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31.10.12

É Dia Mundial da Poupança. Saiba como fazer em tempo de crise

in RR

Se as suas despesas mensais ainda lhe permitem ficar dinheiro, talvez possa optar por uma das sugestões dos bancos. Se o seu objectivo é, por outro lado, esticar o ordenado, aqui ficam alguns conselhos.

Assinala-se esta quarta-feira o Dia Mundial da Poupança. Nos tempos que correm, é cada vez mais difícil fazer algo que se torna cada vez mais necessário. A associação para a protecção do consumidor Deco deixa alguns conselhos e o economista Paulo Ferreira lançou o livro “No poupar é que está o ganho”.

“Ter cuidado com a água corrente, evitar fazer a higiene normal com a água corrente, ter cuidados com o deixar a luz a acesa e atenção aos pequenos electrodomésticos” são algumas das dicas básicas que Paulo Ferreira aponta, em declarações à Renascença.

A Deco, por seu lado, lembra a altura de ir às compras.

“O consumidor deve fazer uma lista de compras dos bens que necessita antes de sair de casa e deve ir com tempo livre para fazer as compras, de modo a conseguir comparar os preços”, afirma a coordenadora da Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, Fernanda Santos, em declarações à agência Lusa.

“Atenção que os preços mais baixos não estão na direcção dos olhos", salienta ainda, acrescentando que "os produtos mais baratos não são de má qualidade" sendo possível "poupar 800 euros se se optar por marcas próprias" da distribuição.

Aproveitar as promoções e os produtos de época e da região são outros dos conselhos que Fernanda Santos deixa aos consumidores, lembrando que "quando se tem uma alimentação saudável, não é necessário pagar mais por alimentos enriquecidos".

Levar as refeições para o trabalho e tomar o pequeno-almoço em casa são opções que podem levar à poupança de cerca de 100 euros por mês.

Já deixar de fumar (um maço por dia) pode equivaler a uma poupança de 120 euros por mês.

Utilizar mais os transportes públicos e andar a pé, em vez de depender em demasia do veículo próprio, também permite poupar, ainda mais numa altura em que os preços dos combustíveis estão muito elevados, sem esquecer os custos com as portagens e o estacionamento.

"Os pequenos gestos trazem uma poupança significativa", resume.

No caso de ter dinheiro para investir…
Para quem ainda consegue pôr dinheiro de lado, guardar as notas debaixo do colchão ou no mealheiro pode não ser o mais acertado, tendo em conta as propostas dos bancos, que, segundo a economista chefe do BPI, Paula Carvalho, são boas.

“Os depósitos normalmente oferecem alguma rentabilidade interessante”, afirma à Renascença.

Outra possibilidade são as obrigações de empresas. Já a compra de acções, neste momento, é uma aposta arriscada e o mesmo se passa com a compra de ouro, que, segundo Paula Carvalho, só deve ser equacionada num quadro de diversificação da carteira de investimentos.

No lado oposto encontra-se o imobiliário, uma boa hipótese de investimento se as poupanças chegarem para isso, claro.

Na Aldeia das Tecedeiras, reforma de 300 euros também dá para poupar
Na aldeia de Várzea de Calde, conhecida como “Aldeia das Tecedeiras”, são as mulheres que governam o orçamento familiar.

As mais velhas há muito que poupam e até de uma reforma de 300 euros conseguem, por vezes, por algum de lado. Mas nenhum fica debaixo do colchão. Idália Lopes, de 60 anos, consegue em alguns meses, por algum de lado no banco, para os imprevistos.

Por esta altura do ano, poupança rima com tortulhos e míscaros: é que, graças a eles, arrecadam algum dinheiro no banco.

Dia Mundial da Poupança - Portugueses pouparam 11 euros em cada 100 disponíveis

in Público on-line

As sucessivas dietas de austeridade e a incerteza em relação ao futuro estão a levar os portugueses a poupar mais.

Por cada 100 euros do rendimento disponível, colocaram de lado perto de 11 euros entre Junho de 2011 e Junho de 2012, mostram os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), divulgados em Setembro e recordados a propósito do Dia Mundial da Poupança, que se comemora nesta quinta-feira.

A taxa de poupança das famílias aumentou para 10,9%, mais 0,2 pontos percentuais do que nas contas anteriores do INE, relativas ao período entre Março de 2011 e Março de 2012.

Apesar de a diminuição do rendimento disponível poder limitar a capacidade de poupança, numa altura de austeridade e desemprego elevado, as famílias procuram pôr de lado algum dinheiro. Isso mesmo mostra o indicador da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP) e pela Universidade Católica em relação aos últimos meses.

Embora tenha recuado de Julho para Agosto, o indicador voltou a subir em Setembro e sugere que a poupança em percentagem do Produto Interno Bruto está “significativamente” acima da média desde 2000.

As expectativas de desemprego voltaram a subir em Setembro, o que, segundo a APFIPP e a Universidade Católica, “pode conduzir a um aumento das taxas de poupança por motivos de precaução”. Segundo o Jornal de Negócios, a taxa de poupança atingiu no ano terminado em Junho o valor mais alto desde 2003.

Ouvido pela TSF, Fernanda Santos, da DECO, diz ser fundamental poupar mesmo num período de crise. E aconselha: “Se as pessoas optassem por levar refeições de casa para o trabalho ou para a escola, podia haver uma poupança de 100 euros por mês”.

Mil milhões em novas subscrições de PPR
Para além da descida do rendimento das famílias, a redução dos incentivos fiscais e a estratégia da banca estão também a levar a uma queda na procura de PPR, segundo da Associação Portuguesa de Seguradores (APS). O presidente da APS, Pedro Seixas Vale, diz à Lusa que este ano foram feitas novas subscrições de Planos Poupança-Reforma (PPR) no valor de 600 milhões de euros.

Até ao final do ano, é esperado pela APS que o montante suba para mil milhões de euros. “Desde Maio de 2011, o montante aplicado em PPR geridos pelas seguradoras em Portugal caiu 14%, de 13,8 mil milhões de euros para os actuais 12 mil milhões de euros”, revelou à mesma agência.

Também o montante aplicado em certificados de aforro continua a baixar. Em Setembro, foram resgatados mais 90 milhões de euros e subscritos 52 milhões, o que resulta numa saída líquida de 38 milhões de euros, mostram dados da Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública.