Por Sul Informação
Há muitas atividades ao longo do mês de Outubro
Uma mesa redonda sobre o tema “Voluntariad@ na Terceira Idade”, que terá lugar no dia 6, na sala de descabeço do Museu de Portimão, continua as comemorações do Mês Da Pessoa Maior de Idade, que o Município promove ao longo de Outubro.
Na mesa redonda, irão participar quatro portimonenses com idade avançada e que desempenham funções relevantes no concelho: Georgete Klisiaris, voluntária no Centro de Convívio Sénior da Aldeia das Sobreiras, no CHUA – Hospital de Portimão e no Canil Municipal, Joaquim Magalhães, presidente do GRATO – Grupo de Apoio aos Toxicodependentes, Fátima Arez, voluntária na Associação Flor Amiga e na Associação Elos de Esperança, e João Reis, presidente da Associação de Dadores de Sangue do Barlavento Algarvio.
Um dos principais temas do debate, moderado pela artista plástica Maria Seruya, responsável pelo projeto “Velhas Bonitonas”, será o papel que os seniores ativos poderão desempenhar em prol da comunidade, não obstante a sua idade, nomeadamente na vertente do voluntariado.
Em Portimão, existe a plataforma municipal Voluntariado Portimão, espaço de encontro das pessoas que se disponibilizam voluntariamente para prestar ações inerentes à cidadania ativa e solidária, integrando também esta rede de vontades as instituições que desenvolvem projetos em prol do desenvolvimento local.
As comemorações começaram ontem, 1, Dia Internacional do Idoso, com um passeio de barco a partir do Clube Naval de Portimão, oferecido pela empresa Bué de Sucesso e pelo Yacht Manguito, no qual participaram pessoas seniores.
Combate à discriminação do idoso
Nos dias 6 e 7 de outubro, com sessões às 10h00 e às 11h00, a Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes irá abordar a temática do Alzheimer do ponto de vista das crianças, através da leitura de uma história adaptada do livro “Memórias do Coração”, de Catarina Malheiro, tendo como público-alvo as escolas e as instituições particulares de solidariedade social do concelho. A iniciativa tem inscrição gratuita, mas obrigatória, através do email saude.cidadania@cm-portimao.pt
Para despertar a aproximação e o reforço de laços entre diferentes gerações, aspeto vital para uma sociedade verdadeiramente coesa, diversa e inclusiva, no dia 18, será dinamizado um workshop sobre a conceção de projetos intergeracionais.
O workshop tem início às 14h00 no café concerto do TEMPO – Teatro Municipal de Portimão e dotará os formandos de competências específicas e inovadoras na preparação de iniciativas intergeracionais, de forma a combater os guetos etários das comunidades.
A formação, dinamizada pela Associação Cabelos Brancos, é gratuita e aberta às entidades que trabalham nesta área e a todos os interessados, devendo a respetiva inscrição ser feita até 16 de outubro para o email saude.cidadania@cm-portimao.pt
Também promovido pela Associação Cabelos Brancos, vai realizar-se um curso certificado de capacitação sobre idadismo, ou seja, a discriminação etária e o preconceito contra a pessoa idosa, que decorrerá em várias sessões diárias online e até ao início de novembro.
Destinada a animadores dos centros de convívio sénior e centros comunitários da autarquia e das estruturas residenciais para pessoas idosas do concelho, esta formação tem por finalidade identificar e contextualizar a problemática do idadismo, reconhecer onde se manifesta e quais os seus contextos e impacto, além de ensinar estratégias de capacitação individual, social e institucional.
A vida sem prazo de validade
A fundadora do projeto “Velhas Bonitonas”, cujo lema é “Ousamos ser quem somos sem complexos nem culpas”, Maria Seruya vai expor um conjunto de pinturas, patentes de 5 a 24 de Outubro no Mercado Municipal de Portimão e no café concerto do TEMPO, que mostram como a beleza feminina não tem limites de idade e transmite uma ideia de empoderamento das mulheres mais idosas.
Ainda no âmbito das ações pensadas para este mês, o Município de Portimão associou-se à campanha “A vida sem prazos de validade”, promovida pela Associação Cabelos Brancos para sensibilizar a população na luta contra o idadismo e incentivar a capacitação do processo de envelhecimento em todos os ciclos de vida.
Neste sentido, serão distribuídos, ao longo do mês, a todos os participantes nas atividades programadas, sacos sustentáveis e t-shirts com mensagens ativistas sobre discriminação etária, que constituem a primeira coleção da marca Cabelos Brancos, numa edição limitada que poderá ser adquirida por todas as pessoas que desejem tornar-se embaixadoras da associação e contribuir para a mudança de uma nova narrativa sobre o envelhecimento em todos os ciclos de vida.
Atividade física saudável
Uma vez que para o bem-estar da população sénior é essencial a atividade física saudável, orientada, regular e vocacionada, a programação contempla ainda diversas aulas abertas de pilates, karaté sénior e hidroginástica, no âmbito do Programa Exercício e Saúde, marcadas para os complexos desportivos da Boavista, de Portimão e da Mexilhoeira Grande e com inscrições prévias.
Ainda na vertente da atividade física, o Centro Comunitário de Alvor recebe no dia 26 de outubro uma matiné dançante, a partir das 15h30, com animação musical a cargo de Humberto Silva, incentivando a confraternização entre seniores.
No decorrer de todo o mês, as árvores do Jardim das Águas Vivas vestem-se de “abraços”, como resultado dos trabalhos em crochet desenvolvidos pelas utentes do Centro de Convívio da Aldeia das Sobreiras, encerrando as comemorações no dia 31 de outubro, com a já habitual homenagem aos munícipes portimonenses centenários, cuja programação será divulgada oportunamente.
Esta iniciativa enquadra-se no projeto “Distribuindo amor pelo município”, surgido no âmbito do período de pandemia em que a população, particularmente a maior de idade, se viu privada de afetos.
