In "Renascença"
São 64 e formam o segundo grupo de refugiados que chega a Portugal, no âmbito do programa de recolocação da União Europeia. Em breve, chegam mais.
Chegaram a Lisboa, esta segunda-feira de madrugada, 64 refugiados provenientes da Grécia, com nacionalidade síria e iraquiana. Vão ser acolhidos em Portugal ao abrigo do programa de recolocação da União Europeia.
No aeroporto de Figo Maduro, para receber o grupo, esteve o ministro adjunto, Eduardo Cabrita, que reiterou a disponibilidade do país para acolher para refugiados e rejeitou o fecho de fronteiras.
“Portugal e França são os dois países que, no dia do Conselho Europeu sobre a questão dos refugiados, mostraram sinal de solidariedade, dizendo não ao fecho de fronteiras e sim à cooperação europeia, para apoiar quem foge da guerra e de situações de dificuldade. Este conjunto de pessoas irá, depois de realizadas as formalidades administrativas, ser colocada em instituições um pouco por todo o país”, afirmou aos jornalistas.
Durante a semana, vão chegar mais 50 refugiados, de várias nacionalidades, tidas como prioritárias no mesmo programa europeu.
Esta segunda-feira, começa, em Bruxelas, uma cimeira extraordinária entre a União Europeia e a Turquia para debater a crise migratória. Fontes diplomáticas citadas pela agência Reuters revelam está em preparação o encerramento da chamada rota dos Balcãs – a passagem para milhares de refugiados em território europeu.
Segundo o jornal “Financial Times”, a União Europeia deverá propor a reestruturação do sistema de asilo, centralizando os pedidos para o Gabinete Europeu de Apoio em matéria de Asilo.
Na opinião do antigo comissário europeu António Vitorino, a crise de refugiados só será estancada com um efectivo controlo na Turquia. Já o antigo primeiro-ministro Pedro Santana Lopes, considera que a União Europeia está, nesta altura, a fazer o possível, mas lembra que as negociações com a Turquia têm um carácter muito particular, dada a sua situação geoestratégica.
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3.3.16
"Se estivéssemos na pele deles também queríamos ser acolhidos"
Ana Bela Ferreira, in "Diário de Notícias"
Projeto Mais do Que Números, apresentado ontem, vai ser distribuído nas escolas para facilitar a integração dos refugiados e dos migrantes nas comunidades de acolhimento
A chegada de refugiados a Portugal ainda não é muito visível, mas espera-se que nos próximos dois anos cheguem a dez mil. Para que estes números sejam vistos como pessoas reais, a campanha de sensibilização está a começar. As escolas são o primeiro ponto de encontro entre os portugueses e os refugiados e por isso o governo - através da Secretaria de Estado da Igualdade, do gabinete do ministro adjunto e do Ministério da Educação - está a promover o projeto Mais do Que Números (Beyond not Just Numbers), da autoria da Organização Internacional para as Migrações Lisboa. Apresentado ontem na Escola Secundária de Camões, ficou a certeza de que entre os jovens que assistiram à sessão os refugiados podem contar com a sua solidariedade.
"Não podemos ficar indiferentes e passar ao lado desta realidade", aponta Matilde Almeida. A jovem de 16 anos garante que se vivesse perto de uma família de refugiados ou tivesse um colega na turma não hesitaria "em ajudá-los". A mesma opinião têm as amigas Francisca, Margarida e Maria. "Se estivéssemos na pele deles também queríamos ser acolhidos", defendem.
A questão da crise dos refugiados na Europa tem sido analisada "nas aulas de História e Filosofia". "Debatemos as questões que levam ao movimento de refugiados, mas também a atitude dos países europeus no acolhimento", explica Francisca Mota.
Seguir o exemplo do colibri
Ainda assim, depois de ouvirem falar o ministro adjunto Eduardo Cabrita, o coordenador do Mais do Que Números, Hugo Augusto, o alto-comissário para as Migrações, a presidente do Conselho Português para os Refugiados, o diretor-geral da Educação e o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados sobre os desafios europeus na gestão da crise dos refugiados, os jovens questionam-se sobre o que é que o tema tem que ver com eles.
Como podem meros alunos do secundário resolver um problema que os ultrapassa? É essa inquietação que é formulada por uma aluna: "Porquê falar de refugiados connosco?" Quer saber porque está ser lançado este projeto nas escolas quando o tema parece estar apenas ao alcance das entidades oficiais.
