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5.7.22

NATO: Turquia vai exigir à Finlândia e Suécia extradição de 33 pessoas

in SIC

Ancara tinha bloqueado a adesão destes dois países à NATO, acusando-os de acolherem terroristas.A Turquia vai exigir à Finlândia e à Suécia a extradição de 33 pessoas dos movimentos PKK e Fetö, que considera terroristas, anunciou Ancara um dia após levantar o veto ao acesso dos Estados nórdicos à NATO.

“Sob o novo acordo, pediremos à Finlândia que extradite seis membros do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e seis membros do Feto e à Suécia que extradite 10 membros do Fetö e 11 do PKK”, disse o ministro da Justiça turco, Bekir Bozdag.

O PKK é classificado como terrorista por Ancara, União Europeia e Estados Unidos, devido à rebelião armada curda no sudeste turco, iniciada em 1984, enquanto a Fetö, sigla do movimento fundado pelo pregador Fethullah Gülen, exilado nos Estados Unidos e considerado pelo Presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, como o instigador de uma tentativa de golpe de Estado em julho de 2016.

Erdogan reuniu-se, na terça-feira, durante várias horas, com o seu homólogo finlandês, Sauli Niinistö, e a primeira-ministra sueca, Magdalena Andersson, antes da abertura da cimeira da NATO, que decorre entre esta terça-feira e quinta-feira em Madrid.

Ancara tinha bloqueado a adesão destes dois países à Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), acusando-os de acolherem militantes dos dois movimentos.

No final da reunião entre os três países, que também contou com a presença do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, foi apresentado um memorando que abre caminho a um futuro acordo formal de alargamento da Aliança Atlântica, face às ameaças da Rússia.

“A Turquia conseguiu o que queria”, ou seja, a “plena cooperação” dos países nórdicos na luta contra o terrorismo, congratulou-se a presidência turca, em comunicado de imprensa.

Os dois Estados escandinavos têm manifestado desde há vários anos apoio às Unidades de Proteção Popular (YPG), a formação armada dos curdos sírios e principal componente das Forças Democráticas Sírias (HSD), que Ancara acusa de ligações diretas ao PKK.

A Suécia também possui uma importante comunidade curda e mantém tradicionais ligações políticas com os curdos, mais intensas que a vizinha Finlândia. A Turquia censura Estocolmo por continuar a receber representantes da administração autónoma curda do nordeste da Síria e comandantes militares.

13.3.17

Jovens portugueses em risco se Trump acabar com programa que protege quem imigrou em criança

in Público on-line

Durante a campanha eleitoral, Trump prometeu acabar com o DACA mas ainda não alterou a legislação.

Um número indeterminado de jovens portugueses está em risco se Donald J. Trump cumprir a promessa de terminar com um programa que protege pessoas levadas para os EUA de forma ilegal em crianças, segundo várias organizações ouvidas pela Lusa.

Os EUA não divulgam o número de beneficiários por país do "Deferred Action for Childhood Arrivals" (DACA), mas organizações que prestam apoio a imigrantes portugueses em Rhode Island, Massachusetts, Nova Iorque, Nova Jérsia e Califórnia garantiram à Lusa que foi um programa muito popular nas suas comunidades.

"Só no meu estado, acho que estamos a falar de centenas de pessoas", disse à Lusa Helena da Silva Hughes, directora do Centro de Apoio ao Imigrante de New Bedford, em Massachusetts.

O programa, que foi lançado em 2012 por Barack Obama, permite a jovens que foram levados para os EUA em criança de forma ilegal receberem protecção contra deportação, autorização de trabalho e número de segurança social.

Apesar de a comunidade portuguesa ser documentada na sua grande maioria, Helena da Silva Hughes disse que "nos últimos anos muitos imigrantes, sobretudo dos Açores, foram juntar-se a familiares que já estavam" nos Estados Unidos e que alguns dos mais jovens encontraram protecção nesta ordem executiva.

