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13.9.18

OCDE: Quase um terço dos adultos portugueses não concluiu o secundário

in O Mundo em Português

Portugal é o quatro país da OCDE com mais baixos níveis de escolaridade de jovens adultos, entre os 25 e os 43 anos.

Portugal é ultrapassado apenas pelo México, Turquia e Espanha, revela o relatório ‘Education at a Glance 2018’, eladorado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE).

Três em cada dez portugueses entre os 25 e os 43 anos não concluíram o ensino secundário, segundo dados do relatório internacional relativos a 2016, que colocam Portugal entre os últimos de uma lista dos 35 países da OCDE.
Com taxas de escolaridade inferiores a Portugal encontram-se apenas o México, onde a maioria dos jovens adultos (52%) não concluiu o secundário; a Turquia, com uma taxa de 44% de insucesso escolar; e a Espanha, onde 34% dos jovens também não terminaram os estudos.

No total da população portuguesa, um em cada quatro adultos não conseguiu terminar o ensino obrigatório, o que representa mais do dobro da média da OCDE. Entre os mais jovens, a situação não é tão dramática e tem melhorado muito nos últimos anos: se em 2007 mais de metade não tinha o diploma do 12.º ano, em 2017 já eram 70%.

O relatório associa a baixa escolaridade à desigualdade salarial, um drama a que o país não escapa: “Portugal tem uma das maiores percentagens de adultos sem o ensino secundário de todos os países da OCDE e está acima da média das desigualdades salariais”.

O país que mais melhorou
Apesar de continuar longe das médias da OCDE (15%) e da União Europeia (14%), Portugal destaca-se como o país que mais melhorou nos últimos tempos: Em 2011, a maioria dos jovens adultos portugueses (56%) não tinha terminado o secundário e, em apenas cinco anos, houve uma redução de 26 pontos percentuais.

Mas ainda existe um longo caminho por percorrer, em especial entre os homens, já que 38% dos rapazes entre os 25 e os 34 anos nunca chegaram a terminar o ensino obrigatório, contra 23% das raparigas.

Esta diferença de 14 pontos percentuais “é a maior de todos os países da OCDE”, revela o relatório hoje divulgado, que mostra que na OCDE a diferença entre sexos é de apenas três pontos percentuais.

Em Portugal, este fosso mantém-se nos restantes níveis de ensino e, apesar de as mulheres estudarem mais, os homens conseguem salários mais elevados: “As mulheres ganham menos independentemente do seu nível educacional e a diferença é maior em Portugal do que na média da OCDE”, lê-se no relatório.

Outro dos aspetos novamente analisados é a relação entre o meio socioeconómico das famílias e as oportunidades de acesso e sucesso académico.

No acesso ao ensino, o relatório aponta a importância das creches ou de estar com educadores desde tenra idade e revela que em Portugal as crianças favorecidas continuam a ter mais sorte.

A diferença entre a percentagem de crianças nas creches ou infantários cujas mães concluíram o ensino superior e as crianças cujas mães não passaram da escolaridade obrigatória é de 17 pontos percentuais. Uma diferença também muito acima da média da OCDE (10 pontos percentuais).

Tem havido um aumento de investimento na educação destinada aos mais pequenos: Entre 2005 e 2016 a taxa de matrícula de crianças até aos três anos passou de 64% para 83% e entre as crianças de 4 anos aumentou de 79% para 90%.
O investimento na educação pré-escolar representa cerca de 0,6% do PIB português, uma percentagem semelhante à média dos países da OCDE e da União Europeia. No entanto, o custo médio de um aluno em Portugal ronda os 6 mil euros anuais e a média na OCDE passa os 7.250 euros.

Além disso, a participação de verbas privadas no ensino pré-escolar em Portugal é bastante elevada (36% contra 64% de investimento estatal), sendo 20 pontos percentuais acima da média da OCDE, refere o relatório sublinhando a importância de as famílias terem acesso à educação.

O relatório aponta ainda para uma diminuição de educadores (menos 9% entre 2005 e 2016) e um aumento de crianças nas escolas, que se traduziu um rácio de um professor para cada 17 crianças que frequentavam o pré-escolar em 2016, ou seja, mais três do que a média da OCDE.

24.11.15

Portugal foi dos países que mais reduziu investimento

in Diário de Notícias

Relatório da OCDE diz que despesa por aluno em Portugal situou-se em 7.444 euros

Portugal foi severamente atingido pela crise financeira e reduziu substancialmente o investimento em educação durante a recessão, afirma a OCDE num relatório hoje divulgado, sublinhando que o dinheiro privado é uma fonte de financiamento significativa em todos os níveis.

