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26.3.14

Sistema de governação continua a gerar pobres

in Agência Ecclesia

Presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza em Portugal comenta estudo do INE que identificou pelo menos dois milhões de pessoas em situação precária

Lisboa, 25 mar 2014 (Ecclesia) – A Rede Europeia Anti Pobreza em Portugal diz que a existência de dois milhões de portugueses em situação precária no país “é uma chamada de atenção” para que as políticas que têm sido seguidas nos últimos anos “possam ser alteradas”.

Em entrevista concedida hoje à Agência ECCLESIA, o presidente daquele organismo, padre Agostinho Moreira, sublinha a necessidade de mudar um “sistema de governação que continua a produzir muitos pobres”, antes que esta situação se torne “galopante”.

Para o sacerdote, “é necessária uma estratégia que envolva as entidades públicas e privadas” e o estabelecimento de “parcerias, particularmente com as redes sociais locais, com as autarquias”, que permitam responder às “causas da pobreza”, que são de natureza “estrutural“.

“Tem a ver com a gestão e a economia nacional, que gera estas assimetrias enormes e tira às pessoas o acesso a oportunidades básicas da saúde, do ensino e até da habitação”, exemplifica aquele responsável.

Um inquérito publicado pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre as Condições de Vida e Rendimento dos portugueses, divulgado esta segunda-feira, permitiu identificar 1.961.122 casos de pessoas atualmente no limiar da pobreza, quase 19 por cento da população do país.

A situação agravou-se nos últimos nove anos, atingindo principalmente os desempregados, as famílias com filhos a cargo e os jovens menores de 18 anos.

Com recurso a uma lista de itens, que compreendia as mais diversas necessidades básicas, o INE apurou que o número de pessoas em dificuldades para aceder a uma refeição ou para pagar renda de casa aumentou entre 2012 e 2013.

Ficou a saber ainda que a percentagem de pessoas em situação de privação material severa subiu de um ano para o outro de 8,6 para 10,9 por cento.

“Manter as coisas como estão não é caminho”, reforça o padre Agostinho Moreira, que propõe “um estudo sério” sobre a situação das populações, o que é que conduziu a este cenário negativo e o que pode ser feito para o alterar, tendo como figura “preponderante” o Governo e mais concretamente “o primeiro-ministro” Pedro Passos Coelho.

A Rede Europeia Anti Pobreza em Portugal publicou recentemente um manifesto intitulado “Para erradicar a pobreza e a exclusão social ─ marcos de uma estratégia inadiável”.

Através desse documento, que já foi assinado por diversas figuras e instituições da sociedade portuguesa, como Alfredo Bruto da Costa, presidente da Comissão Nacional Justiça e Paz ou a Cáritas Portuguesa, o organismo pretende “pôr em marcha um processo participado de análise e agregação de ideias e posteriormente chegar a um consenso sobre uma Estratégia nacional de Erradicação da Pobreza e da Exclusão Social em Portugal”.

Uma das iniciativas previstas no manifesto é a realização de um seminário na Assembleia da República, com representantes dos diversos partidos, sobre “o papel da Luta Contra a Pobreza no futuro da Europa”, no dia 16 de abril.

Em causa está “sensibilizar os vários partidos para que comecem a pensar no bem comum e vejam como se pode defender uma democracia onde a dignidade da pessoa esteja em primeiro lugar”.

Neste momento, “a dignidade das pessoas não está a constar muito nos programas políticos e partidários”, elas estão postas “de lado”, conclui o padre Agostinho Moreira.

JCP

21.2.14

Rede Anti-Pobreza UE criou ilusões que causaram "vazio económico" em Portugal

in Notícias ao Minuto

O presidente da rede anti-pobreza defendeu hoje que a União Europeia criou "ilusões, injustiças e mentiras" que provocaram um "vazio económico" e obrigaram os portugueses a pagar com "aquilo que têm e o que não têm".

"Criou-se a ilusão de que a crise é a fonte de todos os males, quando a crise é já consequência do sistema", disse à agência Lusa o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal.

Jardim Moreira considerou que Portugal foi "iludido" com propostas europeias, para terminar com as embarcações de pesca e com a agricultura "em troca de alguns tostões de imediato", que criaram "um vazio económico no país".

