Carlos Ferro, in Diário de Notícias
Recrutamento está a aumentar. A procura já é superior à oferta. Salários chegam a ultrapassar os 1800 euros, mais o alojamento
O Reino Unido e a Alemanha estão a contratar em Portugal dezenas de auxiliares para trabalhar em lares, centros de saúde e em casas de idosos do país. Os britânicos pagam três vezes mais do que em Portugal, com salários a chegarem aos 1800 euros. Profissionais da área da saúde e desempregados são os mais recrutados. O interesse no recrutamento de cidadãos nacionais para esta área de cuidados de saúde especializados sofreu um grande aumento no ano passado, mantendo-se nos primeiros dois meses de 2017 dezenas de ofertas para o setor em sites de empresas de recrutamento. Isto apesar do brexit, cujos eventuais efeitos são, para já, desvalorizados.
Para conseguir convencer as pessoas a irem trabalhar para Inglaterra, é oferecido um salário que pode chegar aos 1800 euros mensais (se for para ficar em casa de um idoso pode subir, e ir até aos cem euros/dia em média), quando em Portugal um auxiliar ganha, na maior parte dos casos, o salário mínimo: 557 euros. Além de existir a possibilidade de lhes ser oferecido o alojamento e as refeições, no caso das pessoas que são contratadas para trabalhar como internas.
A procura é tal que, segundo garantiram ao DN responsáveis de algumas das empresas contactadas, chega a não haver resposta para tanto interesse, principalmente das instituições britânicas. "Há uma procura massiva de auxiliares de ação médica e geriatria. Até está a acontecer que algumas empresas inglesas estão a instalar filiais em Portugal. Apesar de outras preferirem fazer parcerias com empresas nacionais", confirmou ao DN Helena Ribeiro, responsável da Go Work, uma das firmas de recrutamento que trabalham na área da saúde.
"Esta área é muito forte no Reino Unido. Têm muitos idosos que precisam de cuidados, mesmo em casa", sublinhou ao DN Filipe Amorim, da Manda-te.com. "Neste último ano, colocámos 40 pessoas", acrescentou , lembrando que nesse período receberam 3000 candidaturas para trabalhar na área.
Cuidar de doentes como a sogra
Nas ofertas de trabalho que existem online não é feita nenhuma exigência especial, basta falar um pouco de inglês. Não é pedida experiência ou formação para trabalhar com idosos, nem idades específicas. Até porque ao chegar a Inglaterra - o mercado que mais procura estes profissionais em Portugal, tendo também a Alemanha contratado muitas pessoas - as entidades para as quais vão trabalhar são obrigadas a dar formação aos funcionários de forma a receberem o certificado que os autoriza a trabalhar.
Com uma população idosa de cerca de 11 milhões de pessoas (com mais de 65 anos e segundo dados do início de 2016), para uma população total de 64 milhões (em 2014, os dados oficiais mais recentes), o Reino Unido necessita de pessoal para trabalhar neste setor para o qual as entidades locais não parecem encontrar interessados. "Aquilo de que nos vamos apercebendo é que a razão para os ingleses contratarem pessoas para tratar dos idosos está relacionada com a sua falta de aptidão técnica e comportamental para este trabalho. Não é qualquer pessoa que tem aptidão para tratar de um idoso ou de uma pessoa acamada", adiantou ao DN Helena Ribeiro, cuja empresa está a colocar pessoas a trabalhar em centros de saúde.
Maria do Carmo (55 anos) é um exemplo de uma pessoa que decidiu deixar Portugal para ir tratar de idosos, atualmente em Londres. "Estava desempregada e decidi emigrar, já estive em três países e agora estou no Reino Unido", contou ao DN. Cuida de idosos com Alzheimer, um trabalho que "exige grande disponibilidade, atenção e dedicação. O facto de ter cuidado da minha sogra, que sofria dessa doença, despertou-me a sensibilidade e foi no Reino Unido, que tem uma grande percentagem de idosos portadores dessa doença, que encontrei muita necessidade de geriatras".
