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1.7.15

Cuba torna-se o primeiro país a eliminar transmissão do VIH de mãe para filho

in SicNotícias

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou hoje oficialmente Cuba o primeiro país do mundo a eliminar a transmissão do vírus da sida (VIH) e da sífilis de mãe para filho.

"Eliminar a transmissão de um vírus é um dos maiores feitos em matéria de saúde pública", afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan, num comunicado.

"É uma grande vitória na nossa longa luta contra o vírus de imunodeficiência humana (VIH) e as infeções transmitidas sexualmente, assim como um passo importante para conseguirmos uma geração sem sida", acrescentou.

O êxito alcançado por Cuba "mostra que um acesso universal a cuidados médicos é possível e é, na verdade, a chave do êxito contra desafios tão grandes como a sida", destacou por seu lado a diretora da Organização Pan-americana de Saúde (OPS), Carissa Etiènne, em conferência de imprensa.

A eliminação da transmissão do VIH de mãe para filho "prova que é possível pôr fim à pandemia da sida e esperamos que Cuba seja, entre vários outros países, o primeiro a conseguir eliminar esta epidemia entre as crianças", disse o diretor-geral da ONU sida, Michel Sidibé.

Segundo a OMS, em todo o mundo, cerca de 1,4 milhões de mulheres infetadas com o VIH engravidam a cada ano, na maioria em países em desenvolvimento, especialmente na África subsaariana.

Sem tratamentos antirretrovirais, há um risco de 15% a 45% de transmitirem o vírus ao bebé durante a gravidez, o parto ou a amamentação.

Em contrapartida, esse risco é praticamente eliminado, caindo para um pouco mais de 1%, se a mãe for tratada com antirretrovirais durante a gravidez e o bebé receber o mesmo tipo de tratamento a partir do nascimento.

O número de bebés que nascem seropositivos no mundo baixou para metade entre 2009 e 2013, passando de 400.000 para 240.000 por ano.

Os Estados membros da OMS comprometeram-se em 2010 a eliminar a transmissão do VIH de mãe para filho até 2020.

No caso da sífilis, quase um milhão de mulheres grávidas são infetadas em cada ano, o que pode causar morte fetal, morte perinatal ou infeções neonatais graves.

Para o evitar, basta que a grávida seja diagnosticada e tratada com penicilina.

Para o reconhecimento oficial da OMS, o número de nascimentos de bebés infetados com o VIH tem de ser inferior a 2 por cada 100 bebés nascidos de mães seropositivas e, no caso da sífilis, igual a 1 caso para cada 2.000 nascimentos.

23.7.12

Conferência da sida em Washington procura novo impulso para erradicar a pandemia

Por AFP, in Público on-line

Cerca de 25 mil pessoas participam esta semana em Washington na 19ª conferência internacional sobre a sida cujo tema chave é conseguir uma nova mobilização para pôr fim à pandemia, um objectivo hoje considerado possível graças aos tratamentos existentes. Assim haja dinheiro e vontade política dos países doadores.

É a primeira vez em 22 anos que esta conferência bianual se realiza nos Estados Unidos, que proibiram em 1990 a entrada no país de pessoas seropositivas, uma restrição que foi levantada em 2009 pelo Presidente Barack Obama, que promulgou uma lei votada pelo Congresso.

Os investigadores que trabalham na área da sida consideram que o arsenal terapêutico desenvolvido ao longo dos últimos 20 anos permite antever o fim desta epidemia devastadora que já fez 30 milhões de mortos desde que foram identificados os primeiros casos de infecção no início dos anos 1980.

Cerca de 35 milhões de pessoas em todo o mundo – sendo 97% dos casos registados em países pobres ou em vias de desenvolvimento – estão infectados com o vírus da sida (VIH- Vírus da Imunodeficiência Humana).

Esta esperança é reforçada pelos recentes resultados de ensaios clínicos que mostram que os antiretrovirais permitem reduzir fortemente o risco de infecção de pessoas seronegativas que pratiquem relações sexuais consideradas de risco.

As terapias desenvolvidas ao longo da década de 1990 reduzem fortemente a carga viral dos seropositivos, permitindo-lhes viver com um bom estado de saúde e diminuindo-lhes a capacidade de transmissão do VIH.

Os últimos dados da Onusida mostram que mais de oito milhões de pessoas contaminadas com o VIH tomavam medicamentos antiretrovirais no final de 2011, em países de baixo e intermédio rendimento, nomeadamente na África subsariana, uma das regiões mais afectadas pelo flagelo da sida. Mas este número recorde representa apenas 54% dos 15 milhões infectados nestes países e que necessitam destes terapias.

A falta de recursos económicos para alargar o acesso aos antiretrovirais a estas pessoas continua a ser a preocupação maior para os responsáveis sanitários numa altura em que os países doadores estão a braços com fortes restrições orçamentais.

A conferência de Washington quer funcionar como plataforma para uma maior mobilização, sobretudo política, para alargar o acesso aos tratamentos bem como para continuar o trabalho de pesquisa científica sobre o VIH.

Para a professora Françoise Barré-Sinoussi, co-laureada com o prémio Nobel da medicina pelo seu trabalho que levou à identificação do vírus da sida, tratar a infecção parece ser possível com os progressos científicos alcançados e com uma nova mobilização global de talentos e recursos. “Se seguirmos os modelos (informáticos) e se todas as pessoas infectadas tiverem acesso a tratamentos, deveremos ser capazes de eliminar esta epidemia mundial atá 2050”, disse à AFP.

O ex-Presidente americano Bill Clinton, a sua mulher Hillary (secretária de Estado), o milionário filantropo Bill Gates, e o cantor Elton John são algumas das personalidades esperadas na conferência de Washington.