Ana Bela Ferreira, in Diário de Notícias
Orçamento vai incluir distribuição gratuita de livros escolares aos alunos no 1.º ano e implica uma despesa de três milhões
Os alunos que em setembro estiverem matriculados no 1.º ano vão ter direito aos livros escolares de forma gratuita. A proposta que foi apresentada pelo PCP na discussão do Orçamento do Estado e que constava já do programa do governo prevê que os manuais sejam entregues às famílias pelas escolas e que depois exista um mecanismo de recolha dos mesmos para que sejam reutilizados. Ou seja, no final do ano letivo as famílias devem devolver os manuais usados, à semelhança do que acontece em muitos países onde esta prática já existe.
Para já, o Ministério da Educação (ME) esclarece que só os manuais vão ser gratuitos, ficando de fora os restantes recursos didáticos (livros de exercícios, cd"s), e apenas para os alunos do 1.º ano. Uma medida que vai ser implementada no ano letivo 2016/2017 e que tem um custo "estimado em cerca de três milhões de euros". No programa de governo e na proposta do PCP - que vai ser aprovada nas votações da especialidade do orçamento - fala-se na reutilização dos manuais. No entanto, o ME não adianta se este passo avança ou não. Embora explique que "com vista à efetivação deste modelo em todos os ciclos de ensino, será constituído um grupo de trabalho, do qual decorrerá um plano plurianual de implementação do modelo de gratuitidade na aquisição e reutilização de manuais escolares e recursos didáticos".
A deputada socialista Susana Amador refere também que a definição do sistema de recolha dos manuais "não é definida nesta proposta de alteração ao Orçamento", e vai ser algo analisado pelo grupo de trabalho a ser criado pelo Conselho de Ministros. No entanto, a ex-autarca de Odivelas lembra que nestas funções sempre ofereceu manuais em todo o primeiro ciclo. "Nem sempre é possível reutilizá-los. No primeiro e segundo ano é muito difícil porque os alunos são muito novos, mas no terceiro e quarto ano já é possível reutilizar quase todos", explica. No seu entender a reutilização é desejável, uma vez que "a compra destes manuais representa um esforço financeiro para o Estado". No próximo ano podem ser abrangidas cerca de 360 mil crianças, de acordo com os últimos dados oficiais de alunos inscritos no 1.º ano (2013/2014).
A implementação desta medida vai depender também das negociações com as editoras. Neste momento, o ME está a negociar um congelamento nos preços dos manuais escolares, mas esta pretensão pode deixar o mercado de pé atrás. O DN questionou as duas principais operadoras do mercado - Porto Editora e Leya . A primeira respondeu: "De momento, não fazemos qualquer tipo de comentário a este assunto." A direção de comunicação da Leya frisou que a o grupo não faz comentários até serem conhecidos os pormenores desta medida.
Este deve ser o primeiro passo para a progressiva gratuitidade dos manuais em todo o ensino obrigatório e é vista com bons olhos pelas famílias. "É positiva no sentido de que é um sinal de consideração pela educação e pela importância que possa ter", disse, à Lusa, o presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais, Jorge Ascenção. Lembrando, porém, que as famílias mais carenciadas já têm esta ajuda e que é preciso alargá-la a despesas como as refeições, os transportes e os materiais escolares, que nem podem ser deduzidos no IRS.
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11.3.16
19.7.12
Empréstimo de manuais pouparia 105 milhões ao Estado
por Texto da Agência Lusa, publicado por Patrícia Viegas, in Diário de Notícias
Criado no verão de 2011, o Movimento pela reutilização dos livros escolares conta já com 60 bancos de recolha e troca gratuita de manuais espalhados pelo país e deseja que o Governo regule rapidamente o empréstimo destes livros.
Fundado pelo explicador do Porto Henrique Trigueiros Cunha, em agosto do ano passado, através da rede social Facebook, o Movimento tem como "único objetivo tornar a reutilização de livros escolares uma prática universal em Portugal".
Pelas contas deste explicador de matemática, se o Governo avançasse com a regulamentação do empréstimo de livros escolares poderia poupar "105 milhões de euros em três anos".
"Como é que num país falido o Estado contínua a gastar milhões de euros por ano com a compra de livros escolares para famílias que recebem apoios da ação social", questionou, lembrando que a realidade portuguesa "é única na Europa, porque em todos os outros países, a começar pela Noruega, há um sistema formal ou informal que promove a troca de manuais".
Henrique Cunha classificou o Movimento como "um sucesso", afirmando que, mais do que estar a ajudar as famílias que têm dificuldades económicas, este movimento pretende incentivar a troca e mostrar que tal é possível e simples.
"Nunca imaginei que o Movimento crescesse como cresceu", confidenciou à Lusa o promotor, desconhecendo os milhares de livros que foram já movimentados.
Na sua opinião, "ou Portugal está em crise para tudo ou não está em crise para nada" e a troca de manuais "é uma evidência", sendo por isso mesmo que o movimento cresceu tão depressa.