Neste sentido, teve inicio a construção de quase cem abraços, que a partir de agora decoram o Jardim das Águas Livres, numa mensagem simbólica de afeto dirigida à comunidade.
Além desta atividade, estão em curso atualmente no concelho os projetos “Correio dos afetos”, em resultado de uma parceria estabelecida entre a autarquia e o Lar da Criança de Portimão, e “Gestos de amor”, em conjunto com o Centro Hospitalar Universitário do Algarve – Hospital de Portimão, ambos promovidos pelos Centros de Convívio Sénior de Portimão e da Aldeia das Sobreiras.
Por outro lado, e em prol de quem mais precisa, o Grupo de Apoio à Pessoa Idosa (GAPI) desenvolve o projeto “Teleassistência”, visando promover o cuidado e segurança da população mais vulnerável.
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6.10.22
28.2.22
O bairro de casas pré-fabricadas onde 28 famílias ciganas começam uma nova vida
Por Elisabete Rodrigues, in Sul Informação
Uma equipa técnica da autarquia acompanha no terreno o realojamento e integração das famílias, numa relação de proximidade
«Esse é o pedido de adesão para ter a senha de acesso ao Portal das Finanças. Assim, não tem de ir lá, trata tudo no computador, nós ajudamos. Agora vamos pedir a senha do acesso à Segurança Social», explicava Dina Barradas, uma das técnicas do gabinete de apoio à comunidade cigana do Vale da Arrancada, em Portimão, a uma das novas moradoras.
Uma mulher cigana mais nova, ao lado de uma mais velha, vestida de preto da cabeça aos pés, segurava o papel com a senha apontada. «Não vou perder isto, fique descansada», dizia, em resposta a Dina Barradas.
O gabinete de apoio conta com três técnicas – Dina Barradas, Paulo Vasco e Joana Pedro – e fica instalado numa casa pré-fabricada, quase igual às que foram construídas no terreno do Vale da Arrancada, entre Setembro do ano passado e Janeiro deste, para alojar as 28 famílias ciganas que, durante três décadas, viveram no bairro de barracas clandestinas em pleno centro da cidade de Portimão, ao lado do mercado e do cemitério.
As casas modulares são brancas, mas têm barras com as cores da bandeira cigana: azul como o céu, verde como a terra, vermelho como as suas carroças. Lá naquele sítio já moravam outras cinco famílias, a que se juntaram agora mais estas 28, num total de mais de uma centena de pessoas.
Vera Frederico, de 41 anos, e o seu marido João Negrão, de 32 anos, são dois dos novos moradores e esperam, muito aprumados, à porta da sua casa nova que chegue a vereadora Teresa Mendes e o vice-presidente da Câmara Álvaro Bila, bem como técnicos vários da autarquia e a jornalista do Sul Informação.
A D. Vera não tem papas na língua e diz: «da casa não reclamo, mas da rua sim. Quando chove, isto fica tudo cheio de água e de lama. Aqui à frente parece uma piscina. O que nos vale é que não tem chovido quase nada, senão não sei como seria».
A vereadora, que tem também o pelouro da Ação Social, diz: «vai ser tudo tratado, só que demora algum tempo. Tem que ter paciência».
Por seu lado, o vice-presidente Álvaro Bila, que conhece bem os novos moradores já que, antes de ser eleito para a Câmara, foi durante anos presidente da Junta de Freguesia de Portimão, garante que «as ruas vão ser pavimentadas». Voltando-se para a jornalista diz: «vamos melhorar as condições do exterior, até para que os novos moradores percebam que isto tem de estar tudo limpo e arranjado».
A D. Vera abre a porta da sua casa, deixando ver a sala de entrada, que também é cozinha e o sofá onde ainda dormem dois dos seus filhos. Mostra com orgulho as paredes da sala, que ela e o marido forraram com um material a imitar azulejos cinzentos brilhantes. A cozinha está muito arrumada.
«A casa tem três quartos, mas eu tenho quatro filhos, uma delas já tem 23 anos. Tive de comprar umas caminhas, mas também dormem na sala».
Apesar do aperto, garante: «aqui estamos muito melhor. Lá não tínhamos estas condições, aqui temos uma cozinha como deve ser. quartos, casa de banho. É pequena, mas tem tudo».
João Negrão, o marido, sorridente mas de poucas falas, concorda: «lá era uma barraca, era muito diferente».
Os filhos mais novos de Vera ainda andam da escola. Depois de ter enviuvado, casou-se com o João, mas ainda não tiveram filhos. «A vida está difícil para ter mais filhos», desabafa, olhando para os meninos que dormem aconchegados no sofá cama.
João acrescenta: «há aí zonas onde não se vê crianças, mas nos nossos bairros há sempre muitas. O cigano gosta de crianças, de filhos».
Tanto João como Vera (e os seus filhos) recebem Rendimento Social de Inserção (RSI), mas estão ambos inscritos no IEFP, embora nunca tenham sido chamados para nenhum emprego. João diz que vai fazendo «uns biscates, sempre que aparece alguma coisa». Vera tirou um curso de costura no IEFP e está esperançada que a chamem: «posso ir para uma casa fazer bainhas ou arranjos, posso trabalhar num hotel», diz. «A gente não tem aquelas grandes capacidades, é mais difícil». Nem sequer refere que dificilmente uma mulher cigana consegue um emprego, mas isso fica implícito nas reticências do seu sorriso.
Paula Pereira, chefe de Divisão de Habitação, Desenvolvimento Social e Saúde da Câmara de Portimão, que também acompanha a visita, explica que a comunidade cigana do Vale da Arrancada se ocupa com a venda ambulante ou recebe o RSI. Mas, com a pandemia, diz uma das técnicas do Gabinete de Apoio, «a venda ambulante parou e eles deixaram de ter uma fonte de rendimento importante».