"Houve aqui toda uma série de ilusões, de injustiças e mentiras que se criaram em Portugal" e "agora obrigam-nos a pagar aquilo que não temos", lamentou o padre, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial da Justiça Social, que se assinala na quinta-feira.

Para Jardim Moreira, existe, "a nível europeu, uma desonestidade ética e política", porque Portugal é um "país de periferia, pobre e sem recursos naturais".

"Isso supõe uma mentalidade mais equitativa a nível europeu e uma solidariedade europeia que hoje não existe", afirmou, prevendo que "a solução que se pretende para Portugal [quando terminar o programa de ajustamento acordado entre o Governo português e a troika] é a solução que menos pese à Europa".

Para o padre, que preside à EAPN Portugal há mais de 20 anos, a "vontade europeia de que Portugal saia à irlandesa da crise não é para bem de Portugal, é para bem da Europa".

"Não é o bem do povo português que está em causa, são os vários governos que não se querem comprometer com verbas (...) para dar segurança a possíveis desequilíbrios orçamentais portugueses", sustentou.

Alertou ainda para as consequências "muito graves" desta situação, que irão refletir-se nos idosos, nas dificuldades de acesso à saúde, na emigração, no abandono escolar e na quebra de natalidade, "que vai ser grave a curto e a médio prazo".

"Daqui 20 anos que gente vai haver neste país para poder suportar os encargos de um serviço social, quem vai pagar?", questiona.

Portugal está diante de "uma situação bastante crítica, em que as vítimas vão ser sempre a população", nomeadamente a mais pobre.

"Há aqui uma pescadinha de rabo na boca que só uma postura de visão lúcida e corajosa dos políticos poderá intervir neste sistema, senão a população vai pagar isto bem caro", advertiu.

Jardim Moreira, que foi pároco de duas freguesias carenciadas do Porto (S. Nicolau e Vitória), disse que as pessoas exprimem sentimentos de "tristeza, revolta" e sentem "uma falta de esperança brutal".

"As pessoas mais pobres o que reclamam é que sejam reconhecidas como seres humanos e com dignidade. Quando não são capazes de aguentar isto suicidam-se e é isto que está a acontecer", lamentou.

Jardim Moreira lamentou que o "valor da dignidade humana" esteja a ser desvalorizado em detrimento dos critérios económicos sociais.

"Esta mudança de critério é que é grave, porque toda a economia, toda a política devia estar ao serviço do ser humano e não o ser humano ao serviço de critérios políticos ou económicos", justificou.

O Dia Mundial da Justiça Social foi criado em 2007, pela ONU, com o objetivo de apoiar os esforços da comunidade internacional para erradicar a pobreza, promover o trabalho digno, bem-estar e "justiça para todos".

20.2.14

Rede anti-pobreza diz que UE criou "vazio económico" em portugal

in Dnoticias

O presidente da rede anti-pobreza defendeu hoje que a União Europeia criou “ilusões, injustiças e mentiras” que provocaram um “vazio económico” e obrigaram os portugueses a pagar com “aquilo que têm e o que não têm”.

“Criou-se a ilusão de que a crise é a fonte de todos os males, quando a crise é já consequência do sistema”, disse à agência Lusa o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal.

Jardim Moreira considerou que Portugal foi “iludido” com propostas europeias, para terminar com as embarcações de pesca e com a agricultura “em troca de alguns tostões de imediato”, que criaram “um vazio económico no país”.

“Houve aqui toda uma série de ilusões, de injustiças e mentiras que se criaram em Portugal” e “agora obrigam-nos a pagar aquilo que não temos”, lamentou o padre, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial da Justiça Social, que se assinala na quinta-feira.

Para Jardim Moreira, existe, “a nível europeu, uma desonestidade ética e política”, porque Portugal é um “país de periferia, pobre e sem recursos naturais”.

“Isso supõe uma mentalidade mais equitativa a nível europeu e uma solidariedade europeia que hoje não existe”, afirmou, prevendo que “a solução que se pretende para Portugal [quando terminar o programa de ajustamento acordado entre o Governo português e a troika] é a solução que menos pese à Europa”.

Para o padre, que preside à EAPN Portugal há mais de 20 anos, a “vontade europeia de que Portugal saia à irlandesa da crise não é para bem de Portugal, é para bem da Europa”.

