Joana Gorjão Henriques, in Público on-line
Dos 25 casos identificados pelas autoridades policiais em 2016 passou-se para 48 no ano passado. Maioria ocorreu em Lisboa. São poucos os que chegam a julgamento.
Em 2017 as autoridades policiais registaram 48 crimes de discriminação racial ou religiosa, o dobro do ano anterior (25 casos), mostram dados da Direcção-Geral da Política de Justiça (DGPJ) fornecidos ao PÚBLICO. Em 2015, o número foi ainda mais baixo, com as autoridades a reportarem 19 crimes deste tipo — seis em Lisboa, seis no Porto e os outros no resto do país.
Um crime registado pelas autoridades policiais é aquele que é detectado pelas mesmas, ou levado ao seu conhecimento por meio de denúncia ou queixa, e classificado como tal, de acordo com o artigo 240.º do Código Penal. Este artigo (“Discriminação e incitamento ao ódio e à violência”) prevê pena de prisão para actos de violência, difamação, ameaças e constituição de organizações de propaganda que incitem à discriminação. Porém, a sua aplicação prática tem sido pouco comum: em 2016, por exemplo, não houve registo de nenhum processo que envolvesse este crime e que tivesse chegado ao fim num tribunal.
Foi em Lisboa que ocorreu a maioria das situações de crime de discriminação racial ou religiosa detectadas pelas forças policiais no ano passado (30). No ano anterior tinham sido 14. Faro aparece a seguir, com cinco casos. Segue-se Setúbal com quatro, Porto com três e os restantes em outros distritos.
A polícia é uma das entidades, além da Comissão para a Igualdade e Contra a Discriminação Racial (CICDR), que recebe e trata das queixas de discriminação racial. Outros exemplos são a Entidade Reguladora da Saúde (ERS), a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) ou a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE).
A ACT — que tem competência exclusiva para abrir, instruir e decidir processos de contraordenação em matéria laboral — instaurou, no ano passado, 11 processos de contra-ordenação por discriminação no acesso ao emprego e ao trabalho com base na nacionalidade, género, raça e deficiência, por exemplo. Foram feitas 505 advertências. Estes processos resultaram de 156 inspecções.
Em relação, especificamente, à discriminação racial foram formalizadas três advertências e feitas duas notificações. Mas não há, no documento da CICDR, registo de multa.
A discriminação no trabalho, ou no acesso ao mesmo, em função da nacionalidade deu origem a oito advertências e a dois processos de contra-ordenação com uma multa mínima prevista de 3738 euros.
Também na área da saúde a Entidade Reguladora registou 67 queixas relativas a discriminação racial ou étnica entre mais de 80 mil.
Já a Entidade Reguladora para a Comunicação (ERC) efectuou cinco procedimentos de averiguações: arquivou dois deles e três estavam pendentes na altura da elaboração do relatório anual da CICDR.
O Instituto Português do Desporto e da Juventude recebeu apenas cinco queixas tendo como factores de discriminação a cor da pele ou a origem racial e étnica e proferiu uma decisão de condenação no âmbito de um processo de contraordenação, que transitou em julgado.
Mais em: Queixas de racismo e xenofobia batem recordes em Portugal
23.8.18
Maioria das famílias vai dispensar manuais gratuitos
Clara Viana, in Público on-line
Inquérito promovido pelo Observador Cetelem dá conta de uma reduzida adesão ao programa de manuais gratuitos, que este ano abrangerá todos os alunos do 1.º ao 6.º ano que estão no ensino público.
Só 8% das 600 famílias inquiridas no âmbito de um estudo sobre o regresso às aulas manifestaram vontade de ter acesso aos manuais gratuitos que estão a ser disponibilizados pelo Ministério da Educação (ME). Este é um dos resultados do inquérito promovido pela empresa de crédito Cetelem para apurar quais as intenções de consumo das famílias na altura de prepararem a chegada de mais um ano lectivo.
Os manuais gratuitos destinam-se, em 2018/2019, aos alunos do 1.º ao 6.º ano de escolaridade inscritos em escolas públicas. Segundo o ME, são 500 mil. Para garantirem o acesso a estes manuais os encarregados de educação têm de se registar numa plataforma electrónica lançada pelo ministério no passado dia 1 de Agosto, sendo-lhes depois atribuídos vouchers para utilizarem nas cerca de 1300 livrarias que aderiram à iniciativa.
Ainda segundo o Observador Cetelem, cerca de 97% dos inquiridos indicaram que preferem comprar livros escolares novos. O ano passado eram 93%. Feitas as contas, as famílias prevêem gastar em média 487 euros em livros e materiais escolares, o que representa um aumento de 22% face a 2017.
É também a pensar nas compras do regresso às aulas que foi lançada nesta segunda-feira mais uma edição da campanha Olhe pelas suas costas com o objectivo de ajudar os pais a escolherem as mochilas que menos estragos poderão provocar na saúde dos filhos.
Nesta campanha promovida pela Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral em conjunto com outras instituições, recomenda-se, por exemplo, que devem ser escolhidas mochilas com vários compartimentos, “de forma a distribuir o peso e não sobrecarregar os ombros”. Também devem ter “duas alças largas e almofadadas de modo a não desencadear contracturas musculares” e quando colocadas às costas, o seu tamanho não deve ultrapassar o nível superior dos ombros. Recorda-se ainda que o peso da mochila, incluindo o material e livros escolares, “não deve ultrapassar 10% do peso corporal da criança ou jovem".
Petição para reduzir peso das mochilas
Este foi um dos valores também referidos numa petição pública em prol da redução do peso das mochilas, que recolheu cerca de 50 mil assinaturas e levou o Parlamento a aprovar, em Outubro de 2017, um projecto de resolução, recomendando ao Governo várias medidas para se chegar àquele objectivo, como a criação de cacifos nas escolas ou a promoção do uso "gradual de suportes digitais na sala de aula”.
Ler mais
Manuais gratuitos só para quem estiver inscrito em plataforma electrónica
Parlamento envia caderno de encargos ao Governo para reduzir peso das mochilas
Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação recordou que, na sequência desta resolução, fez um acordo com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros para a concessão a todos os alunos do 1.º e 2.º ciclos (que são os que têm manuais gratuitos) de uma “licença para acesso a recursos digitais educativos”, que deverá já estar distribuída no princípio do próximo ano lectivo.
O ME referiu ainda que o projecto de flexibilidade curricular, que será agora aplicado a todas as escolas, promove a realização de aulas e a adopção de metodologias “não centradas no manual escolar e que permite muitas a vezes a dispensa do seu uso”.
Inquérito promovido pelo Observador Cetelem dá conta de uma reduzida adesão ao programa de manuais gratuitos, que este ano abrangerá todos os alunos do 1.º ao 6.º ano que estão no ensino público.
Só 8% das 600 famílias inquiridas no âmbito de um estudo sobre o regresso às aulas manifestaram vontade de ter acesso aos manuais gratuitos que estão a ser disponibilizados pelo Ministério da Educação (ME). Este é um dos resultados do inquérito promovido pela empresa de crédito Cetelem para apurar quais as intenções de consumo das famílias na altura de prepararem a chegada de mais um ano lectivo.
Os manuais gratuitos destinam-se, em 2018/2019, aos alunos do 1.º ao 6.º ano de escolaridade inscritos em escolas públicas. Segundo o ME, são 500 mil. Para garantirem o acesso a estes manuais os encarregados de educação têm de se registar numa plataforma electrónica lançada pelo ministério no passado dia 1 de Agosto, sendo-lhes depois atribuídos vouchers para utilizarem nas cerca de 1300 livrarias que aderiram à iniciativa.
Ainda segundo o Observador Cetelem, cerca de 97% dos inquiridos indicaram que preferem comprar livros escolares novos. O ano passado eram 93%. Feitas as contas, as famílias prevêem gastar em média 487 euros em livros e materiais escolares, o que representa um aumento de 22% face a 2017.
É também a pensar nas compras do regresso às aulas que foi lançada nesta segunda-feira mais uma edição da campanha Olhe pelas suas costas com o objectivo de ajudar os pais a escolherem as mochilas que menos estragos poderão provocar na saúde dos filhos.
Nesta campanha promovida pela Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral em conjunto com outras instituições, recomenda-se, por exemplo, que devem ser escolhidas mochilas com vários compartimentos, “de forma a distribuir o peso e não sobrecarregar os ombros”. Também devem ter “duas alças largas e almofadadas de modo a não desencadear contracturas musculares” e quando colocadas às costas, o seu tamanho não deve ultrapassar o nível superior dos ombros. Recorda-se ainda que o peso da mochila, incluindo o material e livros escolares, “não deve ultrapassar 10% do peso corporal da criança ou jovem".
Petição para reduzir peso das mochilas
Este foi um dos valores também referidos numa petição pública em prol da redução do peso das mochilas, que recolheu cerca de 50 mil assinaturas e levou o Parlamento a aprovar, em Outubro de 2017, um projecto de resolução, recomendando ao Governo várias medidas para se chegar àquele objectivo, como a criação de cacifos nas escolas ou a promoção do uso "gradual de suportes digitais na sala de aula”.
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Manuais gratuitos só para quem estiver inscrito em plataforma electrónica
Parlamento envia caderno de encargos ao Governo para reduzir peso das mochilas
Em resposta ao PÚBLICO, o Ministério da Educação recordou que, na sequência desta resolução, fez um acordo com a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros para a concessão a todos os alunos do 1.º e 2.º ciclos (que são os que têm manuais gratuitos) de uma “licença para acesso a recursos digitais educativos”, que deverá já estar distribuída no princípio do próximo ano lectivo.
O ME referiu ainda que o projecto de flexibilidade curricular, que será agora aplicado a todas as escolas, promove a realização de aulas e a adopção de metodologias “não centradas no manual escolar e que permite muitas a vezes a dispensa do seu uso”.
21.8.18
5 dicas para encontrar emprego através das redes sociais
in Dinheiro Vivo
Percorra a galeria e descubra os conselhos dos especialistas
Clique nas imagens e descubra como as redes sociais o podem ajudar a encontrar o próximo emprego
Se está presente nas redes sociais e está à procura de emprego, vai ser difícil afastar-se delas. Para além de ser um meio cada vez mais utilizado para procurar emprego, também as empresas já optam por ‘investigar’ as redes sociais de potenciais colaboradores. Segundo o espanhol Expánsion, mais de 80% das empresas fazem uso das redes sociais para ‘caçar talentos’.
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Europa precisa de mais apoios, estímulos e ambição
Por Maria Pombo, in Ver
A Suécia é o líder em inovação da União Europeia. E se é verdade que o desempenho europeu nesta matéria tem vindo a melhorar, desde 2010, também é certo que o Velho Continente tem de continuar a lutar para se assumir como um concorrente à altura do Canadá, do Japão e dos Estados Unidos. E uma coisa é certa: o financiamento, por si só, não é suficiente, sendo necessária a união entre o sector público e o privado. Quem o diz é a Comissão Europeia, na sua mais recente edição do Painel Europeu da Inovação
O desempenho europeu em matéria de inovação tem vindo a melhorar nos últimos anos, colocando o Velho Continente mais próximo dos seus principais adversários (Canadá, Japão e Estados Unidos). Todavia, para que a Europa possa ter uma presença mais forte a nível mundial, é necessário que se reúnam ainda mais forças e se colmatem algumas lacunas. Quem o diz é a própria Comissão Europeia, na mais recente edição do Painel Europeu da Inovação (PEI).
Na sua 17ª edição, o documento analisa os diferentes países da UE de acordo com as suas condições estruturais (recursos humanos, interesse dos sistemas de investigação e ambiente propício à inovação), os investimentos (investidores e apoio ao investimento), as actividades em matéria de inovação (organizações inovadoras, relação entre sectores, bens intelectuais), e impactos (essencialmente ao nível do emprego e das vendas). O documento contou com dados dos 28 Estados-membros da UE, os quais foram recolhidos no final de 2017.
Neste sentido, e comparando com os resultados apurados em edições anteriores, verifica-se uma tendência positiva na maioria dos países, sendo Malta, Espanha e os Países Baixos aqueles que, entre 2016 e 2017, conseguiram obter as melhorias mais significativas. Todavia, regista-se um declínio, em termos de inovação, em oito países, verificando-se as quedas mais acentuadas no Luxemburgo, na Eslováquia e na Lituânia. A Suécia surge como a nação líder da inovação e a Roménia assume-se como aquela que regista o pior resultado. Portugal, por seu turno, encontra-se a meio da tabela, ligeiramente abaixo da média europeia.
Em média, o desempenho da UE aumentou 5,8% face a 2010 e manteve-se igual ao que foi registado em 2016. O desempenho em matéria de inovação melhorou, nos últimos oito anos, sobretudo nos domínios da banda larga, dos recursos humanos e do interesse despertado pelos sistemas de investigação, nomeadamente devido a parcerias internacionais.
Os bons, os moderados e os fracos
O Painel da Inovação está dividido em quatro grupos, consoante o nível de inovação alcançado. O primeiro grupo é composto pelos “Líderes da Inovação” e alberga os países cuja performance foi 20% superior à da média europeia. Para além da Suécia (já referida), este grupo conta com a Dinamarca, a Finlândia, o Luxemburgo, a Holanda e o Reino Unido. A performance dos “Líderes da Inovação” tem vindo a melhorar desde 2014, apresentando este ano o valor mais elevado desde 2010. Uma nota curiosa surge relativamente ao Reino Unido que, embora seja o elemento que apresenta o nível mais baixo de inovação, é aquele que regista uma melhoria mais acentuada, desde 2013, posicionando-se este ano ao lado dos seus “parceiros de grupo”. Por seu turno, a Suécia é a nação que apresenta os melhores valores mas também é aquela onde o crescimento é mais subtil.
O segundo grupo – ou o dos “Inovadores Fortes” – inclui os Estados-membros cuja performance é a mais próxima da média europeia (entre 90% e 120% desta), contando com a Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Irlanda e Eslovénia. Entre 2010 e 2015, este grupo praticamente não evoluiu, sendo este último o ano em que deu um salto considerável em termos de inovação. Os seus membros apresentam linhas bastante irregulares, com a Alemanha a assumir a liderança mas a apresentar níveis de inovação mais baixos do que em 2010, e permitindo assim que a Irlanda, a Áustria e a Bélgica tenham condições para lutar pelo lugar cimeiro do grupo.