A resposta chega pela voz do alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, recorrendo a uma metáfora em que o colibri tenta apagar um fogo gigante na floresta e diz aos outros animais que apenas assistiam: "Estou a fazer a minha parte." O responsável desafia os jovens a fazerem a sua parte: "Somos apenas um colibri no meio da crise dos refugiados, mas podemos fazer a nossa parte, influenciando a nossa comunidade, a nossa família a acolher os refugiados."
Educação para a cidadania
Uma ideia sublinhada pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues: "Só com o vosso trabalho de colibri podemos eliminar os elefantes na sala [os mitos e medos de acolher os refugiados]." Mais do Que Números é um conjunto de manuais para lançar o debate nas escolas no âmbito da educação para a cidadania.
A Europa recebeu só no ano passado 1,2 milhões de refugiados, mas como lembrou ontem o ministro adjunto, Eduardo Cabrita, "eles não são apenas números, embora os números sejam impressionantes e representem a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial".
Projeto Mais do Que Números, apresentado ontem, vai ser distribuído nas escolas para facilitar a integração dos refugiados e dos migrantes nas comunidades de acolhimento
A chegada de refugiados a Portugal ainda não é muito visível, mas espera-se que nos próximos dois anos cheguem a dez mil. Para que estes números sejam vistos como pessoas reais, a campanha de sensibilização está a começar. As escolas são o primeiro ponto de encontro entre os portugueses e os refugiados e por isso o governo - através da Secretaria de Estado da Igualdade, do gabinete do ministro adjunto e do Ministério da Educação - está a promover o projeto Mais do Que Números (Beyond not Just Numbers), da autoria da Organização Internacional para as Migrações Lisboa. Apresentado ontem na Escola Secundária de Camões, ficou a certeza de que entre os jovens que assistiram à sessão os refugiados podem contar com a sua solidariedade.
"Não podemos ficar indiferentes e passar ao lado desta realidade", aponta Matilde Almeida. A jovem de 16 anos garante que se vivesse perto de uma família de refugiados ou tivesse um colega na turma não hesitaria "em ajudá-los". A mesma opinião têm as amigas Francisca, Margarida e Maria. "Se estivéssemos na pele deles também queríamos ser acolhidos", defendem.
A questão da crise dos refugiados na Europa tem sido analisada "nas aulas de História e Filosofia". "Debatemos as questões que levam ao movimento de refugiados, mas também a atitude dos países europeus no acolhimento", explica Francisca Mota.
Seguir o exemplo do colibri
Ainda assim, depois de ouvirem falar o ministro adjunto Eduardo Cabrita, o coordenador do Mais do Que Números, Hugo Augusto, o alto-comissário para as Migrações, a presidente do Conselho Português para os Refugiados, o diretor-geral da Educação e o coordenador da Plataforma de Apoio aos Refugiados sobre os desafios europeus na gestão da crise dos refugiados, os jovens questionam-se sobre o que é que o tema tem que ver com eles.
Como podem meros alunos do secundário resolver um problema que os ultrapassa? É essa inquietação que é formulada por uma aluna: "Porquê falar de refugiados connosco?" Quer saber porque está ser lançado este projeto nas escolas quando o tema parece estar apenas ao alcance das entidades oficiais.
A resposta chega pela voz do alto-comissário para as Migrações, Pedro Calado, recorrendo a uma metáfora em que o colibri tenta apagar um fogo gigante na floresta e diz aos outros animais que apenas assistiam: "Estou a fazer a minha parte." O responsável desafia os jovens a fazerem a sua parte: "Somos apenas um colibri no meio da crise dos refugiados, mas podemos fazer a nossa parte, influenciando a nossa comunidade, a nossa família a acolher os refugiados."
Educação para a cidadania
Uma ideia sublinhada pelo ministro da Educação, Tiago Brandão Rodrigues: "Só com o vosso trabalho de colibri podemos eliminar os elefantes na sala [os mitos e medos de acolher os refugiados]." Mais do Que Números é um conjunto de manuais para lançar o debate nas escolas no âmbito da educação para a cidadania.
A Europa recebeu só no ano passado 1,2 milhões de refugiados, mas como lembrou ontem o ministro adjunto, Eduardo Cabrita, "eles não são apenas números, embora os números sejam impressionantes e representem a maior crise de refugiados desde a Segunda Guerra Mundial".