Moses Apsan, que é dono de uma das empresas de advocacia especializadas em imigração mais populares do estado de Nova Jérsia, calcula ter ajudado mais de 100 portugueses a candidatarem-se ao programa.

"Nestes anos, preenchi entre 300 a 400 candidaturas. Cerca de metade eram de cidadãos portugueses", explicou o advogado à Lusa.

No mesmo estado, na cidade de Newark, Ana Oliveira também prestou apoio a vários portugueses que se candidataram ao programa e confirmou que "é um assunto que afecta diretamente os portugueses."

"A comunidade portuguesa está estabelecida e por isso a maioria acha que este tema não lhes diz respeito, mas é um problema que pode atingir muitas famílias portuguesas", garantiu a consultora jurídica.

Bela Ferreira, directora-executiva da Portuguese Organization for Social Services and Opportunities (POSSO), com sede em Santa Clara, na Califórnia, diz que a sua organização "tem conhecimento de jovens protegidos pelo programa", mas que é impossível indicar um número.

"A nossa comunidade está muito dispersa pelo vale [de São Joaquim], por isso não sabemos a dimensão desta realidade. Mas sabemos que há bastantes imigrantes recentes, vindos nos últimos 15 anos, e que uma parte deles se encaixa neste perfil", explicou a líder comunitária.

O estado norte-americano calcula que 2,1 milhões de pessoas possam beneficiar do programa, que não inclui pessoas com mais de 31 anos ou que tenham chegado depois de 2007.

Neste momento, 750 mil pessoas usufruem das suas protecções, o que lhes permitiu ir para a universidade, trabalhar de forma legal, visitar o país de origem e ter carta de condução.

As únicas diferenças destas pessoas para um cidadão norte-americano é que não têm passaporte, não podem votar e podem ser deportados se cometerem algum crime.

Na complexa discussão sobre leis de imigração nos EUA, estes jovens são os que mais solidariedade reúnem do partido democrata e republicano.

Em 2001, foi apresentada uma proposta de lei bipartidária chamada "Dream Act" (Development, Relief and Education for Alien Minors) que tornava efectiva a protecção a estes jovens, mas a iniciativa não foi aprovada.

Desde essa altura que estes jovens se organizam num movimento espalhado por todo o país e se auto-intitulam "dreamers" (sonhadores).

Barack Obama lançou o DACA em 2012, usando os seus poderes presidenciais, depois de um mandato em que a reforma da imigração que tinha prometido durante a campanha foi bloqueada pela Câmara dos Representantes e pelo Senado.

Isto significa que a medida pode ser revertida a qualquer momento por Donald Trump, sem passar por nenhuma das câmaras do congresso norte-americano.

Durante a campanha, Trump prometeu acabar com o programa, dizendo que era uma "amnistia ilegal" e que esta terminaria "no primeiro dia" da sua presidência.

O partido republicano também considera que Obama abusou dos seus poderes presidenciais com esta ação executiva e Jeff Sessions, o procurador-geral nomeado por Trump, é um dos maiores críticos do programa.

Apesar destas posições, a nova administração da Casa Branca ainda não tomou qualquer posição sobre o DACA e tem recusado comentar a questão quando questionado pelos jornalistas.
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"Não acredito que o programa termine, por isso aconselho as pessoas a continuarem a renovar a sua permanência a cada dois anos e aos outros que se candidatem assim que seja possível", disse Moses Apsan à Lusa.

Fonte da embaixada de Portugal em Washington disse à Lusa que "a política de imigração da nova administração está ainda em evolução, e, relativamente ao DACA, não têm havido indicações recentes de que o programa será revogado".

A mesma fonte recordou ainda que "a comunidade portuguesa e luso-americana é um comunidade bem integrada e, na sua larguíssima maioria, de segunda e terceira geração" e garantiu que a rede diplomática "continua a seguir com o máximo cuidado e atenção quaisquer desenvolvimentos que possam afetar cidadãos portugueses".