Mais à frente, está outra vizinha, que teve um bebé há pouco tempo, logo que se mudou para o novo bairro do Vale da Arrancada. Mal vê a vereadora e o vice-presidente aproximarem-se, diz: «isto não é uma casa, é um contentor! Tive uma bebé, foi a primeira a nascer aqui neste bairro, e agora não tenho um quarto para ela, tem de ficar comigo».
A vereadora Teresa Mendes pergunta: «então não está aqui melhor? Lá onde estava não tinha água canalizada, nem esgotos, mas aqui tem».
Uns metros mais adiante, duas avós, uma delas com um neto ainda bebé ao colo, garantem: «Gostava mais de estar na barraca que aqui onde estou. Isto é só bonito, de resto não vale nada!»
A autarca assume que «há aqui coisas que têm ainda de ser retificadas. Os arruamentos, por exemplo, vão ser melhorados. E precisam mesmo de ser!».
Paula Pereira acrescenta: «depois de instalar aqui estas famílias, tivemos o cuidado de ir de casa em casa para ver quais os problemas existentes. Vai ser tudo retificado».
Joana Pedro é a gestora do projeto de intervenção social «(Re)Viver no meu bairro», que atua no bairro social da Cruz da Parteira, nas Cardosas e agora também no Vale da Arrancada, ou seja, em todos os locais de relojamento de famílias da comunidade cigana na cidade de Portimão.
No fundo, explica Joana, o seu trabalho é fazer «mediação», estabelecendo uma muito necessária «ponte entre a Câmara e a população cigana».
E é no âmbito desse trabalho, de que fala com entusiasmo, que está a desenvolver um ateliê de jardinagem, para que sejam os moradores do novo bairro a criar os seus próprios jardins e recantos floridos.
Por outro lado, recorda Joana, «foram as crianças que, noutro ateliê, criaram as decorações para os seus quartos, nas casas novas».
Outra das frentes em que o projeto social vai atuar é na alfabetização, esta mais virada para os adultos. «Aqui, a maior parte das pessoas não têm escolaridade, tirando os miúdos que vão à escola ou perdem o RSI».
«Vamos iniciar uma turma de alfabetização para adultos e já temos três pessoas interessadas». Uma delas é a D. Ivone, uma matriarca mais idosa, viúva e vestida de preto. «A D. Ivone até já tinha feito um curso de alfabetização há uns anos, no IEFP, mas depois não usou a aprendizagem para nada e acabou por esquecer a maior parte. Não usam e perdem. Agora diz que quer ir de novo aprender a ler e a escrever», explica Paula Pereira.
O processo começou agora, com a mudança da comunidade para o seu novo bairro, mas as aulas de alfabetização só deverão começar daqui a três meses.
Para as crianças, há apoio escolar, nas tardes de terça. quarta, quinta e sexta-feira.
Aos sábados de manhã, há atividades infanto-juvenis: ginástica, expressão plástica, criação de pulseiras, origami, música. Tudo atividades que ajudam os miúdos ciganos a desenvolver capacidades como a concentração numa tarefa ou até regras básicas de convivialidade. «Na Cruz da Parteira, já tínhamos estas atividades, que começámos agora também aqui».
E há progressos? «Sim, já se nota muitas diferenças no comportamento dos miúdos. Já dizem obrigado, com licença, têm mais cuidado com o lixo. Ainda há dias um deles, o Igor, comeu um croissant e jogou o papel para o chão. Mas foi ele mesmo a ir apanhar e disse-me: se deixo isto aqui vai parar ao mar, não é? São coisas que aqui e na escola lhes vamos ensinando».
E há por ali verdadeiros talentos: «duas crianças que moram aqui no Vale da Arrancada, o Junior e o António, de 10 e 12 anos, tocam guitarra e um deles canta muito bem. Vão às quartas-feiras ter com o Samuel ao estúdio do projeto “PorTiArtista” que temos na Cruz da Parteira», criado no âmbito da candidatura ao programa governamental «Bairros Saudáveis».
Para os adultos, em especial para as mulheres, há formações sobre coisas aparentemente triviais, mas com as quais têm de aprender a lidar, no âmbito da economia doméstica: «Como é que se limpa o exaustor, que não tinham nas barracas? Como é que se trabalha com a máquina da roupa? Como é que se paga a água e a luz ou se tira uma senha do portal das Finanças ou da Segurança Social?». Estas são, segundo Paula Pereira, algumas das coisas que é preciso ensinar…e aprender.
A chefe da Divisão de Desenvolvimento Social acrescenta que «todas estas são famílias muito numerosas, que juntam debaixo do mesmo teto várias gerações. Temos aqui três matriarcas, mulheres mais velhas, as avós, com quem os netos ficam, quando são pequenos ou quando não estão na escola. Avó que é avó faz comida de tacho para todos, nem que seja uma panela de sopa».
Todas as famílias que se mudaram para as casas préfabricadas do novo bairro do Vale da Arrancada assinaram, com a Câmara de Portimão, um contrato de comodato. Mas a água e a luz que consomem está em nome de cada família, que tem de as pagar. Uma obrigação nova a que não estavam habituadas, mas que agora estão a aprender.
Ao contrário do boato que chegou a circular nas redes sociais quando a demolição das barracas começou, em Setembro, nenhuma das famílias ciganas recebeu dinheiro – havia rumores de vários milhares de euros… – para sair das barracas e mudar-se para o Vale da Arrancada.
A vereadora Teresa Mendes salienta que foi apenas um boato, lançado em tempo de campanha eleitoral, para dar a entender que a autarquia privilegiava a comunidade cigana em detrimento dos outros municípes. «Não é verdade!», garantiu. Aliás, durante a visita ao novo bairro, seriam duas moradoras do Vale da Arrancada a pedir satisfações à autarca em relação ao dinheiro que, supostamente, a Câmara lhes havia de dar. «Nunca recebemos nada. Como é?», interpelaram as duas mulheres ciganas.
