11.3.11

Parceiros sociais surpreendidos com anúncio de novas medidas

in Jornal de Notícias

Os parceiros sociais que, esta sexta-feira, se reuniram em sede de concertação social manifestaram-se surpreendidos com as novas medidas de austeridade anunciadas pelo ministro das Finanças.

Teixeira dos Santos apresentou hoje um novo pacote de medidas de austeridade com reforço das medidas ainda este ano e novas a aplicar para assegurar as metas do défice de 3% em 2012 e 2% em 2013.

As medidas apresentadas pretendem atingir uma poupança adicional de 0,8% do PIB este ano, de 2,5% em 2012 e 1,2% em 2013.

"Esta conferência de imprensa (do ministro das Finanças) surpreende o país todo. Sinto-me surpreendido e analiso a situação como uma pressão de Bruxelas", disse o secretário-geral da UGT.

Por desconhecer ao pormenor as medidas anunciadas, João Proença não quis pronunciar-se sobre cada uma delas, mas acrescentou que este pacote só pode ser entendido como consequência de uma pressão de Bruxelas.

"Sabemos que o Governo está submetido a uma forte pressão de Bruxelas e por isso registamos que o Ministério das Finanças faz um PEC quatro não anunciado. Vamos analisar, mas não aceitaremos coisas que violem a declaração subscrita na quarta-feira pelos parceiros sociais", disse.

Igualmente surpreendido ficou o dirigente da CGTP, Arménio Carlos, o presidente da Confederação do Comércio Português, João Vieira Lopes, e o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa, António Saraiva.

Para Arménio Carlos, este anúncio mostra a forma desrespeitosa do governo se comportar com os parceiros sociais e com a opinião pública numa postura de "submissão a Bruxelas".

Por outro lado, adiantou, mostra que a discussão em sede de Concertação Social não faz sentido. "Serve apenas para que o Governo passe para fora a ideia que está a negociar", apontou, adiantando que na reunião não foi referida qualquer das medidas anunciadas.

Segundo Arménio Carlos, "o Governo já não tem qualquer credibilidade nem no plano interno nem no plano externo".

Já João Vieira Lopes referiu que as medidas eram expectáveis, mas gravosas para o poder de compra e negativas para o comércio. "Não consideramos positivo que o governo esteja sempre a anunciar medidas como últimas e depois surgir com outras", disse.

António Saraiva, da CIP, disse desconhecer em detalhe as medidas, mas criticou o facto de não ter sido comunicado aos parceiros, especialmente quando estes se reuniram quinta-feira com o secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros.

"Quando estamos aqui a discutir algumas matérias e depois somos surpreendidos com estes anúncios de facto há que ter coerência na estratégia de comunicação, respeito pelo diálogo social e trabalhar em conjunto. Algumas das medidas são gravosas e vão exigir sacrifícios, estamos disponíveis para sacrifícios desde que sejam repartidos e bem explicados e aí não podemos deixar de criticar algum erro de comunicação que tem existido em relação aos anúncios feitos", frisou.