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11.5.23

"Dar moeda" a crianças a mendigar é "ser cúmplice", dizem especialistas

Por Lusa, in Notícias ao Minuto


Especialistas defenderam hoje que "dar a moedinha" a uma criança que está a mendigar é "ser cúmplice" de mendicidade forçada e apelam à denuncia de situações que pareçam suspeitas.


À margem de um seminário dedicado ao tema 'Tráfico de Seres Humanos: O tempo de Justiça e o Tempo da Vítima', o Relator Nacional para o Tráfico de Seres Humanos, Manuel Albano, disse aos jornalistas obrigar uma criança a mendigar é cortar-lhe direitos.

"Quando falamos de uma criança a pedir, estamos a cortar os direitos dessa criança, o direito à Educação, a ser criança, a brincar. E nós, enquanto sociedade, também somos cúmplices dessa situação porque, ao darmos a moeda à criança, ao não denunciarmos a situação, estamos a colaborar", alertou.

Por outro lado, "ao não dar a moeda, a criança pode ser punida castigada por quem a está a traficar".

À margem da mesma conferência, a representante da Associação Planeamento da Família, Marta Pereira, defendeu que a forma de combater a mendicidade forçada é a denúncia.

"O combate [à mendicidade forçada] passa pela desocultação do fenómeno, por conhecermos os sinais, por podermos olhar para estas situações e percebemos se existe ou não algum tipo de exploração, de trafico, de violência", apontou.


Marta Pereira referiu que "a mendicidade em si não é crime, a forçada sim, e o tráfico para mendicidade ainda mais", pelo que "é mesmo importante a desocultação, o conhecimento do fenómeno, da comunidade no geral".

Para esta especialista, no caso das crianças a mendicidade é sempre forçada: "Se temos crianças em mendicidade estamos perante uma mendicidade forçada, nenhuma criança tem livre arbítrio para decidir estar numa situação de mendicidade", apontou.

"As crianças têm de estar na escola, bem tratadas, se estamos perante uma criança a mendigar, tem de ser sinalizada no imediato", disse.

Por isso, alertou, "é preciso ver se estas pessoas estão efetivamente livres, no sentido de optar, há que olhar para as situações, parar, falar com as pessoas quando é possível e denunciar sempre que há sinais e as entidades competentes farão o trabalho de investigar".

Questionada sobre o que é mendicidade forçada, Marta Pereira esclareceu que se entende por "alguém que explora outra pessoa no sentido de angariar dinheiro para ela".

Os dois responsáveis apelam à denuncia de casos suspeitos.

"O cidadão comum tem de denunciar, ou a um órgão policial, ou a equipas especializadas. É fundamental a sinalização, o cidadão comum tem este papel fundamental de ver e relatar", salientou Marta Pereira.

"Esta responsabilidade individual [de denunciar] é coletiva e tem que ser apurada", defendeu Manuel Albano.

2.8.18

SEF sinalizou 18 menores potenciais vítimas de tráfico de pessoas

in Público on-line

No Dia Mundial Contra o Tráfico de Seres Humanos o SEF diz que este ano sinalizou 29 vítimas de tráfico, mais de metade crianças. Registou ainda 25 processos-crime relacionados com este tipo de criminalidade.
Lusa 30 de Julho de 2018, 13:48

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) sinalizou este ano 29 potenciais vítimas de tráfico de pessoas, 18 das quais menores, revelou numa nota divulgada a propósito do Dia Mundial Contra o Tráfico de Seres Humanos, que se assinala nesta segunda-feira.

São sinalizadas as vítimas que apresentem suspeitas de serem traficadas — só depois de investigadas policialmente se confirmam ou não.

SEF vai ter três equipas especializadas em tráfico de seres humanos

No âmbito da investigação criminal, o SEF registou ainda este ano 25 processos-crime relacionados com este tipo de criminalidade e deteve alegados traficantes em operações de fiscalização e controlo de fronteira, acrescenta.

No âmbito da estratégia nacional contra o Tráfico de Seres Humanos, o SEF adianta que consolidou este ano a criação de uma equipa especializada para intervenção integrada no posto de fronteira internacional do aeroporto de Lisboa.

No plano internacional e no âmbito da política da União Europeia de combate à criminalidade organizada, o SEF português colabora com a Europol, destacando-se ainda a cooperação com a República Popular da China e com a Nigéria no combate a este crime, refere a nota.

O SEF realça ainda a iniciativa assumida à escala da UE, na qual representará Portugal, na liderança de uma acção operacional em colaboração com a European Crime Prevention Network.

No âmbito desta acção, pretende-se que no próximo dia 18 de Outubro (Dia Europeu de Combate ao Tráfico de Seres Humanos) pelo menos 75% dos estados membros da UE adoptem uma campanha de sensibilização sobre o fenómeno.