Esta facilidade de trabalhar com pessoas de idade que os portugueses demonstram é um fator que contribui para a boa imagem que lhes é reconhecida e para a qual foi importante o trabalho dos enfermeiros que emigraram em força para o Reino Unido a partir de 2011.
"Há falta de pessoal na área da saúde e por isso eles [as empresas inglesas] recorrem a Portugal. Até 2013 recorriam a enfermeiros, mas, como passou a ser obrigatório um exame de inglês para esta classe poder trabalhar lá - tem de ter uma nota de sete numa escala que vai até nove -, as empresas começaram a recorrer mais aos auxiliares", explicou ao DN Ricardo Magalhães, da Reach Health Recruitment. Que garante ter a sua empresa candidaturas de pessoas com e sem formação e de várias idades. Em Inglaterra vão trabalhar para lares (privados ou públicos) e com um vencimento que não é comparável ao oferecido em Portugal. "Vão receber 1800 euros por mês, cá não ganham nada parecido", frisou.
Aproveitar, apesar do brexit
Ir para o Reino Unido com pouco mais de 300 euros foi o desafio de Filipa Silva, que aos 39 anos e desempregada decidiu aceitar a proposta de trabalho como "auxiliar de saúde". "Falava-se no brexit, é evidente que pensei como seria o cenário dos próximos tempos, mas também pensei que se não aproveitasse esta oportunidade podia não ter outra", adiantou ao DN esta estudante de Gestão, do ISCAL, e que sempre trabalhou na área administrativa.
Sobre o trabalho, frisa que foi "um desafio, confesso que pela positiva. Sabia que o meu interesse pela área da saúde é imenso, mas daí a imaginar que viria a trabalhar na área nunca me passou pela cabeça. São 12 horas por dia, verdadeiramente árduos em termos físicos e psicológicos", contou.
Entre os trabalhadores e recrutadores ouvidos pelo DN, o brexit (saída do Reino Unido da União Europeia, com consequências a nível da mobilidade e autorizações de trabalho) não atemoriza. Em geral, dizem que o risco ainda compensa.
Em Portugal falta pessoal
A falta de auxiliares de geriatria não é um problema apenas no Reino Unido ou na Alemanha. Também em Portugal os lares e as casas de repouso têm dificuldades em criar equipas, como disse ao DN João Ferreira de Almeida. O presidente da Associação de Apoio Domiciliário, de Lares e Casas de Repouso de Idosos reconhece que esta questão é problemática, mas não porque as pessoas estejam a emigrar. "Há muitos anos que temos dificuldades de recrutamento de ajudantes de ação direta, como é o nome da profissão", diz, explicando a razão: "A maioria ganha o ordenado mínimo, apesar de haver lares a pagar acima disso. Já disse a muitos sócios que se estão satisfeitos com as equipas lhes devem pagar melhor, para que fiquem. Além disso, há muita falta de profissionalismo."
Mostrar mensagens com a etiqueta Emigração - Reino Unido. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Emigração - Reino Unido. Mostrar todas as mensagens
7.3.17
Emigração portuguesa para o Reino Unido caiu 5% em 2016
in Diário de Notícias
Em 2015 as inscrições na segurança social britânica atingiram um pico de 32.301
O número de portugueses que emigrou para o Reino Unido para trabalhar caiu cinco por cento em 2016, em linha com a queda do fluxo migratório geral registado após o voto para o Brexit, foi hoje divulgado.
Em 2016, 30.543 portugueses pediram um número de Segurança Social no Reino Unido, menos 1.758 do que em 2015, ano em que as inscrições atingiram um pico de 32.301.
A inscrição na Segurança Social britânica é obrigatória para as pessoas que queiram trabalhar no país pela primeira vez, porém não equivale ao número exato de emigrantes portugueses que chegaram e ficaram ao Reino Unido porque não contabiliza dependentes nem pessoas inativas profissionalmente.
Estas foram as primeiras estatísticas indicativas dos fluxos migratórios publicadas desde o voto no referendo de 23 de junho de 2016 que ditou a saída britânica da União Europeia.