"O total da despesa pública em educação em Portugal aumentou 14 por cento entre 2008 e 2010 para voltar a cair 14% entre 2010 e 2012", lê-se no relatório "Education at a Glance", que contém dados dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económicos (OCDE) e de parceiros.

Portugal foi um dos países que mais reduziu a despesa pública com instituições educativas neste período, o que se relaciona com o facto de ter tido também uma das piores recessões da OCDE.

A despesa por aluno em Portugal situou-se em 7.444 euros, abaixo da média da OCDE de 8.982 euros, em 2012.

Entre 2005 e 2012, a despesa por aluno aumentou 26%, uma taxa mais elevada do que a média de 21% da OCDE, segundo os dados inscritos no documento.

No relatório analisam-se os sistemas de educação dos 34 países membros da OCDE, bem como da Argentina, Brasil, China, Colômbia, Costa Rica, Índia, Indonésia, Letónia, Lituânia, Rússia, Arábia Saudita e África do Sul.

Nos níveis de educação mais baixos os professores são mais bem pagos em Portugal do que na maioria dos países da OCDE, mas esta tendência inverte-se nos ciclos seguintes, devido ao sistema de remuneração fixa.

Contudo, em todos os níveis há mais professores por aluno do que na maioria dos países da OCDE, de acordo com a organização.

Os professores em Portugal têm as mesmas tabelas salariais da educação pré-primária ao ensino secundário, em contraste com a maioria dos países da OCDE, onde os docentes dos níveis mais elevados são mais bem remunerados.

Em resultado, os professores dos primeiros ciclos de ensino são pagos acima da média da OCDE, enquanto no 3.º ciclo e secundário ganham um pouco abaixo do valor médio encontrado para aquele conjunto de países.

Dados de 2013, indicam rácios de aluno-professor em Portugal, em média, mais baixos do que nos outros países da OCDE. Havia cerca de 13 alunos por professor na educação primária, contra 15 na média da OCDE. No ensino secundário, o rácio era de nove alunos por professor comparando com 13 alunos para um professor na média OCDE naquele ano.

"Portugal é também um dos poucos países onde os rácios aluno-professor nas escolas públicas são em média menores do que nas escolas privadas ao nível do ensino secundário", lê-se no relatório.

19.1.15

Portugal é um dos países da OCDE com mais jovens com habilitações abaixo do ensino secundário

in Diário de Notícias

Atualização do relatório da OCDE 'Education at a Glance 2014' refere que baixas qualificações estão associadas ao desemprego crescente. Em Portugal, desemprego atinge também os jovens licenciados.

Portugal é um dos países da OCDE com maior percentagem de jovens adultos com habilitações abaixo do ensino secundário, que por sua vez estão associadas a taxas crescentes de desemprego, alerta a organização internacional num relatório hoje divulgado.

Numa atualização hoje divulgada ao relatório 'Education at a Glance 2014', publicado em setembro passado, a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) associa taxas de baixas qualificações com as taxas de desemprego, ainda que admita que em alguns países, como é o caso de Portugal, há um nível de desemprego entre jovens adultos licenciados ou com outros graus académicos de nível superior.

"Desde 2000 que se assiste a uma contração do mercado de trabalho em todos os países da OCDE. Os níveis de emprego têm baixado entre todos os níveis de habilitações, caindo, em média, dois pontos percentuais entre 2000 e 2013. [...] Ainda assim, em todos os países da OCDE, as pessoas com níveis mais elevados de habilitações são as que mais facilmente encontram emprego e, na maioria dos países, são também as que correm menores riscos de ficar desempregadas", lê-se no relatório.

Os dados apresentados relativos a Portugal indicam que menos de 30% dos jovens adultos portugueses (entre os 25 e 34 anos de idade) tinham habilitações ao nível do ensino superior em 2013, enquanto a média da OCDE indicava um quadro de 17% de jovens adultos com qualificações abaixo do ensino superior.

O relatório refere que Portugal, a par da Itália, México e Turquia, tem das maiores percentagens de jovens adultos com baixas qualificações, precisando que em Portugal e Espanha a percentagem de população entre os 25 e 34 anos com qualificações inferiores ao ensino secundário é superior a 30%.

