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17.11.15

'Famílias como as Nossas': Parte hoje mais uma caravana de portugueses ajudar refugiados

In Sol

A associação “Famílias como as Nossas” volta hoje a partir em viagem, tanto com ajuda humanitária que sai para Espanha com destino a Lesbos, na Grécia, como com uma nova caravana, que parte em direção à Eslovénia.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação adiantou que a partida está marcada para as 11:00, do Jardim de Belém, em Lisboa, e que a caravana integra, para já, três carros e sete pessoas, com destino à fronteira entre a Eslovénia e a Áustria, estando a coordenação a cargo de Paulo Guião.

Segundo Nuno Félix, o propósito de trazer para Portugal famílias refugiadas não foi posto de parte, revelando que as informações que têm tido apontam para um agravamento das condições em que os refugiados se encontram.

“Para quem fazia sentido trazer uma família há um mês e qualquer coisa atrás, agora fará muito mais e, para mais, quando nós continuamos à espera de que, pelos veículos oficiais, estas famílias cheguem”, sublinhou, acrescentando que não teriam essa iniciativa se a ajuda estivesse a chegar às famílias por outros meios.

Tal como da primeira vez, também agora quem vai terá de se responsabilizar pela família que trouxer, desde os procedimentos para a sua legalização até ao alojamento ou integração social e laboral.

Nesta caravana seguem, para já, sete pessoas, entre um piloto e um copiloto por carro, e uma enfermeira, “que é fluente em alemão e que pode dar imensa ajuda, já que o destino é a fronteira entre a Eslovénia e a Áustria”.

A viagem vai durar aproximadamente uma semana, entre dois dias para a ida e outros dois para a volta, e três a cinco dias no terreno.

Caso alguma família de refugiados aceite vir para Portugal, tem de cumprir três requisitos: ser de origem síria, ter documentos a comprová-lo e ter filhos menores a cargo.

Nuno Félix lembrou, a propósito, que a família que veio na primeira caravana, a 03 de outubro, vai viver em Ovar, onde lhe foi apresentada uma proposta de habitação para dois anos e trabalho numa empresa da região.

Um facto que, para o presidente da associação, mostra que já há respostas em Portugal e que há pessoas que estão dispostas a ajudar.

“Se tivessem vindo há mais tempo, haveria mais pessoas a serem ajudadas (...) e tudo isto sem qualquer ajuda oficial”, apontou.

Com a caravana de hoje, segue parte da ajuda humanitária recolhida, enquanto a restante, e que é a maior parte, segue também hoje para Espanha, com destino à ilha grega de Lesbos.

Nuno Félix explicou que a opção do envio da ajuda humanitária para Espanha teve que ver com o aproveitamento de sinergias com movimentos solidários espanhóis, indo os vários bens recolhidos em Portugal integrar quatro contentores de ajuda humanitária.

O presidente da associação “Famílias como as Nossas” revelou também que passarão a ser feitos envios mensais de ajuda humanitária para os refugiados que estão na Eslovénia, através dos canais do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

De acordo com Nuno Félix, dos bens recolhidos em Portugal, será feita uma triagem para que só sigam para os refugiados, por exemplo, as roupas adequadas às condições e clima do país.

A restante roupa será entregue a associações nacionais, como a Ajuda de Berço, que apoiam crianças e famílias em Portugal.

13.11.15

Família síria resgatada por portugueses já tem emprego e uma casa para viver

In SOL

A família síria trazida de Viena por uma família de portugueses para São Martinho do Porto vai começar uma nova vida. “O Ali e a sua família vão viver para Ovar”, anunciou Nuno Félix, o pai português que trouxe a família, na página da associação ‘Famílias como as Nossas’.

A União das Juntas de Freguesia de Ovar convidou a família – um casal com três filhas – e cedeu-lhe uma casa com três quartos por um período de dois anos. Além disso, uma empresa multinacional, que fica a apenas um quilómetro da casa, ofereceu dois postos de trabalho a Ali e à sua mulher, Nada.