Por seu turno, o terceiro grupo – que envolve os “Inovadores Moderados” – alberga as nações cuja performance é de 50% a 90%, comparando com a média europeia. Este é o grupo que contém o maior número de países e dele fazem parte Portugal, Chipre, Croácia, República Checa, Estónia, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia e Espanha. A evolução deste grupo tem vindo a ser cíclica, melhorando em anos pares e piorando em anos ímpares. E se até 2016 as suas performances eram bastante dispersas, em 2017 verifica-se uma concentração do nível de inovação, a qual coloca as nações muito próximas umas das outras e em valores relativamente elevados.
O último grupo – constituído pelos “Inovadores Modestos” – é aquele que cujas performances não ultrapassam os 50% alcançados pela UE e inclui a Roménia (já referida) e a Bulgária. Este grupo sofreu um forte declínio entre 2010 e 2012, tendo permanecido em níveis bastante baixos desde então. Desde 2015 e até ao momento, verifica-se uma melhoria ligeira da performance dos membros que constituem este grupo, a qual é, ainda assim, bastante baixa quando comparada com os níveis apresentados pelos restantes grupos.
Uma nota interessante surge no que respeita à relação entre a localização geográfica e o nível dos resultados alcançados, concluindo-se que a performance dos países diminui à medida que aumenta a distância entre estes e os “Líderes da Inovação”.
De acordo com o documento, a inovação foi responsável por cerca de dois terços do crescimento económico registado na Europa, nas últimas décadas, sendo o Velho Continente responsável por 20% do investimento mundial em Investigação e Desenvolvimento (I&D) e detentor de uma posição de liderança em sectores como o dos produtos farmacêuticos, produtos químicos, engenharia mecânica e moda.
Inovação ou a UE na era dos mais: mais investimento, mais estímulos e mais apoio
Estes resultados vão ao encontro do que se prevê na Agenda Renovada da Investigação e da Inovação, também apresentada recentemente pela Comissão Europeia, e que dá conta das oportunidades e dos desafios que se colocam à UE para que esta possa realizar o seu máximo potencial em matéria de inovação. Uma coisa é certa: o financiamento da UE não é suficiente, sendo necessária uma união de esforços entre o sector público e o privado.
De um modo geral, e embora o desempenho europeu seja positivo, o documento realça um conjunto de aspectos que precisam de ser melhorados. O facto de as empresas europeias gastarem menos em inovação do que as organizações de outros países é o primeiro aspecto referido e que deve ser melhorado. Complementarmente, o documento salienta que a UE alberga apenas 26 start-ups com estatuto de Unicórnios (ou seja, que valem mais de mil milhões de dólares), sendo que a China detém 59 e os Estados Unidos acolhem 109. Um outro aspecto que precisa de ser melhorado é o investimento em capital de risco, no Velho Continente, tendo em conta que, por ser tão reduzido, poucas são as start-ups que se transformam em grandes empresas.
Por seu turno, o sector I&D representa apenas 1,3% do PIB europeu, situando-se bem abaixo daquilo que era desejável e sendo esta uma percentagem bastante baixa quando comparada com a dos Estados Unidos (2%), do Japão (2,6%) e da Coreia do Sul (3,3%). Por fim, o documento aponta para o facto de 40% da força de trabalho europeia necessitar de uma requalificação ao nível das competências digitais.
No que respeita ao financiamento nesta matéria, a Europa já garante o investimento público essencial à inovação, já apoia os esforços feitos pelos Estados-membros no que respeita à maximização dos seus gastos em I&D e já estimula o investimento privado (através de iniciativas como o Plano Junker ou o VenturEU). Complementarmente, o Velho Continente garante que existe regulamentação – a qual está cada vez mais simples e acessível – para que sejam criadas as melhores condições à inovação e promove a aquisição de produtos e serviços inovadores.
Porém, existem aspectos que necessitam de ser melhorados e medidas que necessitam de ser tomadas para que a UE continue a apoiar a inovação. O primeiro aspecto passa desde logo por “mudar o chip do investimento”, fazendo a transição entre o investimento de curto-prazo para o de longo-prazo. Neste sentido, a Comissão Europeia pretende que, entre 2021 e 2027, se aumente o investimento em I&D através de 100 mil milhões de euros provenientes dos programas Horizonte e Euratom. Outra medida passa por alargar o programa VentureEU de modo a estimular o investimento de capital de risco nas start-ups.
Transpor a directiva europeia sobre insolvência para o plano nacional é outra proposta, cujo objectivo é melhorar a eficiência dos Estados-membros em matéria de restruturação, insolvência e processo de quitação (ou remissão) de dívidas. Uma outra necessidade está relacionada com a simplificação de regras de apoio ao investimento, de modo a facilitar o financiamento público de projectos, tanto a nível nacional como a nível europeu. Por fim, escreve-se que é necessário reforçar as estratégias de especialização inteligentes, para que as diversas regiões possam beneficiar da inovação, recorrendo a Fundos Europeus Estruturais e de Investimento.
No que respeita à criação de mercados de inovação e ao apoio à inovação e à investigação, o documento refere que, com 13 mil milhões de euros, o Conselho Europeu de Investigação prevê, até 2020, impulsionar a investigação científica de qualidade, atraindo assim alguns dos melhores talentos para a Europa. Os próximos passos serão transformar as melhores ideias em negócios à escala mundial e apoiar as start-ups mais inovadoras a crescer.
Por fim, o documento sublinha que a Europa precisa de procurar e desenvolver metas mais ambiciosas, resolvendo problemas que realmente preocupam os cidadãos. Estas metas devem ser definidas em conjunto com os Estados-membros, os seus diversos stakeholders e os cidadãos. As mesmas devem abranger questões tão importantes como a cura para o cancro, a promoção de transportes mais amigos do ambiente e a limpeza dos oceanos, captando o interesse de investidores e estimulando a criação de sinergias entre sectores de actividade, e tanto a um nível nacional como local.
No fundo, tanto a Agenda Renovada da Investigação e da Inovação como o Painel Europeu da Inovação concluem que a Europa está no bom caminho, no que à inovação diz respeito, mas é preciso mais: mais investimento, mais sinergias, mais estímulos e mais apoio.
A Suécia é o líder em inovação da União Europeia. E se é verdade que o desempenho europeu nesta matéria tem vindo a melhorar, desde 2010, também é certo que o Velho Continente tem de continuar a lutar para se assumir como um concorrente à altura do Canadá, do Japão e dos Estados Unidos. E uma coisa é certa: o financiamento, por si só, não é suficiente, sendo necessária a união entre o sector público e o privado. Quem o diz é a Comissão Europeia, na sua mais recente edição do Painel Europeu da Inovação
O desempenho europeu em matéria de inovação tem vindo a melhorar nos últimos anos, colocando o Velho Continente mais próximo dos seus principais adversários (Canadá, Japão e Estados Unidos). Todavia, para que a Europa possa ter uma presença mais forte a nível mundial, é necessário que se reúnam ainda mais forças e se colmatem algumas lacunas. Quem o diz é a própria Comissão Europeia, na mais recente edição do Painel Europeu da Inovação (PEI).
Na sua 17ª edição, o documento analisa os diferentes países da UE de acordo com as suas condições estruturais (recursos humanos, interesse dos sistemas de investigação e ambiente propício à inovação), os investimentos (investidores e apoio ao investimento), as actividades em matéria de inovação (organizações inovadoras, relação entre sectores, bens intelectuais), e impactos (essencialmente ao nível do emprego e das vendas). O documento contou com dados dos 28 Estados-membros da UE, os quais foram recolhidos no final de 2017.
Neste sentido, e comparando com os resultados apurados em edições anteriores, verifica-se uma tendência positiva na maioria dos países, sendo Malta, Espanha e os Países Baixos aqueles que, entre 2016 e 2017, conseguiram obter as melhorias mais significativas. Todavia, regista-se um declínio, em termos de inovação, em oito países, verificando-se as quedas mais acentuadas no Luxemburgo, na Eslováquia e na Lituânia. A Suécia surge como a nação líder da inovação e a Roménia assume-se como aquela que regista o pior resultado. Portugal, por seu turno, encontra-se a meio da tabela, ligeiramente abaixo da média europeia.
Em média, o desempenho da UE aumentou 5,8% face a 2010 e manteve-se igual ao que foi registado em 2016. O desempenho em matéria de inovação melhorou, nos últimos oito anos, sobretudo nos domínios da banda larga, dos recursos humanos e do interesse despertado pelos sistemas de investigação, nomeadamente devido a parcerias internacionais.
Os bons, os moderados e os fracos
O Painel da Inovação está dividido em quatro grupos, consoante o nível de inovação alcançado. O primeiro grupo é composto pelos “Líderes da Inovação” e alberga os países cuja performance foi 20% superior à da média europeia. Para além da Suécia (já referida), este grupo conta com a Dinamarca, a Finlândia, o Luxemburgo, a Holanda e o Reino Unido. A performance dos “Líderes da Inovação” tem vindo a melhorar desde 2014, apresentando este ano o valor mais elevado desde 2010. Uma nota curiosa surge relativamente ao Reino Unido que, embora seja o elemento que apresenta o nível mais baixo de inovação, é aquele que regista uma melhoria mais acentuada, desde 2013, posicionando-se este ano ao lado dos seus “parceiros de grupo”. Por seu turno, a Suécia é a nação que apresenta os melhores valores mas também é aquela onde o crescimento é mais subtil.
O segundo grupo – ou o dos “Inovadores Fortes” – inclui os Estados-membros cuja performance é a mais próxima da média europeia (entre 90% e 120% desta), contando com a Áustria, Bélgica, França, Alemanha, Irlanda e Eslovénia. Entre 2010 e 2015, este grupo praticamente não evoluiu, sendo este último o ano em que deu um salto considerável em termos de inovação. Os seus membros apresentam linhas bastante irregulares, com a Alemanha a assumir a liderança mas a apresentar níveis de inovação mais baixos do que em 2010, e permitindo assim que a Irlanda, a Áustria e a Bélgica tenham condições para lutar pelo lugar cimeiro do grupo.
Por seu turno, o terceiro grupo – que envolve os “Inovadores Moderados” – alberga as nações cuja performance é de 50% a 90%, comparando com a média europeia. Este é o grupo que contém o maior número de países e dele fazem parte Portugal, Chipre, Croácia, República Checa, Estónia, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Lituânia, Polónia, Eslováquia e Espanha. A evolução deste grupo tem vindo a ser cíclica, melhorando em anos pares e piorando em anos ímpares. E se até 2016 as suas performances eram bastante dispersas, em 2017 verifica-se uma concentração do nível de inovação, a qual coloca as nações muito próximas umas das outras e em valores relativamente elevados.
O último grupo – constituído pelos “Inovadores Modestos” – é aquele que cujas performances não ultrapassam os 50% alcançados pela UE e inclui a Roménia (já referida) e a Bulgária. Este grupo sofreu um forte declínio entre 2010 e 2012, tendo permanecido em níveis bastante baixos desde então. Desde 2015 e até ao momento, verifica-se uma melhoria ligeira da performance dos membros que constituem este grupo, a qual é, ainda assim, bastante baixa quando comparada com os níveis apresentados pelos restantes grupos.
Uma nota interessante surge no que respeita à relação entre a localização geográfica e o nível dos resultados alcançados, concluindo-se que a performance dos países diminui à medida que aumenta a distância entre estes e os “Líderes da Inovação”.
De acordo com o documento, a inovação foi responsável por cerca de dois terços do crescimento económico registado na Europa, nas últimas décadas, sendo o Velho Continente responsável por 20% do investimento mundial em Investigação e Desenvolvimento (I&D) e detentor de uma posição de liderança em sectores como o dos produtos farmacêuticos, produtos químicos, engenharia mecânica e moda.
Inovação ou a UE na era dos mais: mais investimento, mais estímulos e mais apoio
Estes resultados vão ao encontro do que se prevê na Agenda Renovada da Investigação e da Inovação, também apresentada recentemente pela Comissão Europeia, e que dá conta das oportunidades e dos desafios que se colocam à UE para que esta possa realizar o seu máximo potencial em matéria de inovação. Uma coisa é certa: o financiamento da UE não é suficiente, sendo necessária uma união de esforços entre o sector público e o privado.
De um modo geral, e embora o desempenho europeu seja positivo, o documento realça um conjunto de aspectos que precisam de ser melhorados. O facto de as empresas europeias gastarem menos em inovação do que as organizações de outros países é o primeiro aspecto referido e que deve ser melhorado. Complementarmente, o documento salienta que a UE alberga apenas 26 start-ups com estatuto de Unicórnios (ou seja, que valem mais de mil milhões de dólares), sendo que a China detém 59 e os Estados Unidos acolhem 109. Um outro aspecto que precisa de ser melhorado é o investimento em capital de risco, no Velho Continente, tendo em conta que, por ser tão reduzido, poucas são as start-ups que se transformam em grandes empresas.
Por seu turno, o sector I&D representa apenas 1,3% do PIB europeu, situando-se bem abaixo daquilo que era desejável e sendo esta uma percentagem bastante baixa quando comparada com a dos Estados Unidos (2%), do Japão (2,6%) e da Coreia do Sul (3,3%). Por fim, o documento aponta para o facto de 40% da força de trabalho europeia necessitar de uma requalificação ao nível das competências digitais.
No que respeita ao financiamento nesta matéria, a Europa já garante o investimento público essencial à inovação, já apoia os esforços feitos pelos Estados-membros no que respeita à maximização dos seus gastos em I&D e já estimula o investimento privado (através de iniciativas como o Plano Junker ou o VenturEU). Complementarmente, o Velho Continente garante que existe regulamentação – a qual está cada vez mais simples e acessível – para que sejam criadas as melhores condições à inovação e promove a aquisição de produtos e serviços inovadores.
Porém, existem aspectos que necessitam de ser melhorados e medidas que necessitam de ser tomadas para que a UE continue a apoiar a inovação. O primeiro aspecto passa desde logo por “mudar o chip do investimento”, fazendo a transição entre o investimento de curto-prazo para o de longo-prazo. Neste sentido, a Comissão Europeia pretende que, entre 2021 e 2027, se aumente o investimento em I&D através de 100 mil milhões de euros provenientes dos programas Horizonte e Euratom. Outra medida passa por alargar o programa VentureEU de modo a estimular o investimento de capital de risco nas start-ups.
Transpor a directiva europeia sobre insolvência para o plano nacional é outra proposta, cujo objectivo é melhorar a eficiência dos Estados-membros em matéria de restruturação, insolvência e processo de quitação (ou remissão) de dívidas. Uma outra necessidade está relacionada com a simplificação de regras de apoio ao investimento, de modo a facilitar o financiamento público de projectos, tanto a nível nacional como a nível europeu. Por fim, escreve-se que é necessário reforçar as estratégias de especialização inteligentes, para que as diversas regiões possam beneficiar da inovação, recorrendo a Fundos Europeus Estruturais e de Investimento.
