in Jornal de Notícias
A taxa de mortalidade por pneumonia em Portugal em 2008 foi quase o dobro da média europeia, alerta a Fundação Portuguesa do Pulmão, que defende a necessidade de investigar as causas desta situação.
Em 2008, Portugal registou mais de 150 mil casos de pneumonia e, nesse ano, a taxa de mortalidade foi de 27,8 por cem mil habitantes. Na Europa, a média está nos 15,7, revelam os dados que a Fundação Portuguesa do Pulmão enviou à Comissão Parlamentar de Saúde.
"Na realidade nós temos um número de casos de pneumonia muito elevado, que tem vindo a subir, assim como a mortalidade. Eu penso que é necessário investigar porque é que isto acontece", disse o presidente da SPP, em declarações à Lusa.
Teles de Araújo apontou alguns factores que podem contribuir para esta situação: "as condições sociais em que as pessoas vivem, o sistema de saúde, que é capaz de responder, mas se houver atrasos no diagnóstico a situação pode tornar-se mais perigosa" e erros na terapêutica, como o uso indiscriminado de antibióticos.
A Fundação Portuguesa do Pulmão refere que as pneumonias atingem anualmente 150 mil portugueses e a gripe sazonal 700 mil a um milhão, causando cerca de 5500 a 6000 óbitos anuais.
Em 2008, foram internados 50 890 doentes com o diagnóstico principal de pneumonia, mais 18,9% do que em 2003. De acordo com a Fundação, este aumento é "constante" desde 1994.
Para a FPP, "é necessário incentivar medidas de promoção de saúde e a vacinação (gripe e pneumonia em grupos de risco) e avaliar as razões do aumento da incidência das pneumonias" em Portugal.
"Os últimos números oficiais são de 2008, mas o indicador que temos é que o número de casos continua a subir e a doença continua a existir com grande frequência, não sendo de esperar que haja inversão nestes números", sublinha o especialista.
As doenças respiratórias matam 40 pessoas em Portugal por ano e mais de 30% da população sofre de pelo menos uma doença respiratória crónica.
Em 2008, foram internadas 73880 pessoas (19,7% dos internamentos registados nesse ano) devido a doenças respiratórias, um aumento de 14,8% em relação a 2003.
Entre 2000 e 2006, a mortalidade devido a doenças respiratórias aumentou 12%.
A Fundação alerta que há um pneumologista para 21 283 habitantes, um ratio que diz ser inferior ao de especialistas de Cardiologia, Pediatria e Medicina Interna.
Nos hospitais portugueses estão colocados 320 pneumologistas e, em 2009, realizaram-se em 22 840 consultas desta especialidade.
A FPP defende a elaboração de um Plano Nacional de Prevenção e Controle das Doenças Respiratórias e a criação de uma rede de cuidados integrados de saúde respiratória.


