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6.7.22

Marcelo defende inclusão de imigrantes no recrutamento para as Forças Armadas

in JN

O presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu esta terça-feira que os imigrantes devem ser incluídos "numa fonte de recrutamento para as Forças Armadas", algo que já acontece "a título excecional" mas tem que ser "natural".

"Primeiro, temos que nos habituar à ideia de incluir os imigrantes numa fonte de recrutamento para as Forças Armadas. Já acontece, a título excecional, tem que passar a acontecer a título natural", afirmou.

O chefe de estado falava no I Fórum Recrutamento organizado pela Força Aérea, no Teatro Thalia, em Lisboa, sob o tema dos desafios do recrutamento militar.

"Em segundo lugar, há desigualdades na sociedade portuguesa, bolsas de miséria e clivagens sociais e territoriais que condicionam as opções de recrutamento para as Forças Armadas. Basta olhar para alguns casos específicos de instituições que têm recrutamento quase local, em contextos em que é o que é mais apelativo e mais fácil para quem pode não ter de imediato outras alternativas naquele contexto muito específico", acrescentou.

Numa intervenção de cerca de 40 minutos, e com alguns jovens na plateia, sobre vários fatores relacionados com o recrutamento militar, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "há que pensar em relação ao quadro permanente, como em relação aos regimes diversos contratuais, em ajustar aquilo que é possível ajustar, não apenas no recrutamento mas na organização, na comunicação interna, na comunicação externa, no funcionamento, àquilo que é a realidade das novas gerações mas é a realidade das sociedades".

O Comandante Supremo das Forças Armadas considerou ser "evidente que uma instituição tão prestigiada, tão forte, tão referencial como as Forças Armadas, por natureza é sempre mais lenta a mudar" mas "tem feito um esforço enorme para mudar aceleradamente", não se comparando aos militares "do tempo colonial" ou do pós-Revolução dos Cravos, em 1974.

"Mas é uma tarefa dramática que se coloca aos parlamentos, governos, instituições internacionais que vão sempre atrás do prejuízo, atrás das mudanças que ocorrem. É um desafio difícil sobretudo por isto: porque a sociedade portuguesa é envelhecida", salientou.

De acordo com o chefe de estado, há uma parte da sociedade portuguesa, que "tem uma inércia para ver a instituição de uma forma que não tem nada a ver com aquilo que foi e que é hoje aqui apresentado como a aproximação das novas gerações à realidade das Forças Armadas".

"Não é um problema apenas de dentro das Forças Armadas aqueles que são menos jovens terem dificuldade em mudar", disse.

Sobre o desafio do recrutamento para a carreira militar, mais concretamente dos mais jovens, Marcelo Rebelo de Sousa defendeu que "se o recrutamento é incontestavelmente importante, a retenção das mulheres e homens militares ainda é mais importante".

"Mais do que nunca é oportuno falarmos numa carreira militar como oportunidade de futuro sustentável para os jovens, mais do que nunca a matriz da instituição tem que fazer sobressair um compromisso indefetível para com os seus militares, procurando aglutinar, envolver, responsabilizar, valorizar, permitir que a sua missão seja plenamente entendida e bem sucedida, tal como é o sucesso de uma missão aérea, não só pelos seus resultados, mas pela forma como são alcançados, comprometendo-nos com eles", sublinhou.

6.8.19

Cravinho defende 15% de mulheres militares "no mínimo"

Manuel Freire, in DN

Ministério da Defesa lançou um portal com informação sobre a Defesa Nacional e outro relativo ao recrutamento militar.

As Forças Armadas "não devem ter menos que 15%, no mínimo", de mulheres nas fileiras para poder responder aos pedidos de maior presença feminina nas missões externas feitos pela ONU, disse esta segunda-feira o ministro da Defesa.

"Temos um número insuficiente" de mulheres "para fazer face ao valor acrescentado" que dão aos contingentes militares no exterior e aos resultados dessas missões, sublinhou João Gomes Cravinho, no final da cerimónia de lançamento dos dois novos portais do setor na Internet: um para divulgar a Defesa Nacional, o outro para informar os jovens sobre o processo de recrutamento (desde as profissões militares aos incentivos e oportunidades de carreira) nos regimes de voluntariado e contrato.

Com menos de 12% de mulheres das fileiras e diferenças entre os três ramos, Gomes Cravinho reconheceu a necessidade de haver "medidas diferentes" para "responder às lacunas" específicas da Marinha, Exército e Força Aérea - a fim de aumentar, em mais de 3%, o efetivo atual de quase 3000 militares femininos.
Para isso contribuirão os portais agora lançados, permitindo que a Defesa se dê a conhecer com mais transparência e maior rigor, visando reduzir "as discrepâncias" registadas entre o grau de informação que os jovens têm sobre a vida militar e a realidade profissional que depois encontram - as quais justificam muitas das saídas precoces das fileiras, destacou o ministro da tutela.

A Força Aérea é o ramo com maior percentagem de mulheres nas fileiras (16%)© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA
De qualquer forma, como sublinharam o ministro e o diretor-geral de Recrutamento, Alberto Coelho, o portal do recrutamento não se destina a substituir a informação disponibilizada pelos três ramos mas a concentrá-la e torná-la mais acessível.
"Temos de trabalhar bem para evitar discrepâncias entre o que se imagina e o que se vai encontrar" nas fileiras, insistiu Gomes Cravinho, insistindo que o problema dos efetivos nas Forças Armadas centra-se menos na capacidade de recrutar e mais na dificuldade de reter os militares durante os seis anos de contrato ou, nos quadros permanentes, ao longo da carreira.
Greve dos motoristas
Questionado sobre o apoio que os militares possam dar em caso de greve dos motoristas de matérias perigosas, João Gomes Cravinho reafirmou que as Forças Armadas "estão sempre disponíveis" para responder às necessidades identificadas.
Contudo, frisou o ministro da Defesa, isso será feito "dentro do enquadramento constitucional apropriado".

"Se forem verificados os pressupostos que permitem constitucionalmente a utilização das Forças Armadas", alertou Gomes Cravinho, elas "obviamente corresponderão às necessidades e temos suficientes motoristas" nas fileiras para dar esse apoio.

Sobre se essa condição tem implícita a necessidade de decretar o estado de emergência. Gomes Cravinho limitou-se a dizer que essa é "matéria para constitucionalistas" e que "iremos estudar" se se justifica invocar.
Segundo a lei, "o estado de emergência é declarado quando se verifiquem situações de menor gravidade, nomeadamente quando se verifiquem ou ameacem verificar-se casos de calamidade pública" e onde est´´a previsto, "se necessário, o reforço dos poderes das autoridades administrativas civis e o apoio às mesmas por parte das Forças Armadas".

defesa
Há "duas dezenas" de militares disponíveis para conduzir camiões de combustível
Aquando da greve realizada pelos motoristas de matérias pesadas em abril passado, as Forças Armadas disponibilizaram duas dezenas de militares habilitados a conduzir aquele tipo de viaturas.