No que respeita à criação de mercados de inovação e ao apoio à inovação e à investigação, o documento refere que, com 13 mil milhões de euros, o Conselho Europeu de Investigação prevê, até 2020, impulsionar a investigação científica de qualidade, atraindo assim alguns dos melhores talentos para a Europa. Os próximos passos serão transformar as melhores ideias em negócios à escala mundial e apoiar as start-ups mais inovadoras a crescer.
Por fim, o documento sublinha que a Europa precisa de procurar e desenvolver metas mais ambiciosas, resolvendo problemas que realmente preocupam os cidadãos. Estas metas devem ser definidas em conjunto com os Estados-membros, os seus diversos stakeholders e os cidadãos. As mesmas devem abranger questões tão importantes como a cura para o cancro, a promoção de transportes mais amigos do ambiente e a limpeza dos oceanos, captando o interesse de investidores e estimulando a criação de sinergias entre sectores de actividade, e tanto a um nível nacional como local.
No fundo, tanto a Agenda Renovada da Investigação e da Inovação como o Painel Europeu da Inovação concluem que a Europa está no bom caminho, no que à inovação diz respeito, mas é preciso mais: mais investimento, mais sinergias, mais estímulos e mais apoio.
Queda do desemprego acompanhada de mais rendimento. Desde 2011 que salários não aumentavam tanto
Rafaela Burd Relvas, in EconomiaVerde
O rendimento médio em Portugal aumentou para 887 euros no final de junho deste ano, registando a maior subida desde o primeiro trimestre de 2011.
O rendimento médio mensal líquido em Portugal aumentou para 887 euros no segundo trimestre deste ano. O valor representa não só um aumento significativo tanto em relação ao trimestre anterior como face ao mesmo período do ano passado, como é mesmo a maior subida homóloga desde o início de 2011.
Os dados foram publicados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que deu conta de que a taxa de desemprego caiu para 6,7% no segundo trimestre deste ano, o valor trimestral mais baixo desde meados de 2004.
Algarve e Centro já registam desemprego na casa dos 5%
Para além desta redução, vários indicadores do mercado de trabalho registaram desempenhos positivos. O número de pessoas desempregadas reduziu-se em 23,7% em relação trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens caiu para o valor mais baixo desde 2009, a população considerada “subutilizada” reduziu-se em 13% e a população empregada aumentou em 2,4% em termos homólogos.
A completar esta evolução positiva, os salários também estão a aumentar a um dos ritmos mais acelerados dos últimos anos. No segundo trimestre, o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem foi de 887 euros, o valor mais elevado da série do INE, que recua até 1998.
Rendimento médio mensal líquido aumentou para 887 euros
Este montante representa um aumento de 11 euros ou de 1,26% em relação ao trimestre anterior. Já face ao segundo trimestre do ano passado, o rendimento médio aumentou em 36 euros, ou 4,23%. Esta é a maior subida desde o primeiro trimestre de 2011, altura em que o rendimento mensal médio aumentava em mais de 5%, para 816 euros.
Apesar da subida, os salários em Portugal continuam muito abaixo da média europeia. Segundo os dados recolhidos pelo Eurostat, o Luxemburgo era o país que, em 2016, registava os salários mais altos, com um salário médio anual liquido de 38.800 euros, o triplo do que era registado em Portugal nesse ano: 12.691 euros. Entre os países da União Europeia, Portugal fica abaixo do meio da tabela, com o 11.º salário mais baixo da região.
Lisboa tem os rendimentos mais altos
A Área Metropolitana de Lisboa mantém-se como a região com os rendimentos mais elevados, registando um rendimento médio mensal líquido de 1.025 euros no segundo trimestre, mais 4,4% do que há um ano, quando o rendimento médio era de 981 euros.
No campo oposto, a Região Autónoma dos Açores apresenta os salários mais baixos, com um rendimento médio mensal de 792 euros. Este montante representa até uma quebra de 0,2% em relação ao segundo trimestre do ano passado, quando o rendimento médio nos Açores era de 794.
O setor dos serviços continua a ser aquele com o rendimento médio mais elevado, de 918 euros (mais 4% do que há um ano), enquanto no setor da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca o rendimento médio foi de apenas 662 euros (valor que, ainda assim, representa uma subida homóloga de 4,5%). Já no setor da indústria, construção, energia e água, o rendimento médio passou de 783 euros no ano passado para 820 euros no segundo trimestre deste ano.
O rendimento médio em Portugal aumentou para 887 euros no final de junho deste ano, registando a maior subida desde o primeiro trimestre de 2011.
O rendimento médio mensal líquido em Portugal aumentou para 887 euros no segundo trimestre deste ano. O valor representa não só um aumento significativo tanto em relação ao trimestre anterior como face ao mesmo período do ano passado, como é mesmo a maior subida homóloga desde o início de 2011.
Os dados foram publicados, esta quarta-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que deu conta de que a taxa de desemprego caiu para 6,7% no segundo trimestre deste ano, o valor trimestral mais baixo desde meados de 2004.
Algarve e Centro já registam desemprego na casa dos 5%
Para além desta redução, vários indicadores do mercado de trabalho registaram desempenhos positivos. O número de pessoas desempregadas reduziu-se em 23,7% em relação trimestre homólogo, a taxa de desemprego entre os jovens caiu para o valor mais baixo desde 2009, a população considerada “subutilizada” reduziu-se em 13% e a população empregada aumentou em 2,4% em termos homólogos.
A completar esta evolução positiva, os salários também estão a aumentar a um dos ritmos mais acelerados dos últimos anos. No segundo trimestre, o rendimento médio mensal líquido dos trabalhadores por conta de outrem foi de 887 euros, o valor mais elevado da série do INE, que recua até 1998.
Rendimento médio mensal líquido aumentou para 887 euros
Este montante representa um aumento de 11 euros ou de 1,26% em relação ao trimestre anterior. Já face ao segundo trimestre do ano passado, o rendimento médio aumentou em 36 euros, ou 4,23%. Esta é a maior subida desde o primeiro trimestre de 2011, altura em que o rendimento mensal médio aumentava em mais de 5%, para 816 euros.
Apesar da subida, os salários em Portugal continuam muito abaixo da média europeia. Segundo os dados recolhidos pelo Eurostat, o Luxemburgo era o país que, em 2016, registava os salários mais altos, com um salário médio anual liquido de 38.800 euros, o triplo do que era registado em Portugal nesse ano: 12.691 euros. Entre os países da União Europeia, Portugal fica abaixo do meio da tabela, com o 11.º salário mais baixo da região.
Lisboa tem os rendimentos mais altos
A Área Metropolitana de Lisboa mantém-se como a região com os rendimentos mais elevados, registando um rendimento médio mensal líquido de 1.025 euros no segundo trimestre, mais 4,4% do que há um ano, quando o rendimento médio era de 981 euros.
No campo oposto, a Região Autónoma dos Açores apresenta os salários mais baixos, com um rendimento médio mensal de 792 euros. Este montante representa até uma quebra de 0,2% em relação ao segundo trimestre do ano passado, quando o rendimento médio nos Açores era de 794.
O setor dos serviços continua a ser aquele com o rendimento médio mais elevado, de 918 euros (mais 4% do que há um ano), enquanto no setor da agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca o rendimento médio foi de apenas 662 euros (valor que, ainda assim, representa uma subida homóloga de 4,5%). Já no setor da indústria, construção, energia e água, o rendimento médio passou de 783 euros no ano passado para 820 euros no segundo trimestre deste ano.
Queda do desemprego de longa duração atinge novos máximos
Sérgio Aníbal, in Público on-line
No segundo trimestre de 2018, o número daqueles que estão desempregados há mais de um ano diminuiu 32,7% em termos homólogos, a maior descida de que há registo, pelo menos desde 1998.
É cada vez mais na descida do número de desempregados de longa duração que está a explicação para que a taxa de desemprego em Portugal continue a cair a um ritmo muito forte, atingindo mínimos desde 2004 e superando as projecções feitas pelo próprio Governo para o total do ano.
De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quarta-feira, a taxa de desemprego em Portugal caiu no segundo trimestre deste ano para 6,7%, registando-se nesse período menos 110 mil desempregados do que em igual período do ano anterior.
“Vergonha e arrependimento”: Papa Francisco escreve carta dura sobre abusos sexuais na Igreja Católica
Dessa descida de 110 mil, 81,6% (cerca de 89 mil) corresponderam a desempregados de longa duração, isto é, pessoas que há mais de um ano se encontravam nessa situação e que agora deixaram de estar classificados como desempregados.
Estes números confirmam aquilo que tem vindo a acontecer de forma clara desde o início de 2017: depois de uma primeira fase – entre 2013 e 2016 - em que o mercado de trabalho absorveu principalmente aqueles que tinham perdido o emprego há pouco tempo, começou-se a observar um contributo crescente da redução do desemprego de longa duração, um fenómeno que tem permitido que a taxa de desemprego em Portugal continue a cair rapidamente e mesmo de forma mais acentuada do que aquilo que era previsto.
No segundo trimestre de 2018, revelam os números do INE, verificou-se uma redução de 32,7% no número de desempregados de longa duração face ao mesmo período do ano passado, a queda mais acentuada de que há registo desde pelo menos 1998. A queda é aliás ainda mais notória nos desempregados de muito longa duração (que estão no desemprego há mais de dois anos), que se cifrou em 34,8%. Estes números comparam com uma descida global do número de desempregados de 23,8%.
Neste momento, o desemprego de longa duração representa 52,2% do total, quando no final de 2016 estava nos 62,1% e, em meados de 2014, atingiu o seu máximo nos 67,4%.
Taxa de desemprego desce para 7,2%, o mínimo desde Novembro de 2002
A redução do desemprego de longa duração (que é habitualmente considerado o mais preocupante pelos efeitos negativos que têm ao nível da pobreza e do risco de exclusão social nos afectados e na redução do crescimento potencial de toda a economia) é o resultado, por um lado, da diminuição do número de pessoas que passa do desemprego de média duração para o desemprego de muito longa duração e por outro do aumento do número de pessoas que consegue transitar para o emprego ou que acaba por ir para a inactividade (por aposentação). Não há dados disponíveis para identificar o peso de cada um destes factores.
O efeito do Verão
A diminuição do desemprego de longa duração é um dos vários indicadores onde se nota a continuação de uma melhoria das condições do mercado de trabalho em Portugal. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego do segundo trimestre de 6,7% representa o valor mais baixo que é possível encontrar nas séries históricas do INE desde o segundo trimestre de 2004.
Face ao primeiro trimestre do ano a diminuição foi de 1,2 pontos percentuais, uma queda acelerada mas que tem de ser lida com prudência. É que, como este indicador não é corrigido dos efeitos da sazonalidade, os segundos trimestres do ano revelam habitualmente evoluções muito positivas deste indicador, devido aos empregos temporários que são criados pelo Verão. Nos segundos trimestres de 2014, 2015, 2016 e 2017, as descidas da taxa de desemprego foram, respectivamente, de 1,2, 1,8, 1,6 e 1,3 pontos percentuais, variações em linha (e até ligeiramente acima) da agora registada.
De qualquer modo, se a comparação for feita com o mesmo período do ano anterior (retirando desse modo o efeito da sazonalidade), a descida da taxa de desemprego foi de 2,1 pontos percentuais, o que significa que se manteve o ritmo elevado de melhoria do mercado de trabalho que se regista desde 2014 e que se acentuou ligeiramente a partir de 2017, em sintonia com a aceleração registada na actividade económica e a descida mais acentuada do desemprego de longa duração.
Esta persistência de descidas fortes da taxa de desemprego deverá fazer com que este indicador supere a generalidade das projecções que tinham sido feitas para a sua evolução este ano. Para 2018, o Governo prevê actualmente uma taxa de desemprego anual (calculada através da média das taxas trimestrais) de 7,6%, uma estimativa feita em Abril e que na altura já representou uma revisão em baixa face aos 8,6% projectados em Outubro na apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2018. Depois de, nos primeiros três meses do ano, a taxa de desemprego trimestral ter sido de 7,9%, os 6,7% do segundo trimestre tornam muito provável que a média anual venha ficar abaixo das projecções do Executivo.
INE revê em baixa taxa de desemprego de Fevereiro para 7,6%
Taxa de desemprego no valor mais baixo desde 2004
Durante o segundo trimestre deste ano, foram criados 67 mil novos empregos, registando-se uma diminuição de 58 mil desempregados. Face ao ano passado, a criação de empregos foi de 114 mil e a diminuição no número de desempregados de 110 mil.
O INE apresenta ainda, para além da taxa de desemprego oficial, um cálculo da chamada taxa de subutilização do trabalho que inclui, para além das pessoas classificadas oficialmente como desempregadas, também pessoas que têm, contra a própria vontade, apenas trabalhos a tempo parcial e os desencorajados, que apesar de desejarem um emprego, não o procuraram no período em análise. Esta taxa de subutilização do trabalho foi, no segundo trimestre deste ano, de 13,3%, uma descida face aos 15,2% do trimestre anterior e aos 16,6% do mesmo período do ano passado.
No segundo trimestre de 2018, o número daqueles que estão desempregados há mais de um ano diminuiu 32,7% em termos homólogos, a maior descida de que há registo, pelo menos desde 1998.
É cada vez mais na descida do número de desempregados de longa duração que está a explicação para que a taxa de desemprego em Portugal continue a cair a um ritmo muito forte, atingindo mínimos desde 2004 e superando as projecções feitas pelo próprio Governo para o total do ano.
De acordo com os dados publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) esta quarta-feira, a taxa de desemprego em Portugal caiu no segundo trimestre deste ano para 6,7%, registando-se nesse período menos 110 mil desempregados do que em igual período do ano anterior.
“Vergonha e arrependimento”: Papa Francisco escreve carta dura sobre abusos sexuais na Igreja Católica
Dessa descida de 110 mil, 81,6% (cerca de 89 mil) corresponderam a desempregados de longa duração, isto é, pessoas que há mais de um ano se encontravam nessa situação e que agora deixaram de estar classificados como desempregados.
Estes números confirmam aquilo que tem vindo a acontecer de forma clara desde o início de 2017: depois de uma primeira fase – entre 2013 e 2016 - em que o mercado de trabalho absorveu principalmente aqueles que tinham perdido o emprego há pouco tempo, começou-se a observar um contributo crescente da redução do desemprego de longa duração, um fenómeno que tem permitido que a taxa de desemprego em Portugal continue a cair rapidamente e mesmo de forma mais acentuada do que aquilo que era previsto.
