Ana Cristina Pereira, in Público on-line
Os portugueses viveram a clandestinidade, a exploração, a xenofobia, como muitos dos que chegam de África e do Médio Oriente.
Há uma frente de luso-franceses e de portugueses residentes em França a levantar-se contra o que entende ser “a instrumentalização da emigração portuguesa pela extrema-direita”. Recusa o uso da retórica do “bom imigrante”, trabalhador árduo e subserviente, contra o “mau imigrante”, não branco e/ou não cristão.
"Nem bons, nem maus." Eis o título do artigo publicado nesta terça-feira no Le Monde, um diário francês de grande tiragem. Foi escrito pelo historiador Victor Pereira, professor da Universidade de Pau et des Pays de l'Adour e especialista em emigração portuguesa, e pelo jornalista Hugo dos Santos, dirigente da associação Mémoire Vive/Memória Viva, e co-assinado por outros 47 luso-franceses ou portugueses, incluindo o sociólogo Albano Cordeiro e o realizador José Vieira.
Na origem da polémica estão incidentes ocorridos na passagem de ano nos arredores de Paris. Com base num artigo sobre o bairro de lata de Champigny, um jornalista de Le Figaro, Alexandre Devecchio, publicou nas redes sociais um comentário: "Mais de dez mil portugueses viviam na lama. Sem água, sem electricidade etc. E sem violência, nem associação para chorar o racismo. Quem pode negar a desintegração francesa?"
A mesma ideia de ausência de violência foi repetida dois dias depois pelo politólogo Laurent Bouvet, durante um debate sobre laicidade, no programa 28 minutos, do canal Arte. E logo pelo jornalista e ensaísta Benoît Raysk, no site Atlantico.fr.
Victor Pereira ficou “perplexo”. "O Arte não é um canal sensacionalista”, é um canal de vocação cultural europeia. “Isso mostra bem como esta ideia está difundida no seio da sociedade”, diz. “Há um desconhecimento total sobre a história da emigração portuguesa. É muito raro ser convocada para o debate público em França e está a sê-lo de uma forma manipuladora, para reforçar o racismo contra grupos estigmatizados.”
Enquanto historiador, e enquanto cidadão, Victor Pereira entendeu que “não podia aceitar” aquilo. “Como filho de portugueses, tenho memória de ouvir: ‘mas vocês são diferentes dos árabes’. Por um lado, o desprezo. Por outro lado, o: ‘és menos pior’.”
A oposição entre os "bons imigrantes" e os "maus imigrantes" estruturou a política migratória francesa dos anos 60 e 70, lê-se no texto. Os estudos de Albano Cordeiro feitos na década de 80 mostram como a imigração africana em geral, e argelina em particular, serviu de escudo aos portugueses. Quanto mais os "árabes" se tornaram indesejáveis, mais eles se esforçavam para ficar invisíveis. E no lugar dos "árabes", estão hoje os ciganos, os subsarianos, os que fogem de conflitos no Médio Oriente.
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Os jovens portugueses de França
O pronto-socorro dos emigrantes em França
O texto, explica Hugo dos Santos, é um protesto contra a "instrumentalização" da história e da memória. Com dois destinatários: os franceses, que não conhecem essa história, mas também os portugueses, que também não a conhecem ou que a esqueceram.
Os portugueses que desembarcaram entre 1951 e 1974 sabem bem o que é a clandestinidade, a exploração, a xenofobia. Não é verdade que nunca houve violência, sublinha Victor Pereira. Houve violência dos donos das barracas, que os portugueses pensavam que os podiam denunciar à polícia política. E violência no processo de realojamento. Há muitas histórias de resistência silenciosa, mas também alguns episódios de revolta.
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16.1.18
30.3.15
Quer emigrar? Há workshops que o ajudam a evitar problemas
in iOnline
Uma grande parte dos portugueses que estão a chegar ao Reino Unido vêm à aventura e podem beneficiar de preparação para evitar problemas, como acabar a viver na rua, defende uma activista na comunidade em Londres.
Foi com este objectivo que Patrícia Marcelino criou um projecto de workshops que vai realizar em Lisboa, Viseu e Porto, entre 30 de Março e 10 de Abril, ao qual chamou "Ó Mãe, Vou Emigrar!!!".
"Metade das pessoas estão a vir à aventura: não só jovens à procura de trabalho, mas também adultos com famílias e vida feita em Portugal que vêm arriscar", disse.
Nas sessões de formação, propõe-se ensinar "coisas simples", como onde procurar emprego na Internet e como preparar um currículo ou uma entrevista de trabalho ou a preparar a mudança de residência.
"Vou ensinar como fazer um currículo à moda de cá, porque o modelo Europass não é usado, mostrar que nem sempre há necessidade de se deslocarem para entrevistas, pois existe a possibilidade de ser feita por videoconferência, e mostrar sites seguros para procurar emprego", adiantou.
A falta do domínio da língua inglesa resulta em trabalhos precários e temporários e o desespero, lamentou, permite que burlões peçam dinheiro adiantado por empregos ou vistos desnecessários ou por alojamentos que não se concretizam.
Patrícia Marcelino instalou-se em Londres em 2012 para terminar um doutoramento em comunicação, mas têm-se dedicado a ajudar de forma gratuita a comunidade portuguesa.
Está envolvida em acções de apoio social e na organização de ações culturais, como aulas de inglês e a dinamização de uma biblioteca da área de Stockwell, no sul de Londres.
