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12.3.20

Taxa de emprego das mulheres sobe. Mas continua inferior à dos homens

Rita Neto, in Sapo25

A taxa de emprego das mulheres na União Europeia aumentou para 67% em 2018, mas continua a ser inferior à dos homens, que está nos 78%, refere o Eurostat.

A taxa de emprego do sexo feminino aumentou na média da União Europeia (UE), mas continua abaixo da taxa do sexo masculino, refere o Eurostat. Em média, a disparidade salarial é de 12 pontos percentuais (p.p.). Na lista de todos os Estados-membros, Portugal se encontra a meio da tabela, com uma disparidade salarial de sete p.p. entre homens e mulheres.

A disparidade salarial entre géneros diminuiu em toda a UE em 2018, mas as mulheres continuam a sair prejudicadas face aos homens. Nesse ano, refere o Eurostat, a taxa de emprego das mulheres era de 67% nas mulheres, face aos 78% dos homens. Ou seja, uma diferença de 12 p.p., maior em um p.p. do que no ano anterior e em cinco p.p. do que na última década.

Entre todos os Estados-membros da UE, a Suécia é aquele que apresenta a maior taxa de emprego para as mulheres: 80%. Atrás aparece a Lituânia (77%) e a Alemanha (76%). Na ponta oposta da tabela, com as percentagens mais baixas, está a Grécia (49%), Itália (53%) e a Croácia (60%). Fora da UE, destaque para a Irlanda, que apresenta uma taxa de emprego das mulheres de 83%.

Contudo, a disparidade salarial mais baixa é observada na Lituânia, ou seja, apenas quatro pontos percentuais: 80% nas mulheres para 84% nos homens.

Portugal com melhor desempenho do que média da UE
Face a estes números, Portugal apresenta um desempenho mais positivo, uma vez que a disparidade salarial é de sete pontos percentuais: a taxa de emprego das mulheres é de 72,1% face à taxa de 78,9% dos homens. Em 2017 a diferença tinha sido semelhante: 69,8% para as mulheres e 77,3% para os homens.

Os números revelados esta sexta-feira pelo Ministério do Trabalho mostram que a diferença salarial entre homens e mulheres caiu 80 cêntimos para 148,9 euros em 2018. A remuneração base média mensal registada foi de 1.034,9 euros para os homens, enquanto a das mulheres foi de 886 euros, uma diferença de 148,9 euros, menos 80 cêntimos do que em 2017.

Tendo em conta os setores, a disparidade salarial ajustada varia entre um mínimo de 6,9% nas atividades administrativas e dos serviços de apoio e um máximo de 40,8% nas atividades dos organismos internacionais e outras instituições extraterritoriais, sendo que metade dos setores estão abaixo da média global de 11,1%.

23.1.18

Automatização e crescimento tecnológico agravam desigualdade entre géneros

in Público on-line

Um relatório do Fórum Económico Mundial alerta para o crescimento da desigualdade salarial entre homens e mulheres nos sectores tecnológicos e sublinha os riscos da automatização de funções administrativas nas empresas.

A disparidade salarial entre homens e mulheres vai agravar-se nos próximos anos se não forem tomadas medidas para a combater, sobretudo em sectores em elevado crescimento como as tecnologias de informação ou a biotecnologia. O alerta está num relatório do Fórum Económico Mundial (FEM) que será publicado nesta segunda-feira, na véspera do arranque do fórum anual em Davos, na Suíça, e que o jornal britânico The Guardian antecipa este domingo.

O FEM afirma que os avanços dos últimos anos rumo à igualdade salarial estão a ser revertidos devido ao domínio do sexo masculino em indústrias tecnológicas de ponta. As mulheres continuam a estar ausentes em lugares de liderança, mesmo em áreas como a educação e a saúde, onde existe uma maior presença feminina.

Para Saadia Zahidi, responsável do FEM para as áreas da educação, género e emprego, duas tendências explicam o agravamento dos indicadores: em primeiro lugar, o facto de existirem menos mulheres a trabalhar em sectores emergentes como a informática, a biotecnologia ou as infra-estruturas, fazendo com que haja uma menor probabilidade de haver mulheres a chegar a cargos de topo nessas áreas; por outro lado, mesmo em sectores com maior presença feminina, as posições de liderança continuam a ser ocupadas por homens. A responsável pede uma "abordagem holística" das empresas em relação ao problema e afirma que as medidas não se podem limitar à paridade nos cargos de administração.

Automatização rouba mais postos de trabalho às mulheres
Ainda de acordo com o relatório, e para além do crescimento da desigualdade salarial nos sectores tecnológicos, a automatização dos postos de trabalho é outra tendência que tem efeitos mais graves para mulheres do que para os homens. 57% dos postos de trabalho que deverão ser suprimidos pelo avanço da robótica e de outras tecnologias automáticas são actualmente ocupados por mulheres. Apesar de diversos estudos já terem alertado para o desaparecimento de empregos nos sectores industriais, predominantemente masculinos, o aviso do FEM é dos poucos a apontar para ameaça da que a automatização representa em funções administrativas e de apoio ao cliente que tendem a ser exercidas por mulheres.

“A diversidade leva à criatividade, que é cada vez mais necessária num mundo que atravessa uma revolução industrial”, argumenta Zahidi em declarações ao Guardian.

Governo vai aprovar lei para promover igualdade salarial entre mulheres e homens
Já no final do ano passado, um relatório também divulgado pelo FEM dava conta que a desigualdade entre homens e mulheres tinha aumentado desde 2006, altura em que começaram a ser recolhidos dados para análise. O documento indicava que as mulheres teriam de esperar 217 até que a igualdade salarial fosse alcançada a nível global — mais 47 anos do que o que fora estimado no ano anterior. Sharan Burrow, líder da Confederação Internacional de Sindicatos e uma das mulheres na organização do fórum de Davos em 2018, afirma então que as oportunidades de progressão das mulheres estavam a "estagnar" visivelmente.
O próprio fórum de Davos já tinha sido criticado em edições anteriores por ter painéis constituídos quase só por homens. Mas, este ano, pela primeira vez, o FEM vai ser liderado por sete mulheres: Christine Lagarde (directora do FMI), Fabiola Gianotti (directora-geral do CERN), Isabelle Kocher (CEO da Engie), Erna Solberg (primeira-ministra da Noruega), Ginni Rometty (presidente da IBM), Sharan Burrow e Chetna Sinha (fundadora e directora do Mann Deshi Bank).