No segundo trimestre de 2018, revelam os números do INE, verificou-se uma redução de 32,7% no número de desempregados de longa duração face ao mesmo período do ano passado, a queda mais acentuada de que há registo desde pelo menos 1998. A queda é aliás ainda mais notória nos desempregados de muito longa duração (que estão no desemprego há mais de dois anos), que se cifrou em 34,8%. Estes números comparam com uma descida global do número de desempregados de 23,8%.
Neste momento, o desemprego de longa duração representa 52,2% do total, quando no final de 2016 estava nos 62,1% e, em meados de 2014, atingiu o seu máximo nos 67,4%.
Taxa de desemprego desce para 7,2%, o mínimo desde Novembro de 2002
A redução do desemprego de longa duração (que é habitualmente considerado o mais preocupante pelos efeitos negativos que têm ao nível da pobreza e do risco de exclusão social nos afectados e na redução do crescimento potencial de toda a economia) é o resultado, por um lado, da diminuição do número de pessoas que passa do desemprego de média duração para o desemprego de muito longa duração e por outro do aumento do número de pessoas que consegue transitar para o emprego ou que acaba por ir para a inactividade (por aposentação). Não há dados disponíveis para identificar o peso de cada um destes factores.
O efeito do Verão
A diminuição do desemprego de longa duração é um dos vários indicadores onde se nota a continuação de uma melhoria das condições do mercado de trabalho em Portugal. No segundo trimestre deste ano, a taxa de desemprego do segundo trimestre de 6,7% representa o valor mais baixo que é possível encontrar nas séries históricas do INE desde o segundo trimestre de 2004.
Face ao primeiro trimestre do ano a diminuição foi de 1,2 pontos percentuais, uma queda acelerada mas que tem de ser lida com prudência. É que, como este indicador não é corrigido dos efeitos da sazonalidade, os segundos trimestres do ano revelam habitualmente evoluções muito positivas deste indicador, devido aos empregos temporários que são criados pelo Verão. Nos segundos trimestres de 2014, 2015, 2016 e 2017, as descidas da taxa de desemprego foram, respectivamente, de 1,2, 1,8, 1,6 e 1,3 pontos percentuais, variações em linha (e até ligeiramente acima) da agora registada.
De qualquer modo, se a comparação for feita com o mesmo período do ano anterior (retirando desse modo o efeito da sazonalidade), a descida da taxa de desemprego foi de 2,1 pontos percentuais, o que significa que se manteve o ritmo elevado de melhoria do mercado de trabalho que se regista desde 2014 e que se acentuou ligeiramente a partir de 2017, em sintonia com a aceleração registada na actividade económica e a descida mais acentuada do desemprego de longa duração.
Esta persistência de descidas fortes da taxa de desemprego deverá fazer com que este indicador supere a generalidade das projecções que tinham sido feitas para a sua evolução este ano. Para 2018, o Governo prevê actualmente uma taxa de desemprego anual (calculada através da média das taxas trimestrais) de 7,6%, uma estimativa feita em Abril e que na altura já representou uma revisão em baixa face aos 8,6% projectados em Outubro na apresentação da proposta de Orçamento do Estado para 2018. Depois de, nos primeiros três meses do ano, a taxa de desemprego trimestral ter sido de 7,9%, os 6,7% do segundo trimestre tornam muito provável que a média anual venha ficar abaixo das projecções do Executivo.
INE revê em baixa taxa de desemprego de Fevereiro para 7,6%
Taxa de desemprego no valor mais baixo desde 2004
Durante o segundo trimestre deste ano, foram criados 67 mil novos empregos, registando-se uma diminuição de 58 mil desempregados. Face ao ano passado, a criação de empregos foi de 114 mil e a diminuição no número de desempregados de 110 mil.
O INE apresenta ainda, para além da taxa de desemprego oficial, um cálculo da chamada taxa de subutilização do trabalho que inclui, para além das pessoas classificadas oficialmente como desempregadas, também pessoas que têm, contra a própria vontade, apenas trabalhos a tempo parcial e os desencorajados, que apesar de desejarem um emprego, não o procuraram no período em análise. Esta taxa de subutilização do trabalho foi, no segundo trimestre deste ano, de 13,3%, uma descida face aos 15,2% do trimestre anterior e aos 16,6% do mesmo período do ano passado.
‘Nem-nem’: 197 mil jovens em Portugal não estudam ou trabalham
Leonor Mateus Ferreira, Jornal Económico
O número de mulheres 'nem-nem' representa 52,8% do total do grupo. A tendência é de diminuição em todos os sexos, escolaridades e idades. A exceção são os jovens entre os 15 e os 19 anos, que registaram aumentos.
O número de jovens ‘nem-nem’, que não estão empregados, a estudar ou em formação, diminuiu 1,9 pontos percentuais para 197 mil pessoas, no segundo trimestre do ano, face ao mesmo período do ano anterior. No total dos 2.215,9 mil jovens dos 15 aos 34 anos em Portugal, representavam 8,9%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
“Este decréscimo homólogo decorre, principalmente, da diminuição no número de mulheres que não estavam empregadas nem em educação ou formação”, explica o relatório do INE, referindo que, entre as mulheres, a diminuição foi de 2,2 pontos percentuais ou 25,7 mil. O número de jovens mulheres ‘nem-nem’ ficou assim nas 104,1 mil, ou seja, 52,8% do total do grupo.
Já na comparação com o trimestre anterior, a queda foi maior entre os homens (de 26,2 mil ou 2,3 pontos percentuais). Entre as mulheres, foi de 1 ponto percentual ou 10,7 mil. No global, a taxa de jovens não empregados que não estavam em educação ou formação diminuiu 1,6 pontos, na comparação em cadeia.
Na análise por grupo etário, verificou-se uma diminuição de um trimestre para o outro no grupo dos 25 aos 34 anos (25,6 mil; 2,2 p.p.) e no dos 20 aos 24 anos (12,8 mil; 2,4 p.p.), tendo aumentado o dos 15 aos 19 anos (1,6 mil; 0,3 p.p.). Do total de jovens ‘nem-nem’, 57,8% ou 114 mil são pessoas entre os 25 aos 34 anos.
Houve, igualmente, uma diminuição em todos os níveis de escolaridade, sendo superior no grupo dos que completaram o ensino secundário e pós-secundário (21,0 mil; 2,2 p.p.) em comparação com o decréscimo observado no grupo daqueles com um nível de escolaridade completo correspondente, no máximo, ao 3.º ciclo do ensino básico (9,8 mil; 1,3 p.p.) ou com ensino superior (6,1 mil; 1,2 p.p.).
O número de mulheres 'nem-nem' representa 52,8% do total do grupo. A tendência é de diminuição em todos os sexos, escolaridades e idades. A exceção são os jovens entre os 15 e os 19 anos, que registaram aumentos.
O número de jovens ‘nem-nem’, que não estão empregados, a estudar ou em formação, diminuiu 1,9 pontos percentuais para 197 mil pessoas, no segundo trimestre do ano, face ao mesmo período do ano anterior. No total dos 2.215,9 mil jovens dos 15 aos 34 anos em Portugal, representavam 8,9%, segundo dados do Instituto Nacional de Estatísticas (INE).
“Este decréscimo homólogo decorre, principalmente, da diminuição no número de mulheres que não estavam empregadas nem em educação ou formação”, explica o relatório do INE, referindo que, entre as mulheres, a diminuição foi de 2,2 pontos percentuais ou 25,7 mil. O número de jovens mulheres ‘nem-nem’ ficou assim nas 104,1 mil, ou seja, 52,8% do total do grupo.
Já na comparação com o trimestre anterior, a queda foi maior entre os homens (de 26,2 mil ou 2,3 pontos percentuais). Entre as mulheres, foi de 1 ponto percentual ou 10,7 mil. No global, a taxa de jovens não empregados que não estavam em educação ou formação diminuiu 1,6 pontos, na comparação em cadeia.
Na análise por grupo etário, verificou-se uma diminuição de um trimestre para o outro no grupo dos 25 aos 34 anos (25,6 mil; 2,2 p.p.) e no dos 20 aos 24 anos (12,8 mil; 2,4 p.p.), tendo aumentado o dos 15 aos 19 anos (1,6 mil; 0,3 p.p.). Do total de jovens ‘nem-nem’, 57,8% ou 114 mil são pessoas entre os 25 aos 34 anos.
Houve, igualmente, uma diminuição em todos os níveis de escolaridade, sendo superior no grupo dos que completaram o ensino secundário e pós-secundário (21,0 mil; 2,2 p.p.) em comparação com o decréscimo observado no grupo daqueles com um nível de escolaridade completo correspondente, no máximo, ao 3.º ciclo do ensino básico (9,8 mil; 1,3 p.p.) ou com ensino superior (6,1 mil; 1,2 p.p.).
Famílias vão gastar uma média de 487 euros em material escolar
in Notícias ao Minuto
As famílias portuguesas contam gastar, este ano, uma média de 487 euros em material escolar, mais 88 euros do que no ano passado, segundo um inquérito hoje divulgado por uma empresa de crédito pessoal.
A compra de livros, mochilas e cadernos para o próximo ano letivo vai custar, em média, mais 22% do que no ano passado e mais 7% do que há dois anos.
Em 2017, um inquérito idêntico realizado pela mesma entidade (Observador Cetelem) dava conta de que as famílias portuguesas deveriam gastar, em média, 399 euros com o regresso às aulas, e em 2016 uma média de 455 euros.
O estudo, feito com base num inquérito realizado a 600 pessoas, indica ainda que um terço dos portugueses admite gastar até 500 euros e que para 7% as despesas escolares podem ultrapassar os 750 euros.
Os resultados apontam ainda que, "devido a uma perspetiva mais realista ou por falta de planeamento", 35% dos pais com filhos em idade escolar ainda não tem ideia de quanto irá gastar este ano.
O número de inquiridos com crianças em idade escolar acima dos cinco anos registou, este ano, uma quebra face aos anos anteriores.
Em 2018, 35% dos inquiridos referiram ter filhos com mais de cinco anos, sendo que em 2017 essa percentagem chegava aos 40%.
O valor é, no entanto, superior a que costumava ser entre 2012 e 2015, quando ficava abaixo dos 30%.
No ano letivo que terminou, os manuais escolares foram gratuitos para os alunos do 1.º ciclo das escolas públicas e, este ano (2018-2019), serão gratuitos até ao 6.º ano de escolaridade.
No ano letivo 2019-2020, o programa de gratuitidade deverá ser alargado a mais níveis de ensino público.
As famílias portuguesas contam gastar, este ano, uma média de 487 euros em material escolar, mais 88 euros do que no ano passado, segundo um inquérito hoje divulgado por uma empresa de crédito pessoal.
A compra de livros, mochilas e cadernos para o próximo ano letivo vai custar, em média, mais 22% do que no ano passado e mais 7% do que há dois anos.
Em 2017, um inquérito idêntico realizado pela mesma entidade (Observador Cetelem) dava conta de que as famílias portuguesas deveriam gastar, em média, 399 euros com o regresso às aulas, e em 2016 uma média de 455 euros.
O estudo, feito com base num inquérito realizado a 600 pessoas, indica ainda que um terço dos portugueses admite gastar até 500 euros e que para 7% as despesas escolares podem ultrapassar os 750 euros.
Os resultados apontam ainda que, "devido a uma perspetiva mais realista ou por falta de planeamento", 35% dos pais com filhos em idade escolar ainda não tem ideia de quanto irá gastar este ano.
O número de inquiridos com crianças em idade escolar acima dos cinco anos registou, este ano, uma quebra face aos anos anteriores.
Em 2018, 35% dos inquiridos referiram ter filhos com mais de cinco anos, sendo que em 2017 essa percentagem chegava aos 40%.
O valor é, no entanto, superior a que costumava ser entre 2012 e 2015, quando ficava abaixo dos 30%.
No ano letivo que terminou, os manuais escolares foram gratuitos para os alunos do 1.º ciclo das escolas públicas e, este ano (2018-2019), serão gratuitos até ao 6.º ano de escolaridade.
No ano letivo 2019-2020, o programa de gratuitidade deverá ser alargado a mais níveis de ensino público.
Portugueses são dos que menos gastam em viagens turísticas
in Sapo24
Os portugueses são dos cidadãos europeus que menos gastam em deslocações de turismo, ao desembolsar em média 136 euros por viagem turística, menos de metade da média da União Europeia (UE), de 336 euros, revelam dados hoje divulgados pelo Eurostat.
Os dados do Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da UE, sobre “quem gasta mais nas férias”, com números referentes a 2016, revelam que quem mais gasta, em média, são os luxemburgueses, com 768 euros por cada deslocação turística (uma ou mais noites), seguidos dos malteses (646 euros) e dos austríacos (607), enquanto no extremo oposto da lista se encontram os letões (107 euros), romenos (124), checos (129) e portugueses (136).
Em termos absolutos, quem mais gasta em férias são os alemães, que, tendo despendido 120 mil milhões de euros (com uma média de 443 euros por viagem), representaram 28% da despesa turística da UE, que atingiu em 2016 os 428 mil milhões de euros.
Do montante total gasto pelos cidadãos comunitários em viagens turísticas em 2016, 45% foi despendido no seu país de residência (turismo doméstico) e 55% noutros países, sendo que 66% dos gastos de férias dos portugueses foram em turismo doméstico, o quinto valor mais alto da União.
Os portugueses são dos cidadãos europeus que menos gastam em deslocações de turismo, ao desembolsar em média 136 euros por viagem turística, menos de metade da média da União Europeia (UE), de 336 euros, revelam dados hoje divulgados pelo Eurostat.
Os dados do Eurostat, gabinete oficial de estatísticas da UE, sobre “quem gasta mais nas férias”, com números referentes a 2016, revelam que quem mais gasta, em média, são os luxemburgueses, com 768 euros por cada deslocação turística (uma ou mais noites), seguidos dos malteses (646 euros) e dos austríacos (607), enquanto no extremo oposto da lista se encontram os letões (107 euros), romenos (124), checos (129) e portugueses (136).
Em termos absolutos, quem mais gasta em férias são os alemães, que, tendo despendido 120 mil milhões de euros (com uma média de 443 euros por viagem), representaram 28% da despesa turística da UE, que atingiu em 2016 os 428 mil milhões de euros.
Do montante total gasto pelos cidadãos comunitários em viagens turísticas em 2016, 45% foi despendido no seu país de residência (turismo doméstico) e 55% noutros países, sendo que 66% dos gastos de férias dos portugueses foram em turismo doméstico, o quinto valor mais alto da União.
