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10.7.23

“As comunidades pobres são os únicos sítios onde há mercados de droga ao ar livre”

Camilo Soldado (Texto) e Nelson Garrido (Fotografia), in Público


Médico e antropólogo cultural, Philippe Bourgois considera que faz sentido descriminalizar as drogas 

Não é por acaso que a lei portuguesa que despenalizou o uso e a posse de drogas em 2001 é apresentada como um exemplo internacional: o proibicionismo não funciona. “Já foi tentado vezes sem conta”, começa por explicar o médico e antropólogo cultural Philippe Bourgois.

[artigo disponível na íntegra só para assinantes aqui]



13.6.23

“Um Grama de Esperança”: os filhos da droga nas ruas de Lisboa

in SIC

Disparou o número de consumidores de crack nas ruas de Lisboa. Com o aumento dos fluxos migratórios, agora são cada vez os estrangeiros, sobretudo de origem asiática, a consumirem esta droga altamente aditiva. Veja a Reportagem Especial na íntegra.

Portugal é considerado um país inovador nas políticas de intervenção na toxicodependência. Descriminalizou antes dos outros o consumo de drogas, há 22 anos que a compra, a posse e o consumo em pequenas quantidades - apenas para uso pessoal diário - deixaram de ser crime punível com pena de prisão.

Abdulah, Mafalda, Fred, João, Guilherme e tantos outros filhos da droga lutam contra si próprios para se libertarem das amarras do vício. A cada dia que passa o grama de esperança é cada vez menor.

As autoridades acusam o Estado de desinvestir nas políticas de intervenção na toxicodependência e exigem mais recursos.

“Um Grama de Esperança” é a Reportagem Especial para ver na íntegra.

14.3.13

Cada vez mais jovens vendem ou cultivam droga por causa da crise

Ana Henriques, in Público on-line

Comissão Europeia alerta para efeitos da recessão no aumento do tráfico de drogas ilícitas.

Há cada vez mais jovens a dedicarem-se à venda ou ao cultivo de droga para ganhar dinheiro, revela um estudo divulgado nesta quarta-feira pela Comissão Europeia. Em causa está sobretudo a plantação doméstica de cannabis.

“A crise económica deverá ter um impacto importante no mercado dos estupefacientes, por exemplo através do aumento da procura de drogas ilícitas”, refere um comunicado da Representação da Comissão Europeia em Portugal sobre o tema. “Mas deverá igualmente provocar uma redução dos fundos consagrados à política de luta contra a droga, em especial no que respeita aos tratamentos e às medidas de redução dos efeitos nocivos”.

Numa tentativa de minorar o problema, a comissária da União Europeia responsável pela Justiça, Viviane Reding, anunciou que pretende propor até ao final do ano legislação mais severa sobre as novas substâncias psicoactivas e o tráfico ilícito. “Temos de actuar a nível da União Europeia e proteger os nossos filhos”, declarou.

O ritmo de surgimento de novas drogas tem sido acelerado: nos últimos dois anos verificou-se que todas as semanas surgiu uma nova substância. A Internet funciona como um dos seus veículos privilegiados de distribuição.

Desenvolvido pelos institutos de pesquisa Trimbus e Rand Europe, o estudo estima que na União Europeia o mercado de cannabis, a droga mais consumida pelos europeus, tenha atingido em 2010 um valor de mercado de sete a dez mil milhões de euros.

15.10.12

Relatório do Reino Unido cita Portugal como exemplo no combate às drogas

Por Romana Borja-Santos, in Público on-line

Um relatório feito ao longo dos últimos seis anos e que defende a despenalização do consumo de drogas no Reino Unido cita Portugal como um exemplo de sucesso na estratégia que já implementou há quase 12 anos.

O grupo de trabalho britânico, composto por cientistas, polícias, académicos e outros especialistas, concluiu que é altura de o Reino Unido alterar a sua legislação no sentido de despenalizar o consumo de drogas. O relatório de quase 200 páginas da UK Drug Policy Commission, citado pelo diário inglês Guardian, diz que a posse de pequenas quantidades de droga não deve continuar a ser punida criminalmente e assegura que essa mudança não acarretará um aumento do consumo.

Portugal descriminalizou em 2001 a posse de cannabis, cocaína, heroína e metanfetaminas para consumo próprio, tendo passado a considerar o toxicodependente como doente e substituído a pena de prisão com a possibilidade de o infractor ser encaminhando para uma Comissão de Dissuasão e para tratamento. Foi ainda em 1998 que Jose Sócrates, na altura ministro adjunto do primeiro-ministro António Guterres, lançou uma política integrada para a toxicodependência, que apostava na redução de riscos, nomeadamente através da vulgarização da substituição por metadona e do alargamento da troca de seringas e começou a vigorar três anos depois.

De acordo com o relatório britânico, as sanções criminais impostas anualmente a 42 mil pessoas, a juntar aos 160.000 avisos relacionados com cannabis, seriam mais produtivas se os visados fossem encaminhados para aconselhamento e tratamento. Os especialistas entendem mesmo que a despesa com este tipo de processos não tem relação de custo-efectividade comprovada.

Legalizar está fora de questão

Contudo, o documento é bastante claro e sublinha que a despenalização não deve ser acompanhada por qualquer tipo de legalização do consumo, dando como exemplo o caso holandês, país que acabou por atrair turismo relacionado com as coffee-shops e que já recuou em alguns pontos da legislação.

“Consumir drogas nem sempre causa problemas, mas isto raramente é reconhecido por quem faz as medidas. De facto, a maioria dos utilizadores não experiencia problemas significativos e há até alguma evidência de que o uso de drogas pode ter alguns benefícios em algumas circunstâncias”, lê-se no documento, citado pelo mesmo jornal. E defende que muitos problemas de consumo de drogas estão associados a outros mais profundos, como as desigualdades e a exclusão social. Por outro lado, os autores alertam que a discrepância no tratamento da droga, álcool e tabaco dificulta um combate conjunto aos seus consumos.

A ideia do grupo de peritos é começar por despenalizar o consumo de cannabis e, após uma avaliação preliminar dos efeitos, avançar para outras drogas. É neste ponto concreto que o relatório cita o exemplo de Portugal e da República Checa. E esta não é, aliás, a primeira vez que o país é citado. Vários são os estudos internacionais a elogiar a política portuguesa, que foi replicada pela República Checa, Argentina e México e que está a ser estudada em várias zonas, com especialistas nomeadamente dos Estados Unidos a virem observar a realidade portuguesa.

“A medicina passou de uma época em que tratávamos a doença com base em palpites para a sabedoria. O consenso agora é de que não é ético, eficiente e que é perigoso usar métodos não testados e não validados de tratamento e prevenção”, explicou Colin Blakemore, um dos responsáveis da comissão que fez o relatório e do British Medical Research Council.

Encaminhar para tratamentos

Em termos de dados, em Portugal, mais de 17 mil consumidores de álcool e drogas foram acompanhados em 2011 pelas equipas de reinserção do Instituto da Droga e da Toxicodependência (IDT), que realizaram 81.750 consultas nesse ano, mais 7% que em 2010.