Sérgio Aníbal, in Público on-line
No Orçamento de Estado, o Governo prevê uma contracção do PIB de apenas 1%, o que é criticado pelos economistas.
Há grande descrença quanto às previsões do Governo Nuno Ferreira Santos .
A economia portuguesa deverá registar no próximo ano uma contracção situada entre 2,2% e 2,6%, calculam os economistas que analisaram o Orçamento do Estado para 2013 no âmbito do projecto Budget Watch, do ISEG e da Deloitte.
"O cenário macroeconómico não é compatível com a o agravamento fiscal que se vai verificar e com aquilo que são as perspectivas de futuro das famílias e das empresas", afirmou Miguel St. Aubin, professor do ISEG, na apresentação da análise ao OE feita durante esta segunda-feira.
No OE, o Governo prevê uma contracção do PIB de "apenas" 1% durante o próximo ano. Em particular, são alvo de críticas por parte dos economistas do Budget Watch as previsões do Governo de contracção de 2,2% e 4,2% para o consumo privado e para o investimento, respectivamente. "Existe uma forte probabilidade de a variação negativa do PIB ser entre 2,2% e 2,6%"' diz Miguel St. Aubin.
No relatório de análise do OE feito por economistas inquiridos pelo ISEG e por empresários e gestores inquiridos pela Deloitte, a avaliação continuou este ano a ser negativa, verificando-se mesmo uma deterioração face ao ano passado. A falta de confiança em relação ao cenário macroeconómico é uma das principais razões para este resultado negativo.
Para fazer face a esta falta de credibilidade das previsões do OE, Paulo Trigo Pereira, do ISEG, apresentou como recomendação para os futuros governos que "o cenário macroeconómico passasse a ser discutido com economistas, com o Banco de Portugal, com o INE e com universidades". "Neste momento não sabemos sequer se é usado um modelo e qual é que ele é", criticou.
Outros alertas lançados esta segunda-feira em relação ao OE estão relacionados com a dinâmica de evolução da dívida pública e com a transparência das contas públicas. Manuela Arcanjo, ex-secretária de Estado do Orçamento e ex-ministra da Saúde, diz que "continuamos a ter uma desorçamentação crónica" no sector da Saúde e deixou outros avisos. "O OE é mau, não vai ter boa execução e tem bombas atómicas, como as empresas públicas municipais e regionais"' disse.
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26.11.12
15.10.12
Bruxelas: recessão afectou “severamente” as PME em Portugal
in Pú
A recessão afectou “severamente” as Pequenas e Médias Empresas (PME) em Portugal, que representam 99,9% do tecido empresarial português, segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Comissão Europeia.
De acordo com os resultados de um relatório do executivo comunitário, “as PME em Portugal foram severamente afectadas pela recessão”, com as microempresas (que têm menos de 10 trabalhadores e que representam 94% do total de empresas) a serem as mais atingidas.
As PME representam 99,9% do número total de empresas existentes em Portugal e 78,3% do emprego, segundo os dados de Bruxelas, divulgados no primeiro dia da Semana Europeia das PME 2012.
A Comissão Europeia salienta, no entanto, que Portugal desenvolveu iniciativas políticas importantes, nomeadamente ao nível da promoção do empreendedorismo.
No contexto europeu, “apesar da conjuntura desfavorável, as PME mantiveram-se enquanto espinha dorsal da economia europeia, representado mais de 98% das empresas, com cerca de 20,7 milhões de empresas e mais de 87 milhões de trabalhadores”, lê-se num comunicado do executivo comunitário.
Segundo as estimativas da Comissão, as PME deverão representar, em termos europeus, 67% do emprego total e 58% do valor acrescentado bruto (VAB).
Bruxelas salienta, todavia, que “as tendências nos Estados-membros são cada vez mais divergentes e, no que toca ao emprego, ainda não se registou qualquer sinal positivo”, motivo pelo qual defende a necessidade de uma “acção política decisiva que favoreça os factores determinantes do crescimento das PME”.