Todo o trabalho que, há pelo menos duas décadas, a Câmara Municipal de Portimão, as igrejas e outras entidades, têm feito com a comunidade cigana começa a dar bons frutos. «Temos aqui já alguns ciganos, ligados à igreja, que trabalham em supermercados, investem na educação dos filhos, que estão a fazer cursos técnico-profissionais. Um deles até já se voluntariou para vir aqui fazer atividades aos sábados», revela Paula Pereira.
Nem tudo é um mar de rosas, admite: «há mais rapazes que raparigas ciganas no 11º e no 12º ano, mas cada vez vai havendo mais. Há mesmo um cigano de Portimão que é militar da GNR», acrescenta.
«Para mudar, são precisas gerações, mas já se vai notando a diferença», conclui.
Joana Pedro explica que uma das coisas que tenta incutir aos miúdos ciganos é orgulho na sua etnia. Por isso lhes mostrou a sua bandeira, a tal cujas cores estão nas barras das casas, lhes deu a ouvir o hino, ou lhes falou dos muitos membros da etnia que são figuras públicas e reconhecidas. «Eles já tinham ouvido falar do nosso Quaresma, jogador de futebol da seleção. Mas quando eles descobriram que o jogador sueco Ibrahimović também é cigano, os miúdos passaram-se!»
Uma equipa técnica da autarquia acompanha no terreno o realojamento e integração das famílias, numa relação de proximidade
«Esse é o pedido de adesão para ter a senha de acesso ao Portal das Finanças. Assim, não tem de ir lá, trata tudo no computador, nós ajudamos. Agora vamos pedir a senha do acesso à Segurança Social», explicava Dina Barradas, uma das técnicas do gabinete de apoio à comunidade cigana do Vale da Arrancada, em Portimão, a uma das novas moradoras.
Uma mulher cigana mais nova, ao lado de uma mais velha, vestida de preto da cabeça aos pés, segurava o papel com a senha apontada. «Não vou perder isto, fique descansada», dizia, em resposta a Dina Barradas.
O gabinete de apoio conta com três técnicas – Dina Barradas, Paulo Vasco e Joana Pedro – e fica instalado numa casa pré-fabricada, quase igual às que foram construídas no terreno do Vale da Arrancada, entre Setembro do ano passado e Janeiro deste, para alojar as 28 famílias ciganas que, durante três décadas, viveram no bairro de barracas clandestinas em pleno centro da cidade de Portimão, ao lado do mercado e do cemitério.
As casas modulares são brancas, mas têm barras com as cores da bandeira cigana: azul como o céu, verde como a terra, vermelho como as suas carroças. Lá naquele sítio já moravam outras cinco famílias, a que se juntaram agora mais estas 28, num total de mais de uma centena de pessoas.
Vera Frederico, de 41 anos, e o seu marido João Negrão, de 32 anos, são dois dos novos moradores e esperam, muito aprumados, à porta da sua casa nova que chegue a vereadora Teresa Mendes e o vice-presidente da Câmara Álvaro Bila, bem como técnicos vários da autarquia e a jornalista do Sul Informação.
A D. Vera não tem papas na língua e diz: «da casa não reclamo, mas da rua sim. Quando chove, isto fica tudo cheio de água e de lama. Aqui à frente parece uma piscina. O que nos vale é que não tem chovido quase nada, senão não sei como seria».
A vereadora, que tem também o pelouro da Ação Social, diz: «vai ser tudo tratado, só que demora algum tempo. Tem que ter paciência».
Por seu lado, o vice-presidente Álvaro Bila, que conhece bem os novos moradores já que, antes de ser eleito para a Câmara, foi durante anos presidente da Junta de Freguesia de Portimão, garante que «as ruas vão ser pavimentadas». Voltando-se para a jornalista diz: «vamos melhorar as condições do exterior, até para que os novos moradores percebam que isto tem de estar tudo limpo e arranjado».
A D. Vera abre a porta da sua casa, deixando ver a sala de entrada, que também é cozinha e o sofá onde ainda dormem dois dos seus filhos. Mostra com orgulho as paredes da sala, que ela e o marido forraram com um material a imitar azulejos cinzentos brilhantes. A cozinha está muito arrumada.
«A casa tem três quartos, mas eu tenho quatro filhos, uma delas já tem 23 anos. Tive de comprar umas caminhas, mas também dormem na sala».
Apesar do aperto, garante: «aqui estamos muito melhor. Lá não tínhamos estas condições, aqui temos uma cozinha como deve ser. quartos, casa de banho. É pequena, mas tem tudo».
João Negrão, o marido, sorridente mas de poucas falas, concorda: «lá era uma barraca, era muito diferente».
Os filhos mais novos de Vera ainda andam da escola. Depois de ter enviuvado, casou-se com o João, mas ainda não tiveram filhos. «A vida está difícil para ter mais filhos», desabafa, olhando para os meninos que dormem aconchegados no sofá cama.
João acrescenta: «há aí zonas onde não se vê crianças, mas nos nossos bairros há sempre muitas. O cigano gosta de crianças, de filhos».
Tanto João como Vera (e os seus filhos) recebem Rendimento Social de Inserção (RSI), mas estão ambos inscritos no IEFP, embora nunca tenham sido chamados para nenhum emprego. João diz que vai fazendo «uns biscates, sempre que aparece alguma coisa». Vera tirou um curso de costura no IEFP e está esperançada que a chamem: «posso ir para uma casa fazer bainhas ou arranjos, posso trabalhar num hotel», diz. «A gente não tem aquelas grandes capacidades, é mais difícil». Nem sequer refere que dificilmente uma mulher cigana consegue um emprego, mas isso fica implícito nas reticências do seu sorriso.
Paula Pereira, chefe de Divisão de Habitação, Desenvolvimento Social e Saúde da Câmara de Portimão, que também acompanha a visita, explica que a comunidade cigana do Vale da Arrancada se ocupa com a venda ambulante ou recebe o RSI. Mas, com a pandemia, diz uma das técnicas do Gabinete de Apoio, «a venda ambulante parou e eles deixaram de ter uma fonte de rendimento importante».
