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18.3.16

DGS alerta para os efeitos da crise económica na alimentação dos portugueses

In "TSF"

A obesidade foi responsável pela morte de 210 pessoas em 2013 e, no mesmo ano, 71 pessoas morreram devido a desnutrição, segundo dados da Direção Geral da Saúde (DGS).

De acordo com o relatório "Portugal -- Alimentação Saudável em Números 2015", que é esta quinta-feira apresentado em Lisboa, registou-se um "forte crescimento do número de utentes com registo de obesidade e excesso de peso (embora desigual por região) que poderá ser devido a diferentes fatores, entre eles uma maior atenção dos profissionais de saúde a este fenómeno".

O documento indica que, em 2014, existiam 620.769 utentes com registo de obesidade. No mesmo ano, eram 497.167 os utentes com registo de excesso de peso.

De acordo com a Direção Geral da Saúde (DGS), "a questão das desigualdades sociais e o seu impacto no acesso e consumo adequado de alimentos e consequentemente no estado de saúde dos indivíduos parece assumir uma importância ainda maior no atual contexto de crise económica que se faz sentir na Europa e em particular em Portugal".

"É de esperar que a atual situação de instabilidade económica, caracterizada pelas elevadas taxas de desemprego, aumentos consideráveis ao nível da carga fiscal com impacto também no que se refere ao preço dos alimentos e a redução de salários e dos apoios sociais prestados pelo Estado, tenha um impacto considerável nos índices de pobreza e desigualdades sociais em Portugal", lê-se no sumário da publicação.

O mesmo relatório refere que "Portugal mantém-se como um dos países europeus com maior desigualdade na distribuição de rendimento e taxas mais elevadas de risco de pobreza monetária, tendo nas últimas décadas a taxa de pobreza mantido um nível elevado e relativamente estável".

"É expectável que um período marcado por crescentes desigualdades na distribuição de rendimento e por elevadas taxas de pobreza tenha um significativo impacto no consumo alimentar e estado de saúde da população portuguesa, podendo estar comprometida a garantia da segurança alimentar (food security) para um número elevado de agregados familiares portugueses, isto é, a garantia do acesso a alimentos em quantidade suficientes, seguros e nutricionalmente adequados", prossegue o documento.

Os autores do documento consideram que, tendo em conta que "a obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável", o " investimento na prevenção e promoção de hábitos alimentares saudáveis é decisivo quando mais de 50% dos adultos Portugueses sofre de excesso de peso".

"A promoção de hábitos alimentares saudáveis exige trabalho concertado com outros setores a médio prazo. Os serviços de saúde necessitam de se preparar melhor para lidar de forma integrada com outros setores da sociedade na prevenção da pandemia da obesidade e na promoção de hábitos alimentares saudáveis", lê-se nas recomendações que constam do relatório.

A DGS sublinha que "a alimentação de má qualidade afeta com maior intensidade crianças, idosos e os grupos socioeconomicamente mais vulneráveis da nossa população, aumentando as desigualdades em saúde. O investimento na promoção de hábitos alimentares deverá permitir reduzir desigualdades em saúde".

No entanto, este organismo refere que "a estabilização do crescimento da obesidade e do aumento do peso corporal, medido através do Índice de Massa Corporal, registado pelas crianças portuguesas nos últimos quatro anos é um dos marcos assinalados pelo relatório".

"Ainda assim, a proporção de crianças com excesso de peso em Portugal, acima da média europeia, e a sua relação com as desigualdades sociais, mantêm-se no topo das preocupações do Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável", indica a DGS.

Entre os vários dados que constam do documento, a DGS destaca o facto de "os hábitos alimentares inadequados dos portugueses constituírem o primeiro fator de risco de perda de anos de vida".

"Estudos internacionais apontam a má alimentação como responsável por 11,96% do total de anos de vida prematuramente perdidos pelas mulheres portuguesas, percentagem que sobe para 15,27% no sexo masculino. A obesidade e outras doenças crónicas, como as doenças cardiovasculares, cancro ou diabetes estão claramente dependentes de uma alimentação saudável", lê-se no sumário da publicação.

Uma em cada 14 famílias não come o suficiente por falta de dinheiro

Alexandra Campos, In "Público"

Sal e gordura trans em excesso e o consumo de fruta e hortícolas a diminuir preocupam os responsáveis pelo Programa para a Promoção da Alimentação Saudável. Em 2013, 210 pessoas morreram por obesidade e excesso de comida e 71, por desnutrição.

