15.10.11

Rede Europeia Anti-Pobreza defende responsabilização dos causadores da crise

in Público on-line

O presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza/Portugal, Agostinho Jardim, considerou hoje que as medidas de austeridade incluídas no OE/2012 são as necessárias para evitar a bancarrota e defendeu que se devia responsabilizar quem levou o país a esta situação.

“Trata-se de um retroceder grave na qualidade de vida dos portugueses e os mais pobres, por via colateral e indirecta, também vão sofrer”, disse o responsável.

Em declarações à Lusa, o padre Agostinho Jardim defende, por isso, que “era preciso começar a pensar em responsabilizar governantes, políticos e autarcas por estas situações, por estes buracos todos”.

“Para onde foi o dinheiro? Essas pessoas devem ser responsabilizadas, porque estamos num país onde o crime não tem responsabilidade e é preciso construir uma sociedade responsável”, frisou.

O presidente da REAPN/Portugal considera a situação dos portugueses “muito dura”, em particular para a classe média e para os que já eram pobres.

“Vão sofrer de forma muito clara as consequências desta crise e deste orçamento, que é a expressão muito clara da crise grave que o país vive”, disse.

Contudo, Agostinho Jardim acredita que não haverá “convulsão social”, porque “os pobres em Portugal nunca foram capazes de fazer uma manifestação, quem as faz não são os mais deprimidos são os da classe média ou alta que por motivos sociais ou ideológicos estão contra o sistema”.

“Os sindicatos são os maiores agitadores. Eu não entendo que se possa pedir o que não há. Numa situação tão desastrada em que o país está, acho que se deveria era pedir responsabilidades a quem nos encaminhou para este beco sem saída. Agora, estar a pedir a quem não tem e estar a exigir medidas que não são viáveis porque são de todo impossíveis, acho insensatez”, afirmou.

E acrescentou: “Deviam estar contra aqueles que concorreram para a situação que se vive e não para quem lá está agora, que tem o saco vazio”.