Mais à frente, está outra vizinha, que teve um bebé há pouco tempo, logo que se mudou para o novo bairro do Vale da Arrancada. Mal vê a vereadora e o vice-presidente aproximarem-se, diz: «isto não é uma casa, é um contentor! Tive uma bebé, foi a primeira a nascer aqui neste bairro, e agora não tenho um quarto para ela, tem de ficar comigo».
A vereadora Teresa Mendes pergunta: «então não está aqui melhor? Lá onde estava não tinha água canalizada, nem esgotos, mas aqui tem».
Uns metros mais adiante, duas avós, uma delas com um neto ainda bebé ao colo, garantem: «Gostava mais de estar na barraca que aqui onde estou. Isto é só bonito, de resto não vale nada!»
A autarca assume que «há aqui coisas que têm ainda de ser retificadas. Os arruamentos, por exemplo, vão ser melhorados. E precisam mesmo de ser!».
Paula Pereira acrescenta: «depois de instalar aqui estas famílias, tivemos o cuidado de ir de casa em casa para ver quais os problemas existentes. Vai ser tudo retificado».
Joana Pedro é a gestora do projeto de intervenção social «(Re)Viver no meu bairro», que atua no bairro social da Cruz da Parteira, nas Cardosas e agora também no Vale da Arrancada, ou seja, em todos os locais de relojamento de famílias da comunidade cigana na cidade de Portimão.
No fundo, explica Joana, o seu trabalho é fazer «mediação», estabelecendo uma muito necessária «ponte entre a Câmara e a população cigana».
E é no âmbito desse trabalho, de que fala com entusiasmo, que está a desenvolver um ateliê de jardinagem, para que sejam os moradores do novo bairro a criar os seus próprios jardins e recantos floridos.
Por outro lado, recorda Joana, «foram as crianças que, noutro ateliê, criaram as decorações para os seus quartos, nas casas novas».
Outra das frentes em que o projeto social vai atuar é na alfabetização, esta mais virada para os adultos. «Aqui, a maior parte das pessoas não têm escolaridade, tirando os miúdos que vão à escola ou perdem o RSI».
«Vamos iniciar uma turma de alfabetização para adultos e já temos três pessoas interessadas». Uma delas é a D. Ivone, uma matriarca mais idosa, viúva e vestida de preto. «A D. Ivone até já tinha feito um curso de alfabetização há uns anos, no IEFP, mas depois não usou a aprendizagem para nada e acabou por esquecer a maior parte. Não usam e perdem. Agora diz que quer ir de novo aprender a ler e a escrever», explica Paula Pereira.
O processo começou agora, com a mudança da comunidade para o seu novo bairro, mas as aulas de alfabetização só deverão começar daqui a três meses.
Para as crianças, há apoio escolar, nas tardes de terça. quarta, quinta e sexta-feira.
Aos sábados de manhã, há atividades infanto-juvenis: ginástica, expressão plástica, criação de pulseiras, origami, música. Tudo atividades que ajudam os miúdos ciganos a desenvolver capacidades como a concentração numa tarefa ou até regras básicas de convivialidade. «Na Cruz da Parteira, já tínhamos estas atividades, que começámos agora também aqui».
E há progressos? «Sim, já se nota muitas diferenças no comportamento dos miúdos. Já dizem obrigado, com licença, têm mais cuidado com o lixo. Ainda há dias um deles, o Igor, comeu um croissant e jogou o papel para o chão. Mas foi ele mesmo a ir apanhar e disse-me: se deixo isto aqui vai parar ao mar, não é? São coisas que aqui e na escola lhes vamos ensinando».
E há por ali verdadeiros talentos: «duas crianças que moram aqui no Vale da Arrancada, o Junior e o António, de 10 e 12 anos, tocam guitarra e um deles canta muito bem. Vão às quartas-feiras ter com o Samuel ao estúdio do projeto “PorTiArtista” que temos na Cruz da Parteira», criado no âmbito da candidatura ao programa governamental «Bairros Saudáveis».
Para os adultos, em especial para as mulheres, há formações sobre coisas aparentemente triviais, mas com as quais têm de aprender a lidar, no âmbito da economia doméstica: «Como é que se limpa o exaustor, que não tinham nas barracas? Como é que se trabalha com a máquina da roupa? Como é que se paga a água e a luz ou se tira uma senha do portal das Finanças ou da Segurança Social?». Estas são, segundo Paula Pereira, algumas das coisas que é preciso ensinar…e aprender.
A chefe da Divisão de Desenvolvimento Social acrescenta que «todas estas são famílias muito numerosas, que juntam debaixo do mesmo teto várias gerações. Temos aqui três matriarcas, mulheres mais velhas, as avós, com quem os netos ficam, quando são pequenos ou quando não estão na escola. Avó que é avó faz comida de tacho para todos, nem que seja uma panela de sopa».
Todas as famílias que se mudaram para as casas préfabricadas do novo bairro do Vale da Arrancada assinaram, com a Câmara de Portimão, um contrato de comodato. Mas a água e a luz que consomem está em nome de cada família, que tem de as pagar. Uma obrigação nova a que não estavam habituadas, mas que agora estão a aprender.
Ao contrário do boato que chegou a circular nas redes sociais quando a demolição das barracas começou, em Setembro, nenhuma das famílias ciganas recebeu dinheiro – havia rumores de vários milhares de euros… – para sair das barracas e mudar-se para o Vale da Arrancada.
A vereadora Teresa Mendes salienta que foi apenas um boato, lançado em tempo de campanha eleitoral, para dar a entender que a autarquia privilegiava a comunidade cigana em detrimento dos outros municípes. «Não é verdade!», garantiu. Aliás, durante a visita ao novo bairro, seriam duas moradoras do Vale da Arrancada a pedir satisfações à autarca em relação ao dinheiro que, supostamente, a Câmara lhes havia de dar. «Nunca recebemos nada. Como é?», interpelaram as duas mulheres ciganas.
