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29.3.21

Europa deve reforçar compromissos de combate à pobreza e ajuda aos países pobres

in RTP

A Europa deve reforçar os seus compromissos de combate à pobreza e cumprir as metas da ajuda pública aos países pobres para promover uma recuperação "global e justa" no pós-pandemia, defendem as organizações da sociedade civil.

Estas são as principais conclusões de uma reflexão promovida pela Plataforma Portuguesa das Organizações Não Governamentais para o Desenvolvimento (ONGD) no âmbito do Projeto Presidência -- "Por uma Europa aberta, justa e sustentável no mundo", financiado pela União Europeia.

A reflexão reúne contributos de 70 organizações da sociedade civil de vários países e servirá de base a um debate "online" sobre as novas tendências e perspetivas da cooperação para o desenvolvimento, que decorre hoje a partir de Lisboa.

"Num momento em que a dificuldade de muitos países em acederem a financiamento se agrava em virtude da pandemia, a UE deve fazer a sua parte para garantir uma recuperação justa a nível global ao cumprir o compromisso em canalizar 0,7% do Rendimento Nacional Bruto (RNB) combinado dos Estados-Membros para ajuda pública ao desenvolvimento (APD) e entre 0,15% e 0,20% para os países menos avançados", refere o documento.

Rita Leote, diretora da plataforma de ONGD, notou, em declarações à agência Lusa, que a tendência dos últimos anos revela "uma estagnação e até a diminuição da ajuda pública ao desenvolvimento", alertando que a pandemia poderá acentuar esta tendência.

"Os países têm os seus orçamentos dedicados em grande parte à resposta às questões internas da pandemia e pode haver essa possibilidade [de redução da ajuda], mas se a resposta não for global todos vamos sofrer", defendeu.

Para esta responsável, a ajuda pública ao desenvolvimento assume particular relevância para os países de baixo rendimento, que não têm tanta capacidade de atração de investimento privado.

"Principalmente neste tempo em que é preciso uma recuperação justa e sustentável da pandemia, é preciso salvaguardar que há países que não têm acesso a financiamento se não for por via da ajuda pública ao desenvolvimento", disse.

Ressalvou, por outro lado, a necessidade de complementar esta ajuda com "outras fontes de financiamento", considerando que a APD "não é suficiente para responder" a todas as necessidades.

"A UE deve reconhecer a importância das diferentes modalidades de financiamento para o desenvolvimento e adotar uma abordagem coerente, integrada e complementar entre cada uma delas, evitando que a aposta na mobilização do setor privado contribua para o desinvestimento em APD", aponta, por seu lado, a reflexão.

O mesmo documento defende políticas europeias "centrada nas pessoas" e "orientadas para dar resposta à crise e às necessidades das populações, de forma a reforçar o compromisso em combater a pobreza e as desigualdades" globais.

"Não divergir daquilo que têm sido as prioridades em termos de cooperação para o desenvolvimento: a luta contra a pobreza e o combate às desigualdades e que isso seja tido em conta no desenho das políticas de cooperação para desenvolvimento", defendeu Rita Leote.

As ONGD defendem ainda a importância e "apostar no desenvolvimento humano e investir em setores chave, como a educação e saúde, de forma a evitar um aprofundamento das desigualdades.

Numa abordagem à nova estratégia UE-África, Rita Leote sublinhou a necessidade de uma parceria que coloque os dois blocos em pé de igualdade.

"As soluções têm que ser construídas conjuntamente pelos atores e não apenas por uns, que estabelecem a agenda e definem as condições em que esta será implementada", disse, defendendo a importância de "reforçar o contributo dos países parceiros", nomeadamente da sociedade civil, para a construção da referida estratégia.

O seminário "Cooperação para o Desenvolvimento: Tendências e Perspetivas" realiza-se no âmbito do Projeto Presidência "Por uma Europa aberta, justa e sustentável no mundo", da Plataforma Portuguesa das ONGD, e tem como objetivo reunir um conjunto de especialistas para debaterem o futuro das políticas de cooperação para o desenvolvimento e o papel que a UE neste processo.

 

18.12.13

Banco mundial reúne 37,7 mil milhões para ajuda aos países pobres

in RR

Verbas desbloqueadas deverão permitir fornecer vacinas vitais a cerca de 200 milhões de pessoas e o acesso a água canalizada a outros 32 milhões.

O Banco Mundial anunciou ter reunido uma soma recorde de 52 mil milhões de dólares (37,7 mil milhões de euros) em três anos, para ajuda aos países mais pobres do mundo.

"Apesar da difícil conjuntura económica, uma coligação dos países mais desenvolvidos e em desenvolvimento comprometeu-se em acelerar o combate para erradicar a extrema pobreza", referiu a instituição em comunicado.

A verba, desbloqueada em particular para 46 Estados-membros, vai ser canalizada para a Associação Internacional de Desenvolvimento (IDA), a sucursal do Banco Mundial especializada em empréstimos a taxas zero aos países pobres, na maioria situados em África.

Para os próximos três anos, a IDA recebeu mais 5,4% em comparação com os 49,3 mil milhões de dólares (35,8 mil milhões de euros) recolhidos em Dezembro de 2010.

"Trata-se de um sucesso para a comunidade internacional", regozijou-se Jim Yong Kim, o presidente do Banco Mundial que se comprometeu a erradicar a pobreza no planeta até 2030.

Nos próximos três anos, acrescenta o comunicado, as verbas desbloqueadas pela IDA deverão permitir fornecer vacinas vitais a cerca de 200 milhões de pessoas e o acesso a água canalizada a outros 32 milhões de seres humanos.