A taxa de desemprego associada a níveis de habilitações inferiores ao ensino secundário era em 2013 de quase 40% para as mulheres e de quase 30% para os homens.

"Apesar de ainda haver perspetivas de emprego para trabalhadores com baixas qualificações no mercado de trabalho dos países da OCDE, o desemprego entre pessoas menos qualificadas aumentou em alguns países todos os anos, entre 2000 e 2013. Por exemplo, na Grécia, Islândia, Irlanda, Luxemburgo, México, Holanda e Portugal, o crescimento médio anual da taxa de desemprego entre a população adulta com mais baixas qualificações é superior a 7%.

À exceção do México e da Islândia, todos os outros países têm taxas de desemprego para adultos pouco qualificados de pelo menos 8%, e bastante acima das taxas de desemprego média do país", escreve a OCDE.

No que diz respeito à população jovem com habilitações ao nível do ensino superior, a taxa de desemprego fixava-se em 2013 nos 18,4%, afetando mais as mulheres (com uma taxa superior a 20%), do que os homens (quase 15%).

Quanto aos chamados 'nem-nem', ou seja, jovens que não se encontram integrados nem no mercado de trabalho nem no sistema de ensino, Portugal registava em 2013, entre os jovens com idades compreendidas entre os 20 e os 24 anos, uma percentagem superior a 20% de população completamente inativa.

10.9.14

Portugal gasta 6.200 euros/ano por aluno no público

in Diário de Notícias

Portugal gasta anualmente cerca de 6.200 euros, em média, por cada aluno que frequenta o ensino público, uma verba abaixo da média da OCDE, diz o relatório "Education at a Glance 2014".

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE) pegou nos dados de 2011 e comparou quanto investe cada país anualmente por aluno.

Contabilizando todos os estudantes desde o ensino básico ao superior, os 34 países da OCDE gastam, em média, 7.370 euros com cada um dos seus alunos, um investimento que vai aumentando ao longo dos anos.

Nesta análise, Portugal fica abaixo da média, já que o gasto anual por aluno a frequentar o ensino público não chega aos 6.200 euros.

Para os estudantes que chegam ao 1.º ciclo e até saírem para o 3.º ciclo, Portugal investe cerca de 4.660 euros, quando a média da OCDE é de 6.213 euros.

Neste quadro, apenas sete países da OCDE investem menos do que Portugal - Eslováquia, Estónia, Republica Checa, Hungria, Chile, México e Turquia.

Só quando os alunos chegam ao secundário, o valor por estudante atinge a média da OCDE: quase sete mil euros.

No ensino superior, o dinheiro gasto por aluno volta a estar abaixo da média da OCDE: em Portugal, a verba média é de 7.769 euros, enquanto na OCDE é de 10.876 euros.

O relatório analisa também o ensino superior, tendo em conta quatro diferentes modelos de financiamento e apoios dados aos alunos da OCDE.

O "Modelo 1" é o da Dinamarca, Finlândia, Islândia, Noruega e Suécia, quatro países nórdicos com "generosos" sistemas de apoio ao estudante, uma vez que o ensino não representa um custo para o aluno.

O relatório sublinha que os governos daqueles países entendem que "o financiamento de ambas as instituições e alunos é baseada no princípio de que o acesso ao ensino superior é um direito, em vez de um privilégio".

A OCDE alerta, no entanto, para uma medida que começou a ser introduzida durante a última década: a aplicação de propinas para estudantes internacionais para aumentar os recursos disponíveis para as suas instituições. Para a OCDE, esta ideia pode vir a "desencorajar alguns estudantes internacionais".

Em Portugal, algumas instituições preparam-se para aplicar propinas mais elevadas a alunos estrangeiros.

O "Modelo 2" é o utilizado por países como os Estados Unidos, Austrália e Canadá, onde o custo da educação é partilhado pelo governo, famílias e empresas privadas e que, segundo o relatório, se caracteriza por ter sistemas de apoio aos estudantes bem desenvolvidos e responder às necessidades dos alunos.

O "Modelo 3" é aplicado no Chile, Japão e Coreia e distingue-se por ter propinas muito elevadas e fracos sistemas de apoio aos alunos, o que pode significar um pesado fardo para as famílias e alunos.

Finalmente, Portugal surge como um dos países que aplica o "Modelo 4" - com baixas propinas e fracos sistemas de apoio aos alunos -- juntamente com outros europeus como a Áustria, Bélgica, República Checa, França, Irlanda, Itália, Polónia, Suíças e Espanha. O relatório diz que apesar de as propinas serem baixas, a percentagem de alunos a frequentar o ensino superior é baixa.

