Céu Neves, in Diário de Notícias
Olga Mariano não esqueceu as tradições mas estudou e até tirou a carta
Projetos têm funcionado com apoios comunitários e, quando estes se esgotam, a maioria das autarquias acaba com iniciativas
No âmbito do Portugal 2020, Programa Operacional Integração Social e Emprego, o Governo alarga de 11 para 25 as bolsas de estudo para universitários de etnia cigana, no valor de 1500euro euros cada. É o apoio redobrado ao projeto Opré Chavalé (Erguei-vos Ciganos) da associação Letras Nómadas, com o apoio do Alto Comissariado para as Migrações (ACM) através do Programa Escolhas. E será criada uma linha de financiamento para integrar, numa 1.ª fase, 50 mediadores, com prioridade para a educação. Estes, ao contrário dos facilitadores, têm formação específica.
São os principais projetos nacionais em desenvolvimento para a integração da comunidade. A linha de financiamento dá sequência à formação de mediadores municipais em Portugal, que terminou em junho do ano passado e tinha comparticipação de fundos comunitários, através do ACM.
Entende-se "que a mediação é fundamental para a integração das comunidades ciganas e de imigrantes", refere o gabinete do alto comissário, Pedro Calado. O problema é que a maioria das autarquias prescinde dos mediadores quando deixam de ser financiadas. Em sete anos, trabalharam 21 ciganos nas câmaras , restando apenas três em funções: Beja, Barcelos e Moura. E há um quarto no meio escolar de Idanha-a-Nova.
Além daqueles, contam-se 90 mediadores interculturais nos Conselhos Nacionais de Apoio aos Imigrante e 90 dinamizadores do Programa Escolhas. E existem os "facilitadores", uma figura da mediação criada pelo programa comunitário ROMED 2. Além de Torres Vedras estão envolvidos Figueira da Foz, Beja, Seixal, Elvas, Barcelos e Moura (Coimbra e Abrantes saíram quando acabou o programa para mediadores) . E são 11 os países aderentes: Bulgária, Bélgica, Grécia, Macedónia, Roménia, Eslováquia, Itália, Hungria, Ucrânia e Alemanha. Em geral, o apoio autárquico traduz-se em meios logísticos e técnicos.
"A intenção da União Europeia e do Conselho da Europa foi abrir a participação a outros elementos da comunidade cigana. Até aqui, essa participação apenas envolvia os mediadores municipais", explicou Bruno Gonçalves, o delegado nacional do programa. É vice-presidente das Letras Nómadas, representante da comunidade cigana no ROMED 2, e dinamiza o Grupo de Ação Comunitário (GAC) da Figueira da Foz. Faz parte da equipa nacional de formadores ROMED, com Olga Mariano e Luís Romão.
Os GAC são voluntários da comunidade cigana que se encontram para discutir quais são os problemas e necessidades da comunidade. Fazem propostas e, em caso de serem aceites, como acontece em Torres Vedras, dão contrapartidas à sociedade maioritária.
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11.4.16
Governo atribui 25 bolsas a ciganos para estudarem no Ensino Superior
in RR
Financiamento do projecto será feito com verbas comunitárias. Valor da bolsa ainda está em estudo, mas nunca será inferior a 1.500 euros por ano.
Francisco Azul, cigano no segundo ano da licenciatura de Serviço Social, ao abrigo do programa "Opré Chavalé". Foto: André Kosters/Lusa
O Governo vai atribuir 25 bolsas de estudo a jovens estudantes da comunidade cigana, para o ano lectivo 2016/2017, através do Alto Comissariado para as Migrações. O anúncio foi feito pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, no âmbito do Dia Internacional do Cigano que se assinala esta sexta-feira.
A secreária de Estado Catarina Marcelino explicou que o Governo decidiu assinalar a data com a apresentação de um programa que contempla 25 bolsas de estudo para jovens ciganos estudarem no ensino superior.
Segundo a secretária de Estado, o programa nasce tendo por inspiração o projecto `Opré Chavalé` (Erguei-vos, jovens ciganos, na língua romani), da associação Letras Nómadas e financiado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) através do fundo EEA Grants, um mecanismo financeiro do Espaço Económico Europeu.
O projecto `Opré Chavalé` tem como objectivo ajudar jovens ciganos a entrar na universidade, tendo conseguido inscrever oito estudantes em universidades de norte a sul do país, entre cinco rapazes e três raparigas, no ano lectivo 2015/2016.
Catarina Marcelino frisou que o projecto teve não só a componente de atribuição de uma bolsa de estudo, como também fez o acompanhamento dos jovens, "com grande envolvimento de apoio às famílias".
"E o projecto correu tão bem que nós decidimos lançar um programa para o próximo ano lectivo 2016/2017, que iniciará em Setembro, com 25 bolsas para 25 jovens no modelo do `Opré Chavalé`", adiantou a secretária de Estado, admitindo que este é um caso em que um programa experimental é "absorvido" pelas políticas públicas.
As bolsas serão atribuídas pelo ACM e, apesar de ainda estar a ser avaliado o valor, a secretária de Estado referiu que nunca será inferior a 1.500 euros por ano, por estudante, sendo este o valor da propina e mais um apoio para a integração.