Estudo nacional conclui que passear aumenta bem estar dos idosos
in Antena 1
Viajar, passear, conhecer e conviver ajuda a combater a ansiedade dos mais velhos. A conclusão é de um estudo realizado a nível nacional e agora apresentado.
O estudo denominando como "turismo sénior" revela que viajar é uma das formas de diminuir a solidão e o recurso aos medicamentos.
De acordo com um dos investigadores, Ricardo Pocinha, as viagens obrigam à manutenção da mobilidade e funcionalidade, porque os mais velhos andam a pé, a manutenção dos papéis sociais porque continuam a conviver, bem como um maior estímulo cognitivo.
Os responsáveis pelo estudo vão apresentar estas conclusões ao Governo.
Viajar, passear, conhecer e conviver ajuda a combater a ansiedade dos mais velhos. A conclusão é de um estudo realizado a nível nacional e agora apresentado.
O estudo denominando como "turismo sénior" revela que viajar é uma das formas de diminuir a solidão e o recurso aos medicamentos.
De acordo com um dos investigadores, Ricardo Pocinha, as viagens obrigam à manutenção da mobilidade e funcionalidade, porque os mais velhos andam a pé, a manutenção dos papéis sociais porque continuam a conviver, bem como um maior estímulo cognitivo.
Os responsáveis pelo estudo vão apresentar estas conclusões ao Governo.
Recessão grega três vezes mais destrutiva que em Portugal
Paulo Pinto Ribeiro, in Dinheiro Vivo
Durante os anos de recessão, destruição de riqueza na Grécia foi de 23% face a 2010, quando a troika chegou a Atenas. PIB ainda não recuperou.
O dia marca o fim do programa de ajustamento económico e financeiro (PAEF) da Grécia. Uma expressão que ficou tão conhecida lá como cá. Mas lá foram três planos, sempre retirados a “ferros” das longas reuniões dos líderes europeus em Bruxelas. Ao todo, os parceiros europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) desembolsaram 273,7 mil milhões de euros, três vezes e meia o empréstimo a Portugal e mais do triplo do que foi emprestado à Irlanda. Na véspera da saída da Grécia do PAEF, o Dinheiro Vivo toma o pulso à economia helénica e compara com os momentos da saída de Portugal e da Irlanda. A riqueza líquida das famílias gregas, de acordo com o Banco da Grécia, caiu 40% entre 2009 e 2017 em resultado das medidas de austeridades impostas pelo Governo de Atenas, desde cortes salariais na Função Pública ao aumento de impostos e cortes nas pensões. O PIB per capita caiu perto de 14% entre 2010 e 2017, enquanto em Portugal não foi além de 5,8% durante os anos da recessão.
A anatomia de uma “saída limpa” A expressão “saída limpa” refere-se ao fim do programa de ajustamento sem qualquer apoio dos credores internacionais, seja através de um empréstimo “ponte” ou um programa “cautelar”, pronto a ser ativado em caso de necessidade, uma espécie de rede de segurança para o país. Mas tal como aconteceu em Portugal e na Irlanda, a Grécia quer a tal “saída limpa”, por motivos políticos e simbólicos, restaurando a soberania nacional depois de oito anos sob as orientações da troika. Para Yiannis Mouzakis, analista do portal grego Macropolis, “tendo em conta que o Governo não vai obter mais financiamento do setor institucional, podemos considerar que se trata de uma saída limpa”.
Mouzakis lembra, contudo, em declarações ao Dinheiro Vivo, que “as autoridades gregas assumiram compromissos para o período pós-programa, com medidas de alívio da dívida nos próximos dois anos sujeitas a condições políticas e orçamentais. Além disso, a Grécia comprometeu-se com metas específicas de excedentes primários durante décadas. O contexto em que as autoridades gregas irão operar é muito apertado e com a vigilância a que a Grécia estará sujeita não se coaduna com uma saída limpa.” Olhando para os principais indicadores macroeconómicos, a Grécia apresenta um cenário misto: se no primeiro trimestre deste ano (dados mais atuais) o PIB estava a crescer 2,3% – mais do que Portugal quando saiu do programa e próximo da Irlanda – e o défice estava próximo de 1% do PIB, já o desemprego, o investimento e a dívida pública estão ainda em valores distantes e com pior desempenho, comparando com os parceiros europeus sujeitos a resgate. É a dívida pública, que já vai em mais de 180% do PIB, que mais preocupa os credores e investidores internacionais. Em especial o FMI, que no último relatório anual sobre a economia grega, manifestou dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública a longo prazo. Mas há um outro indicador que pode descansar, para já, os mais pessimistas: o saldo primário – que exclui os juros da dívida – apresenta sucessivos excedentes desde 2015, esperando-se que atinja os 2,9% do PIB este ano, um dos mais elevados da União Europeia.
E aqui, a Grécia ganha tanto a Portugal como à Irlanda que apresentavam, à data da saída, saldos primários negativos. Uma almofada muito confortável Uma das “armas” do Governo de Atenas para reclamar uma saída limpa é a almofada financeira de 24,1 mil milhões de euros, que deverá cobrir as necessidades financeiras para os próximos 22 meses. “Se somar a esta almofada outros recursos que a Grécia tem disponíveis, tais como as reservas nas entidades públicas, o país tem financiamento garantido até 2022. Este é um período substancial para proteger a Grécia de qualquer turbulência dos mercados e deve, em teoria, criar confiança suficiente sobre a capacidade de solvência e de financiamento do país quando as condições do mercado forem favoráveis”, defende Mouzakis. No momento da saída, Portugal tinha uma reserva de 15 mil milhões de euros suficiente para cobrir as necessidade de um ano. No caso irlandês a “almofada financeira” era de 20 mil milhões de euros, correspondente a 12,2% do PIB. A verdade é que olhando para os juros das obrigações a 10 anos do Estado grego, ainda estão em valores acima dos registados para Portugal e para a Irlanda aquando da saída dos respetivos programas de ajustamento. No caso de Portugal, as yields a 30 de junho de 2014 situavam-se nos 3,57%, um pouco acima dos 3,47% das obrigações irlandesas. Os títulos de dívida grega de longo prazo rondam os 4,35%. Mas se para Atenas o financiamento não vai ser problema, o mesmo não se pode dizer para os bancos.
Com a saída do programa de ajustamento, ficam impedidos de darem as obrigações do Estado grego como colateral para transações de recompra com o Banco Central Europeu (BCE). A partir de 21 de agosto, os bancos sem colaterais elegíveis suficientes terão de recorrer aos empréstimos de emergência do Banco Central da Grécia para financiamento, pagando uma taxa a rondar 1,5%, enquanto no BCE a taxa de depósito era zero. PIB teima em arrancar Tal como a figura mitológica de Prometeus, a economia grega parece amarrada a uma pedra desde a chegada da troika em 2010. O ritmo de crescimento é lento e ainda não conseguiu recuperar para os níveis de há oito anos. O PIB está 21% abaixo de 2010. Tanto Portugal como a Irlanda começaram mais cedo a trajetória de recuperação e já ultrapassaram a criação de riqueza de 2010, com os irlandeses a recuperarem mais depressa e de forma mais robusta, muito também pela agressiva política fiscal para as multinacionais. Mas não é a só o PIB que apresenta sinais anímicos. A parcela da população em risco de pobreza e exclusão social teima em não baixar dos 30%, sendo o terceiro valor mais elevado da UE, apenas atrás da Bulgária e da Roménia. Também lenta está a recuperação do rendimento disponível das famílias que se mantém em valores negativos, tal como o consumo. Mais impressionantes são os dados do desemprego na Grécia. Perto de 20% da população ativa do país está sem emprego. A taxa de desemprego tem vindo lentamente a descer depois de ter atingido o pico em 2013, quando quase 30% das pessoas com idade para trabalhar estavam no desemprego. Tanto em Portugal como na Irlanda, a taxa de desemprego já está a níveis muito anteriores a 2010.
Durante os anos de recessão, destruição de riqueza na Grécia foi de 23% face a 2010, quando a troika chegou a Atenas. PIB ainda não recuperou.
O dia marca o fim do programa de ajustamento económico e financeiro (PAEF) da Grécia. Uma expressão que ficou tão conhecida lá como cá. Mas lá foram três planos, sempre retirados a “ferros” das longas reuniões dos líderes europeus em Bruxelas. Ao todo, os parceiros europeus e o Fundo Monetário Internacional (FMI) desembolsaram 273,7 mil milhões de euros, três vezes e meia o empréstimo a Portugal e mais do triplo do que foi emprestado à Irlanda. Na véspera da saída da Grécia do PAEF, o Dinheiro Vivo toma o pulso à economia helénica e compara com os momentos da saída de Portugal e da Irlanda. A riqueza líquida das famílias gregas, de acordo com o Banco da Grécia, caiu 40% entre 2009 e 2017 em resultado das medidas de austeridades impostas pelo Governo de Atenas, desde cortes salariais na Função Pública ao aumento de impostos e cortes nas pensões. O PIB per capita caiu perto de 14% entre 2010 e 2017, enquanto em Portugal não foi além de 5,8% durante os anos da recessão.
A anatomia de uma “saída limpa” A expressão “saída limpa” refere-se ao fim do programa de ajustamento sem qualquer apoio dos credores internacionais, seja através de um empréstimo “ponte” ou um programa “cautelar”, pronto a ser ativado em caso de necessidade, uma espécie de rede de segurança para o país. Mas tal como aconteceu em Portugal e na Irlanda, a Grécia quer a tal “saída limpa”, por motivos políticos e simbólicos, restaurando a soberania nacional depois de oito anos sob as orientações da troika. Para Yiannis Mouzakis, analista do portal grego Macropolis, “tendo em conta que o Governo não vai obter mais financiamento do setor institucional, podemos considerar que se trata de uma saída limpa”.
Mouzakis lembra, contudo, em declarações ao Dinheiro Vivo, que “as autoridades gregas assumiram compromissos para o período pós-programa, com medidas de alívio da dívida nos próximos dois anos sujeitas a condições políticas e orçamentais. Além disso, a Grécia comprometeu-se com metas específicas de excedentes primários durante décadas. O contexto em que as autoridades gregas irão operar é muito apertado e com a vigilância a que a Grécia estará sujeita não se coaduna com uma saída limpa.” Olhando para os principais indicadores macroeconómicos, a Grécia apresenta um cenário misto: se no primeiro trimestre deste ano (dados mais atuais) o PIB estava a crescer 2,3% – mais do que Portugal quando saiu do programa e próximo da Irlanda – e o défice estava próximo de 1% do PIB, já o desemprego, o investimento e a dívida pública estão ainda em valores distantes e com pior desempenho, comparando com os parceiros europeus sujeitos a resgate. É a dívida pública, que já vai em mais de 180% do PIB, que mais preocupa os credores e investidores internacionais. Em especial o FMI, que no último relatório anual sobre a economia grega, manifestou dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública a longo prazo. Mas há um outro indicador que pode descansar, para já, os mais pessimistas: o saldo primário – que exclui os juros da dívida – apresenta sucessivos excedentes desde 2015, esperando-se que atinja os 2,9% do PIB este ano, um dos mais elevados da União Europeia.
E aqui, a Grécia ganha tanto a Portugal como à Irlanda que apresentavam, à data da saída, saldos primários negativos. Uma almofada muito confortável Uma das “armas” do Governo de Atenas para reclamar uma saída limpa é a almofada financeira de 24,1 mil milhões de euros, que deverá cobrir as necessidades financeiras para os próximos 22 meses. “Se somar a esta almofada outros recursos que a Grécia tem disponíveis, tais como as reservas nas entidades públicas, o país tem financiamento garantido até 2022. Este é um período substancial para proteger a Grécia de qualquer turbulência dos mercados e deve, em teoria, criar confiança suficiente sobre a capacidade de solvência e de financiamento do país quando as condições do mercado forem favoráveis”, defende Mouzakis. No momento da saída, Portugal tinha uma reserva de 15 mil milhões de euros suficiente para cobrir as necessidade de um ano. No caso irlandês a “almofada financeira” era de 20 mil milhões de euros, correspondente a 12,2% do PIB. A verdade é que olhando para os juros das obrigações a 10 anos do Estado grego, ainda estão em valores acima dos registados para Portugal e para a Irlanda aquando da saída dos respetivos programas de ajustamento. No caso de Portugal, as yields a 30 de junho de 2014 situavam-se nos 3,57%, um pouco acima dos 3,47% das obrigações irlandesas. Os títulos de dívida grega de longo prazo rondam os 4,35%. Mas se para Atenas o financiamento não vai ser problema, o mesmo não se pode dizer para os bancos.
Com a saída do programa de ajustamento, ficam impedidos de darem as obrigações do Estado grego como colateral para transações de recompra com o Banco Central Europeu (BCE). A partir de 21 de agosto, os bancos sem colaterais elegíveis suficientes terão de recorrer aos empréstimos de emergência do Banco Central da Grécia para financiamento, pagando uma taxa a rondar 1,5%, enquanto no BCE a taxa de depósito era zero. PIB teima em arrancar Tal como a figura mitológica de Prometeus, a economia grega parece amarrada a uma pedra desde a chegada da troika em 2010. O ritmo de crescimento é lento e ainda não conseguiu recuperar para os níveis de há oito anos. O PIB está 21% abaixo de 2010. Tanto Portugal como a Irlanda começaram mais cedo a trajetória de recuperação e já ultrapassaram a criação de riqueza de 2010, com os irlandeses a recuperarem mais depressa e de forma mais robusta, muito também pela agressiva política fiscal para as multinacionais. Mas não é a só o PIB que apresenta sinais anímicos. A parcela da população em risco de pobreza e exclusão social teima em não baixar dos 30%, sendo o terceiro valor mais elevado da UE, apenas atrás da Bulgária e da Roménia. Também lenta está a recuperação do rendimento disponível das famílias que se mantém em valores negativos, tal como o consumo. Mais impressionantes são os dados do desemprego na Grécia. Perto de 20% da população ativa do país está sem emprego. A taxa de desemprego tem vindo lentamente a descer depois de ter atingido o pico em 2013, quando quase 30% das pessoas com idade para trabalhar estavam no desemprego. Tanto em Portugal como na Irlanda, a taxa de desemprego já está a níveis muito anteriores a 2010.
IEFP. Desemprego registado cai para mínimo de 16 anos
Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo
Segundo o IEFP, no final de julho havia 330,6 mil desempregados inscritos, universo que diminuiu cerca de 20,6%.