Entre 2005 a 2011, os gastos por aluno entre o ensino básico e o secundário aumentou, em média, 17 pontos percentuais nos países da OCDE, mas, devido à crise, esse investimento caiu em quase um terço dos países da OCDE desde 2009.

Além de analisar a situação nos seus 34 estados membros, a equipa da OCDE estudou também a situação no Brasil, Rússia, Argentina, China, Colômbia, Índia, Indonésia, Letónia, Arábia Saudita e África do Sul.

26.6.13

Escola "made in" Europa: do hámster à pista de tartã

por Ana Bela Ferreira, in Diário de Notícias

"A outra escola era velha e pequena. No recreio só podíamos jogar futebol ou basquetebol." Salomé compara a escola da aldeia com o novo Centro Escolar de Santa Margarida, em Constância, onde já anda há dois anos, enquanto lancha com os colegas no refeitório, um espaço que também é usado para eventos da freguesia.

Veja a infografia em página inteira

As diferenças são muitas e nem os colegas que têm de vir de autocarro trocavam as novas instalações com baloiços, campos de jogos, escorregas, mesas de ping-pong, laboratórios de ciências, de música e de expressões e até um hámster pela velhinha escola da sua aldeia. Tal como os 160 alunos do pré-escolar e 1.º ciclo deste centro escolar, um dos 702 construídos com recurso aos fundos comunitários, até 2011, milhares de alunos por todo o País deixaram as escolas da sua aldeia para se concentrarem na sede de freguesia ou até concelho. Neste caso, 80 alunos vêm de fora da aldeia sede da escola, mas as viagens são relativamente curtas: oito quilómetros.

Estas novas escolas que concentraram alunos e permitiram reduzir o número de professores levaram ao encerramento de mais de três mil escolas, nos últimos dez anos. A racionalização da rede ditou o fecho primeiro dos espaços com menos de dez alunos e depois dos que tinham menos de 20.

E dotados de "equipamentos ao nível das melhores escolas da Europa", reconhece a diretora do agrupamento de escolas de Constância, Anabela Grácia. Neste caso, o valor total da obra foi de 2,2 milhões de euros, dos quais 800 mil suportados pela autarquia. O centro, inaugurado em 2011, mas em construção desde 2009, reúne crianças de seis escolas (três do 1.º ciclo e três do pré-escolar), que encerraram.

Para acompanhar as novas mais-valias do espaço, os próprios professores "tiveram formação na área da experimentação das ciências", explica a diretora. A escola tem uma sala onde todos - do pré-escolar ao 1.º ciclo - podem fazer experiências e cada um tem o seu frigorífico para guardar os materiais. O silêncio do laboratório, que agora está vazio, porque as aulas já terminaram para os mais velhos, permite ouvir os mais pequenos do pré--escolar que ensaiam as músicas para a festa de fim de ano.

Apesar de partilharem alguns espaços, pequenos e graúdos dão-se bem. Mas a hora da brincadeira é separada: os mais novos brincam na parte superior do recinto e os mais velhos na parte inferior. Uma separação que agora também se nota nas salas de aula. "Tê--los separados por anos nas salas facilita o trabalho do professor. A resposta imediata ao grupo é melhor agora. Antes tínhamos alunos do 3.º ano a ouvir as coisas dos do primeiro e era mais complicado", explica a coordenadora da escola Ana Bela Inácio. Durante décadas foi a única professora da escola, agora não só tem colegas como os coordena. "Assim é mais fácil organizar atividades."

Mas se para professores, funcionários e alunos as novas escolas facilitam o trabalho e as aprendizagens, os pais foram mais difíceis de convencer. "Levantaram problemas porque estavam habituados a ir levar e buscar os filhos à escola, tinham receio de serem muitas crianças juntas e também não queriam que a escola da terra fechasse. Mas agora já fazem um balanço positivo", refere o autarca de Constância, Máximo Ferreira. As velhas escolas são agora espaços dos ranchos folclóricos, escuteiros e centros de atividades extracurriculares.

21.3.13

Portugal está entre os países que mais cortam no orçamento da Educação

in Jornal de Notícias

O investimento na educação caiu mais de 5% em Portugal desde 2010 por causa da crise, segundo um estudo divulgado esta quinta-feira, em Bruxelas, pela Comissão Europeia.