Os mesmos números, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Pensões, indicam que registaram-se quebras na imigração de outros países europeus, como Polónia (-16%, para 93.372), Hungria (-14%, para 19.152) ou Irlanda (-13%, para 15.332).
Ainda assim, Portugal continua a ser a sexta maior fonte de imigração para o Reino Unido, atrás da Roménia, Polónia, Itália, Espanha, Bulgária e Índia.
Em dados separados, o Instituto Nacional de Estatísticas indicou que o número total de imigrantes desceu abaixo da barreira dos 300 mil, resultado tanto da diminuição de estrangeiros que entraram no país, como de residentes, britânicos e estrangeiros, que deixaram o Reino Unido.
No período entre setembro de 2015 e setembro de 2016 entraram no país cerca de 596 mil pessoas, mas saíram 323 mil, o que resulta numa "imigração líquida" de 273 mil pessoas, menos 49 mil pessoas do que as 322 mil registadas entre setembro de 2014 e 2015.
Em 2015 as inscrições na segurança social britânica atingiram um pico de 32.301
O número de portugueses que emigrou para o Reino Unido para trabalhar caiu cinco por cento em 2016, em linha com a queda do fluxo migratório geral registado após o voto para o Brexit, foi hoje divulgado.
Em 2016, 30.543 portugueses pediram um número de Segurança Social no Reino Unido, menos 1.758 do que em 2015, ano em que as inscrições atingiram um pico de 32.301.
A inscrição na Segurança Social britânica é obrigatória para as pessoas que queiram trabalhar no país pela primeira vez, porém não equivale ao número exato de emigrantes portugueses que chegaram e ficaram ao Reino Unido porque não contabiliza dependentes nem pessoas inativas profissionalmente.
Estas foram as primeiras estatísticas indicativas dos fluxos migratórios publicadas desde o voto no referendo de 23 de junho de 2016 que ditou a saída britânica da União Europeia.
Os mesmos números, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Pensões, indicam que registaram-se quebras na imigração de outros países europeus, como Polónia (-16%, para 93.372), Hungria (-14%, para 19.152) ou Irlanda (-13%, para 15.332).
Ainda assim, Portugal continua a ser a sexta maior fonte de imigração para o Reino Unido, atrás da Roménia, Polónia, Itália, Espanha, Bulgária e Índia.
Em dados separados, o Instituto Nacional de Estatísticas indicou que o número total de imigrantes desceu abaixo da barreira dos 300 mil, resultado tanto da diminuição de estrangeiros que entraram no país, como de residentes, britânicos e estrangeiros, que deixaram o Reino Unido.
No período entre setembro de 2015 e setembro de 2016 entraram no país cerca de 596 mil pessoas, mas saíram 323 mil, o que resulta numa "imigração líquida" de 273 mil pessoas, menos 49 mil pessoas do que as 322 mil registadas entre setembro de 2014 e 2015.
28.10.15
Um em cada três enfermeiros licenciados em 2013 foi para o Reino Unido
in SicNotícias
Cerca de um terço dos enfermeiros portugueses licenciados em 2013 foi trabalhar para o Reino Unido, atualmente o principal país de destino dos emigrantes nacionais, revela o Relatório da Emigração 2014, hoje divulgado pelo Governo.
Imprimir
De acordo com o documento elaborado pelo segundo ano consecutivo pelo gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, no ano passado um total de 30.544 portugueses foram viver para o Reino Unido, mantendo-se a tendência de crescimento dos últimos cinco anos.
O fluxo migratório para o Reino Unido tem "características novas", sendo o país de destino em que "é maior a proporção de portugueses qualificados", lê-se no relatório.
Os enfermeiros constituem um caso particular: Portugal forma entre 3.000 a 3.500 enfermeiros por ano, segundo a Ordem dos Enfermeiros, e "cerca de um terço deste número, 1.211 enfermeiros portugueses, começou a trabalhar em 2013 no Reino Unido, segundo a Nursing and Midwifery Council".
De forma geral, "o emprego no Reino Unido foi obtido através de agências empregadoras que, neste país ou em Portugal, recrutam enfermeiros portugueses", acrescenta o documento do executivo.