Na semana passada, a Comissão Europeia propôs um conjunto de acções para dinamizar a indústria, que inclui a afectação entre 10 e 15 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento (BEI) em empréstimos adicionais às PME.
O objectivo da proposta do executivo comunitário para o sector é “contrariar a actual tendência descendente, passando o seu contributo para o PIB [Produto Interno Bruto] da UE [União Europeia] dos 15,6% registados presentemente para 20% até 2020”, segundo um comunicado divulgado na altura.
Em Portugal, o Governo pretende negociar com o Banco Europeu de Investimento uma linha de financiamento de PME, que dará prioridade aos sectores de bens e serviços transaccionáveis, segundo uma versão preliminar da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2013, a que a agência Lusa teve acesso.
A proposta de Orçamento do Estado para 2013 é entregue esta segunda-feira na Assembleia da República.
A recessão afectou “severamente” as Pequenas e Médias Empresas (PME) em Portugal, que representam 99,9% do tecido empresarial português, segundo dados divulgados esta segunda-feira pela Comissão Europeia.
De acordo com os resultados de um relatório do executivo comunitário, “as PME em Portugal foram severamente afectadas pela recessão”, com as microempresas (que têm menos de 10 trabalhadores e que representam 94% do total de empresas) a serem as mais atingidas.
As PME representam 99,9% do número total de empresas existentes em Portugal e 78,3% do emprego, segundo os dados de Bruxelas, divulgados no primeiro dia da Semana Europeia das PME 2012.
A Comissão Europeia salienta, no entanto, que Portugal desenvolveu iniciativas políticas importantes, nomeadamente ao nível da promoção do empreendedorismo.
No contexto europeu, “apesar da conjuntura desfavorável, as PME mantiveram-se enquanto espinha dorsal da economia europeia, representado mais de 98% das empresas, com cerca de 20,7 milhões de empresas e mais de 87 milhões de trabalhadores”, lê-se num comunicado do executivo comunitário.
Segundo as estimativas da Comissão, as PME deverão representar, em termos europeus, 67% do emprego total e 58% do valor acrescentado bruto (VAB).
Bruxelas salienta, todavia, que “as tendências nos Estados-membros são cada vez mais divergentes e, no que toca ao emprego, ainda não se registou qualquer sinal positivo”, motivo pelo qual defende a necessidade de uma “acção política decisiva que favoreça os factores determinantes do crescimento das PME”.
Na semana passada, a Comissão Europeia propôs um conjunto de acções para dinamizar a indústria, que inclui a afectação entre 10 e 15 mil milhões de euros do Banco Europeu de Investimento (BEI) em empréstimos adicionais às PME.
O objectivo da proposta do executivo comunitário para o sector é “contrariar a actual tendência descendente, passando o seu contributo para o PIB [Produto Interno Bruto] da UE [União Europeia] dos 15,6% registados presentemente para 20% até 2020”, segundo um comunicado divulgado na altura.
Em Portugal, o Governo pretende negociar com o Banco Europeu de Investimento uma linha de financiamento de PME, que dará prioridade aos sectores de bens e serviços transaccionáveis, segundo uma versão preliminar da proposta de lei do Orçamento do Estado para 2013, a que a agência Lusa teve acesso.
A proposta de Orçamento do Estado para 2013 é entregue esta segunda-feira na Assembleia da República.
8.10.12
Cavaco adverte para “efeito recessivo” da austeridade
in Público on-line
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, considera que as medidas de austeridade aprovadas em Portugal têm “obviamente” um “efeito recessivo” e as que as expectativas dos empresários “não são muito positivas”, numa entrevista ao jornal espanhol Expansion.
Na entrevista publicada na edição de hoje do jornal económico mais lido em Espanha, Cavaco Silva é questionado sobre a situação económica em Portugal, reconhece a contestação nas ruas e afirma que “os políticos não podem ignorar a voz do povo”.
O chefe de Estado português considera ainda que a União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) “tendem a reagir tarde”, defende um papel mais interventivo do banco central na compra de dívida soberana e considera que a chanceler alemã Angela Merkel deveria ser “mais consistente” na defesa da moeda única.
