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13.4.23

Castelo Branco: ESE promoveu VII Jornadas de Serviço Social

 in Diário Digital Castelo Branco




"Diversidade e participação coletiva - escola em mudança" foi o tema das VII Jornadas de Serviço Social, organizadas pela Escola Superior de Educação (ESE) do Politécnico de Castelo Branco (IPCB), de novo com o propósito de discutir as dificuldades do setor, abordando-o nas dimensões política, relacional, assistencial, técnico-operativa e reflexiva


Segundo Regina Vieira, coordenadora da licenciatura em Serviço Social, a iniciativa serve sobretudo de laboratório de aprendizagem para os estudantes, fomentando o trabalho em rede e a relação com as entidades que atuam junto da comunidade, de que são exemplo os estágios profissionais que todos os anos mobilizam mais de cem alunos do segundo e terceiro anos curriculares e sete dezenas de instituições.


Coincidindo com as celebrações do Dia Mundial do Serviço Social, que em 2023 se centram no respeito da diversidade através da ação social conjunta, na sétima edição destas jornadas foi apresentado um estudo sobre os desafios que se apresentam à nova geração de assistentes sociais, nomeadamente o acesso ao mercado de trabalho e a criação de uma ordem profissional.

Em paralelo, decorreu uma mostra com as ilustrações do livro “(RE)Existir: Narrativas em contexto de pandemia”, resultante da recolha de testemunhos acerca das “dificuldades psicológicas, emocionais e sociais que a Covid-19 trouxe”, a cargo da representação portuguesa da Rede Europeia Anti-Pobreza, que se associou ao evento através do núcleo distrital de Castelo Branco.

As Jornadas de Serviço Social contaram ainda com os contributos da Associação de Estudantes da ESE, da representação local do Movimento de Estudantes de Serviço Social, da Associação dos Profissionais de Serviço Social e da Age.Comm – Unidade de Investigação Interdisciplinar Comunidades Envelhecidas Funcionais. Soma-se a delegação de Castelo Branco da Cruz Vermelha, parceira na recolha de alimentos não perecíveis, produtos de higiene pessoal e material escolar destinados ao Banco de Bens do IPCB.

Para além de um almoço, a iniciativa contemplou também a partilha de algumas das conclusões do questionário “Vozes da ESECB”, para já com 158 respostas, cujo objetivo é o de gerar “um impacto político na nossa estrutura, porque é essa a matriz do serviço social”. O levantamento permitiu auscultar a opinião de alunos, professores e funcionários, identificando problemas e aglutinando ideias que ajudem a melhorar o ambiente e as infraestruturas da escola. Acrescentadas as propostas que três grupos de estudantes lançaram no world café, a amostragem será mais tarde alargada, culminando num relatório a apresentar à direção desta unidade orgânica do IPCB.

17.3.16

Associação denuncia condições precárias em que trabalham os assistentes sociais

Nuno Ferreira Santos, in "Público"

Dia Mundial do Serviço Social assinala-se na próxima terça-feira.

A presidente da Associação dos Profissionais de Serviço Social (APSS) alertou neste domingo para a situação de muitos assistentes sociais que trabalham em condições precárias, são mal pagos e, por vezes, incompreendidos, por utentes e pelas instituições que os enquadram.

O alerta de Joaquina Madeira surge nas vésperas da comemoração do Dia Mundial do Serviço Social, que se assinala a 15 de Março, uma data que considera “importante para homenagear uma profissão que está na primeira linha da ajuda às pessoas”, em situação de pobreza e exclusão social.

Em declarações à Lusa, a presidente da APSS afirmou que “há muitos profissionais do serviço social que estão a trabalhar em condições precárias, sem verem garantidos os seus direitos”.

“Uma pessoa que se sente maltratada ou não se sente dignificada no seu trabalho” corre o risco de não conseguir exercer bem a sua profissão”, advertiu a responsável, sublinhando que este é um factor que é preciso ter em conta, quando se pede tudo a estes profissionais.

Segundo Joaquina Madeira, a função destes profissionais nem sempre é compreendida: o assistente social “estará sempre ao lado” das pessoas que estão a ser atingidas por problemas de pobreza, exclusão social, de maus-tratos e, “às vezes, isso pode ser mal interpretado nas próprias instituições de enquadramento”.

“O assistente social tem de exercer a sua missão com liberdade e com responsabilidade e, às vezes, ele próprio sofre pressões da parte das organizações em que está enquadrado”, sustentou a responsável.

Para Joaquina Madeira, “a maior problemática” que o assistente social terá de enfrentar “é a sua impotência, a limitada capacidade de poder ajudar as pessoas”.

Sobre o trabalho destes profissionais no terreno, a responsável disse que é “exigente, desgastante, mas muito importante”, porque estão no primeiro nível da ajuda às pessoas. “Como o assistente social é o primeiro agente que está junto das pessoas, quando algo não corre bem – e não podemos garantir nunca que tudo corre bem – é sempre o primeiro responsável”, lamentou.

Ressalvando que “não se pode errar com pessoas”, a responsável disse que os assistentes sociais “são pessoas e podem errar, mas a maior parte das vezes o erro não é só dele”.

Eles não podem intervir sozinhos no acompanhamento e no apoio às pessoas, “têm de agir num contexto mais alargado, tanto profissional, como institucional”, frisou.

Em Portugal existem cerca de 15.000 assistentes sociais, sendo que a maioria trabalha na administração pública (saúde, justiça, segurança social, educação), nas Instituições Particulares de Solidariedade Social e Misericórdias

Segundo Joaquina Madeira, é uma profissão que tem vindo a crescer em termos de números e de áreas de intervenção. “Infelizmente, enquanto houver problemas sociais, existirão assistentes sociais, mas também é importante que existam, numa perspectiva de prevenção, de trabalho comunitário e de educação para comportamentos sociais correctos”, defendeu.