O número de desempregados registados nos centros do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) recuou, em julho, para o valor mais baixo dos últimos 16 anos. E o desemprego jovem caiu para um mínimo de três décadas. De acordo com dados do instituto tutelado pelo ministro José Vieira da Silva, divulgados esta terça-feira, no final de julho havia 330,6 mil desempregados inscritos, universo que diminuiu cerca de 20,6% face a igual mês do ano passado. É preciso recuar até julho de 2002 para encontrar um valor absoluto inferior. O desemprego jovem também bateu mínimos. Em julho, estavam registados nos centros de emprego cerca de 31,1 mil jovens desempregados, o valor mais baixo em quase 30 anos. Este contingente reduziu-se em 30%, em termos homólogos (face a julho de 2017).
O desemprego de longa duração (pessoas registadas como desempregadas há um ano ou mais) também dá sinais de recuo, tendo caído 24% em termos homólogos. Há agora 160,5 mil desempregados nessa condição, sendo preciso recuar nove anos (até ao início de 2009) para encontrar um valor mais baixo. Segundo os dados da tutela do Ministério do Trabalho, desde o início da legislatura quase 225 mil pessoas saíram dos registos do IEFP (-40,5% face ao final de 2015). Destes, 99 mil eram desempregados de longa duração (-38,3%) e 38 mil eram desempregados jovens (-55,1%). Dados convergentes com os do INE Estes dados administrativos do IEFP são consistentes com os do inquérito ao emprego do INE. Há cerca de duas semanas, as estatísticas oficiais revelaram que a taxa de desemprego do segundo trimestre de 2018 desceu para 6,7% da população ativa, o que corresponde ao valor mais baixo dos últimos 14 anos (desde 2004). Num ano (face ao segundo trimestre de 2017), Portugal perdeu 109,6 mil desempregados, uma descida homóloga de 23,7%. Assim, atualmente haverá apenas cerca de 351,8 mil pessoas sem trabalho, indicou o INE na altura. Daqueles 351,8 mil desempregados oficiais, 140,6 mil têm menos de 35 anos. E há quase 184 mil pessoas à procura de emprego há um ano ou mais, o chamado desemprego de longa duração, indicou o INE. Em todo o caso, ambos os universos reduziram-se de forma significativa (20% a 30% face ao segundo trimestre do ano passado). (atualizado às 11h20)
Segundo o IEFP, no final de julho havia 330,6 mil desempregados inscritos, universo que diminuiu cerca de 20,6%.
O número de desempregados registados nos centros do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) recuou, em julho, para o valor mais baixo dos últimos 16 anos. E o desemprego jovem caiu para um mínimo de três décadas. De acordo com dados do instituto tutelado pelo ministro José Vieira da Silva, divulgados esta terça-feira, no final de julho havia 330,6 mil desempregados inscritos, universo que diminuiu cerca de 20,6% face a igual mês do ano passado. É preciso recuar até julho de 2002 para encontrar um valor absoluto inferior. O desemprego jovem também bateu mínimos. Em julho, estavam registados nos centros de emprego cerca de 31,1 mil jovens desempregados, o valor mais baixo em quase 30 anos. Este contingente reduziu-se em 30%, em termos homólogos (face a julho de 2017).
O desemprego de longa duração (pessoas registadas como desempregadas há um ano ou mais) também dá sinais de recuo, tendo caído 24% em termos homólogos. Há agora 160,5 mil desempregados nessa condição, sendo preciso recuar nove anos (até ao início de 2009) para encontrar um valor mais baixo. Segundo os dados da tutela do Ministério do Trabalho, desde o início da legislatura quase 225 mil pessoas saíram dos registos do IEFP (-40,5% face ao final de 2015). Destes, 99 mil eram desempregados de longa duração (-38,3%) e 38 mil eram desempregados jovens (-55,1%). Dados convergentes com os do INE Estes dados administrativos do IEFP são consistentes com os do inquérito ao emprego do INE. Há cerca de duas semanas, as estatísticas oficiais revelaram que a taxa de desemprego do segundo trimestre de 2018 desceu para 6,7% da população ativa, o que corresponde ao valor mais baixo dos últimos 14 anos (desde 2004). Num ano (face ao segundo trimestre de 2017), Portugal perdeu 109,6 mil desempregados, uma descida homóloga de 23,7%. Assim, atualmente haverá apenas cerca de 351,8 mil pessoas sem trabalho, indicou o INE na altura. Daqueles 351,8 mil desempregados oficiais, 140,6 mil têm menos de 35 anos. E há quase 184 mil pessoas à procura de emprego há um ano ou mais, o chamado desemprego de longa duração, indicou o INE. Em todo o caso, ambos os universos reduziram-se de forma significativa (20% a 30% face ao segundo trimestre do ano passado). (atualizado às 11h20)
Preços subiram 6,7%. Quanto custa arrendar um quarto em Portugal?
in Notícias ao Minuto
Aumento dos preços nos últimos 12 meses fez subir o preço médio para 254 euros por mês.
Numa altura em que o mercado imobiliário está em crescimento, o Idealista divulgou um estudo, esta terça-feira, que dá conta que os preços dos quartos para arrendar subiram 6,7% nos últimos 12 meses até agosto, em comparação com o período homólogo.
Este aumento fixa o preço médio em Portugal nos 254 euros por mês.
O maior aumento dos preços foi registado em Setúbal (9,9%), seguido pelo Porto (8%), Leiria (6,7%), Lisboa (4,9%) e Coimbra (3,7%). Em sentido oposto, Santarém foi o único distrito que apresentou uma descida no preço do arrendamento de quartos.
No entanto, o distrito de Lisboa é o que tem os quartos mais caros do país, onde os custos ascendem aos 323 euros mensais, de acordo com o portal de imobiliário. Na lista dos distritos onde o preço é mais elevado segue-se o Porto, Setúbal e Braga.
Entre os distritos analisados, os mais económicos para arrendar um quarto são Santarém (169 euros), Leiria (180 euros) e Coimbra (190 euros) como os mais baratos.
Aumento dos preços nos últimos 12 meses fez subir o preço médio para 254 euros por mês.
Numa altura em que o mercado imobiliário está em crescimento, o Idealista divulgou um estudo, esta terça-feira, que dá conta que os preços dos quartos para arrendar subiram 6,7% nos últimos 12 meses até agosto, em comparação com o período homólogo.
Este aumento fixa o preço médio em Portugal nos 254 euros por mês.
O maior aumento dos preços foi registado em Setúbal (9,9%), seguido pelo Porto (8%), Leiria (6,7%), Lisboa (4,9%) e Coimbra (3,7%). Em sentido oposto, Santarém foi o único distrito que apresentou uma descida no preço do arrendamento de quartos.
No entanto, o distrito de Lisboa é o que tem os quartos mais caros do país, onde os custos ascendem aos 323 euros mensais, de acordo com o portal de imobiliário. Na lista dos distritos onde o preço é mais elevado segue-se o Porto, Setúbal e Braga.
Entre os distritos analisados, os mais económicos para arrendar um quarto são Santarém (169 euros), Leiria (180 euros) e Coimbra (190 euros) como os mais baratos.
Inquilinos idosos estão protegidos de despejos (mas há condições)
por Beatriz Vasconcelos, in Notícias ao Minuto
Inquilinos idosos ou com deficiência estão protegidos contra ações de despejo. No entanto, uma das condições é que moram na habitação há mais de 15 anos.
No mês passado entrou em vigor um regime excecional que visa proteger os inquilinos mais vulneráveis contra ordens de despejo. A medida é válida até março do próximo ano, mas é necessário que os inquilinos cumpram algumas condições.
Quando é necessária a desocupação de um imóvel para efeitos de demolição, remodelação ou restauro da habitação é possível pedir uma suspensão do despejo desde que os inquilinos morem na mesma casa há mais de 15 anos, tenham mais ou 65 anos ou uma incapacidade comprovada igual ou superior a 60 por cento, esclarece a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).
Porém, saiba que este regime não se aplica caso o senhorio fundamente a sua decisão com o facto de precisar do imóvel para viver ou para "os seus descendentes em primeiro grau viverem", explica a associação.
Ainda, caso os inquilinos "tenham recebido alguma indemnização na sequência da não renovação ou da denúncia do contrato de arrendamento" este regime também não se aplica - mesmo que os inquilinos cumpram os restantes requisitos legais.
Na opinião da DECO, este regime representa uma "bolsa de ar para muitos inquilinos", mas sendo "transitório e de abrangência limitada" a associação considera que "é uma situação precária que não oferece soluções a médio e longo prazo", aponta.
Inquilinos idosos ou com deficiência estão protegidos contra ações de despejo. No entanto, uma das condições é que moram na habitação há mais de 15 anos.
No mês passado entrou em vigor um regime excecional que visa proteger os inquilinos mais vulneráveis contra ordens de despejo. A medida é válida até março do próximo ano, mas é necessário que os inquilinos cumpram algumas condições.
Quando é necessária a desocupação de um imóvel para efeitos de demolição, remodelação ou restauro da habitação é possível pedir uma suspensão do despejo desde que os inquilinos morem na mesma casa há mais de 15 anos, tenham mais ou 65 anos ou uma incapacidade comprovada igual ou superior a 60 por cento, esclarece a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor (DECO).
Porém, saiba que este regime não se aplica caso o senhorio fundamente a sua decisão com o facto de precisar do imóvel para viver ou para "os seus descendentes em primeiro grau viverem", explica a associação.
Ainda, caso os inquilinos "tenham recebido alguma indemnização na sequência da não renovação ou da denúncia do contrato de arrendamento" este regime também não se aplica - mesmo que os inquilinos cumpram os restantes requisitos legais.
Na opinião da DECO, este regime representa uma "bolsa de ar para muitos inquilinos", mas sendo "transitório e de abrangência limitada" a associação considera que "é uma situação precária que não oferece soluções a médio e longo prazo", aponta.
20.8.18
Há mais 13.500 portugueses a receber o rendimento mínimo
in SicNotícias
Em junho, mais de 223 mil portugueses recebiam o rendimento social de inserção. São mais 13.551 do que em junho do ano passado. O distrito do Porto é o que tem mais beneficiários.
Em junho, mais de 223 mil portugueses recebiam o rendimento social de inserção. São mais 13.551 do que em junho do ano passado. O distrito do Porto é o que tem mais beneficiários.
8.8.18
Quem dorme no McDonald’s é um "McRefugiado"
in RR
O fenómeno está a crescer em Hong Kong. As razões são sobretudo económicas.
Em Hong Kong, são cada vez mais as pessoas que passam as noites a dormir em lojas do McDonald’s que estão abertas 24 horas. O número dos chamados "McRefugiados" aumentou seis vezes nos últimos cinco anos.
Um estudo da organização sem fins lucrativos Junior Chamber International (JCI) contabilizou 334 pessoas a dormir em 110 restaurantes McDonald’s de Hong Kong em junho e julho. Em 2013, foram contabilizadas 57 pessoas na mesma condição.
Porém, ao contrário do que se possa pensar, a maioria não são sem-abrigo. Mais de 70% dos entrevistados pelos investigadores deste estudo disseram que tinham um outro lugar para dormir, seja habitação social providenciada pelo Estado ou uma casa dividida com outras pessoas. A maioria tem também emprego, seja a tempo inteiro ou parcial.
“Essas pessoas têm onde dormir, mas não querem voltar para casa”, diz a responsável pelo estudo, Jennifer Hong, em entrevista à CNN.
Mas então porque é que estas pessoas preferem dormir num restaurante de “fast-food” do que em casa? Os motivos são sobretudo económicos, seja falta de dinheiro para pagar as rendas ou os elevados preços da eletricidade.
Um homem contou aos investigadores que vivia com outras pessoas num apartamento que não tinha janelas e não conseguia pagar um ar condicionado. Em vez de comprar o eletrodoméstico, resolveu aproveitar o espaço do McDonald’s para pernoitar nos dias mais quentes. Além do ar fresco, ali tinha também wi-fi gratuito, casas de banho limpas e comida barata.
Mas há também histórias de más relações familiares e de solidão. Um indivíduo relatou não ter boas relações com os pais e, por isso, não queria regressar a casa. Uma idosa, sem filhos, conta que, desde que o marido morreu, prefere passar as noites na companhia de outros McRefugiados do que ficar sozinha em casa.
A McDonald’s parece não importar-se muito com esta situação. À CNN, a empresa diz que tem “equipas preparadas para lidar com diferentes cenários” e garantir um “bom ambiente àqueles que ficam nas lojas durante longos períodos de tempo, independentemente das razões pelas quais as fazem”.
O estudo da JCI inclui ainda várias recomendações ao Governo de Hong Kong, incluindo a disponibilização de mais recursos para as instituições de apoio social.
O fenómeno está a crescer em Hong Kong. As razões são sobretudo económicas.
Em Hong Kong, são cada vez mais as pessoas que passam as noites a dormir em lojas do McDonald’s que estão abertas 24 horas. O número dos chamados "McRefugiados" aumentou seis vezes nos últimos cinco anos.
Um estudo da organização sem fins lucrativos Junior Chamber International (JCI) contabilizou 334 pessoas a dormir em 110 restaurantes McDonald’s de Hong Kong em junho e julho. Em 2013, foram contabilizadas 57 pessoas na mesma condição.
Porém, ao contrário do que se possa pensar, a maioria não são sem-abrigo. Mais de 70% dos entrevistados pelos investigadores deste estudo disseram que tinham um outro lugar para dormir, seja habitação social providenciada pelo Estado ou uma casa dividida com outras pessoas. A maioria tem também emprego, seja a tempo inteiro ou parcial.
“Essas pessoas têm onde dormir, mas não querem voltar para casa”, diz a responsável pelo estudo, Jennifer Hong, em entrevista à CNN.
Mas então porque é que estas pessoas preferem dormir num restaurante de “fast-food” do que em casa? Os motivos são sobretudo económicos, seja falta de dinheiro para pagar as rendas ou os elevados preços da eletricidade.
Um homem contou aos investigadores que vivia com outras pessoas num apartamento que não tinha janelas e não conseguia pagar um ar condicionado. Em vez de comprar o eletrodoméstico, resolveu aproveitar o espaço do McDonald’s para pernoitar nos dias mais quentes. Além do ar fresco, ali tinha também wi-fi gratuito, casas de banho limpas e comida barata.
Mas há também histórias de más relações familiares e de solidão. Um indivíduo relatou não ter boas relações com os pais e, por isso, não queria regressar a casa. Uma idosa, sem filhos, conta que, desde que o marido morreu, prefere passar as noites na companhia de outros McRefugiados do que ficar sozinha em casa.
A McDonald’s parece não importar-se muito com esta situação. À CNN, a empresa diz que tem “equipas preparadas para lidar com diferentes cenários” e garantir um “bom ambiente àqueles que ficam nas lojas durante longos períodos de tempo, independentemente das razões pelas quais as fazem”.
O estudo da JCI inclui ainda várias recomendações ao Governo de Hong Kong, incluindo a disponibilização de mais recursos para as instituições de apoio social.
Acusações de racismo marcaram Assembleia Municipal do Porto
in DN
A Assembleia Municipal do Porto ficou hoje marcada por uma troca de palavras entre uma munícipe que acusou um deputado de racismo, entre outras intervenções de várias bancadas que geraram um debate aceso sobre liberdade de expressão.
O episódio começou pouco depois da meia-noite de terça-feira para quarta-feira e estendeu-se ao longo de cerca de 45 minutos numa sessão que tinha iniciado às 21:00 e quando já o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, a maioria dos vereadores e alguns deputados municipais já não se encontravam na sala.
Tatiana Moutinho pretendia dirigir-se à Assembleia, mas antes de iniciar a sua intervenção foi questionada pelo presidente deste órgão autárquico sobre se falaria como munícipe ou "candidata a deputada", uma vez que a portuense integrou listas do Bloco de Esquerda (BE) nas últimas autárquicas e terá dirigido antes da sessão desta noite uma mensagem eletrónica aos deputados na qual indicava que pretendia falar nessa dupla função.
A Tatiana Montinho também foi explicado que não lhe seria permitido dirigir-se "a um deputado em particular em tons não adequados".
Após alguma troca de explicações entre a munícipe e o presidente da Assembleia Municipal, esta retomou o seu lugar no espaço que é destinado ao público, o que gerou alguns pedidos de esclarecimento e críticas por parte de várias bancadas que procuraram perceber se estava a ser, como referiu a deputada do BE, Susana Constante Pereira, "coartada a liberdade de expressão da munícipe".
Entretanto Tatiana Montinho retomou o local onde lhe era permitido falar, tendo sido interrompida quando a mesa considerou que a sua intervenção continha acusações dirigidas a um deputado.
"No passado dia 22 de julho, deparei-me com um texto de teor racista nas redes sociais (..) tendo reagido no sentido de alertar para o facto de que tais situações devem ser denunciadas como discurso de ódio. No seguimento dessa minha tomada de posição, vi-me rapidamente envolvida numa situação de violência declarada, na qual o agressor está perfeitamente identificado. O seu nome é António Santos Ribeiro, deputado municipal eleito pelo Movimento Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido. O comportamento de António dos Santos Ribeiro é não só eticamente reprovável, como também marginal à lei e, nesse sentido, será tratado no local próprio", referiu a munícipe.
Em causa, um episódio que aconteceu no mês de julho, tendo epicentro a rede social Facebook. O mesmo gerou uma tomada de posição da SOS Racismo que considerou "particularmente grave que um responsável autárquico, com funções de representação do povo que o elegeu, difunda e torne públicas mensagens de natureza discriminatória, em afirmações pontuadas por preconceitos e por insultos".
"A situação agrava-se quando David Ribeiro [nome com o qual o deputado António dos Santos Ribeiro se identifica nesta rede social] insiste na culpabilização de quem o denuncia, revelando complacência com comentários de índole racista, sexista e violenta", prosseguiu a SOS Racismo.
Esta polémica tinha iniciado com uma publicação de António dos Santos Ribeiro, com o título "Ciganos romenos no Porto" e na qual se lia: "Não, não sou racista nem xenófobo, mas sou declaradamente contra quem recusa qualquer tipo de ajuda social e prefere continuar a viver da mendicidade e do pequeno furto e continuar a dormir em jardins públicos conspurcando os terrenos que são de todos nós (...). Qual é a solução? Não sei se alguém sabe, mas há que refletir sobre a situação e encontrar rapidamente formas eficazes de proteger os cidadãos destes energúmenos".
A publicação fazia referência a "um grupo de 20 a 30 romenos, maioritariamente mulheres e jovens" que, apontava o deputado, "criaram um autêntico martírio aos residentes e comerciantes da zona", sendo descritos problemas com lixo depositado e furtos em supermercados.
Este texto além de ter gerado as críticas da SOS Racismo, também gerou uma onda de comentários nas redes sociais.
Esta noite, perante a situação criada na Assembleia Municipal houve troca de palavras entre deputados municipais com, por exemplo, Pedro Batista do movimento independente a sair em defesa de António dos Santos Ribeiro, apelidando outros eleitos de "demagogos".
Já Gustavo Pimenta (PS) e Artur Ribeiro (CDU) pediram elevação nas intervenções da sessão, enquanto o presidente da Junta do Centro Histórico, António Fonseca, referiu existirem "situações preocupantes" de salubridade pública e segurança "provocadas por comunidades".
"Eu que até sou adepto do Boavista, se disser que um jogador mexicano do FC Porto não joga nada é considerado racismo?", perguntou por sua vez o deputado visado na intervenção que espoletou a polémica, António dos Santos Ribeiro, numa altura em que também a munícipe Tatiana Moutinho abandonava a sala.
Esta situação aconteceu no final de uma sessão extraordinária que tinha começado ao som de apitos, bombos e gritos de cerca de duas dezenas de pessoas que, no exterior do edifício dos Paços do Concelho, exigiram medidas para "acabar com os despejos na cidade".
A Assembleia Municipal do Porto ficou hoje marcada por uma troca de palavras entre uma munícipe que acusou um deputado de racismo, entre outras intervenções de várias bancadas que geraram um debate aceso sobre liberdade de expressão.
O episódio começou pouco depois da meia-noite de terça-feira para quarta-feira e estendeu-se ao longo de cerca de 45 minutos numa sessão que tinha iniciado às 21:00 e quando já o presidente da Câmara do Porto, o independente Rui Moreira, a maioria dos vereadores e alguns deputados municipais já não se encontravam na sala.
Tatiana Moutinho pretendia dirigir-se à Assembleia, mas antes de iniciar a sua intervenção foi questionada pelo presidente deste órgão autárquico sobre se falaria como munícipe ou "candidata a deputada", uma vez que a portuense integrou listas do Bloco de Esquerda (BE) nas últimas autárquicas e terá dirigido antes da sessão desta noite uma mensagem eletrónica aos deputados na qual indicava que pretendia falar nessa dupla função.
A Tatiana Montinho também foi explicado que não lhe seria permitido dirigir-se "a um deputado em particular em tons não adequados".
Após alguma troca de explicações entre a munícipe e o presidente da Assembleia Municipal, esta retomou o seu lugar no espaço que é destinado ao público, o que gerou alguns pedidos de esclarecimento e críticas por parte de várias bancadas que procuraram perceber se estava a ser, como referiu a deputada do BE, Susana Constante Pereira, "coartada a liberdade de expressão da munícipe".
Entretanto Tatiana Montinho retomou o local onde lhe era permitido falar, tendo sido interrompida quando a mesa considerou que a sua intervenção continha acusações dirigidas a um deputado.
"No passado dia 22 de julho, deparei-me com um texto de teor racista nas redes sociais (..) tendo reagido no sentido de alertar para o facto de que tais situações devem ser denunciadas como discurso de ódio. No seguimento dessa minha tomada de posição, vi-me rapidamente envolvida numa situação de violência declarada, na qual o agressor está perfeitamente identificado. O seu nome é António Santos Ribeiro, deputado municipal eleito pelo Movimento Rui Moreira: Porto, o Nosso Partido. O comportamento de António dos Santos Ribeiro é não só eticamente reprovável, como também marginal à lei e, nesse sentido, será tratado no local próprio", referiu a munícipe.
Em causa, um episódio que aconteceu no mês de julho, tendo epicentro a rede social Facebook. O mesmo gerou uma tomada de posição da SOS Racismo que considerou "particularmente grave que um responsável autárquico, com funções de representação do povo que o elegeu, difunda e torne públicas mensagens de natureza discriminatória, em afirmações pontuadas por preconceitos e por insultos".
"A situação agrava-se quando David Ribeiro [nome com o qual o deputado António dos Santos Ribeiro se identifica nesta rede social] insiste na culpabilização de quem o denuncia, revelando complacência com comentários de índole racista, sexista e violenta", prosseguiu a SOS Racismo.
Esta polémica tinha iniciado com uma publicação de António dos Santos Ribeiro, com o título "Ciganos romenos no Porto" e na qual se lia: "Não, não sou racista nem xenófobo, mas sou declaradamente contra quem recusa qualquer tipo de ajuda social e prefere continuar a viver da mendicidade e do pequeno furto e continuar a dormir em jardins públicos conspurcando os terrenos que são de todos nós (...). Qual é a solução? Não sei se alguém sabe, mas há que refletir sobre a situação e encontrar rapidamente formas eficazes de proteger os cidadãos destes energúmenos".
A publicação fazia referência a "um grupo de 20 a 30 romenos, maioritariamente mulheres e jovens" que, apontava o deputado, "criaram um autêntico martírio aos residentes e comerciantes da zona", sendo descritos problemas com lixo depositado e furtos em supermercados.
Este texto além de ter gerado as críticas da SOS Racismo, também gerou uma onda de comentários nas redes sociais.
Esta noite, perante a situação criada na Assembleia Municipal houve troca de palavras entre deputados municipais com, por exemplo, Pedro Batista do movimento independente a sair em defesa de António dos Santos Ribeiro, apelidando outros eleitos de "demagogos".
Já Gustavo Pimenta (PS) e Artur Ribeiro (CDU) pediram elevação nas intervenções da sessão, enquanto o presidente da Junta do Centro Histórico, António Fonseca, referiu existirem "situações preocupantes" de salubridade pública e segurança "provocadas por comunidades".
"Eu que até sou adepto do Boavista, se disser que um jogador mexicano do FC Porto não joga nada é considerado racismo?", perguntou por sua vez o deputado visado na intervenção que espoletou a polémica, António dos Santos Ribeiro, numa altura em que também a munícipe Tatiana Moutinho abandonava a sala.
Esta situação aconteceu no final de uma sessão extraordinária que tinha começado ao som de apitos, bombos e gritos de cerca de duas dezenas de pessoas que, no exterior do edifício dos Paços do Concelho, exigiram medidas para "acabar com os despejos na cidade".
Milhares de mulheres manifestam-se contra a violência de género
in DN
Milhares de mulheres protestaram esta quarta-feira contra a violência de género em marchas e protestos em várias cidades da África do Sul, país onde uma em cada cinco mulheres tem sido afetada por este crime, segundo dados oficiais.
Centenas manifestaram-se no Rossio pelos direitos das mulheres
Sob o tema "Total Shutdown" ("Paragem total"), as mulheres sul-africanas foram chamadas a interromperem as suas atividades e a juntarem-se para aumentar a conscientização sobre os altos índices de violência contra a mulher, contra a criança e contra a comunidade LGBTI [lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e intersexuais].
Nas grandes cidades, como a Cidade do Cabo, Durban ou Pretória, as marchas foram muito concorridas.
Os participantes, vestidos de preto e vermelho, empunhavam cartazes com frases como "Meu corpo, não a sua cena do crime", "Não, não" ou "Os direitos das mulheres são direitos humanos".
Por trás do movimento estão várias associações civis locais, que também pediram protestos contra as mulheres nos países vizinhos.
A iniciativa foi apoiada por sindicatos e organizações não-governamentais internacionais, como a Oxfam e a Amnistia Internacional.
De acordo com os meios de comunicação sul-africanos, uma mulher morre a cada oito horas na África do Sul por causa da violência de género e, de acordo com estatísticas do Governo, uma em cada cinco diz já ter sofrido este tipo de violência durante a sua vida - de acordo com um estudo publicado em 2017 e com dados de 2016.
Além disso, e segundo dados da polícia, na África do Sul são registadas anualmente cerca de 40.000 violações, a grande maioria denunciadas por mulheres.
Estes números levam a agência governamental Statistics South Africa a estimar que 1,4 em cada mil mulheres foram violadas, colocando o país com uma das maiores taxas deste tipo de crime no mundo.
Milhares de mulheres protestaram esta quarta-feira contra a violência de género em marchas e protestos em várias cidades da África do Sul, país onde uma em cada cinco mulheres tem sido afetada por este crime, segundo dados oficiais.
Centenas manifestaram-se no Rossio pelos direitos das mulheres
Sob o tema "Total Shutdown" ("Paragem total"), as mulheres sul-africanas foram chamadas a interromperem as suas atividades e a juntarem-se para aumentar a conscientização sobre os altos índices de violência contra a mulher, contra a criança e contra a comunidade LGBTI [lésbicas, gays, transexuais, bissexuais e intersexuais].
Nas grandes cidades, como a Cidade do Cabo, Durban ou Pretória, as marchas foram muito concorridas.
Os participantes, vestidos de preto e vermelho, empunhavam cartazes com frases como "Meu corpo, não a sua cena do crime", "Não, não" ou "Os direitos das mulheres são direitos humanos".
Por trás do movimento estão várias associações civis locais, que também pediram protestos contra as mulheres nos países vizinhos.
A iniciativa foi apoiada por sindicatos e organizações não-governamentais internacionais, como a Oxfam e a Amnistia Internacional.
De acordo com os meios de comunicação sul-africanos, uma mulher morre a cada oito horas na África do Sul por causa da violência de género e, de acordo com estatísticas do Governo, uma em cada cinco diz já ter sofrido este tipo de violência durante a sua vida - de acordo com um estudo publicado em 2017 e com dados de 2016.
Além disso, e segundo dados da polícia, na África do Sul são registadas anualmente cerca de 40.000 violações, a grande maioria denunciadas por mulheres.
Estes números levam a agência governamental Statistics South Africa a estimar que 1,4 em cada mil mulheres foram violadas, colocando o país com uma das maiores taxas deste tipo de crime no mundo.
Mediterrâneo é escolha de quem não tem outra escolha
in Dnotícias
Milhares de pessoas arriscam a vida na travessia do Mediterrâneo para chegar à Europa e Sium Yimeaghen foi uma delas, preferindo trocar o seu país, a Eritreia, pela incerteza de quem não tem nada a perder.
Foi aos 29 anos que decidiu tentar a sua sorte e sair da Eritreia. O professor, natural de Adi Keih (região sul), fartou-se da “repressão do governo” e conseguiu escapar da prisão, onde esteve cerca de um ano, iniciando uma viagem que o levou até Malta, onde se encontra ainda, cinco anos depois.
“Vim à procura de protecção e segurança. Não saí do meu país para ter melhores oportunidades económicas, saí porque fui obrigado a sair, devido ao tratamento a que os cidadãos são sujeitos, a quem é negada liberdade de movimento, de expressão ou de religião. Estas coisas estão ausentes na Eritreia. As pessoas sentem-se reprimidas”, contou à agência Lusa.