Cavaco Silva escusa-se a avaliar as últimas medidas anunciadas pelo Governo português, remetendo mais explicações para o ministro das Finanças, mas recorda que a última avaliação da troika confirmou que “Portugal teria dificuldade em cumprir os objectivos de redução de défice orçamental como resultado da alteração da conjuntura internacional”.
Questionado sobre se as medidas de austeridade agravam a recessão, o Presidente da República é lacónico: “obviamente, já que são medidas com efeito recessivo que afectam o rendimento dos cidadãos e, como tal, o consumo”.
“E as expectativas dos empresários não são muito positivas”, acrescenta.
Apesar disso, Cavaco Silva destaca, entre os dados positivos, as melhorias verificadas no saldo da balança comercial e a “consolidação orçamental”, apontando como um dos factores negativos “um forte aumento do desemprego, sobretudo entre os jovens, onde atinge os 35%”.
“Dentro de todo este processo tão duro, devo reconhecer o grande sentido de responsabilidade do povo português”, afirma.
Questionado sobre o que diria aos portugueses que têm manifestado a sua voz crítica das políticas do Governo, Cavaco Silva afirma que “Portugal é uma democracia e as manifestações podem fazer-se se cumprem a lei. Os políticos não podem ignorar a voz do povo”.
“Efectivamente, em Portugal, tem havido fortes manifestações nas ruas, mas sem nenhuma violência. O povo português está a demonstrar um grande sentido cívico. E neste contexto eu sempre recordo uma ideia chave: a justiça e a equidade na partilha dos sacrifícios. Muitos cidadãos acreditam que não é assim e, de facto, o Governo reverteu algumas das medidas inicialmente apresentadas pela troika”, sublinha.
O chefe de Estado cita como exemplo o recuo na TSU, medida “muito mal recebida”, algo que “o Governo teve a humildade de o reconhecer”.
Sobre a política europeia, Cavaco Silva considerou que “as instituições europeias, incluindo o BCE, têm uma tendência a chegar tarde”, considerando que o BCE “deveria ter disponibilidade para comprar de forma ilimitada dívida soberana no mercado secundário”.
“Isso, claro, a troco de que os países apoiados conduzam políticas que levem à estabilidade das finanças públicas”, afirmou.
“Mas, sobretudo, a missão do BCE deve ser de garantir a irreversibilidade do euro. Dito isto, é um absurdo que alguns países se financiem a taxas negativas e outros paguem acima de 6%”, considerou, sublinhando que o atraso na actuação alimentou a especulação.
Questionado sobre a “atitude” de Angela Merkel, Cavaco Silva afirma que há que reconhecer “que os egoísmos nacionais cresceram muito nos últimos anos e a solidariedade desceu”.
Ainda que acredite que Merkel “tem uma vontade firme de combater a crise do euro”, Cavaco Silva admite que “gostaria que Merkel fosse mais consistente na sua defesa”.
“Talvez tenhamos que compreender os seus problemas políticos internos”, disse.
Sobre a situação em Espanha e especialmente sobre o movimento independentista na Catalunha, Cavaco Silva considera que “Portugal é um Estado-nação quase perfeito, com a mesma língua, sem diferenças culturais significativas” pelo que seria difícil “compreender qualquer desmembramento de um Estado europeu”.
No entanto deixa algumas referências ao modelo de Estado espanhol, nomeadamente às diferenças entre as comunidades autónomas no que toca a negócios.
“Alguns empresários portugueses informaram-me que as normas que têm que cumprir numa comunidade autónoma são diferentes das demais. Se é assim não existe um verdadeiro mercado interno”, disse.
Sobre a situação económica, Cavaco Silva considerou que o Governo espanhol “foi muito valente” na aplicação das reformas económicas e recordou que Espanha é um “parceiro comercial insubstituível”.
O Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, considera que as medidas de austeridade aprovadas em Portugal têm “obviamente” um “efeito recessivo” e as que as expectativas dos empresários “não são muito positivas”, numa entrevista ao jornal espanhol Expansion.