A emigração permitiu, "na maioria dos casos, percursos de mobilidade profissional", refere o relatório: "Se antes de emigrarem metade dos inquiridos procurava o seu primeiro emprego e 16% tinha perdido o emprego, depois da emigração para o Reino Unido todos estavam empregados".
O número dos que tinham um posto especializado de trabalho mais do que duplicou com a emigração, passando de 72 para 167. Ou seja, a emigração não só permitiu o acesso ao emprego, tanto por recém-licenciados, como por profissionais desempregados, como permitiu concretizar percursos de promoção profissional", de acordo com um estudo citado pelo documento do Governo que abrangeu 349 enfermeiros portugueses.
O mesmo estudo revela ainda que mais de metade dos inquiridos não pretende regressar a Portugal antes da reforma, posição inversa à intenção de regresso ao país de origem no curto-médio prazo expressa por uma grande percentagem de imigrantes, no contexto das migrações internacionais.
Lusa
Cerca de um terço dos enfermeiros portugueses licenciados em 2013 foi trabalhar para o Reino Unido, atualmente o principal país de destino dos emigrantes nacionais, revela o Relatório da Emigração 2014, hoje divulgado pelo Governo.
Imprimir
De acordo com o documento elaborado pelo segundo ano consecutivo pelo gabinete do secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, no ano passado um total de 30.544 portugueses foram viver para o Reino Unido, mantendo-se a tendência de crescimento dos últimos cinco anos.
O fluxo migratório para o Reino Unido tem "características novas", sendo o país de destino em que "é maior a proporção de portugueses qualificados", lê-se no relatório.
Os enfermeiros constituem um caso particular: Portugal forma entre 3.000 a 3.500 enfermeiros por ano, segundo a Ordem dos Enfermeiros, e "cerca de um terço deste número, 1.211 enfermeiros portugueses, começou a trabalhar em 2013 no Reino Unido, segundo a Nursing and Midwifery Council".
De forma geral, "o emprego no Reino Unido foi obtido através de agências empregadoras que, neste país ou em Portugal, recrutam enfermeiros portugueses", acrescenta o documento do executivo.
A emigração permitiu, "na maioria dos casos, percursos de mobilidade profissional", refere o relatório: "Se antes de emigrarem metade dos inquiridos procurava o seu primeiro emprego e 16% tinha perdido o emprego, depois da emigração para o Reino Unido todos estavam empregados".
O número dos que tinham um posto especializado de trabalho mais do que duplicou com a emigração, passando de 72 para 167. Ou seja, a emigração não só permitiu o acesso ao emprego, tanto por recém-licenciados, como por profissionais desempregados, como permitiu concretizar percursos de promoção profissional", de acordo com um estudo citado pelo documento do Governo que abrangeu 349 enfermeiros portugueses.
O mesmo estudo revela ainda que mais de metade dos inquiridos não pretende regressar a Portugal antes da reforma, posição inversa à intenção de regresso ao país de origem no curto-médio prazo expressa por uma grande percentagem de imigrantes, no contexto das migrações internacionais.
Lusa
27.2.14
Trinta mil portugueses chegaram ao Reino Unido em 2013 para trabalhar
in Jornal de Notícias
Mais de 30 mil portugueses chegaram ao Reino Unido em 2013 para trabalhar, um aumento de quase 50% face ao ano anterior, segundo números oficiais sobre as inscrições na Segurança Social.
No Relatório Trimestral sobre as Estatísticas de Migração do Instituto Nacional de Estatísticas britânico, revela-se que no ano passado pediram um número de segurança social 30,12 mil portugueses, um aumento de 47%, equivalente a quase mais 10 mil pessoas, face aos 20,44 mil de 2012.
Este é um dos parâmetro para as autoridades estudarem os padrões de imigração a longo prazo porque a inscrição na Segurança Social é obrigatória para pessoas que queiram trabalhar no país pela primeira vez.
Porém, o indicador não equivale ao número de imigrantes portugueses que chegaram e ficaram ao Reino Unido, pois o procedimento pode ter sido efetuado para trabalhadores sazonais ou temporários e não contabiliza aqueles registados anteriormente.
Desde 2007 que o Ministério do Trabalho britânico regista uma média anual de cerca de 12 mil novos portugueses, mas em 2011 o número de inscrições na segurança social já tinha disparado para 16,35 mil.
Os valores publicados, esta quinta-feira, colocam Portugal entre os cinco países com maior número de inscrições, atrás da Polónia (111,45 mil), Espanha (51,73 mil), Itália (44,11 mil) e Índia (30,62 mil).
No geral, imigraram para o Reino Unido entre setembro e 2012 e setembro de 2013, 532 mil pessoas, das quais se estima que 209 mil sejam europeus, o valor mais alto desde 1964, quando começaram a ser recolhidas informações junto de europeus que viajam de avião, comboio e barco.
Este aumento é significativo face aos 149 mil europeus que chegaram nos 12 meses anteriores, entre setembro de 2011 e 2012, o que levou o secretário de Estado para a Imigração britânico, James Brokenshire, a reiterar hoje a necessidade de introduzir medidas como um período de três meses mínimo até poderem pedir subsídio de desemprego.
Em declarações à BBC, aquele governante afirmou que o executivo está "determinado a lidar com o abuso da livre circulação e a resolver alguns dos fatores de subsídios e segurança social" que podem motivar as pessoas a irem para o Reino Unido.
Mais de 30 mil portugueses chegaram ao Reino Unido em 2013 para trabalhar, um aumento de quase 50% face ao ano anterior, segundo números oficiais sobre as inscrições na Segurança Social.
No Relatório Trimestral sobre as Estatísticas de Migração do Instituto Nacional de Estatísticas britânico, revela-se que no ano passado pediram um número de segurança social 30,12 mil portugueses, um aumento de 47%, equivalente a quase mais 10 mil pessoas, face aos 20,44 mil de 2012.
Este é um dos parâmetro para as autoridades estudarem os padrões de imigração a longo prazo porque a inscrição na Segurança Social é obrigatória para pessoas que queiram trabalhar no país pela primeira vez.
Porém, o indicador não equivale ao número de imigrantes portugueses que chegaram e ficaram ao Reino Unido, pois o procedimento pode ter sido efetuado para trabalhadores sazonais ou temporários e não contabiliza aqueles registados anteriormente.
Desde 2007 que o Ministério do Trabalho britânico regista uma média anual de cerca de 12 mil novos portugueses, mas em 2011 o número de inscrições na segurança social já tinha disparado para 16,35 mil.
Os valores publicados, esta quinta-feira, colocam Portugal entre os cinco países com maior número de inscrições, atrás da Polónia (111,45 mil), Espanha (51,73 mil), Itália (44,11 mil) e Índia (30,62 mil).
No geral, imigraram para o Reino Unido entre setembro e 2012 e setembro de 2013, 532 mil pessoas, das quais se estima que 209 mil sejam europeus, o valor mais alto desde 1964, quando começaram a ser recolhidas informações junto de europeus que viajam de avião, comboio e barco.
Este aumento é significativo face aos 149 mil europeus que chegaram nos 12 meses anteriores, entre setembro de 2011 e 2012, o que levou o secretário de Estado para a Imigração britânico, James Brokenshire, a reiterar hoje a necessidade de introduzir medidas como um período de três meses mínimo até poderem pedir subsídio de desemprego.
Em declarações à BBC, aquele governante afirmou que o executivo está "determinado a lidar com o abuso da livre circulação e a resolver alguns dos fatores de subsídios e segurança social" que podem motivar as pessoas a irem para o Reino Unido.
9.9.13
Emigração para Inglaterra duplicou no primeiro trimestre
Dina Margato, in Jornal de Notícias
O Reino Unido é o destino de eleição dos portugueses neste momento. As entradas sobem a bom ritmo. Duplicaram no primeiro trimestre. E só no ano passado 20 mil inscreveram-se na Segurança Social.
