderes mundiais que não poupem esforços na missão de atingir um “forte acordo” sobre o clima, avisando que “todos os países serão afectados pelas alterações climáticas, mas serão os mais pobres a carregar o fardo”.

As alterações climáticas e todos os fenómenos meteorológicos associados são encarados pela ONU como uma “ameaça à erradicação da pobreza extrema no mundo”. De acordo com o relatório, “as catástrofes climáticas são cada vez mais frequentes, sobretudo devido ao aumento consistente do número de inundações e tempestades”, pode ler-se.

Cheias As inundações representaram, por si só, 47% das catástrofes climáticas entre 1995 e 2015 e afectaram 2,3 mil milhões de pessoas, 95% das quais na Ásia. Apesar de menos frequentes que as inundações, as tempestades foram as catástrofes climáticas mais mortíferas, com 242 mil mortos. Ao todo, os Estados Unidos e a China registaram o maior número de catástrofes desde 1995, devido à dimensão territorial. Mas a China e a Índia lideram o ranking dos países mais atingidos em termos de população afectada. Seguem-se o Bangladesh, Filipinas e Tailândia. Na América, o Brasil é o país onde a população foi mais castigada e, em África, o Quénia e a Etiópia.

E em Portugal? Nos últimos anos, o país também já foi castigado por cheias. Em 2010, na Madeira, 47 pessoas perderam a vida devido a um forte temporal e deslizamentos de terras. Três anos depois, no Faial (Açores), três pessoas morreram pelas mesmas razões. No mês passado, Albufeira viu-se completamente envolta em lama depois de uma enxurrada.

Sendo um país com muitas vulnerabilidades, Portugal está a preparar-se para os riscos das alterações climáticas através do projecto ClimAdaPT, que envolve especialistas da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), da Quercus e do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), em colaboração com 26 municípios portugueses.

Esta equipa de especialistas prevê que Portugal venha a enfrentar fenómenos de precipitação excessiva, causando cheias e inundações rápidas, deslizamentos de terras e danos em infra-estruturas. Apesar de poderem vir a ser menos frequentes, irão ser mais intensos. Além de cheias, o país vai enfrentar mais ondas de calor, secas “progressivamente mais frequentes e intensas até 2100”, assim como a subida do nível do mar.

Ajuda pública ao desenvolvimento caiu pelo quarto ano consecutivo

Ana Cristina Pereira, in Público on-line

Relatório da AidWatch diz que 65% da cooperação bilateral está associada à diplomacia económica

Diversos países contabilizaram como ajuda ao desenvolvimento os custos associados ao acolhimento de refugiados

A ajuda pública ao desenvolvimento caiu 14% em 2014, conta com os custos relacionados com refugiados e continua muito associada à diplomacia económica, alerta o Relatório Aid Watch, lançado esta terça-feira pela CONCORD, a Confederação Europeia das ONG de Ajuda ao Desenvolvimento, de que a Plataforma Portuguesa das ONGD é membro fundador.

Bem vistos os números, passou de 364,4 em 2013 para 315,8 milhões de euros em 2014 a ajuda pública ao desenvolvimento. Já caíra 20,4% em 2013, 11,3% em 2012, 3% em 2011, tendência justificada pelo Governo com a crise económica, o controlo do défice público e a consolidação orçamental.

Contas feitas, Portugal disponibilizou 0,19% do Rendimento Nacional Bruto para a ajuda ao desenvolvimento, bem longe dos 0,7% que prometeu alcançar até 2015. Pedro Krupenski, presidente da Plataforma Portuguesa das ONGD, não compreende por que reiterou o Governo o compromisso já este ano, na cimeira de Adis Abeba. “Teria sido mais sensato comprometer-se com uma meta intercalar”, diz.

O país está longe de ser caso único. Em 2014, a União Europeia atribuiu tão-somente 0,42% do seu Rendimento Nacional Bruto (RNB) à ajuda ao desenvolvimento. Só quatro Estados-membros alcançaram a meta dos 0,7: o Luxemburgo, a Suécia, a Dinamarca e o Reino Unido.Não basta atender aos montantes para perceber o recuo em matéria de Cooperação para o Desenvolvimento, Educação para o Desenvolvimento e Ajuda Humanitária e de Emergência. É também preciso olhar para o que está inscrito em cada parcela.

