Texto Lucília Oliveira, in Fátima Missionária
Classe média é a mais penalizada com as medidas de austeridade anunciadas, apontam responsáveis de instituições que apoiam os mais pobres
«Este orçamento vai complicar a vida de muita gente e vai certamente lançar muita gente na pobreza ou, pelo menos, numa vida social muito mais debilitada, mais incapaz», afirma o padre Agostinho Jardim Moreira, citado pela Ecclesia. As medidas incluem a eliminação dos subsídios de férias e de Natal, para os vencimentos dos funcionários da administração pública e das empresas públicas, acima de 1.000 euros.
Medidas que vêm «atingir de novo, muito fortemente, a sociedade portuguesa na sua classe média», sublinha o padre Jardim Moreira. Lamentando o «estado catastrófico» em que se encontra o país, o responsável Rede europeia Anti-pobreza defende que «é preciso responsabilizar neste país os que fizeram actos criminosos na administração, pública».
O presidente da Cáritas já defendeu a renegociação do pagamento da dívida à troika, já que «não se sabe quando a crise vai terminar». À agência Lusa, Eugénio Fonseca lamentou que, mais uma vez, seja a classe média a «mais martirizada», assistindo novamente ao agravamento da sua situação económica-social. O responsável da instituição que apoia quem mais precisa, alertou para o aumento do número de pobres com as medidas anunciadas. «Aqueles que já estavam no limiar da pobreza vão ficar mais pobres e alguns vão cair efectivamente na pobreza», salientou.
O presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade afirma que «a situação é muito grave» e «será extremamente gravosa para a generalidade da população» portuguesa. Medidas que «vão fazer aumentar a pobreza, avolumar o desemprego e provocar risco de marginalidade e insegurança, vão fomentar a angústia», considera Lino Maia. Algumas instituições de solidariedade começam elas próprias a passar dificuldades para manter o volume de respostas.