Em 2012, foram 20 443 os que se registaram no Departamento de Trabalho e Pensões, inscrição dependente de uma morada, que pode ser a de um amigo onde pernoitam provisoriamente. No ano anterior, tinham sido 16 350. Em 2007, eram 12 mil. Os últimos números fornecidos pelo Reino Unido ao Observatório da Emigração dão conta de 9518 inscritos só no primeiro trimestre deste ano, valor francamente superior ao de 2012, em idêntico período: 5420.
São enfermeiros, pertencem ao setor financeiro e à Banca, engenheiros informáticos. Estes últimos conseguem trabalho num mês. O emigrante que escolhe o Reino Unido é qualificado, 20% dos que estão em Inglaterra e País de Gales têm formação superior; média de idade nos 34 anos; quanto ao género, a distribuição é equilibrada, 50%/50%.
Um grande número parte na expectativa de trabalhar na sua área, de poder progredir na carreira e valoriza a qualidade de vida: proteção social e poder fazer planos de viagem. A poupança deixou de ser prioritária. Até porque os gastos em casa e transportes são elevados.
No retrato de Cláudia Pereira, que está a estudar o fenómeno no âmbito do seu pós- -doutoramento, entram ainda os portugueses que começam por trabalhar em bilheteiras de teatros, restaurantes, que partilham casa com outros portugueses ou emigrantes de outras origens, enquanto procuram um emprego à medida do seu currículo. Muitos conseguem-no.
Cláudia Pereira, investigadora do CIES, Centro de Investigação e Estudos Sociais, e colaboradora do Observatório da Emigração, justifica a afluência recorde de portugueses "pela coincidência entre a recessão generalizada da Europa e o facto de o Reino Unido manter oportunidades de trabalho, principalmente para emigrantes qualificados". O desemprego está nos 7,7%, enquanto em Portugal se situa nos 16,5%. "O Reino Unido promete mobilidade....Há pessoas que já estavam a trabalhar na área delas e não conseguiam progredir na carreira e aqui têm possibilidade. Há outros que nem sequer conseguiam trabalhar na área delas, como é o caso dos enfermeiros". Em Inglaterra "existe mais meritocracia do que em Portugal. Basicamente querem a melhor pessoa para o lugar, para lhes dar o maior rendimento, logo maior lucro".
Em simultâneo, "tem vindo a escassear mercado de trabalho para emigrantes pouco escolarizados, porque não dominam o Inglês. Antes podiam trabalhar nas limpezas ou nas cozinhas dos restaurantes. Mas agora há outra nacionalidade, que domina o Inglês, a ocupar esses lugares. São os polacos.
Fogem da precariedade mas não querem fazer fortuna
Catarina Faria, 33 anos, era jornalista e Benjamim Maitre, o marido, 33 anos, professor de Educação Física, e estavam desempregados quando resolveram vender os carros para se aventurarem na procura de emprego noutro país.
Hoje, Benjamim trabalha como professor de educação especial e Catarina na área da Comunicação em Londres. Em parceria com dois amigos gerem ainda a página do Facebook Londrino, cujo objetivo é ajudar emigrantes conterrâneos.
Os sócios, Inês, 25 anos, formada em Desporto, e André, o namorado, 31 anos, curso de Educação Física, fugiram a regimes precários há mais de um ano. Em Londres, André é professor de Educação Física e Inês personal trainer e instrutora de zumba.
Em comum a ideia de que "os emigrantes são hoje completamente diferentes. Apercebemo-nos que 95% das pessoas que nos procuram são formadas e procuram exercer as respetivas profissões cá". Outra das especificidades, as prioridades. "A ideia de emigrar para fazer fortuna é uma utopia". Nas suas palavras, "os novos emigrantes não vêm com o objetivo de juntar fortuna, pelas simples razão que hoje procura-se ter qualidade de vida". Usufruir da oferta cultural de Londres, dizem, e não abdicar do conforto da habitação, o mais caro em Londres.
O Reino Unido é o destino de eleição dos portugueses neste momento. As entradas sobem a bom ritmo. Duplicaram no primeiro trimestre. E só no ano passado 20 mil inscreveram-se na Segurança Social.
