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14.12.20

Programa de voluntariado europeu com mais verbas e outras exigências

TV Europa

Programa do Corpo Europeu de Solidariedade para 2021 a 2027, acordado entre o Parlamento Europeu e o Conselho, eleva o orçamento para mais de mil milhões de euros e exige maior qualidade das atividades.

Parlamento Europeu e Conselho Europeu chegaram a um acordo político sobre o Corpo Europeu de Solidariedade para 2021-2027, no valor de mais de mil milhões de euros.

O programa do Corpo Europeu de Solidariedade, que vai ter início em janeiro de 2021, vai garantir ganhos significativos para os voluntários, e “o voluntariado será a principal atividade do programa, que tem sido a prioridade desde o início. Agora podemos garantir uma maior qualidade das atividades de voluntariado, obrigando os anfitriões a oferecer aptidões e competências novas e úteis. Da mesma forma, a partir de agora poderemos incluir muito mais pessoas com menos oportunidades ”, referiu Michaela Šojdrova, relatora do Corpo Europeu de Solidariedade.

Mais valor e melhores condições para voluntários

Neste acordo os eurodeputados garantiram que as organizações de acolhimento terão de comprovar a qualidade das atividades de voluntariado propostas, com enfoque na aprendizagem e na aquisição de aptidões e competências. Da mesma forma, as organizações precisarão provar que cumprem os regulamentos de saúde e segurança ocupacional.

O Parlamento também conseguiu proteger melhor, no acordo, os grupos-alvo. Passa a ter de existir uma autorização especial para voluntários que trabalham com crianças e pessoas com deficiência. Os programas também deverão provar que contribuem para mudanças sociais positivas nas comunidades locais.

Inclusão de jovens com menos oportunidades

Os eurodeputados, a Comissão e os Estados-Membros terão de apresentar a forma como pretendem incluir pessoas com menos oportunidades. Os jovens poderão ser voluntários nos seus próprios países, em particular aqueles com menos oportunidades.

Limite de idade mais alto para voluntários de ajuda humanitária

Uma vez que a ação humanitária apresenta desafios específicos, os eurodeputados insistiram em que o limite de idade dos voluntários de ajuda humanitária fosse alargado para 35, com a possibilidade de contratar especialistas e formadores sem limite de idade.

Voluntariado verde

Em consonância com o Acordo Verde Europeu, as atividades de voluntariado terão de respeitar o princípio “não causar danos” e os programas serão posteriormente avaliados tendo em conta a sua contribuição para os objetivos climáticos da UE, como a escolha de meios de transporte neutros para o clima.

26.7.17

De Portugal para a Europa: "jovens querem desenvolvimento pessoal"

Nuno Castilho de Matos, in DNotícias

Helena Gandra saiu de portugal com 18 anos para estudar. Hoje, com 25 mantém o regresso sem data marcada. O exemplo de uma geração que cresceu sem fronteiras, na voz da primeira voluntária do Corpo Europeu de Solidariedade.

25 anos, ar de menina, sorriso fácil e uma carregada pronúncia do Porto. Helena Gandra nasceu na invicta, viveu em Braga e hoje está em Bruxelas. Pelo meio? Passou pelo Reino Unido, Alemanha, Polónia até chegar à Bélgica.

Helena faz parte de uma geração que viveu sempre sem fronteiras dentro da União Europeia (UE) e que tira partido dessa situação. Para ela, a visão de fazer parte de um país vive num novo paradigma. A jovem diz que será sempre portuguesa, "mas sou parte da União Europeia?.

?Hoje em dia os jovens já não querem só fazer carreira. Querem também desenvolvimento pessoal e ajudar o próximo?, aponta Helena Gandra.

A conversa com a jovem portuguesa decorreu em Bruxelas, no Centro Europeu de Voluntariado, a propósito do Corpo Europeu de Solidariede (CES). Helena foi a primeira voluntária portuguesa deste programa europeu que promove o voluntariado para jovens entre os 18 e os 30 anos, em toda a UE.

Portugal é o terceiro país com mais inscritos no CES (3 272). À frente de Portugal está Itália no topo da tabela e depois Espanha. A seguir a Portugal aparece Alemanha e depois França. Ao todo, o Corpo Europeu de Solidariedade já recebeu 32 539 inscrições desde o final do ano passado.

Entre sorrisos nervosos e alguma vergonha, assim que se sentou numa sala com alguns jornalistas portugueses, Helena atirou: ?Eu não posso prometer que o meu português esteja no seu melhor porque eu já não estou em Portugal há sete anos?.

Mas não foi a língua a parte que mais mudou em Helena. O português com forte sotaque do Porto continua lá. A mentalidade é que já não é a mesma.

?Saí [de Portugal] porque achei que precisava de me desenvolver fora do país, para um dia voltar e apreciar mesmo as qualidades que o nosso país tem?, sublinha Helena. E quer voltar a Portugal para viver? ?Sim, um dia?. Mas não sabe quando.

Saiu de Braga com 18 anos, depois de ter estudado no Conservatório de Música Calouste Gulbenkian, onde teve a primeira experiência de interação com jovens de outros países, através do projeto Comenius. Rumou a Londres para estudar música e foi trabalhando para ganhar dinheiro. ?Eu não sou rica?, atira.

Terminou a licenciatura e seguiu para a Alemanha. Não sabia falar alemão mas aprendeu rapidamente, enquanto dava aulas de inglês, para ganhar algum dinheiro. Ganhou também a vontade de saber mais sobre as questões da União Europeia, que concretizou num mestrado em Estudos Europeus na Universidade de Flensburg. No segundo ano do mestrado lançou-se num programa de intercâmbio académico, Erasmus +, e arrancou para a Polónia onde estagiou no banco de investimento Credit Suisse. Foi nessa altura que estreitou a ligação à Comissão Europeia e à solidariedade social. Ganhou o gosto pelo voluntariado.