“Não é o bem do povo português que está em causa, são os vários governos que não se querem comprometer com verbas (…) para dar segurança a possíveis desequilíbrios orçamentais portugueses”, sustentou.

Alertou ainda para as consequências “muito graves” desta situação, que irão refletir-se nos idosos, nas dificuldades de acesso à saúde, na emigração, no abandono escolar e na quebra de natalidade, “que vai ser grave a curto e a médio prazo”.

“Daqui 20 anos que gente vai haver neste país para poder suportar os encargos de um serviço social, quem vai pagar?”, questiona.

Portugal está diante de “uma situação bastante crítica, em que as vítimas vão ser sempre a população”, nomeadamente a mais pobre.

“Há aqui uma pescadinha de rabo na boca que só uma postura de visão lúcida e corajosa dos políticos poderá intervir neste sistema, senão a população vai pagar isto bem caro”, advertiu.

Jardim Moreira, que foi pároco de duas freguesias carenciadas do Porto (S. Nicolau e Vitória), disse que as pessoas exprimem sentimentos de “tristeza, revolta” e sentem “uma falta de esperança brutal”.

“As pessoas mais pobres o que reclamam é que sejam reconhecidas como seres humanos e com dignidade. Quando não são capazes de aguentar isto suicidam-se e é isto que está a acontecer”, lamentou.

Jardim Moreira lamentou que o “valor da dignidade humana” esteja a ser desvalorizado em detrimento dos critérios económicos sociais.

“Esta mudança de critério é que é grave, porque toda a economia, toda a política devia estar ao serviço do ser humano e não o ser humano ao serviço de critérios políticos ou económicos”, justificou.

O Dia Mundial da Justiça Social foi criado em 2007, pela ONU, com o objetivo de apoiar os esforços da comunidade internacional para erradicar a pobreza, promover o trabalho digno, bem-estar e “justiça para todos”.

União Europeia criou «ilusões, injustiças e mentiras»

Por: tvi24

«Criou-se a ilusão de que a crise é a fonte de todos os males, quando a crise é já consequência do sistema», considera o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal


O presidente da rede anti-pobreza defendeu hoje que a União Europeia criou «ilusões, injustiças e mentiras» que provocaram um «vazio económico» e obrigaram os portugueses a pagar com «aquilo que têm e o que não têm».

«Criou-se a ilusão de que a crise é a fonte de todos os males, quando a crise é já consequência do sistema», disse à agência Lusa o presidente da Rede Europeia Anti-Pobreza (EAPN) Portugal.

Jardim Moreira considerou que Portugal foi «iludido» com propostas europeias, para terminar com as embarcações de pesca e com a agricultura «em troca de alguns tostões de imediato», que criaram «um vazio económico no país».

«Houve aqui toda uma série de ilusões, de injustiças e mentiras que se criaram em Portugal» e «agora obrigam-nos a pagar aquilo que não temos», lamentou o padre, que falava à Lusa a propósito do Dia Mundial da Justiça Social, que se assinala na quinta-feira.

Para Jardim Moreira, existe, «a nível europeu, uma desonestidade ética e política», porque Portugal é um «país de periferia, pobre e sem recursos naturais».

«Isso supõe uma mentalidade mais equitativa a nível europeu e uma solidariedade europeia que hoje não existe», afirmou, prevendo que «a solução que se pretende para Portugal [quando terminar o programa de ajustamento acordado entre o Governo português e a troika] é a solução que menos pese à Europa».

Para o padre, que preside à EAPN Portugal há mais de 20 anos, a «vontade europeia de que Portugal saia à irlandesa da crise não é para bem de Portugal, é para bem da Europa».

«Não é o bem do povo português que está em causa, são os vários governos que não se querem comprometer com verbas (...) para dar segurança a possíveis desequilíbrios orçamentais portugueses», sustentou.

Alertou ainda para as consequências «muito graves» desta situação, que irão refletir-se nos idosos, nas dificuldades de acesso à saúde, na emigração, no abandono escolar e na quebra de natalidade, «que vai ser grave a curto e a médio prazo».

«Daqui 20 anos que gente vai haver neste país para poder suportar os encargos de um serviço social, quem vai pagar?», questiona.

Portugal está diante de «uma situação bastante crítica, em que as vítimas vão ser sempre a população», nomeadamente a mais pobre.