Acompanhar e integrar
Os 25 jovens bolseiros ainda não estão seleccionados, mas tanto o ACM como a associação "Letras Nómadas" têm já referenciados alguns jovens que querem ingressar no ensino superior.
O programa inclui também não só as bolsas como o acompanhamento dos alunos, já que, segundo Catarina Marcelino, regista-se muitas vezes uma taxa de abandono escolar muito elevada.
"O acompanhamento das pessoas é muito importante e o que nós queremos fazer é um projecto um bocadinho na semelhança do que aconteceu com o `Opré Chavalé`, que ao fim de um ano não teve desistências e está a correr muito bem", referiu, apontando que se trata de uma medida integrada na Estratégia Nacional para Integração das Comunidades Ciganas (ENICC).
Paralelamente, anunciou Catarina Marcelino, o Governo vai criar um outro projecto de mediadores socioculturais, ligados às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco que estão em territórios onde há comunidades ciganas.
O objectivo, segundo a secretária de Estado, é que estas pessoas trabalhem com as escolas e as famílias, acompanhando a integração das crianças, de forma a prevenir o abandono escolar na comunidade cigana, principalmente das raparigas.
Catarina Marcelino adiantou que o financiamento deste projecto será feito com verbas comunitárias, a partir do Programa 2020, não havendo ainda data para candidatura, nem quantos mediadores poderão ser precisos.
Financiamento do projecto será feito com verbas comunitárias. Valor da bolsa ainda está em estudo, mas nunca será inferior a 1.500 euros por ano.
Francisco Azul, cigano no segundo ano da licenciatura de Serviço Social, ao abrigo do programa "Opré Chavalé". Foto: André Kosters/Lusa
O Governo vai atribuir 25 bolsas de estudo a jovens estudantes da comunidade cigana, para o ano lectivo 2016/2017, através do Alto Comissariado para as Migrações. O anúncio foi feito pela secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, no âmbito do Dia Internacional do Cigano que se assinala esta sexta-feira.
A secreária de Estado Catarina Marcelino explicou que o Governo decidiu assinalar a data com a apresentação de um programa que contempla 25 bolsas de estudo para jovens ciganos estudarem no ensino superior.
Segundo a secretária de Estado, o programa nasce tendo por inspiração o projecto `Opré Chavalé` (Erguei-vos, jovens ciganos, na língua romani), da associação Letras Nómadas e financiado pelo Alto Comissariado para as Migrações (ACM) através do fundo EEA Grants, um mecanismo financeiro do Espaço Económico Europeu.
O projecto `Opré Chavalé` tem como objectivo ajudar jovens ciganos a entrar na universidade, tendo conseguido inscrever oito estudantes em universidades de norte a sul do país, entre cinco rapazes e três raparigas, no ano lectivo 2015/2016.
Catarina Marcelino frisou que o projecto teve não só a componente de atribuição de uma bolsa de estudo, como também fez o acompanhamento dos jovens, "com grande envolvimento de apoio às famílias".
"E o projecto correu tão bem que nós decidimos lançar um programa para o próximo ano lectivo 2016/2017, que iniciará em Setembro, com 25 bolsas para 25 jovens no modelo do `Opré Chavalé`", adiantou a secretária de Estado, admitindo que este é um caso em que um programa experimental é "absorvido" pelas políticas públicas.
As bolsas serão atribuídas pelo ACM e, apesar de ainda estar a ser avaliado o valor, a secretária de Estado referiu que nunca será inferior a 1.500 euros por ano, por estudante, sendo este o valor da propina e mais um apoio para a integração.
Acompanhar e integrar
Os 25 jovens bolseiros ainda não estão seleccionados, mas tanto o ACM como a associação "Letras Nómadas" têm já referenciados alguns jovens que querem ingressar no ensino superior.
O programa inclui também não só as bolsas como o acompanhamento dos alunos, já que, segundo Catarina Marcelino, regista-se muitas vezes uma taxa de abandono escolar muito elevada.
"O acompanhamento das pessoas é muito importante e o que nós queremos fazer é um projecto um bocadinho na semelhança do que aconteceu com o `Opré Chavalé`, que ao fim de um ano não teve desistências e está a correr muito bem", referiu, apontando que se trata de uma medida integrada na Estratégia Nacional para Integração das Comunidades Ciganas (ENICC).
Paralelamente, anunciou Catarina Marcelino, o Governo vai criar um outro projecto de mediadores socioculturais, ligados às Comissões de Protecção de Crianças e Jovens em Risco que estão em territórios onde há comunidades ciganas.
O objectivo, segundo a secretária de Estado, é que estas pessoas trabalhem com as escolas e as famílias, acompanhando a integração das crianças, de forma a prevenir o abandono escolar na comunidade cigana, principalmente das raparigas.
Catarina Marcelino adiantou que o financiamento deste projecto será feito com verbas comunitárias, a partir do Programa 2020, não havendo ainda data para candidatura, nem quantos mediadores poderão ser precisos.
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