Todo o trabalho que, há pelo menos duas décadas, a Câmara Municipal de Portimão, as igrejas e outras entidades, têm feito com a comunidade cigana começa a dar bons frutos. «Temos aqui já alguns ciganos, ligados à igreja, que trabalham em supermercados, investem na educação dos filhos, que estão a fazer cursos técnico-profissionais. Um deles até já se voluntariou para vir aqui fazer atividades aos sábados», revela Paula Pereira.
Nem tudo é um mar de rosas, admite: «há mais rapazes que raparigas ciganas no 11º e no 12º ano, mas cada vez vai havendo mais. Há mesmo um cigano de Portimão que é militar da GNR», acrescenta.
«Para mudar, são precisas gerações, mas já se vai notando a diferença», conclui.
Joana Pedro explica que uma das coisas que tenta incutir aos miúdos ciganos é orgulho na sua etnia. Por isso lhes mostrou a sua bandeira, a tal cujas cores estão nas barras das casas, lhes deu a ouvir o hino, ou lhes falou dos muitos membros da etnia que são figuras públicas e reconhecidas. «Eles já tinham ouvido falar do nosso Quaresma, jogador de futebol da seleção. Mas quando eles descobriram que o jogador sueco Ibrahimović também é cigano, os miúdos passaram-se!»
14.12.20
Portimão vai apoiar 14 projetos pensados por jovens do concelho
No âmbito do Prémio Iniciativa Jovem
14 das 29 propostas apresentadas ao Prémio Iniciativa Jovem vão ser apoiadas em 500 euros pela Câmara de Portimão.
As ideias vencedoras deste concurso, que visa distinguir a cidadania empreendedora dos jovens portimonenses, foram ontem anunciadas numa cerimónia que teve lugar nos Paços do Concelho e se inseriu nas comemorações do Dia da Cidade de Portimão, que hoje se celebra.
As propostas foram apresentadas por grupos informais ou jovens a título individual, com idades entre os 13 e os 35 anos, «que assim quiseram contribuir para transformar o território, acedendo a pequenos financiamentos destinados ao planeamento e implementação das suas ideias», segundo a Câmara de Portimão.
«De entre as ideias recebidas, destacaram-se as áreas da participação democrática, cidadania e voluntariado, promoção de hábitos de vida saudáveis, sustentabilidade ambiental, inclusão social e cuidados a ter com o espaço público», acrescentou a autarquia.
Os critérios de avaliação «centraram-se na estrutura e relevância da proposta, no seu impacto na comunidade e na sustentabilidade e otimização dos recursos».
A escolha resultou da votação dos próprios jovens na plataforma MyPolis, bem como da avaliação de um júri constituído por representantes do Município de Portimão, da DYPALL Network e da MyPolis, os parceiros que lançaram a iniciativa, em Julho, no âmbito do Geração XXI, um programa de dinamização do setor da juventude da autarquia.
«Era objetivo deste programa que as propostas vencedoras fossem implementadas no último trimestre de 2020, mas face à pandemia prevê-se que as mesmas tenham efeito prático, tanto quanto possível, no início de 2021, estando garantido o acompanhamento e apoio à respetiva execução por parte do Município de Portimão e da DYPALL», concluiu a Câmara de Portimão.
Propostas vencedoras:
– “Formação para as Associações de Estudantes” (capacitação das associações)
– “O Mar Começa Aqui” (pintura de sarjetas, de forma a sensibilizar para as questões da poluição)
– “Cinzeiros gigantes originais” (instalação de cinzeiro interativo que incentive e sensibilize a comunidade a depositar as beatas corretamente)
– “Reflorestar Portimão” (plantação de árvores em zonas rurais ou urbanas, de modo a sensibilizar a comunidade para as questões ambientais)
– “Bolsa de Animadores: A inclusão dos Jovens” (criação de uma bolsa de jovens para apoio a projetos de entidades locais)
– “Pavimento Alucinante” (betão com cascalho fotoluminescente para cobrir buracos ou pedras de calçada)
– “Beber Água de Portimão” (instalação de um bebedouro num local estratégico da cidade para ser usado por adultos, crianças, jovens, pessoas com mobilidade reduzida e animais de estimação, ao mesmo tempo que será promovido o uso da água da torneira)
– “Depósito de máscaras descartáveis” (instalação de contentores específicos para máscaras descartáveis em locais estratégicos da cidade, por exemplo, em escolas)
– “Eco Moral” (mural que sensibilize para a causa ambiental, com recurso aos eco graffitis e sem utilizar materiais tóxicos ou poluentes)
– “Matemática Ao quadrado” (workshop de matemática)
– “A Rua Verde” (colocação de vasos de madeira em alguns bairros, para trazer vegetação ao centro urbano)
– “Vamos poupar água!” (sensibilização para a escassez de água)
– “Fresque dos vizinhos” (murais entre vizinhos para alegrar as ruas)
– “Diz NÃO ao Tabaco” (sensibilização sobre os riscos associados ao consumo e exposição ao tabaco).
14 das 29 propostas apresentadas ao Prémio Iniciativa Jovem vão ser apoiadas em 500 euros pela Câmara de Portimão.
As ideias vencedoras deste concurso, que visa distinguir a cidadania empreendedora dos jovens portimonenses, foram ontem anunciadas numa cerimónia que teve lugar nos Paços do Concelho e se inseriu nas comemorações do Dia da Cidade de Portimão, que hoje se celebra.
As propostas foram apresentadas por grupos informais ou jovens a título individual, com idades entre os 13 e os 35 anos, «que assim quiseram contribuir para transformar o território, acedendo a pequenos financiamentos destinados ao planeamento e implementação das suas ideias», segundo a Câmara de Portimão.
«De entre as ideias recebidas, destacaram-se as áreas da participação democrática, cidadania e voluntariado, promoção de hábitos de vida saudáveis, sustentabilidade ambiental, inclusão social e cuidados a ter com o espaço público», acrescentou a autarquia.
