17.10.11

Rui Rio defende o fim do RSI para quem não quer trabalhar

in Jornal de Notícias

O presidente da Câmara do Porto, Rui Rio, defendeu, esta segunda-feira, ser necessário fazer um "ajustamento à ordem social", considerando que quem não quer trabalhar não pode continuar a receber o Rendimento Social de Inserção.

Para Rio, o Rendimento Social de Inserção (RSI) "não é o fim da linha, é apenas um mero apoio pontual" e deve ser olhado dessa forma, para "apoiar aquelas pessoas que não têm culpa nenhuma da situação em que estão e querem sair".

Este apoio estatal "tem que ser dado a pessoas em situação de muita dificuldade e que querem sair dela e não conseguem", frisou Rui Rio, ao falar na sessão de abertura do III Fórum Nacional da Rede Europeia Anti-Pobreza Portugal (EAPN).

O autarca apontou o exemplo de um casal que, sem culpa directa, de repente fica desempregado mas está disposto a trabalhar e "neste momento está numa situação desesperante".

No seu entender, "não é justo que haja pessoas com emprego e que não queiram trabalhar e arranjam mil e uma maneiras para não o fazer".

Afirmando que "enquanto houver seres humanos haverá sempre pobreza", Rio considerou que a actual situação está "a transformar uma parte da classe média em pobres".

O presidente da Câmara do Porto lamentou que, há 10 anos, "não tenha havido consciência de que um país é a classe média" e apontou vários culpados.

"Há muita gente que foi estúpida na maneira como geriu o pais e a sociedade", disse, acrescentando que "o primeiro responsável é o Estado", porque os governos "tiveram poder e utilizaram mal dinheiros públicos".

Mas também as famílias gastaram de mais, "para lá do que podiam", acrescentou, sublinhando, contudo, que a banca tem também que ser responsabilizada.

"Quem tem obrigação de gerir bem o nosso dinheiro não o fez como devia", disse Rio, criticando as ofertas de crédito com juros elevados feitas às famílias pelos bancos.

"Os erros acumulados são de responsabilidade razoavelmente transversal" e, para Rio, "é preciso que as pessoas se consciencializem que temos que fazer cortes brutais".

Reafirmando ser "notório que o regime político em que vivemos tem mostrado incapacidade para resolver os principais problemas da sociedade", Rio falou na necessidade de se fazerem "reformas profundas para salvar o regime e os seus próprios valores, que hoje estão em causa".

Rui Rio lembrou que desde o primeiro dia apontou a "inclusão social" como o seu principal objectivo à frente da Câmara do Porto e as apostas na reabilitação das habitações sociais e de escolas, que representam já um investimento "superior a 140 milhões de euros".

"Se formos sérios e inteligentes vamos minorar o problema", concluiu.