Em 2012, foram 20 443 os que se registaram no Departamento de Trabalho e Pensões, inscrição dependente de uma morada, que pode ser a de um amigo onde pernoitam provisoriamente. No ano anterior, tinham sido 16 350. Em 2007, eram 12 mil. Os últimos números fornecidos pelo Reino Unido ao Observatório da Emigração dão conta de 9518 inscritos só no primeiro trimestre deste ano, valor francamente superior ao de 2012, em idêntico período: 5420.
São enfermeiros, pertencem ao setor financeiro e à Banca, engenheiros informáticos. Estes últimos conseguem trabalho num mês. O emigrante que escolhe o Reino Unido é qualificado, 20% dos que estão em Inglaterra e País de Gales têm formação superior; média de idade nos 34 anos; quanto ao género, a distribuição é equilibrada, 50%/50%.
Um grande número parte na expectativa de trabalhar na sua área, de poder progredir na carreira e valoriza a qualidade de vida: proteção social e poder fazer planos de viagem. A poupança deixou de ser prioritária. Até porque os gastos em casa e transportes são elevados.
No retrato de Cláudia Pereira, que está a estudar o fenómeno no âmbito do seu pós- -doutoramento, entram ainda os portugueses que começam por trabalhar em bilheteiras de teatros, restaurantes, que partilham casa com outros portugueses ou emigrantes de outras origens, enquanto procuram um emprego à medida do seu currículo. Muitos conseguem-no.
Cláudia Pereira, investigadora do CIES, Centro de Investigação e Estudos Sociais, e colaboradora do Observatório da Emigração, justifica a afluência recorde de portugueses "pela coincidência entre a recessão generalizada da Europa e o facto de o Reino Unido manter oportunidades de trabalho, principalmente para emigrantes qualificados". O desemprego está nos 7,7%, enquanto em Portugal se situa nos 16,5%. "O Reino Unido promete mobilidade....Há pessoas que já estavam a trabalhar na área delas e não conseguiam progredir na carreira e aqui têm possibilidade. Há outros que nem sequer conseguiam trabalhar na área delas, como é o caso dos enfermeiros". Em Inglaterra "existe mais meritocracia do que em Portugal. Basicamente querem a melhor pessoa para o lugar, para lhes dar o maior rendimento, logo maior lucro".
Em simultâneo, "tem vindo a escassear mercado de trabalho para emigrantes pouco escolarizados, porque não dominam o Inglês. Antes podiam trabalhar nas limpezas ou nas cozinhas dos restaurantes. Mas agora há outra nacionalidade, que domina o Inglês, a ocupar esses lugares. São os polacos.
Fogem da precariedade mas não querem fazer fortuna
Catarina Faria, 33 anos, era jornalista e Benjamim Maitre, o marido, 33 anos, professor de Educação Física, e estavam desempregados quando resolveram vender os carros para se aventurarem na procura de emprego noutro país.
Hoje, Benjamim trabalha como professor de educação especial e Catarina na área da Comunicação em Londres. Em parceria com dois amigos gerem ainda a página do Facebook Londrino, cujo objetivo é ajudar emigrantes conterrâneos.
Os sócios, Inês, 25 anos, formada em Desporto, e André, o namorado, 31 anos, curso de Educação Física, fugiram a regimes precários há mais de um ano. Em Londres, André é professor de Educação Física e Inês personal trainer e instrutora de zumba.
Em comum a ideia de que "os emigrantes são hoje completamente diferentes. Apercebemo-nos que 95% das pessoas que nos procuram são formadas e procuram exercer as respetivas profissões cá". Outra das especificidades, as prioridades. "A ideia de emigrar para fazer fortuna é uma utopia". Nas suas palavras, "os novos emigrantes não vêm com o objetivo de juntar fortuna, pelas simples razão que hoje procura-se ter qualidade de vida". Usufruir da oferta cultural de Londres, dizem, e não abdicar do conforto da habitação, o mais caro em Londres.
Subscrever:
Mensagens (Atom)


