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6.3.18

"Sou pobre, vou ser pobre". Políticas não quebram pobreza geracional

in https://www.dn.pt/portugal/interior/politicas-para-combater-pobreza-nao-conseguiram-quebrar-pobreza-geracional---caritas-9147173.html

Políticas adotadas nos últimos 10 anos em Portugal para combater a pobreza não quebraram ciclos de transmissão da pobreza, diz relatório europeu da Cáritas

As políticas adotadas na última década em Portugal para combater a pobreza não conseguiram quebrar os ciclos de transmissão da pobreza, segundo um relatório europeu da Cáritas, que é apresentado hoje em Lisboa.
"Há em Portugal muitas políticas públicas" para combater a pobreza, mas "nenhuma parece ser capaz de a erradicar, particularmente porque não se integram numa estratégia eficiente de interromper os ciclos de transmissão da pobreza, salienta o relatório "Os jovens precisam de um futuro".

Em Portugal, os mais carenciados provêm de famílias que foram confrontadas com situações de pobreza durante toda a vida, sendo que para a maioria "continua a ser muito difícil sair desta situação e quebrar o ciclo de pobreza", refere o relatório que descreve os principais desafios relacionados com a pobreza e a exclusão social entre os jovens em Portugal.

Segundo o estudo, os efeitos da transmissão da pobreza observam-se na educação (abandono escolar precoce), no mercado de trabalho (dificuldades de acesso ao emprego) e na habitação (viver em bairros desfavorecidos). "É provável que uma criança que nasça num agregado familiar carenciado venha a enfrentar mais dificuldades no futuro. Isto tem reflexos evidentes nos seus estudos, a nível familiar e institucional", sublinha.

A perpetuação do pensamento "eu sou pobre, por isso vou ser pobre o resto da minha vida" também torna "muito difícil" a saída do jovem desta situação, aceitando-a como uma condição para o seu futuro.

Relativamente aos direitos que os jovens têm mais dificuldades em aceder, o relatório destaca a educação, o trabalho, habitação, igualdade e não discriminação e proteção social.

"Em Portugal, os jovens têm mais dificuldades em aceder a uma série de direitos", uma situação para a qual contribui principalmente as dificuldades no acesso ao trabalho.

Por outro lado, os benefícios sociais são maioritariamente canalizados para a população com muitos baixos rendimentos, "obedecendo a sistemas de condições de recursos muto rígidos", refere o relatório a que a agência Lusa teve acesso.

"Os jovens são confrontados com situações de desemprego, empregos precários, contratos irregulares e baixos salários", o que torna "muito difícil" um jovem conseguir suportar os custos de habitação.

Perante a realidade observada, o relatório recomenda aos decisores políticos que promovam "níveis salariais dignos", previnam a precariedade laboral, as irregularidades e a evasão fiscal nos contratos laborais, concedam "oportunidades iguais no acesso à educação" e facilitem "a habitação a preços acessíveis para os jovens de acordo com os seus rendimentos".

Ao nível europeu, o estudo revela que esta é a primeira geração de jovens a enfrentar o risco de empobrecimento relativamente à geração dos seus pais.

A Cáritas Europa prevê um novo tipo de pobreza juvenil: jovens casais trabalhadores que dificilmente conseguem suportar as suas despesas e que não podem construir uma família, a que apelidou de "SINKIES" (em afundamento).

"Os SINKIES são um sinal extremamente grave que os decisores políticos devem levar muito a sério. Se a tendência se tornar normal, isso provocará sérias consequências para a coesão social da Europa, modelos sociais e sistemas de proteção social. Corremos o risco de ser uma sociedade que se afunda se nenhuma medida for tomada agora", adverte o secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer.

O relatório é apresentado hoje num encontro em Lisboa, que conta com a presença de Jorge Nuño Mayer e do presidente da Cáritas Portuguesa, Eugénio Fonseca, que assinala o inicio da Semana Nacional Cáritas que decorre até domingo.

21.2.18

Europa: Cáritas faz recomendações para «quebrar ciclos de pobreza», a pensar nos jovens

in Agência Ecclesia

Organização católica vai apresentar estudo sobre a juventude e alerta para os «Sinkies»

Lisboa, 20 fev 2018 (Ecclesia) – A Cáritas Portuguesa e Cáritas Europa vão apresentar o relatório ‘Os jovens na Europa precisam de um Futuro’, a partir das 10h30 do dia 27 de fevereiro, no auditório Mário Murteira, no ISCTE-IUL, em Lisboa.

Numa nota enviada hoje à Agência ECCLESIA, a Cáritas Portuguesa explica que o estudo faz “recomendações” para “melhorar” o futuro dos jovens onde alerta, por exemplo, para medidas de apoio que “não promovem quebra nos ciclos de pobreza”.

“Quebrar ciclos de pobreza é uma responsabilidade de todos, com particular incidência nos que pensam as medidas políticas e naqueles que as devem executar com eficácia. A Cáritas permanece atenta à realidade social dos mais jovens, sem esquecer os demais”, afirma o presidente da organização Católica.

Segundo Eugénio Fonseca o estudo é “apenas” um contributo para “evidenciar a realidade” que enfrentam, mas também a “disponibilidade em colaborar para a estabilidade da vida dos jovens portugueses possa ser melhor”.
Ao todo no relatório ‘Os jovens na Europa precisam de um Futuro’ são apresentadas cinco recomendações com contributos para a vida dos jovens em Portugal, de uma “análise à atual situação social integrada numa visão europeia”.

“Promover níveis salariais dignos, prevenir a precariedade laboral, as irregularidades e a evasão fiscal nos contratos laborais”, são propostas que vão ser apresentadas a partir das 10h30 da próxima terça-feira, dia 27, no auditório Mário Murteira, no ISCTE-IUL, em Lisboa.

Os oradores são o secretário-geral da Cáritas Europa, Jorge Nuño Mayer; Eugénio Fonseca; e a chefe de representação da Comissão Europeia em Portugal, Sofia Alves.

O comunicado revela ainda que a Cáritas Europa adivinha um “novo tipo de pobreza juvenil” onde jovens casais trabalhadores “dificilmente conseguem suportar as suas despesas” e constituir família a que chama de ‘Sinkies’.
“São um sinal extremamente grave que os decisores políticos devem levar muito a sério. Se a tendência se tornar normal, isso provocará sérias consequências para a coesão social da Europa, modelos sociais e sistemas de proteção social”, alerta o secretário-geral da Cáritas Europa.

Segundo a Cáritas Portuguesa, Jorge Nuño Mayer vai ter ainda vários encontros para apresentar os conteúdos do estudo, como com o presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana, D. José Traquina, e o ministro do Trabalho, da Solidariedade e Segurança Social, António Vieira da Silva.

A apresentação do relatório ‘Os jovens na Europa precisam de um Futuro’ insere-se na Semana Nacional Cáritas que começa no próximo dia 26 de fevereiro, até 4 de março, e tem como preocupações centrais o combate à pobreza e o cuidado da natureza, com o tema: ‘Uma só família humana, cuidar da casa comum’.
CB/OC