«Há aqui uma pescadinha de rabo na boca que só uma postura de visão lúcida e corajosa dos políticos poderá intervir neste sistema, senão a população vai pagar isto bem caro», advertiu.

Jardim Moreira, que foi pároco de duas freguesias carenciadas do Porto (S. Nicolau e Vitória), disse que as pessoas exprimem sentimentos de ¿tristeza, revolta¿ e sentem ¿uma falta de esperança brutal¿.

«As pessoas mais pobres o que reclamam é que sejam reconhecidas como seres humanos e com dignidade. Quando não são capazes de aguentar isto suicidam-se e é isto que está a acontecer», lamentou.

Jardim Moreira lamentou que o «valor da dignidade humana» esteja a ser desvalorizado em detrimento dos critérios económicos sociais.

«Esta mudança de critério é que é grave, porque toda a economia, toda a política devia estar ao serviço do ser humano e não o ser humano ao serviço de critérios políticos ou económicos», justificou.

O Dia Mundial da Justiça Social foi criado em 2007, pela ONU, com o objetivo de apoiar os esforços da comunidade internacional para erradicar a pobreza, promover o trabalho digno, bem-estar e «justiça para todos».






19.2.14

Mais de 300 famílias de pescadores em situação de pobreza

in Jornal de Notícias

Há mais de 300 famílias de pescadores do Norte do país em situação e pobreza, devido às adversas condições climatéricas que condicionam a atividade da pesca desde novembro do ano passado.

O alerta foi dado, esta terça-feira, por José Festas, presidente da Associação Pró-Maior Segurança dos Homens do Mar, na sequência de uma vista do padre Jardim Moreira, presidente da Rede Europa Antipobreza, à instituição sediada na Póvoa de Varzim.

"A situação tem ultrapassado todos os limites, sobretudo na zona norte. Não tenho palavras para descrever os pedidos de ajuda que nos chegam. Estimo que mais de 300 famílias estejam numa situação muito difícil", revelou o dirigente.

José Festas fala "em necessidade ajuda imediata", lembrando que já partilhou esses anseios à Ministra da Agricultura e Pescas, Assunção Cristas.

"Não temos mais oxigénio para sobreviver. Mesmo que o tempo melhore, serão precisos 3 a 4 anos para se recuperar estes meses que não fomos ao mar. A ministra esteve aqui e sabe destas nossas preocupações", partilhou o líder da associação.

José Festas confirmou, também, que "é muito difícil conter pescadores que arriscam a saída para o mar mesmo com mau tempo, porque as necessidades são muito grandes".

Já Francisco Cruz, armador [proprietário de barco], vincou que os problemas maiores são para as embarcações de pesca local [mais pequenas].

"Há quem não consiga ganhar dinheiro desde novembro. Pergunto-me como é possível a esses pescadores sustentar famílias numerosas, com 4 ou 5 filhos. Já aconteceu de me pediram emprestado 20 euros só para poderem meter combustível no barco para tentarem ganhar algum dinheiro", confessou.

Para este pescador, a solidariedade da classe tem sido fundamental para "evitar casos de fome"

"Não posso dizer que haja pescadores a passar fome, porque vamos nos ajudando. Mas a situação é terrível. E muitos pescadores não querem expô-la por vergonha. É uma questão de honra não partilhar as dificuldades que passam", afirmou Francisco Cruz.

Após ouvir os anseios, dos "homens do mar", o padre Jardim Moreira, não teve dúvidas em afirmar que "esta é, sem dúvida, uma questão da pobreza, mesmo que seja temporária".

"É dramático ver que estes homens têm o mar à porta e não podem ir trabalhar para matar fome das famílias. É preciso dar a conhecer esta situação para que quem tem competências nos possa ajudar esta gente", afirmou o clérigo.

Jardim Moreira espera que a sua presença nesta reunião com os pescadores "possa ajudar a divulgar este problema", deixando uma garantia.

"Da minha parte tudo farei para que os vossos anseios possam chegar a quem de direito. Deixo um apelo aos privados e aos responsáveis políticos que olhem para os pescadores com um olhar de respeito e justiça", afirmou.

A finalizar, o religioso não deixou de notar "a solidariedade que estes pescadores têm demonstrado entre si é um exemplo da unidade de uma classe".