in Diário de Notícias
Portugal é uma das economias mais fechadas da Europa, considerou Ana Teresa Lehmann, da Universidade do Porto, em entrevista à Lusa, onde defendeu que só com melhor informação sobre os mercados externos é que as empresas apostarão no exterior.
Para Ana Teresa Lehmann, Coordenadora do Programa de Gestão de Processos de Internacionalização da Escola de Gestão da Universidade do Porto, "não será o consumo interno, quer das pessoas, quer público" que vai fazer crescer a economia, algo que só vai acontecer com a expansão para os mercados internacionais, quer exportando quer investindo.
"Costuma-se falar da economia portuguesa como uma pequena economia aberta. É uma pequena economia, mas não é tão aberta como se pensa (...) Em termos de graus de abertura ao exterior, ocupamos o número 22 em 27 Estados-membros da União Europeia (UE)", disse Ana Teresa Lehmann.
A investigadora defendeu, assim, que Portugal tem "uma grande margem de manobra" para abrir a economia, referindo que a economia portuguesa é mais fechada, em termos de importações e exportações face ao produto interno bruto, do que economias semelhantes, como os países baixos, a Irlanda, a Eslováquia, a República Checa ou a Estónia.
"Nós não fomos exatamente pioneiros, nem nas exportações nem no investimento direto, e portanto estamos a chegar tarde a esse processo", referiu Ana Teresa Lehmann, que frisou a importância, para a expansão empresarial, das linhas de crédito e dos seguros de crédito para os mercados menos explorados e, sobretudo, da formação de competências e do fornecimento de informação sobre os mercados.
"Em termos de políticas públicas, dos aspetos mais importantes que os Governos podem fazer é fornecer informação e dados de primeiríssima qualidade aos nosso potenciais exportadores e investidores", afirmou.
Sendo verdade que, nos períodos de crise, há empresas portuguesas que se tornam mais fracas e cujo valor cai, tornando-as mais vulneráveis a aquisições por parte de grupos estrangeiros, este movimento não preocupa Ana Teresa Lehmann, que lembra mesmo que há empresas portuguesas que compraram, nos últimos anos, ativos no estrangeiro, saindo a ganhar desta dinâmica.
"Acredito que é interessante ter um centro de decisão em Portugal, agora eu prefiro ter uma empresa com uma grande entrada de capital estrangeiro e que é muito bem gerida, sustentável, que paga bons salários aos seus trabalhadores, do que uma empresa que tem um centro de decisão português, mas que é uma empresa com menos sustentabilidade", defendeu.
A investigadora destacou ainda os setores agroalimentar, o das florestas, as áreas ligadas à economia do mar e às industrias criativas, como os media ou aplicações informáticas, bem como setores relacionados com as energias renováveis ou a mobilidade elétrica como aqueles que podem ainda consolidar os processos de internacionalização.
"Portugal, e a Europa, não podem abandonar o setor industrial, a indústria transformadora", concluiu Ana Teresa Lehmann.