Uma em cada 14 famílias portuguesas salta refeições por não ter dinheiro. Sofre daquilo que se designa, na gíria, como "insegurança alimentar grave", ou seja, não come o suficiente por não ter meios para isso. Os dados, que resultam de um sistema de avaliação e monitorização da situação de segurança alimentar criado pela Direcção-Geral da Saúde (DGS), constam do relatório Portugal–Alimentação Saudável em Números 2015 que esta quinta-feira foi apresentado em Lisboa.

Foi a pensar nas possíveis consequências da crise económica no acesso a uma alimentação saudável que a DGS começou a monitorizar este indicador a partir de 2011, através de um inquérito junto dos cidadãos que usam o Serviço Nacional de Saúde (SNS), o Infofamília. Os resultados indicam que a maior parte da dita insegurança alimentar é de nível ligeiro (29,7%) e moderado (9,5%). Mas a que é classificada como grave e que pode configurar casos de fome é declarada por 6,6% dos inquiridos, segundo os dados mais recentes do Infofamília (2014) que são destacados pelos responsáveis pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável neste relatório.

Descodificando estes conceitos e classificações, explica-se que, no nível ligeiro, a insegurança alimentar corresponde à "preocupação de que os alimentos venham a acabar antes que haja condi­ções económicas suficientes para a sua aquisição", enquanto no grave "os agregados fami­liares passam por períodos concretos de restrição na disponibilidade de alimentos". "Há casos de mães que passam fome para que os filhos tenham comida", exemplifica o director do programa da DGS, Pedro Graça.

Apesar de a amostra de inquiridos no Infofamília poder ter um viés elevado, porque os utentes do SNS não representam a população portuguesa, os resultados obtidos ao longo dos anos já permitem retirar algumas conclusões, nomeadamente a de que há mais pessoas em insegurança alimentar grave nas regiões de Lisboa e Vale do Tejo e no Algarve e a de que a maior insegurança alimentar aparece muitas vezes associada a excesso de peso. Explicações? "Provavelmente as redes familiares são mais frágeis" nestas regiões e haverá "muita pobreza encoberta", sublinha. Sobre o excesso de peso, Pedro Graça lembra que, em situações de crise, há pessoas que passam a consumir produtos mais baratos mas mais pobres do ponto de vista nutricional.

Quanto às consequências da crise, o que se percebe é que, se nos graus de insegurança alimentar grave se observa uma estabilização nos últimos anos, nos ligeiros verifica-se um aumento. Porquê? As pessoas na primeira situação já se terão habituado "a recorrer a formas de apoio" (como bancos alimentares e cantinas sociais, por exemplo), ao contrário do que acontece com as segundas, muitas vezes casais em que ambos ficaram desempregados e com encargos e que muitas vezes têm "vergonha" e não pedem ajuda, ensaia Pedro Graça, em jeito de explicação.

Relativamente à mortalidade, o documento revela que, se a obesidade e “outras formas de hiperalimentação” foram responsáveis pela morte de 210 pessoas em 2013, nesse ano há também registo de 71 óbitos por “desnutrição e outras deficiências nutricionais”.

Preocupação com as gorduras trans
De resto, os dados permitem constatar alguma modificação na disponibilidade de vários alimentos, entre 2011 e 2014: há menos fruta e hortícolas e menos leite, o que é de alguma forma preocupante, uma vez que os primeiros representam a principal determinante da maior parte das doenças e dos anos de vida perdida. A este propósito, merece destaque o facto de estar a aumentar o número de adolescentes que admitem não consumir fruta e hortícolas. Os dados apresentados para adolescentes – e que são provenientes do estudo HBSC/OMS (Health Behaviour in School-aged Children) desenvolvi­do pela OMS com a participação de mais de 44 países – apontam para "uma redução da qualidade [da alimentação] à medida que o ano de escolaridade avança", lê-se no relatório.

Pela primeira vez este ano, há uma chamada de atenção para o risco que representa o consumo de gorduras trans, que em Portugal não surgem na rotulagem dos alimentos. Os ácidos gordos trans são óleos transformados em margarina para fabrico de uma série de produtos de grande consumo e são habitualmente baratos e perigosos para a saúde porque se transformam em gordura saturada.