Um grupo de voluntários vai agora acompanhar a família na aprendizagem do português.

“Cumprimos com tudo com que me comprometi com o Ali e a Nada na estação de comboios de Viena de Áustria. Viajámos em segurança, e uma vez em Portugal, o processo de legalização decorreu com a máxima celeridade. Foi-lhes atribuída licença de residência, ganharam amigos e uma nova família, iniciaram a aprendizagem da nossa língua, dos nossos hábitos e costumes e estão agora preparados para integrar social e profissionalmente a sociedade portuguesa como quaisquer outros cidadãos estrangeiros que residam em Portugal”, escreveu Nuno Félix.

O português conclui que a sua ação “valeu a pena” e que “não há gratidão maior” do que aquela que sente por Ali e por Nada, por lhe terem "confiado as suas vidas" em todos os momentos "desde a hora em que entraram no carro para Portugal” e conta que o homem sírio o trata por irmão.

30.10.15

Família síria consegue título de residência temporária em Portugal

In Sic Notícias

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras aceitou o pedido de asilo da família síria que chegou a Portugal através do movimento "Famílias como as Nossas" e atribuiu-lhes o título de residência temporária, disse um dos responsáveis da associação.

A família, constituída por um casal e três filhas, tinha estado nas instalações do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) na passada sexta-feira, tendo sido informada de que poderia ter uma resposta ao seu pedido no prazo de duas semanas.

Já nesta segunda-feira, a família foi informada de que teria de comparecer novamente no SEF na manhã de hoje e o resultado não podia ser mais animador.

"Eles já passaram a fase de inquérito da admissibilidade do pedido e agora vão ficar com uma autorização de residência, que ainda é provisória, mas é de acordo com o procedimento da lei portuguesa", disse à Lusa Nuno Félix, da "Famílias como as Nossas", entretanto constituída associação.

Nuno Félix explicou que cabe agora ao Estado português dar uma resposta definitiva no prazo de seis meses e emitir a medida de proteção definitiva.

"O que acontece nestes casos é que quando é admitido o pedido de refugiado, o Estado português dá sempre a medida de proteção. Agora é só uma questão de vermos qual vai ser a medida de proteção", adiantou.

Para a família síria, esta foi uma deliberação que os deixou "obviamente contentes".

"Eles sabem que ainda não têm a decisão definitiva sobre a medida de proteção. Eles têm que perceber que estes trâmites burocráticos levam o seu tempo, mas estão muito felizes. Eles sentem-me muito bem aqui", disse Nuno Félix à agência Lusa.

A família já está a começar a aprender português, "têm sido bem acolhidos na rua" e "têm tido uma vida muito autónoma", acrescentou.

"Eles saem todos os dias sozinhos à rua, vão ao supermercado, passeiam, já são conhecidos pelos vizinhos", contou.

Nuno Félix explicou que agora, com esta licença de residência, a família pode dar outros passos importantes, nomeadamente o pai já se pode ir registar nas Finanças, as crianças podem ir para a escola e todos passam a ter acesso a serviços de saúde.

"Passam a ser tratados como qualquer estrangeiro legalmente em Portugal", apontou.

Admitiu que o conseguir ultrapassar mais esta etapa lhe trouxe alívio, mas revelou que tinha a certeza de que a família preenchia todos os requisitos necessários para darem entrada com o pedido de asilo.

Sublinhou, por outro lado, que a importância desta etapa tem a ver sobretudo com o facto de esta família poder agora começar a trabalhar efetivamente num projeto de vida, desde encontrar um trabalho ou uma casa que não seja provisória.

Nuno Félix aproveitou ainda para realçar a forma excecional e prestável como o SEF lidou com o pedido da família, sublinhando que o serviço tinha três meses para tomar uma decisão, mas que o fez em três semanas.