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14.3.12

Conhecer a Crise - A Crise tem muitas caras. Conheça os números

in Fundação Francisco Manuel dos Santos

A crise tem muitas caras. Conheça os números“Conhecer a crise” é um portal destinado a dar visibilidade aos principais indicadores económicos e sociais capazes de traduzir com mais pormenor a situação de crise que Portugal atravessa. Além de entidades oficiais, foi necessário recorrer a organizações civis e a empresas económicas que detêm informação importante. Utilizamos também com frequência inquéritos de opinião e atitudes.

Por outro lado, enquanto a PORDATA apenas recolhe e publica dados anuais, este “Conhecer a crise” utiliza também dados trimestrais e mensais, mais adequados a medir a evolução actual, assim como as reacções das famílias e empresas, na sua tentativa de se ajustar ao novo contexto económico e superar algumas dificuldades.

Com esta iniciativa, pretende a Fundação Francisco Manuel dos Santos contribuir para um melhor conhecimento da realidade, tantas vezes ocultada ou exagerada.

O Conselho de Administração

www.ffms.pt/conheceracrise

Conhecer a crise: há dados surpreendentes

Por: Paula Gonçalves Martins, in TVI24

Portugueses trocam carne de vaca por porco e aves; vinho, cerveja e refrigerantes por água; marisco por peixe congelado a granel. Nos cereais, bolachas e iogurtes, só compram o básico, que é mais barato

A Fundação Francisco Manuel dos Santos lançou esta terça-feira o portal «Conhecer a Crise». Aqui serão compilados indicadores sobre as mais variadas vertentes da economia, que permitirão aos utilizadores perceber melhor os verdadeiros efeitos da crise.

O portal permite analisar dados sobre temas tão variados como as despesas das famílias, o apoio social, a conjuntura económica ou o trabalho. Alguns dos dados são surpreendentes.

No que toca à mudança de hábitos de consumo, uma das alterações mais significativas nota-se ao nível dos produtos alimentares. É absolutamente visível a tendência de trocar produtos mais supérfluos por bens de primeira necessidade. O mais barato sobrepõe-se. É a prova de que «os portugueses estão a resistir e a adaptar-se à crise. Estão a mudar de hábitos e a desenvolver estratégias para se defender», afirma o sociólogo António Barreto, da Fundação.

Sabia que:

- o consumo de carne de vaca travou a fundo, e que o de carne de porco e aves, mais baratas, registou fortes crescimentos?

- o marisco vende menos, mas há um forte crescimento do peixe congelado a granel, mais indiferenciado e mais barato?

- o consumo de cerveja, vinho e refrigerantes está em forte queda, substituído pelo crescente consumo de água?

- o consumo de leite caiu 4,5% no último trimestre de 2010, ditado sobretudo pela menor procura de leites achocolatados, aditivados, que recuaram 7,9%, ao passo que o leite básico desceu apenas 3,7%?

- o consumo total de bolachas baixou 3,5%, mas as bolachas básicas até cresceram 0,4%. As restantes (com chocolate, com fruta, cobertas ou recheadas, por exemplo) baixaram 6,5%?

- os iogurtes básicos vendem mais 1,7%, os outros descem 3,8%?

-s cereais básicos disparam 9,9%, os outros apenas crescem 0,2%?

- as marcas próprias das cadeias de super e hipermercados mostram uma tendência crescente e em 2011 representaram 46% do total de vendas?

- apesar dos cortes anunciados, o número de beneficiários de abono de família cresceu e em fevereiro deste ano atingiu 1.156.526?

- os beneficiários do rendimento social de inserção aumentaram para 322.919 e o valor médio cresceu para 91,2 euros?

- os beneficiários do complemento social para idosos cresceram para 235.181 e que cada um recebe em média 109,4 euros?

- apesar da crise, a confiança dos consumidores está a melhorar e o valor dos depósitos bancários mantém o mesmo crescimento?

- a região do país com maior taxa de malparado é a de Faro, a mesma onde a taxa de desemprego é mais elevada?

- já há menos de 5 milhões de pessoas a trabalhar em Portugal?

- apenas 17,6% dos contratos de trabalho em Portugal são a prazo?

O portal http://www.conheceracrise.com permite conhecer estes dados e muitos outros, cruzar os indicadores que lhe interessam e fazer a sua própria análise da crise.

Na apresentação do portal, António Barreto sublinhou a existência de algum exagero nas notícias sobre a crise e as suas consequências, afirmando que os portugueses não estão a morrer com a crise e que protestam menos que os gregos porque estão ocupados a procurar soluções para a sua vida.

António Barreto: "O retrato que nós fazemos da crise não é o retrato simplificado"

Ana Laranjeiro, in Negócios on-line

O novo projecto da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), o portal "Conhecer a crise" pretende dar a conhecer um pouco mais da crise. Ou seja, mostrar os números que fizeram e fazem a crise. Veja aqui o vídeo.
Na apresentação do portal "Conhecer a Crise", António Barreto, presidente Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), esclareceu que um dos motivos para a criação desta página é o facto de "ainda não sabermos muito bem os motivos da crise".

Apesar de reconhecer que sabemos que estamos em crise porque no passado "gastamos em excesso", o presidente da Fundação sinaliza que não sabemos "como é que cada um contribuiu para esta crise".

Assim, quando visitamos o portal podemos ficar a saber que, no quarto trimestre de 2011, existiam em Portugal 4,735 milhões de pessoas empregadas e que, este número tem vindo a decrescer desde, pelo menos, o quarto trimestre de 2010.

Já no que diz respeito ao número de desempregados, no quarto trimestre do ano passado, existiam em Portugal 771 mil pessoas nesta situação e podemos verificar também, que este número é o mais alto, comparando com os quatro trimestres anteriores.

O raio X às famílias e as empresas é também feito neste portal. Por exemplo, o número de pessoas com crédito em incumprimento atingiu, no quarto trimestre de 2011, as 670.604.

Aos jornalistas, António Barreto sublinhou que esta crise é "difícil, complicada e complexa". "Há pessoas em sofrimento ou aflitas", acrescentou.

Para o responsável, esta crise tem várias dimensões, nomeadamente a da "carência absoluta ou da queda vertical, mas também tem a dimensão da adaptação". Ou seja, as pessoas "tentam reorganizar a sua vida" adaptando-se e chegando mesmo a "alterar os seus comportamentos para tentar defender-se a si e aos seus e defender o futuro".

"O retrato que nós fazemos da crise não é o retrato simplificado" salientou acrescentando mesmo que se trata de um retrato "complexo de uma sociedade com mais recursos, ao mesmo tempo com algumas aflições importantes".