Mas foi durante o Natal que testemunhou o extremo a que pode chegar uma emigração mal preparada, ao encontrar cinco portugueses sem abrigo durante um voluntariado com uma instituição britânica.
Um jovem que não conseguiu os apoios que pretendia para os estudos, um assalto que levou à perda de documentos, a necessidade de usar lojas de computadores para contactar amigos e família, as situações que encontrou são diversas.
Estes casos são uma evidência de que é preciso preparar bem a viagem para o Reino Unido, afirmou Patrícia Marcelino: "Conseguem sobreviver porque as igrejas dão abrigo durante a noite, mas durante o dia são deixados na rua".
O Reino Unido é um dos principais destinos da emigração portuguesa, tendo atraído pelo mais de 80 mil portugueses nos últimos três anos.
Segundo estatísticas do governo britânico, no ano passado pediram um número de segurança social, compulsório para quem queira trabalhar, 30,55 mil portugueses, a somar aos 30,12 mil de 2013 e aos 20,44 mil portugueses em 2012.
Uma grande parte dos portugueses que estão a chegar ao Reino Unido vêm à aventura e podem beneficiar de preparação para evitar problemas, como acabar a viver na rua, defende uma activista na comunidade em Londres.
Foi com este objectivo que Patrícia Marcelino criou um projecto de workshops que vai realizar em Lisboa, Viseu e Porto, entre 30 de Março e 10 de Abril, ao qual chamou "Ó Mãe, Vou Emigrar!!!".
"Metade das pessoas estão a vir à aventura: não só jovens à procura de trabalho, mas também adultos com famílias e vida feita em Portugal que vêm arriscar", disse.
Nas sessões de formação, propõe-se ensinar "coisas simples", como onde procurar emprego na Internet e como preparar um currículo ou uma entrevista de trabalho ou a preparar a mudança de residência.
"Vou ensinar como fazer um currículo à moda de cá, porque o modelo Europass não é usado, mostrar que nem sempre há necessidade de se deslocarem para entrevistas, pois existe a possibilidade de ser feita por videoconferência, e mostrar sites seguros para procurar emprego", adiantou.
A falta do domínio da língua inglesa resulta em trabalhos precários e temporários e o desespero, lamentou, permite que burlões peçam dinheiro adiantado por empregos ou vistos desnecessários ou por alojamentos que não se concretizam.
Patrícia Marcelino instalou-se em Londres em 2012 para terminar um doutoramento em comunicação, mas têm-se dedicado a ajudar de forma gratuita a comunidade portuguesa.
Está envolvida em acções de apoio social e na organização de ações culturais, como aulas de inglês e a dinamização de uma biblioteca da área de Stockwell, no sul de Londres.
Mas foi durante o Natal que testemunhou o extremo a que pode chegar uma emigração mal preparada, ao encontrar cinco portugueses sem abrigo durante um voluntariado com uma instituição britânica.
Um jovem que não conseguiu os apoios que pretendia para os estudos, um assalto que levou à perda de documentos, a necessidade de usar lojas de computadores para contactar amigos e família, as situações que encontrou são diversas.
Estes casos são uma evidência de que é preciso preparar bem a viagem para o Reino Unido, afirmou Patrícia Marcelino: "Conseguem sobreviver porque as igrejas dão abrigo durante a noite, mas durante o dia são deixados na rua".
O Reino Unido é um dos principais destinos da emigração portuguesa, tendo atraído pelo mais de 80 mil portugueses nos últimos três anos.
Segundo estatísticas do governo britânico, no ano passado pediram um número de segurança social, compulsório para quem queira trabalhar, 30,55 mil portugueses, a somar aos 30,12 mil de 2013 e aos 20,44 mil portugueses em 2012.
5.8.13
Número de emigrantes em 2012 é o maior de sempre
Helena Norte, in Jornal de Notícias
Só no último ano e meio, estima-se que tenham emigrado 6300 profissionais altamente qualificados: médicos, dentistas, enfermeiros e engenheiros. A Inglaterra é o país que mais atrai na área da saúde.
Não há estatísticas oficiais sobre a emigração qualificada, mas as ordens profissionais têm dados que permitem quantificar o número de pessoas que trataram da documentação necessária para exercer a atividade fora de Portugal.
Cruzando as informações fornecidas pelas ordens dos Médicos, Médicos Dentistas, Enfermeiros e Engenheiros relativas aos anos de 2012 e 2013, conclui-se que pelo menos 6300 tencionavam emigrar. O que não se sabe é quantos efetivamente saíram do país e quantos o fizeram sem comunicar ao respetivo colégio profissional.
Só no último ano e meio, estima-se que tenham emigrado 6300 profissionais altamente qualificados: médicos, dentistas, enfermeiros e engenheiros. A Inglaterra é o país que mais atrai na área da saúde.
Não há estatísticas oficiais sobre a emigração qualificada, mas as ordens profissionais têm dados que permitem quantificar o número de pessoas que trataram da documentação necessária para exercer a atividade fora de Portugal.
Cruzando as informações fornecidas pelas ordens dos Médicos, Médicos Dentistas, Enfermeiros e Engenheiros relativas aos anos de 2012 e 2013, conclui-se que pelo menos 6300 tencionavam emigrar. O que não se sabe é quantos efetivamente saíram do país e quantos o fizeram sem comunicar ao respetivo colégio profissional.
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