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14.9.18

Harper tem nove anos e diz que o hino australiano não é inclusivo. Por isso, não se levanta

in P3

Harper Nielsen, nove anos, não se levantou durante o hino nacional australiano por considerar que parte da letra é desrespeitosa para com a população indígena. O protesto foi amplamente criticado por políticos australianos. “Não sou alguém que segue as regras das pessoas mais velhas só porque elas são mais velhas.”

Tem nove anos e começou por se recusar a levantar e a cantar o hino nacional australiano nas assembleias da escola. Harper Nielsen diz que a letra da canção é desrespeitosa e injusta para com a população indígena australiana. “Não sou alguém que segue as regras das pessoas mais velhas só porque elas são mais velhas”, justificou-se, em entrevista a um canal de notícias do país, o Nine News. "Eu imagino o que sentiria se fosse uma pessoa indígena e visse todos os meus amigos a cantar o hino nacional."

Depois do protesto pacífico — que se terá repetido mais do que uma vez e resultado num castigo da escola — se ter tornado público, vários políticos australianos pediram que a criança “fosse suspensa” por desrespeitar o hino e os veteranos do país. Pauline Hanson, senadora e fundadora do partido nacionalista Pauline Hanson's One Nation Party (PHON), defendeu num vídeo publicado no Twitter que as escolas estão a fazer “lavagem cerebral” aos alunos. “Esta criança está a ir num mau caminho e eu culpo os pais por encorajarem isto”, atirou, com a bandeira australiana no fundo.

5.7.17

“É agora que temos de mudar”. A voz das crianças chega ao Parlamento

Rosário Silva

Substituir o "bullying" pela amizade, apelar à paz e ao uso da tecnologia para preservar o planeta são algumas das mensagens que vão chegar aos deputados.

O que querem para Portugal e para o mundo é o que 140 crianças e jovens vão dizer, na quarta-feira, aos deputados no Parlamento, no decorrer de uma Assembleia Nacional de Crianças (ANC).

Do desenvolvimento pessoal à relação com os outros e com a comunidade, passando pela relação com o planeta, os temas marcam o culminar de um processo participativo que está a decorrer desde 22 Abril e no qual todas as escolas e outras entidades que trabalham com crianças e jovens foram convidadas a participar.

“Já recebemos o contributo de mais de 20 escolas e associações que trabalham com crianças e jovens e, no dia 10, vamos ter 140 crianças e jovens reunidos na Assembleia para dizerem aos nossos deputados o que querem para o país e para o mundo”, explica à Renascença a escritora Sara Rodi, co-responsável da ANC.

A iniciativa acontece no âmbito do Fórum Terra, um projecto dedicado ao tema “Portugal a Cuidar da Casa Comum”, que decorre até 22 de Maio, com actividades em diversos pontos do país.

“Esta é uma oportunidade de ouro para que as crianças e jovens possam mostrar que têm ideias e opiniões muito concretas sobre o futuro do país e do planeta e é uma grande felicidade que a Assembleia da República lhes dedique uma manhã, para que a sua voz seja ouvida”, acrescenta Sara Rodi.

O encontro serve também para ultimar a Carta Aberta de Crianças e Jovens a entregar, posteriormente, a todos os líderes políticos, institucionais e religiosos do nosso país.

“Penso que é tempo de ouvir os futuros cidadãos do nosso país e eles sabem tão bem o que querem e o que é preciso fazer para lá chegar”, refere a escritora que se desdobrou, nas últimas semanas, em encontros com as escolas e associações partilhando o entusiasmo dos participantes.

O que querem os mais novos?

Sara Rodi levanta a ponta do véu e revela que “são muitos os contributos” que vão ecoar na casa da Democracia. Há apelos variados e concretizáveis, assim haja vontade colectiva.

Por exemplo, as crianças consideram que “é possível substituir o bullying pela amizade, para que a escola seja um lugar de paz e confiança em que todas as crianças gostem de estar.”

Numa outra vertente, “acreditamos que é possível fazer da escola uma grande família e conviver com todas as pessoas, não olhando às diferenças que nos separam mas sim àquilo que nos une”, refere-nos.

Por outro lado, há um apelo insistente à paz, com as crianças e jovens a exigirem, segundo a responsável pela organização da ANC, “crescer num mundo que seja uma grande comunidade de paz, em que todos possam circular livremente sem ter de se refugiar e em que a tecnologia e a ciência sejam usadas para preservar e melhorar o planeta.”

“É agora que temos de mudar” vai dizer a Beatriz, sete anos, da Escola Básica nº 2 de Reguengos de Monsaraz, “para que um dia possamos olhar para o planeta com orgulho.”

A Assembleia Nacional de Crianças e Jovens é promovida pela Associação Fazedores de Mudança, Movimento Por Uma Escola Diferente, Cooperativa Horas de Sonho, com o apoio de João Sem Medo - Comunidade de Empreendedores Evolucionários, e contou com o apoio do Conselho Nacional de Juventude, CNE, IPDJ/Plano Nacional de Ética no Desporto e Programa Escolhas. A Assembleia será emitida em directo pela Rádio Miúdos.