Nos bancos de troca gratuita de livros espalhados um pouco por todo o país, e já nos Açores, não há reservas nem se aceitam listas, porque os voluntários chegaram "a um ponto comum: ao princípio do valor acrescentado zero".
"Compete ao Governo encontrar a solução. A minha iniciativa é apenas a de alertar, mostrar que eu e mais 60 bancos de recolha e troca de manuais escolares queremos muito falar sobre a reutilização dos livros", frisou.
Para Henrique Cunha, é evidente que todas as famílias que têm que comprar manuais escolares questionam o porquê de gastar dinheiro em livros que não servem para mais nada.
"Este é um problema de educação e penso que só um embaraço pode estar a atrasar a regulamentação" do empréstimo dos manuais, disse.
Henrique Cunha referiu que, desde meados de junho, o número de visitas à página do Movimento no Facebook e na internet (reutilizar.org) "subiu vertiginosamente", considerando que este sinal traduz as preocupações dos encarregados de educação em preparar o arranque do próximo ano letivo.
"Estamos a receber cerca de 50 mil visitas por dia", disse, referindo ainda que são as mulheres quem mais visitam as páginas.
Para o fundador, o movimento é uma forma de "dar um bocadinho do tempo a uma causa", que conta já com o apoio de diversas autarquias, como Faro, Vale de Cambra e Vila Franca de Xira.
São aceites livros escolares do 1.º ano ao 12.º ano, sendo que o promotor apela aos "universitários a entregarem os seus livros do secundário", porque são os que mais rareiam nas prateleiras dos bancos.
Em setembro de 2011, a Assembleia da República recomendou ao Governo a regulamentação para o empréstimo de livros escolares.
Criado no verão de 2011, o Movimento pela reutilização dos livros escolares conta já com 60 bancos de recolha e troca gratuita de manuais espalhados pelo país e deseja que o Governo regule rapidamente o empréstimo destes livros.
Fundado pelo explicador do Porto Henrique Trigueiros Cunha, em agosto do ano passado, através da rede social Facebook, o Movimento tem como "único objetivo tornar a reutilização de livros escolares uma prática universal em Portugal".
Pelas contas deste explicador de matemática, se o Governo avançasse com a regulamentação do empréstimo de livros escolares poderia poupar "105 milhões de euros em três anos".
"Como é que num país falido o Estado contínua a gastar milhões de euros por ano com a compra de livros escolares para famílias que recebem apoios da ação social", questionou, lembrando que a realidade portuguesa "é única na Europa, porque em todos os outros países, a começar pela Noruega, há um sistema formal ou informal que promove a troca de manuais".
Henrique Cunha classificou o Movimento como "um sucesso", afirmando que, mais do que estar a ajudar as famílias que têm dificuldades económicas, este movimento pretende incentivar a troca e mostrar que tal é possível e simples.
"Nunca imaginei que o Movimento crescesse como cresceu", confidenciou à Lusa o promotor, desconhecendo os milhares de livros que foram já movimentados.
Na sua opinião, "ou Portugal está em crise para tudo ou não está em crise para nada" e a troca de manuais "é uma evidência", sendo por isso mesmo que o movimento cresceu tão depressa.
Nos bancos de troca gratuita de livros espalhados um pouco por todo o país, e já nos Açores, não há reservas nem se aceitam listas, porque os voluntários chegaram "a um ponto comum: ao princípio do valor acrescentado zero".
"Compete ao Governo encontrar a solução. A minha iniciativa é apenas a de alertar, mostrar que eu e mais 60 bancos de recolha e troca de manuais escolares queremos muito falar sobre a reutilização dos livros", frisou.
Para Henrique Cunha, é evidente que todas as famílias que têm que comprar manuais escolares questionam o porquê de gastar dinheiro em livros que não servem para mais nada.
"Este é um problema de educação e penso que só um embaraço pode estar a atrasar a regulamentação" do empréstimo dos manuais, disse.
Henrique Cunha referiu que, desde meados de junho, o número de visitas à página do Movimento no Facebook e na internet (reutilizar.org) "subiu vertiginosamente", considerando que este sinal traduz as preocupações dos encarregados de educação em preparar o arranque do próximo ano letivo.
"Estamos a receber cerca de 50 mil visitas por dia", disse, referindo ainda que são as mulheres quem mais visitam as páginas.
Para o fundador, o movimento é uma forma de "dar um bocadinho do tempo a uma causa", que conta já com o apoio de diversas autarquias, como Faro, Vale de Cambra e Vila Franca de Xira.
São aceites livros escolares do 1.º ano ao 12.º ano, sendo que o promotor apela aos "universitários a entregarem os seus livros do secundário", porque são os que mais rareiam nas prateleiras dos bancos.
Em setembro de 2011, a Assembleia da República recomendou ao Governo a regulamentação para o empréstimo de livros escolares.
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