A Eritreia, governada com mão de ferro pelo Presidente Isaias Afwerki, declarou a independência da vizinha Etiópia em 1993 e é descrita pela Amnistia Internacional como um dos regimes mais repressivos do continente africano.
Sium Yimeaghen, que foi preso “por suspeitas” de que estaria a tentar deixar ilegalmente a Eritreia quando foi encontrado pelos militares na fronteira com a Etiópia, conseguiu fugir para o Sudão, em 2013.
Daí prosseguiu viagem para a Líbia, onde chegou um mês depois. Saiu da capital líbia, Tripoli, em 01 de julho de 2013, numa embarcação precária, com mais 299 pessoas.
Durante o percurso, o controlo sobre a sua vida foi entregue aos contrabandistas.
“Sendo imigrantes ilegais estamos nas mãos dos contrabandistas. Não escolhemos o quabdi trazer, o que comprar, o que podemos levar. Tudo é preparado por eles. Tínhamos muito pouca água para beber e muito pouco que comer, não o suficiente para sobreviver nesta viagem tão perigosa”, onde seguiam quatro crianças, descreve o antigo professor.
Sium Yimeaghen admite que a rede de contrabandistas que o ajudou a passar do Sudão para a Líbia possa estar ligado à guarda costeira líbia porque nessa altura “era muito difícil chegar até à praia” e passar pela segurança apertada dos postos de controlo.
Os perigos da viagem afastam-se do pensamento de quem aposta tudo numa vida melhor.
“Sabíamos as circunstâncias, sabíamos que as coisas são más nas mãos dos contrabandistas, [os riscos da] viagem e sobretudo o mar, mas não tínhamos outra opção senão tentar a nossa sorte. Quando fugimos de um país e decidimos fazer isto [atravessar o Mediterrâneo] pensamos que só temos uma vida, mas acreditamos que não temos outra opção a não ser chegar a um sítio melhor em vez de ficar a sofrer o que estávamos a sofrer”, resume, em tom pausado.
A partir daqui a história foi igual a tantas outras.
Navegaram três dias até que o barco ficou à deriva porque o motor deixou de funcionar, mas não foram informados sobre o que estava a acontecer “para evitar o pânico”.
Acabaram por ser socorridos por patrulhas italiana e maltesa, depois de contactarem activistas através do telefone satélite que alguém levava a bordo.
Mas as dificuldades não acabaram ao chegar a Malta. Passou por dois centros de detenção e esteve oito meses num centro aberto até ter documentos e licença para trabalhar. Entretanto iniciou um lento processo de pedido de asilo, ao abrigo do qual lhe foi atribuída protecção subsidiária (estatuto que concede protecção a cidadãos que não possam ser considerados refugiados, mas em relação aos quais existem motivos significativos para acreditar que, caso voltem para o seu país de origem, correm risco de sofrer ofensa grave).
“Estou muito grato ao governo de Malta por nos resgatarem e darem uma segunda oportunidade na vida, mas se pudesse escolher queria um país que me desse oportunidades melhores do que estou a ter aqui”, diz, explicando que lhe falta o sentimento de pertença.
“Sinto que não pertenço aqui. Esta protecção mantém-me num limbo (...) mesmo se trabalhar e pagar impostos não vou beneficiar de pensão se entrar na reforma vivendo em Malta. Este estatuto é estático e infrutífero, não sentimos que somos parte do país anfitrião onde vivemos, não importa quantos anos vivemos aqui. Não posso planear o meu futuro porque tenho limitações básicas”, lamenta.
Já passou por vários empregos e desde finais de 2016 trabalha como profissional de saúde num hospital.
Considera que a Europa devia ter “uma abordagem mais compreensiva” do fenómeno das migrações e lembra que os refugiados “pagam muito dinheiro” por uma viagem que não lhes dá quaisquer garantias e que os obriga a deixar para trás a família.
“Se pudéssemos encontrar uma forma de as pessoas que precisam de protecção viajarem legalmente para a Europa isso seria muito melhor. Os migrantes estavam mais seguros e não iam gastar dinheiro com os contrabandistas, não precisavam de embarcar numa viagem perigosa e alimentar o negócio do tráfico” de pessoas, sugere
Sium Yimeaghen gastou 3.600 dólares: pagou 1.200 dólares para viajar desde o Sudão num camião com 180 pessoas. Em Benghazi, na Líbia, foram-lhe cobrados mais 200 dólares e daí para Tripoli mais 600. Pela viagem de barco pediram mais 1.600 dólares.
Um negócio muito lucrativo para os contrabandistas que não vai ter fim se as regras não mudarem, pois “o problema da imigração nunca vai acabar”, antecipa.
O ex-professor da Eritreia garante que, se pudesse, voltaria ao seu país.
“A emigração não foi uma escolha, nunca seria nem nos meus sonhos mais loucos. Deixei o meu país porque fui obrigado e enquanto o actual governo se mantiver no poder não posso voltar”, diz, entristecido.
Milhares de pessoas arriscam a vida na travessia do Mediterrâneo para chegar à Europa e Sium Yimeaghen foi uma delas, preferindo trocar o seu país, a Eritreia, pela incerteza de quem não tem nada a perder.
Foi aos 29 anos que decidiu tentar a sua sorte e sair da Eritreia. O professor, natural de Adi Keih (região sul), fartou-se da “repressão do governo” e conseguiu escapar da prisão, onde esteve cerca de um ano, iniciando uma viagem que o levou até Malta, onde se encontra ainda, cinco anos depois.
“Vim à procura de protecção e segurança. Não saí do meu país para ter melhores oportunidades económicas, saí porque fui obrigado a sair, devido ao tratamento a que os cidadãos são sujeitos, a quem é negada liberdade de movimento, de expressão ou de religião. Estas coisas estão ausentes na Eritreia. As pessoas sentem-se reprimidas”, contou à agência Lusa.
A Eritreia, governada com mão de ferro pelo Presidente Isaias Afwerki, declarou a independência da vizinha Etiópia em 1993 e é descrita pela Amnistia Internacional como um dos regimes mais repressivos do continente africano.
Sium Yimeaghen, que foi preso “por suspeitas” de que estaria a tentar deixar ilegalmente a Eritreia quando foi encontrado pelos militares na fronteira com a Etiópia, conseguiu fugir para o Sudão, em 2013.
Daí prosseguiu viagem para a Líbia, onde chegou um mês depois. Saiu da capital líbia, Tripoli, em 01 de julho de 2013, numa embarcação precária, com mais 299 pessoas.
Durante o percurso, o controlo sobre a sua vida foi entregue aos contrabandistas.
“Sendo imigrantes ilegais estamos nas mãos dos contrabandistas. Não escolhemos o quabdi trazer, o que comprar, o que podemos levar. Tudo é preparado por eles. Tínhamos muito pouca água para beber e muito pouco que comer, não o suficiente para sobreviver nesta viagem tão perigosa”, onde seguiam quatro crianças, descreve o antigo professor.
Sium Yimeaghen admite que a rede de contrabandistas que o ajudou a passar do Sudão para a Líbia possa estar ligado à guarda costeira líbia porque nessa altura “era muito difícil chegar até à praia” e passar pela segurança apertada dos postos de controlo.
Os perigos da viagem afastam-se do pensamento de quem aposta tudo numa vida melhor.
“Sabíamos as circunstâncias, sabíamos que as coisas são más nas mãos dos contrabandistas, [os riscos da] viagem e sobretudo o mar, mas não tínhamos outra opção senão tentar a nossa sorte. Quando fugimos de um país e decidimos fazer isto [atravessar o Mediterrâneo] pensamos que só temos uma vida, mas acreditamos que não temos outra opção a não ser chegar a um sítio melhor em vez de ficar a sofrer o que estávamos a sofrer”, resume, em tom pausado.
A partir daqui a história foi igual a tantas outras.
Navegaram três dias até que o barco ficou à deriva porque o motor deixou de funcionar, mas não foram informados sobre o que estava a acontecer “para evitar o pânico”.
Acabaram por ser socorridos por patrulhas italiana e maltesa, depois de contactarem activistas através do telefone satélite que alguém levava a bordo.
Mas as dificuldades não acabaram ao chegar a Malta. Passou por dois centros de detenção e esteve oito meses num centro aberto até ter documentos e licença para trabalhar. Entretanto iniciou um lento processo de pedido de asilo, ao abrigo do qual lhe foi atribuída protecção subsidiária (estatuto que concede protecção a cidadãos que não possam ser considerados refugiados, mas em relação aos quais existem motivos significativos para acreditar que, caso voltem para o seu país de origem, correm risco de sofrer ofensa grave).
“Estou muito grato ao governo de Malta por nos resgatarem e darem uma segunda oportunidade na vida, mas se pudesse escolher queria um país que me desse oportunidades melhores do que estou a ter aqui”, diz, explicando que lhe falta o sentimento de pertença.
“Sinto que não pertenço aqui. Esta protecção mantém-me num limbo (...) mesmo se trabalhar e pagar impostos não vou beneficiar de pensão se entrar na reforma vivendo em Malta. Este estatuto é estático e infrutífero, não sentimos que somos parte do país anfitrião onde vivemos, não importa quantos anos vivemos aqui. Não posso planear o meu futuro porque tenho limitações básicas”, lamenta.
Já passou por vários empregos e desde finais de 2016 trabalha como profissional de saúde num hospital.
Considera que a Europa devia ter “uma abordagem mais compreensiva” do fenómeno das migrações e lembra que os refugiados “pagam muito dinheiro” por uma viagem que não lhes dá quaisquer garantias e que os obriga a deixar para trás a família.
“Se pudéssemos encontrar uma forma de as pessoas que precisam de protecção viajarem legalmente para a Europa isso seria muito melhor. Os migrantes estavam mais seguros e não iam gastar dinheiro com os contrabandistas, não precisavam de embarcar numa viagem perigosa e alimentar o negócio do tráfico” de pessoas, sugere
Sium Yimeaghen gastou 3.600 dólares: pagou 1.200 dólares para viajar desde o Sudão num camião com 180 pessoas. Em Benghazi, na Líbia, foram-lhe cobrados mais 200 dólares e daí para Tripoli mais 600. Pela viagem de barco pediram mais 1.600 dólares.
Um negócio muito lucrativo para os contrabandistas que não vai ter fim se as regras não mudarem, pois “o problema da imigração nunca vai acabar”, antecipa.
O ex-professor da Eritreia garante que, se pudesse, voltaria ao seu país.
“A emigração não foi uma escolha, nunca seria nem nos meus sonhos mais loucos. Deixei o meu país porque fui obrigado e enquanto o actual governo se mantiver no poder não posso voltar”, diz, entristecido.
Almada reforça resposta a situações de pobreza extrema
in Diário de Região
Através de protocolo assinado com oito instituições Almada reforça resposta a situações de pobreza extrema Plano Municipal de Emergência Social, em vigor desde 2015, permitirá disponibilizar 50 mil euros para apoio pontual a situações de grave carência, mas a verba poderá ser reforçada A Câmara Municipal de Almada e oito instituições de solidariedade social assinaram um protocolo anual para ajudar a diminuir situações de pobreza extrema. Trata-se do Plano Municipal de Emergência Social (PMES) que “tem por objectivo reforçar as respostas existentes e contribuir para colmatar, pontualmente, o impacto de situações de pobreza extrema”, revelou a autarquia em nota de Imprensa.
O protocolo em causa disponibiliza “50.000 euros para apoio pontual a situações de grave carência social”, uma verba que poderá ser reforçada “sempre que for considerado necessário, até ao montante previsto de 125.000 euros”. Em vigor desde 2015, a iniciativa municipal tem contribuído para “mitigar situações de grande vulnerabilidade e desprotecção social”, afirma a autarquia, lembrando que em 2017, ao abrigo do PMES, “foram apoiadas 449 famílias, abrangendo um total de 1 154 pessoas”. A maioria dos apoios “destinou-se a situações de dificuldade face a despesas de habitação e saúde”.
De acordo com a edilidade, a tipologia de famílias apoiadas tem maior expressão na “monoparental feminina”, seguida dos “idosos isolados”. “A maioria dos apoios destinou-se a situações de dificuldade face a despesas de habitação e saúde”, acrescenta a autarquia.
O protocolo anual foi assinado na passada segunda-feira entre o município de Almada e oito instituições subscritoras: Assistência Médica Internacional, Associação Solidariedade e Desenvolvimento do Laranjeiro, Associação Vale de Acór, Centro Comunitário de Promoção Social do Laranjeiro/Feijó, Centro Social Paroquial de Cristo Rei, Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Conceição da Costa da Caparica, Santa Casa da Misericórdia de Almada e o Instituto da Segurança Social.
Através de protocolo assinado com oito instituições Almada reforça resposta a situações de pobreza extrema Plano Municipal de Emergência Social, em vigor desde 2015, permitirá disponibilizar 50 mil euros para apoio pontual a situações de grave carência, mas a verba poderá ser reforçada A Câmara Municipal de Almada e oito instituições de solidariedade social assinaram um protocolo anual para ajudar a diminuir situações de pobreza extrema. Trata-se do Plano Municipal de Emergência Social (PMES) que “tem por objectivo reforçar as respostas existentes e contribuir para colmatar, pontualmente, o impacto de situações de pobreza extrema”, revelou a autarquia em nota de Imprensa.
O protocolo em causa disponibiliza “50.000 euros para apoio pontual a situações de grave carência social”, uma verba que poderá ser reforçada “sempre que for considerado necessário, até ao montante previsto de 125.000 euros”. Em vigor desde 2015, a iniciativa municipal tem contribuído para “mitigar situações de grande vulnerabilidade e desprotecção social”, afirma a autarquia, lembrando que em 2017, ao abrigo do PMES, “foram apoiadas 449 famílias, abrangendo um total de 1 154 pessoas”. A maioria dos apoios “destinou-se a situações de dificuldade face a despesas de habitação e saúde”.
De acordo com a edilidade, a tipologia de famílias apoiadas tem maior expressão na “monoparental feminina”, seguida dos “idosos isolados”. “A maioria dos apoios destinou-se a situações de dificuldade face a despesas de habitação e saúde”, acrescenta a autarquia.
O protocolo anual foi assinado na passada segunda-feira entre o município de Almada e oito instituições subscritoras: Assistência Médica Internacional, Associação Solidariedade e Desenvolvimento do Laranjeiro, Associação Vale de Acór, Centro Comunitário de Promoção Social do Laranjeiro/Feijó, Centro Social Paroquial de Cristo Rei, Centro Social Paroquial Nossa Senhora da Conceição da Costa da Caparica, Santa Casa da Misericórdia de Almada e o Instituto da Segurança Social.
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