Na entrevista publicada na edição de hoje do jornal económico mais lido em Espanha, Cavaco Silva é questionado sobre a situação económica em Portugal, reconhece a contestação nas ruas e afirma que “os políticos não podem ignorar a voz do povo”.
O chefe de Estado português considera ainda que a União Europeia e o Banco Central Europeu (BCE) “tendem a reagir tarde”, defende um papel mais interventivo do banco central na compra de dívida soberana e considera que a chanceler alemã Angela Merkel deveria ser “mais consistente” na defesa da moeda única.
Cavaco Silva escusa-se a avaliar as últimas medidas anunciadas pelo Governo português, remetendo mais explicações para o ministro das Finanças, mas recorda que a última avaliação da troika confirmou que “Portugal teria dificuldade em cumprir os objectivos de redução de défice orçamental como resultado da alteração da conjuntura internacional”.
Questionado sobre se as medidas de austeridade agravam a recessão, o Presidente da República é lacónico: “obviamente, já que são medidas com efeito recessivo que afectam o rendimento dos cidadãos e, como tal, o consumo”.
“E as expectativas dos empresários não são muito positivas”, acrescenta.
Apesar disso, Cavaco Silva destaca, entre os dados positivos, as melhorias verificadas no saldo da balança comercial e a “consolidação orçamental”, apontando como um dos factores negativos “um forte aumento do desemprego, sobretudo entre os jovens, onde atinge os 35%”.
“Dentro de todo este processo tão duro, devo reconhecer o grande sentido de responsabilidade do povo português”, afirma.
Questionado sobre o que diria aos portugueses que têm manifestado a sua voz crítica das políticas do Governo, Cavaco Silva afirma que “Portugal é uma democracia e as manifestações podem fazer-se se cumprem a lei. Os políticos não podem ignorar a voz do povo”.
“Efectivamente, em Portugal, tem havido fortes manifestações nas ruas, mas sem nenhuma violência. O povo português está a demonstrar um grande sentido cívico. E neste contexto eu sempre recordo uma ideia chave: a justiça e a equidade na partilha dos sacrifícios. Muitos cidadãos acreditam que não é assim e, de facto, o Governo reverteu algumas das medidas inicialmente apresentadas pela troika”, sublinha.
O chefe de Estado cita como exemplo o recuo na TSU, medida “muito mal recebida”, algo que “o Governo teve a humildade de o reconhecer”.
Sobre a política europeia, Cavaco Silva considerou que “as instituições europeias, incluindo o BCE, têm uma tendência a chegar tarde”, considerando que o BCE “deveria ter disponibilidade para comprar de forma ilimitada dívida soberana no mercado secundário”.
“Isso, claro, a troco de que os países apoiados conduzam políticas que levem à estabilidade das finanças públicas”, afirmou.
“Mas, sobretudo, a missão do BCE deve ser de garantir a irreversibilidade do euro. Dito isto, é um absurdo que alguns países se financiem a taxas negativas e outros paguem acima de 6%”, considerou, sublinhando que o atraso na actuação alimentou a especulação.
Questionado sobre a “atitude” de Angela Merkel, Cavaco Silva afirma que há que reconhecer “que os egoísmos nacionais cresceram muito nos últimos anos e a solidariedade desceu”.
Ainda que acredite que Merkel “tem uma vontade firme de combater a crise do euro”, Cavaco Silva admite que “gostaria que Merkel fosse mais consistente na sua defesa”.
“Talvez tenhamos que compreender os seus problemas políticos internos”, disse.
Sobre a situação em Espanha e especialmente sobre o movimento independentista na Catalunha, Cavaco Silva considera que “Portugal é um Estado-nação quase perfeito, com a mesma língua, sem diferenças culturais significativas” pelo que seria difícil “compreender qualquer desmembramento de um Estado europeu”.
No entanto deixa algumas referências ao modelo de Estado espanhol, nomeadamente às diferenças entre as comunidades autónomas no que toca a negócios.
“Alguns empresários portugueses informaram-me que as normas que têm que cumprir numa comunidade autónoma são diferentes das demais. Se é assim não existe um verdadeiro mercado interno”, disse.
