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8.11.12

Governo quer triplicar número de jovens em formação profissional até 2020

in Público on-line

O Governo pretende triplicar o número de jovens que optem pela formação profissional até 2020, ano em que estima que cerca de 100 mil jovens tenham escolhido esta via, afirmou esta quarta-feira o ministro da Economia e do Emprego.

Álvaro Santos Pereira, que está a ser ouvido desde o início da manhã, no Parlamento, no âmbito da discussão do Orçamento do Estado para 2013, disse esperar que até ao final do ano cerca de 30 mil jovens tenham sido abrangidos por esta medida – de ensino dual e de formação profissional.

“O objectivo é triplicar esse número até 2020, abrangendo cerca de 100 mil jovens”, afirmou o ministro da tutela.

Referiu, na sua intervenção inicial, que “para diminuir o desemprego é vital reforçar as acções de formação”, não só para os jovens, mas para todos os desempregados.

Neste sentido, no âmbito do Orçamento para o próximo ano, Santos Pereira afirmou relativamente ao combate ao desemprego que o Governo decidiu criar “estágios profissionais para famílias desempregadas com filhos”, quer sejam famílias em que os dois membros do casal estão desempregados, quer sejam famílias monoparentais.

Lembrou ainda a medida já conhecida, e que conta do Orçamento, “de isenção total ou parcial da Taxa Social Única (TSU) para desempregados com mais de 45 anos”.

Em jeito de balanço, indicou ainda que até Setembro de 2012 cerca de 19 mil jovens estavam inscritos no sistema de aprendizagem dual e que é intenção do Executivo criar estágios profissionais nos sectores da construção, mineiros, entre outros.

3.7.12

Cursos profissionais não podem ignorar exigências do mercado de trabalho

Por Clara Viana, Público on-line

Para combater o crescente desemprego entre os jovens, a Comissão Europeia apela a uma redefinição dos cursos e estágios profissionais.

Com a taxa de desemprego jovem a situar-se em 22,7% na União Europeia (UE) em Maio passado (em Portugal estava nos 36,4%), a Comissão Europeia (CE) voltou a apelar para “acções imediatas” por parte dos Estados membros para fazer face ao que classifica como uma situação dramática. Uma das prioridades apontadas pela CE é a de “garantir uma transição suave da escola para o trabalho”, o que poderá ser conseguido através de uma reforma dos cursos profissionais e dos programas de estágio existentes.

O caminho a seguir é recomendado em dois estudos encomendados pela CE divulgados esta segunda-feira: tanto os cursos de orientação vocacional, como os estágios “devem ser mais sensíveis às exigências do mercado de trabalho, mais bem adaptados às necessidades de negócios e oferecer mais garantias de qualidade e de perspectivas para os jovens”.

Segundo a CE, nas empresas europeias existem estágios para 9,4 milhões de estudantes. Em média, na UE, 40,5% dos estudantes do ensino secundário optaram por cursos de orientação vocacional. Os últimos dados conhecidos sobre Portugal são do ano lectivo 2010/2011. Nessa altura cerca de 33% dos estudantes do secundário estavam em cursos profissionais, uma percentagem que subia para 48,9% à entrada neste nível de ensino (10.º ano).

Inclusão dos estágios nos currículos

Quanto a experiências profissionais em empresas, a última informação disponível data de 2009, antes portanto dos principais impactos da crise em Portugal, e diz respeito a um balanço do Programa Estágios Profissionais lançado em 1997. Em 12 anos este programa beneficiou 170.000 desempregados com menos de 30 anos. Destes 72,5% ficaram empregados após o estágio, a maioria dos quais nas empresas onde estagiaram.

Entre as alterações que a CE propõe aos programas de estágios destaca-se a sua inclusão, sempre que possível, nos currículos dos cursos profissionais em vez de esta experiência ser adiada para depois da conclusão do secundário. No estudo encomendado pela CE conclui-se pela necessidade de uma definição clara, a nível europeu, do conceito de estágio, uma vez que a tipologia destes programas é muito variável de país para país.

Também se apela a um esforço conjunto da UE e dos Estados nacionais com vista a um aumento da oferta de estágios, especialmente nas pequenas e médias empresas; a um reforço do apoio financeiro aos alunos oriundos de meios mais desfavorecidos e a uma maior transparência nos processos de recrutamento.

Em Portugal, como em outros países europeus, os cursos de orientação vocacional tendem a ser encarados como uma opção de segunda, destinada aos estudantes com fraco rendimento escolares. Segundo a CE, da sua credibilização passará pela definição de níveis de qualidade homogéneos e por acções junto dos jovens com vista à sua reabilitação. Por outro lado, defende-se que os parceiros sociais devem ser envolvidos na definição e organização destes cursos, um factor considerado "essencial" para o seu sucesso.

O pacote para o emprego, lançado em Abril pela CE, apontou a economia verde e a saúde como áreas privilegiadas para a recuperação de postos de trabalho. O Ministério da Educação e Ciência anunciou recentemente que, já a partir do próximo ano lectivo, a oferta de cursos profissionais deve privilegiar cursos dirigidos à indústria, pescas e agricultura.