Os critérios de avaliação «centraram-se na estrutura e relevância da proposta, no seu impacto na comunidade e na sustentabilidade e otimização dos recursos».
A escolha resultou da votação dos próprios jovens na plataforma MyPolis, bem como da avaliação de um júri constituído por representantes do Município de Portimão, da DYPALL Network e da MyPolis, os parceiros que lançaram a iniciativa, em Julho, no âmbito do Geração XXI, um programa de dinamização do setor da juventude da autarquia.
«Era objetivo deste programa que as propostas vencedoras fossem implementadas no último trimestre de 2020, mas face à pandemia prevê-se que as mesmas tenham efeito prático, tanto quanto possível, no início de 2021, estando garantido o acompanhamento e apoio à respetiva execução por parte do Município de Portimão e da DYPALL», concluiu a Câmara de Portimão.
Propostas vencedoras:
– “Formação para as Associações de Estudantes” (capacitação das associações)
– “O Mar Começa Aqui” (pintura de sarjetas, de forma a sensibilizar para as questões da poluição)
– “Cinzeiros gigantes originais” (instalação de cinzeiro interativo que incentive e sensibilize a comunidade a depositar as beatas corretamente)
– “Reflorestar Portimão” (plantação de árvores em zonas rurais ou urbanas, de modo a sensibilizar a comunidade para as questões ambientais)
– “Bolsa de Animadores: A inclusão dos Jovens” (criação de uma bolsa de jovens para apoio a projetos de entidades locais)
– “Pavimento Alucinante” (betão com cascalho fotoluminescente para cobrir buracos ou pedras de calçada)
– “Beber Água de Portimão” (instalação de um bebedouro num local estratégico da cidade para ser usado por adultos, crianças, jovens, pessoas com mobilidade reduzida e animais de estimação, ao mesmo tempo que será promovido o uso da água da torneira)
– “Depósito de máscaras descartáveis” (instalação de contentores específicos para máscaras descartáveis em locais estratégicos da cidade, por exemplo, em escolas)
– “Eco Moral” (mural que sensibilize para a causa ambiental, com recurso aos eco graffitis e sem utilizar materiais tóxicos ou poluentes)
– “Matemática Ao quadrado” (workshop de matemática)
– “A Rua Verde” (colocação de vasos de madeira em alguns bairros, para trazer vegetação ao centro urbano)
– “Vamos poupar água!” (sensibilização para a escassez de água)
– “Fresque dos vizinhos” (murais entre vizinhos para alegrar as ruas)
– “Diz NÃO ao Tabaco” (sensibilização sobre os riscos associados ao consumo e exposição ao tabaco).
31.7.20
Portimão financia projetos de jovens que "contribuam para a construção e desenvolvimento do concelho"
O Geração XXI, programa de dinamização do setor de juventude do Município de Portimão, criou o projeto “Iniciativa Jovem” que permitirá financiar projetos de jovens, estimulando o espírito de iniciativa e uma cidadania empreendedora junto dos mais novos.
Grupos informais ou jovens a título individual, com idades compreendidas entre os 13 e os 35 anos, poderão apresentar propostas para transformar o território e aceder a pequenos financiamentos, bem como a todo um processo de acompanhamento por parte da equipa da DYPALL Network, parceira neste projeto, no planeamento e implementação das suas ideias, explica a autarquia.
Ao todo serão investidos 7.000 euros, distribuídos entre pequenos e grandes projetos, financiados até 200 euros ou 500 euros, respetivamente, podendo ser abrangidas sete áreas prioritárias: participação democrática, cidadania e voluntariado; promoção de hábitos de vida saudáveis; sustentabilidade ambiental; inclusão social; segurança; cuidar do espaço público e solidariedade em relação à Covid 19.
Conforme destaca o Município, "é objetivo deste programa que as propostas vencedoras sejam implementadas no último trimestre do presente ano, estando garantido o acompanhamento e apoio à respetiva execução".
As ideias poderão ser submetidas entre 1 e 28 de agosto na plataforma MyPolis, a rede social da cidadania que convida os jovens a pensar a sua cidade, o seu bairro ou a sua escola, propondo soluções para os desafios detetados.
A MyPolis permite ainda que todos possam consultar e votar nas propostas mais relevantes e prioritárias para o município. Para adicionar, votar ou debater uma proposta ou um projeto, basta ao interessado aceder a mypolis.eu e registar-se enquanto utilizador e, assim, "contribuir para a construção e desenvolvimento do concelho de Portimão", sublinha a Câmara.
No Dia Internacional da Juventude, que se assinala a 12 de agosto, será organizado um ‘hackathon’ em formato online, onde os participantes terão acesso a momentos de formação e esclarecimento para a submissão das suas propostas.
Desta forma, serão criados momentos de inspiração, partilha de ideias e co-construção entre pares que visem o desenvolvimento de soluções concretas para as limitações encontradas.
23.10.18
Portimão “Pelo Combate à Pobreza e Exclusão Social”
in Algarve Primeiro
O Município Portimão respondeu afirmativamente ao desafio lançado pela Rede Europeia Anti-Pobreza e adere à iniciativa “Pelo Combate à Pobreza e Exclusão Social” que, de 17 a 24 de outubro, pretende sensibilizar a sociedade para as problemáticas da pobreza e exclusão social enquanto violações de Direitos Humanos.
Assim e de acordo com a autarquia, amanhã dia 19 de outubro, a partir das 18h30 terá lugar na Alameda da Praça da República uma “Mega Aula Solidária de Zumba”, numa parceria com o ginásio Beto Fitness Club. Esta aula está aberta à participação de todos os interessados, convidados a levar bens alimentares e/ou de higiene para ajudar a população mais carenciada do Concelho.
Os bens serão recolhidos no local por membros de duas das instituições da Rede de Emergência Social, neste caso a “Caritas” e “Flor Amiga” e posteriormente distribuídos pelas famílias sinalizadas.