Sobre a situação económica, Cavaco Silva considerou que o Governo espanhol “foi muito valente” na aplicação das reformas económicas e recordou que Espanha é um “parceiro comercial insubstituível”.
22.5.12
Recessão em Portugal vai continuar até "meados de 2013"
in Jornal de Notícias
A economia portuguesa vai cair 3,2 por cento este ano e 0,9 por cento no próximo, segundo previsões económicas hoje divulgadas pelo Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
Nestas projeções, as mais pessimistas relativamente a 2013 até agora divulgadas por instituições internacionais, a taxa de desemprego também vai continuar a crescer, ultrapassando os 16 por cento no próximo ano.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que "a profunda consolidação fiscal, o desendividamento da banca e a fraca procura externa" vão prolongar a recessão "até meados de 2013". Num capítulo do seu "Outlook" dedicado à economia portuguesa, a organização prevê que uma redução no consumo privado de 6,8 por cento este ano e 3,2 por cento no próximo; e um crescimento das exportações de 3,4 por cento este ano e 5,1 por cento em 2013. Estes valores são menos otimistas que os do Ministério das Finanças.
A previsão mais recente do Governo aponta para uma contração de 3 por cento do PIB este ano, seguida por uma ligeira retoma de 0,6 por cento no próximo. A 'troika' aponta para números mais cautelosos (-3,3 por cento em 2012, retoma de 0,3 por cento em 2013). Mesmo o Banco de Portugal (queda de 3,4 por cento este ano, crescimento nulo em 2013) não era tão pessimista como a OCDE.
No entanto, segundo o relatório da OCDE, o cenário para Portugal corre o risco de ainda ser pior: "Uma deterioração adicional das condições de crédito na zona euro teria impacto sobre a atividade económica".
Por outro lado, a OCDE nota que as exportações têm evoluído "surpreendentemente bem, talvez devido à diversificação e ao efeito benéfico das reformas estruturais"; se esta evolução persistir, a recessão "será menos profunda e a recuperação mais forte que o projetado".
Para o cômputo da zona euro, a OCDE prevê que a economia encolha 0,1 por cento este ano, crescendo apenas 0,9 por cento em 2013.
Artigo Parcial
A economia portuguesa vai cair 3,2 por cento este ano e 0,9 por cento no próximo, segundo previsões económicas hoje divulgadas pelo Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico.
Nestas projeções, as mais pessimistas relativamente a 2013 até agora divulgadas por instituições internacionais, a taxa de desemprego também vai continuar a crescer, ultrapassando os 16 por cento no próximo ano.
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) considera que "a profunda consolidação fiscal, o desendividamento da banca e a fraca procura externa" vão prolongar a recessão "até meados de 2013". Num capítulo do seu "Outlook" dedicado à economia portuguesa, a organização prevê que uma redução no consumo privado de 6,8 por cento este ano e 3,2 por cento no próximo; e um crescimento das exportações de 3,4 por cento este ano e 5,1 por cento em 2013. Estes valores são menos otimistas que os do Ministério das Finanças.
A previsão mais recente do Governo aponta para uma contração de 3 por cento do PIB este ano, seguida por uma ligeira retoma de 0,6 por cento no próximo. A 'troika' aponta para números mais cautelosos (-3,3 por cento em 2012, retoma de 0,3 por cento em 2013). Mesmo o Banco de Portugal (queda de 3,4 por cento este ano, crescimento nulo em 2013) não era tão pessimista como a OCDE.
No entanto, segundo o relatório da OCDE, o cenário para Portugal corre o risco de ainda ser pior: "Uma deterioração adicional das condições de crédito na zona euro teria impacto sobre a atividade económica".
Por outro lado, a OCDE nota que as exportações têm evoluído "surpreendentemente bem, talvez devido à diversificação e ao efeito benéfico das reformas estruturais"; se esta evolução persistir, a recessão "será menos profunda e a recuperação mais forte que o projetado".
Para o cômputo da zona euro, a OCDE prevê que a economia encolha 0,1 por cento este ano, crescendo apenas 0,9 por cento em 2013.
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