Já no ano passado, diversos países contabilizaram como ajuda ao desenvolvimento os custos associados ao acolhimento e à integração de refugiados, com destaque para a Holanda (145%), a Itália (107%), Chipre (65%) e Portugal (38%). Teme-se agora que a tendência se agrave. Pedro Krupenski não nega a natureza urgente da crise. Salienta, no entanto, que a ajuda pública ao desenvolvimento diz respeito ao combate às causas, isto é, à pobreza, às desigualdades, aos conflitos em países terceiros.

Outro facto mascara as contas em Portugal. A “ajuda ligada”, isto é, os empréstimos condicionados à aquisição de bens ou serviços, representa 65% da ajuda bilateral nacional. Menos 5% do que no ano anterior, contrariando uma tendência de crescimento que tinha sido assinalada num relatório retrospectivo lançado em 2012.

Não é uma agenda escondida. O documento orientador da Cooperação Portuguesa estabelece que “a erradicação da pobreza e o desenvolvimento sustentável” tem de responder ao mesmo tempo “aos interesses nacionais e aos objectivos e prioridades dos países parceiros”. É a tendência nos países do Comité de Ajuda ao Desenvolvimento da Organização para a Cooperação Económica.

Um último aspecto merece uma chamada de atenção no relatório. Os projectos de cooperação delegada, isto é, executados pela cooperação portuguesa mas financiados pela União Europeia, têm cada vez mais peso na ajuda bilateral. A CONCORD entende que tal factor reflecte um recuo do investimento nacional, mas também um reconhecimento pelas instituições europeias.

Estudo indica baixa escolaridade da comunidade de 350 ciganos de Torres Vedras

in OesteGlobal

Torres Vedras, Lisboa, 24 nov (Lusa) - Torres Vedras tem três centenas e meia de cidadãos de etnia cigana, dos quais quase 50% são analfabetos ou têm apenas o primeiro ciclo de escolaridade, conclui um diagnóstico social desta comunidade hoje divulgado.

O Estudo de Diagnóstico da Comunidade Cigana de Torres Vedras foi efetuado por técnicos do município, cujo presidente da câmara é de etnia cigana, e do projeto internacional Romed e vai dar origem a um plano de intervenção direcionado a esta comunidade do concelho.

De acordo com o documento, apresentado no encontro “Viver o Romed”, 13,3% dos ciganos do concelho não sabe ler nem escrever, 34% tem apenas o primeiro ciclo completo, 12% tem habilitações até ao segundo ciclo e 7% concluiu o ensino secundário.

Os inquéritos efetuados apontam como principal causa do abandono escolar as suas tradições culturais.

Os dados indicam que 44% gostavam de retomar os seus estudos, ao contrário de 37%.

Dos 350 cidadãos de etnia cigana que vivem no concelho (de um total de 40 mil a 60 mil residentes em Portugal), 54% são homens, refere o estudo, que identificou 69 crianças.

A maioria desta população nasceu no concelho (50%) e 33% tem entre 16 e 24 anos, enquanto 18,9% tem entre 25 e 34 anos e 18,9% está entre os 34 e os 44 anos.

De acordo com o estudo, 87% da população está desempregada (48% está à procura do primeiro emprego e 23% está desempregado há mais de três anos). Contudo, 40% dedica-se à venda ambulante, apesar de a atividade não estar legalizada.

A maioria (78%) vive com rendimentos até aos 500 euros mensais.

Apenas 11 pessoas vivem dos rendimentos do seu trabalho, enquanto 37 vive do Rendimento Social de Inserção, 45 dos abonos e 43 de pequenos biscates laborais.

Os agregados familiares são compostos por cinco ou seis elementos (30%), quatro (27,8%), três (20%) ou apenas dois (10%). A maioria dos casais tem dois ou três filhos.

A maioria das famílias vive em fogos de habitação familiar, sobretudo apartamentos (54%), com as condições básicas.

Questionados sobre a frequência do ensino pelas mulheres ciganas, 16% dos inquiridos, dos quais 90% são homens, disse não concordar e 60% concorda.

O Projeto Romed, promovido pelo Conselho da Europa e pela União Europeia, tem como objetivo assegurar a equidade da mediação entre as comunidades ciganas e as instituições, promovendo a mudança através da participação democrática da população. Em Torres Vedras, já foi criado um grupo de intervenção comunitária.

FYC // ROC

Lusa/Fim