O estudo, que abrange 25 países, mostra que nove Estados-membros da União Europeia (UE)reduziram o investimento, sendo que, além de Portugal, também a Grécia, a Hungria, a Itália e a Lituânia aplicaram cortes acima dos 5% nos orçamentos da educação.

Noutros quatro países da UE - Estónia, Polónia, Espanha e Reino Unido (Escócia) - os cortes foram entre 1% e 5%.

Por outro lado, outros cinco Estados-membros - Áustria, Dinamarca, Luxemburgo, Malta, Suécia e Bélgica (Comunidade Germanófona) - aumentaram em mais de 1% a sua despesa no setor da educação.

O estudo analisou o financiamento em todos os níveis de ensino, desde a educação pré-escolar ao ensino superior, em 35 sistemas educativos nacionais e regionais, e revelou que, em 2011 e 2012, os salários e subsídios dos professores baixaram ou foram congelados em 11 países (Bulgária, Croácia, Estónia, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Portugal e Espanha).

Estes salários representam mais de 70 % dos orçamentos para a educação.

Os cortes provocaram igualmente uma redução do número de docentes em 10 Estados-Membros (Bulgária, Chipre, Estónia, França, Itália, Letónia, Lituânia, Portugal, Roménia e Reino Unido), para a qual contribuiu também o menor número de alunos. Numa nota mais positiva, o financiamento da formação de professores aumentou em 18 países europeus, um desenvolvimento importante dada a relação entre a qualidade do ensino e os resultados dos alunos.

Os apoios do setor público destinados aos alunos, como as bolsas, os empréstimos e os subsídios não foram afetados na maioria dos países em 2011 e 2012.

Oito Estados-Membros (Áustria, Alemanha, Grécia, Irlanda, Letónia, Lituânia, Luxemburgo e Portugal) oferecem um apoio financeiro específico a desempregados ou trabalhadores pouco qualificados para melhorarem ou atualizarem as suas competências.

Na maioria dos casos, esses investimentos são apoiados pelo Fundo Social Europeu

"Se os Estados-Membros não investirem suficientemente na modernização da educação e das competências, ficaremos aquém dos nossos concorrentes mundiais e será mais difícil combater o desemprego juvenil", declarou comissária europeia para a Educação, Androulla Vassiliou.

29.10.12

Roberto Carneiro: reavaliar funções do Estado na educação pode ser benéfico

in Público on-line

A competitividade de Portugal “pode estar em causa com cortes muito grandes na educação”, mas reavaliar as funções do Estado nesta área pode ser benéfico, defendeu esta segunda-feira Roberto Carneiro, ministro da Educação entre 1987 e 1991.

“A competitividade de Portugal, a sua garantia de capital humano necessário para que se possa manter na dianteira dos países do Mundo, pode estar em causa com cortes muito grandes na área da educação”, assinalou Roberto Carneiro em declarações à agência Lusa.

Sublinhando que os cortes na educação têm inviabilizado o investimento necessário para um sector vital, o antigo ministro considera positivo que pela refundação do memorando de entendimento com a troika - Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional - possa passar a reavaliação das funções do Estado em várias áreas.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, afirmou na sexta-feira que até 2014 vai realizar-se uma reforma do Estado que constituirá “uma refundação do memorando de entendimento” e defendeu que o PS deve estar comprometido com esse processo.

“Em áreas onde há uma actividade de mercado, onde há outros agentes de natureza privada, ou de natureza intermédia, é evidente que o Estado tem de repensar a sua função, como é o caso da educação”, defendeu Roberto Carneiro.

O antigo ministro da Educação chamou ainda a atenção para um relatório recente do Tribunal de Contas que mostrou que oo custo por aluno é muito maior no ensino público do que no privado. “O que é importante é pensar como é que o Estado pode cumprir melhor as suas obrigações na educação. Se é tentando gerir ou ter as suas actividades todas na educação de natureza pública, ou se pode contar com outros parceiros, financiando-as de uma maneira mais barata e eficiente”, disse.

Lembrando que o Estado é altamente monopolista na área da educação em Portugal, gerindo 80 a 90 por cento do sector, Roberto Carneiro diz que a reavaliação da função do Estado não significa uma falta de intervenção do mesmo.

“Não quer dizer que a educação não tenha de ter sempre uma grande presença do Estado na área da regulação e financiamento na área da solidariedade”, concluiu.