No estudo “Ácidos gordos trans no mercado alimentar português“, conduzido por uma equipa de investigadores da Universidade do Porto, foram avaliadas as quantidades de gorduras trans em chocolates, batatas fritas, produtos de paste­laria, cereais de pequeno-almoço e sopas instan­tâneas. Em termos percentuais o conteúdo em gordu­ra trans presente na gordura total variou entre os 0,06% e os 30,2%, com os grupos das bolachas e biscoitos, segui­dos dos produtos de pastelaria, a apresentarem os valores mais elevados.

Outro problema que continua a preocupar os responsáveis pelo Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável da DGS é o consumo excessivo de sal. Portugal não descola dos lugares cimeiros na Europa, ainda que tenha havido uma ligeira diminuição. E não se pense que são apenas os adultos que gostam de comida muito salgada. Nas faixas etárias compreendidas entre os 8 a 9 anos e os 13 a 17, 70 a 80% dos inquiridos consomem já sal a mais, "nalguns casos mais do dobro do que é recomendado", lamenta Pedro Graça. Este é, enfatiza, "um alerta tremendo para os pais".

Ainda assim, nota-se que estão a ser dados alguns passos importantes para combater este problema: ao longo do ano passado, "a maioria dos produtos alimentares embalados à venda em Portugal colocou na sua rotulagem a quan­tidade de sal oferecida, permitindo pela primeira vez uma capacidade de escolha e tomada de decisão". O problema é que a capacidade dos cidadãos le­rem rótulos e tomarem decisões "é ainda reduzida".

Elevada percentagem de obesos
De resto, no relatório é mais uma vez destacada a elevada percentagem de obesos e pré-obesos e em Portugal (mais de metade da população), mas há um outro dado que resulta das pessoas referenciadas no SNS e que indica que, enquanto no seguimento dos obesos se verificou uma evolução assinalável entre 2011 e 2014 (uma parte substancial, cerca de 600 mil, já está a ser vigiada), no excesso de peso isso não aconteceu – os registos não chegam a 6% do total, provavelmente porque o peso a mais ainda é encarado com benevolência por alguns profissionais de saúde.

Também pela primeira vez surge neste relatório uma ferramenta que pode ajudar todos os que queiram seguir exemplos de boas práticas. O Mapeamento e Divulgação de Boas Práticas em Projectos de Intervenção Comunitária na Área da Prevenção da Obesidade e na Diminuição da Prevalência da Pré-obesidade e Obesidade Infantil em Portugal (Mapico) fez um levantamento do estado de cada projecto e a sua caracterização. Foi possível recolher in­formação detalhada sobre 40 intervenções, a qual pode ser consultada no site do programa.

26.1.16

Cerca de 9 por cento das famílias cortaram na alimentação durante resgate financeiro

Filipa Dias Mendes, Fernando Andrade, Osvlado Costa Simões, in "RTP"

Um relatório da Direção-Geral de Saúde revela, também, que metade dos portugueses receia não conseguir ter a alimentação adequada.

20.5.13

Banco Alimentar já está a recolher alimentos online

Rita da Nova, in Público on-line

A campanha, que termina dia 9 de Junho, decorre em simultâneo com a feita nos supermercado, no primeiro fim-de-semana do mês.
No ano passado, o Banco Alimentar recolheu mais de 72 toneladas de alimentos por esta via. Rui Gaudêncio .

O Banco Alimentar Contra a Fome começa, esta segunda-feira, a campanha online de recolha de alimentos, através do portal “Alimente esta ideia”. Desde 2011, quando foi criada, que a página esteve sempre disponível em português, mas a partir deste ano já pode ser visualizada em inglês, francês e espanhol.

A vertente online de recolha de alimentos "dá a possibilidade a todos os portugueses de fazerem as suas doações, nomeadamente os que vivem no estrangeiro", indica o Banco Alimentar em comunicado.

Será possível doar alimentos através desta plataforma até ao próximo dia 9 de Junho, numa iniciativa que decorre paralelamente à recolha de alimentos tradicional, em supermercados, que está agendada para o fim-de-semana de 1 e 2 de Junho. O pagamento dos alimentos pode ser feito por Visa ou Multibanco, tanto numa caixa ATM como por homebanking.

A página de Internet dispõe de um contador de donativos por alimento, que contabiliza, em tempo real, a quantidade já recolhida de azeite, óleo, leite, atum, salsichas e açúcar.

Entre Maio e Junho do ano passado, o Banco Alimentar Contra a Fome recolheu, por esta via, 72,5 toneladas de alimentos, com o leite a ser o género mais doado.