No final do estágio, teve que escolher entre dois convites: continuar no banco ou ir para Bruxelas estagiar. O convite da Comissão Europeia saiu vencedor e Helena não olhou para trás.

Em dezembro de 2016, foi lançado o Corpo Europeu de Solidariedade para jovens dos Estados-Membros que queiram ser voluntários em projetos nacionais ou internacionais. Helena Gandra inscreveu-se imediatamente. Foi a primeira voluntária portuguesa.

Os jovens que se inscrevem no CES podem ser selecionados para projetos que podem ir desde apoio a refugiados, prevenção ou reconstrução na sequência de catástrofes naturais ou questões ambientais.

Os projetos podem durar entre dois e 12 meses e decorrem, regra geral, em países da União Europeia. Os candidatos podem inscrever-se para estagiar, trabalhar ou fazer voluntariado.

"Quando da inscrição, as informações sobre os jovens são guardadas na base de dados do Corpo Europeu de Solidariedade, que é consultada pelas organizações que procuram participantes para os seus projetos. As organizações selecionam os participantes que lhes interessam e convidam-nos a participar nestes projetos", pode ler-se nas explicações que estão no Portal Europeu da Juventude.

Oiça, na primeira pessoa, a história de Helena Gandra:

10.3.17

Portugal no topo de candidaturas de jovens ao Corpo Europeu de Solidariedade

Joana Gorjão Henriques, in Público on-line

Quase 2500 jovens portugueses candidataram-se a rede que procura emprego ou voluntariado na área solidária. Itália ocupa o primeiro lugar. Organizações já podem aceder a base de dados com quase 24 mil currículos.

Portugal é o terceiro país na União Europeia com mais candidatos ao Corpo Europeu de Solidariedade (CES), uma espécie de bolsa de encontro entre jovens que querem fazer trabalho social e organizações não-governamentais ou empresas que desenvolvem actividades solidárias.
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Até esta quinta-feira tinham-se candidatado 2484 jovens portugueses, segundo dados fornecidos ao PÚBLICO pelo gabinete da Comissão Europeia encarregue da divulgação. Os outros lugares de topo do ranking são ocupados por países do Sul da Europa: em primeiro ficou a Itália, com 4036 inscrições, e em segundo Espanha com 3233.

Desde que o Corpo Europeu de Solidariedade foi lançado há três meses que se inscreveram quase 24 mil jovens entre os 18 e os 30 anos: do total, cerca de dois terços são mulheres e a maioria tem entre 21 e 22 anos, disse a mesma fonte.

O objectivo é ter, até 2020, 100 mil jovens nesta “rede” onde, a partir de agora, organizações não-governamentais, organizações da sociedade civil, autoridades nacionais, regionais e locais ou empresas sociais podem aceder à base de dados e escolher os candidatos. Jovens, que sejam cidadãos ou residam na União Europeia, inscrevem-se para trabalhar, estagiar ou voluntariar-se em áreas que vão do ambiente à distribuição de alimentos por um período de dois meses a um ano, no seu próprio país ou noutro. A ideia do Corpo Europeu de Solidariedade é dar “resposta a situações difíceis em toda a Europa”, promovendo e reforçando “o valor da solidariedade”.
240 organização portuguesas

As organizações acreditadas para gerir projectos no âmbito do Serviço Voluntário Europeu (SEV) já têm acesso automático à base de dados deste programa: das mais de 5200, cerca de 240 são portuguesas (há desde grupos culturais, como o Teatro da Garagem, a associações religiosas, como o Centro Paroquial de Fornos). Só entidades acreditadas é que podem fazer a busca no sistema. Nesta primeira fase, o Corpo Europeu de Solidariedade, que quer ter o seu próprio financiamento, é financiado por oito programas da União Europeia – como o Erasmus e o Europe for Citizens. As futuras organizações que se juntem podem pedir financiamento através destes fundos, desde que se comprometam com alguns princípios, entre eles assinando a Carta do Corpo Europeu de Solidariedade, onde se enunciam as regras de contrato com os jovens.

“Estou muito orgulhoso que tantos jovens se tenham candidatado”, disse por email ao PÚBLICO Tibor Navracsics, comissário responsável pela Educação, a Cultura, a Juventude e o Desporto. “Agora encorajo as organizações a disponibilizarem tantos lugares quanto possível”, acrescentou.
Experiência única
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Para o comissário, este programa oferece aos jovens uma experiência única numa altura da vida em que estão a começar as suas carreiras. “Ajudar os outros traz efeitos positivos: as experiências vão enriquecer as suas vidas e equipá-las com competências que precisam no mercado de trabalho, competências interpessoais e interculturais e de linguagem, por exemplo.”

O CES vai passar certificados aos jovens, algo que será útil para o currículo, acrescentou o comissário. “Sabemos que três em quatro empregadores acham que o voluntariado no Serviço Europeu de Voluntariado aumenta as hipóteses de encontrar trabalho. E mais de 70% dos que se voluntariaram através do SEV acreditam que a sua experiência aumentou as hipóteses de encontrarem um trabalho melhor.”

Segundo a Comissão Europeia, os sectores de cariz solidário na UE empregavam em 2015 mais de 40 milhões de pessoas. De acordo com a mesma fonte, um em cada quatro jovens participou numa actividade de voluntariado durante os últimos 12 meses.