No dia 24 de outubro haverá lugar para um fórum debate sobre “Combate à Pobreza e Exclusão Social-presente e futuro” a ter lugar, pelas 10h00, na Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes, que contará com a participação de Marina Cardoso, Psicóloga docente do ISMAT; Manuela Santos, Presidente Cáritas Paroquial da Nossa Senhora da Conceição e membro da Rede de Emergência Social Municipal de Portimão e Nuno Alves, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome Algarve.
No âmbito da Rede de Emergência Social municipal são atualmente apoiadas mais de 700 agregados familiares através dos diversos serviços prestados pelos membros que integram esta Rede que vão desde o fornecimento de alimentação confecionada (em cantinas e refeitórios sociais no concelho) e não confecionada (com a entrega de cabazes de produtos alimentares), a produtos básicos de higiene pessoal e habitação; apoio de lavandaria, mobiliário, eletrodomésticos e artigos para o lar, cuidados de enfermagem e acesso a tratamentos básicos de saúde, apoios pecuniários através de subsídios económicos de carácter pontual, e todo o tipo de ajudas técnicas necessárias, revela nota do Município.
Recorde-se que a Rede de Emergência Social municipal foi criada em maio de 2014 e é uma resposta social aos problemas existentes no seio de famílias carenciadas do concelho, em situação de maior vulnerabilidade, procurando promover e contribuir para a melhoria das suas condições de vida. Este é um trabalho conjunto entre as várias entidades e associações parceiras desta Rede, em prol de quem mais precisa, delineando respostas integradas com e para a família.
A criação da Rede de Emergência Social resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Portimão e as Juntas de Freguesia de Portimão, Alvor e da Mexilhoeira Grande, a Associação Flor Amiga, a Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Portimão, o Grupo de Apoio a Toxicodependentes, a Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência, a Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1.º Dezembro, o Banco Alimentar do Algarve, a Cooperativa de Reeducação e Apoio à Criança Excecional, a Cáritas Paroquial Matriz de Portimão, a Fábrica da Igreja Paroquial da Nossa Senhora do Amparo, a Santa Casa da Misericórdia de Alvor e a Irmandade Santa Casa da Misericórdia de Portimão.
No âmbito do Combate à Pobreza, o Município de Portimão tem vindo também a dar outras respostas complementares, nomeadamente ao nível de medidas sociais como a comparticipação municipal à medicação; apoio ao arrendamento ou tarifa social.
O Município Portimão respondeu afirmativamente ao desafio lançado pela Rede Europeia Anti-Pobreza e adere à iniciativa “Pelo Combate à Pobreza e Exclusão Social” que, de 17 a 24 de outubro, pretende sensibilizar a sociedade para as problemáticas da pobreza e exclusão social enquanto violações de Direitos Humanos.
Assim e de acordo com a autarquia, amanhã dia 19 de outubro, a partir das 18h30 terá lugar na Alameda da Praça da República uma “Mega Aula Solidária de Zumba”, numa parceria com o ginásio Beto Fitness Club. Esta aula está aberta à participação de todos os interessados, convidados a levar bens alimentares e/ou de higiene para ajudar a população mais carenciada do Concelho.
Os bens serão recolhidos no local por membros de duas das instituições da Rede de Emergência Social, neste caso a “Caritas” e “Flor Amiga” e posteriormente distribuídos pelas famílias sinalizadas.
No dia 24 de outubro haverá lugar para um fórum debate sobre “Combate à Pobreza e Exclusão Social-presente e futuro” a ter lugar, pelas 10h00, na Biblioteca Municipal Manuel Teixeira Gomes, que contará com a participação de Marina Cardoso, Psicóloga docente do ISMAT; Manuela Santos, Presidente Cáritas Paroquial da Nossa Senhora da Conceição e membro da Rede de Emergência Social Municipal de Portimão e Nuno Alves, Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome Algarve.
No âmbito da Rede de Emergência Social municipal são atualmente apoiadas mais de 700 agregados familiares através dos diversos serviços prestados pelos membros que integram esta Rede que vão desde o fornecimento de alimentação confecionada (em cantinas e refeitórios sociais no concelho) e não confecionada (com a entrega de cabazes de produtos alimentares), a produtos básicos de higiene pessoal e habitação; apoio de lavandaria, mobiliário, eletrodomésticos e artigos para o lar, cuidados de enfermagem e acesso a tratamentos básicos de saúde, apoios pecuniários através de subsídios económicos de carácter pontual, e todo o tipo de ajudas técnicas necessárias, revela nota do Município.
Recorde-se que a Rede de Emergência Social municipal foi criada em maio de 2014 e é uma resposta social aos problemas existentes no seio de famílias carenciadas do concelho, em situação de maior vulnerabilidade, procurando promover e contribuir para a melhoria das suas condições de vida. Este é um trabalho conjunto entre as várias entidades e associações parceiras desta Rede, em prol de quem mais precisa, delineando respostas integradas com e para a família.
A criação da Rede de Emergência Social resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Portimão e as Juntas de Freguesia de Portimão, Alvor e da Mexilhoeira Grande, a Associação Flor Amiga, a Cruz Vermelha Portuguesa – Delegação de Portimão, o Grupo de Apoio a Toxicodependentes, a Associação Adventista para o Desenvolvimento, Recursos e Assistência, a Associação Cultural e Recreativa Alvorense 1.º Dezembro, o Banco Alimentar do Algarve, a Cooperativa de Reeducação e Apoio à Criança Excecional, a Cáritas Paroquial Matriz de Portimão, a Fábrica da Igreja Paroquial da Nossa Senhora do Amparo, a Santa Casa da Misericórdia de Alvor e a Irmandade Santa Casa da Misericórdia de Portimão.
No âmbito do Combate à Pobreza, o Município de Portimão tem vindo também a dar outras respostas complementares, nomeadamente ao nível de medidas sociais como a comparticipação municipal à medicação; apoio ao arrendamento ou tarifa social.
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