4.2.16
27 menores refugiados desapareceram em Portugal
Ana Bela Ferreira, in "Diário de Notícias"
Estavam em Portugal ao abrigo de pedidos de asilo, mas as autoridades desconhecem o seu paradeiro. Alguns casos podem estar ligados a tráfico de seres humanos
Estavam no centro de acolhimento para a criança refugiada, em Lisboa, mas desapareceram do rasto das autoridades. Ao todo, em 2015, 27 menores, que chegaram a Portugal sem família, estão agora em paradeiro incerto, avança a Antena 1.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) admitiu à radio pública que em alguns casos estes desaparecimentos se devem a redes de tráfico humano com vista à exploração sexual noutros países europeus. Como foi o caso de um grupo de jovens nigerianas que o SEF investigou.
Outras situações estão ligadas à imigração ilegal, em que os jovens usam o regime de asilo para garantir entrada no espaço europeu. Sempre que um menor desaparece de um centro de acolhimento, as autoridades nacionais são informadas, bem como as dos restantes Estados-membros, no entanto, muitos jovens mudam de identidade, dificultando a sua localização.
À semelhança de Portugal, os casos de menores desaparecidos repetem-se por toda a Europa. Em dois anos, 10 mil crianças à procura de asilo desapareceram em diversos países, anunciou na semana passada a Europol. Só no ano passado, entraram na Europa 26 mil crianças sozinhas à procura de acolhimento.
Estavam em Portugal ao abrigo de pedidos de asilo, mas as autoridades desconhecem o seu paradeiro. Alguns casos podem estar ligados a tráfico de seres humanos
Estavam no centro de acolhimento para a criança refugiada, em Lisboa, mas desapareceram do rasto das autoridades. Ao todo, em 2015, 27 menores, que chegaram a Portugal sem família, estão agora em paradeiro incerto, avança a Antena 1.
O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) admitiu à radio pública que em alguns casos estes desaparecimentos se devem a redes de tráfico humano com vista à exploração sexual noutros países europeus. Como foi o caso de um grupo de jovens nigerianas que o SEF investigou.
Outras situações estão ligadas à imigração ilegal, em que os jovens usam o regime de asilo para garantir entrada no espaço europeu. Sempre que um menor desaparece de um centro de acolhimento, as autoridades nacionais são informadas, bem como as dos restantes Estados-membros, no entanto, muitos jovens mudam de identidade, dificultando a sua localização.
À semelhança de Portugal, os casos de menores desaparecidos repetem-se por toda a Europa. Em dois anos, 10 mil crianças à procura de asilo desapareceram em diversos países, anunciou na semana passada a Europol. Só no ano passado, entraram na Europa 26 mil crianças sozinhas à procura de acolhimento.
1.2.16
Portugal regista cerca de 20 por cento de crianças refugiadas desaparecidas
In "Antena 1"
Autoridades nacionais também confirmam que, por cá, também já desapareceram várias crianças provenientes da comunidade refugiada. A Presidente do Conselho Português dos Refugiados refere mesmo ter conhecimento de vários casos que podem chegar aos 20 por cento de casos não acompanhados.
Também em Portugal as autoridades perderam o rasto a vários menores que chegaram ao abrigo de pedidos de asilo.
No comentário à notícia de que desapareceram mais de 10 mil crianças migrantes, chegadas à Europa, a presidente do Conselho Português dos Refugiados Teresa Tito de Morais, confirma que isso é algo que também acontece aos que chagam cá.
“Ao longo destes últimos anos algumas desaparecem. (…) Eu diria que deverá ser entre 10 a 20 por cento dos pedidos de menores não acompanhados que possam depois desaparecer”.
Na opinião de Teresa Tito Morais, os dados da Europol são "muito chocantes, mas infelizmente não são novidade".
Autoridades nacionais também confirmam que, por cá, também já desapareceram várias crianças provenientes da comunidade refugiada. A Presidente do Conselho Português dos Refugiados refere mesmo ter conhecimento de vários casos que podem chegar aos 20 por cento de casos não acompanhados.
Também em Portugal as autoridades perderam o rasto a vários menores que chegaram ao abrigo de pedidos de asilo.
No comentário à notícia de que desapareceram mais de 10 mil crianças migrantes, chegadas à Europa, a presidente do Conselho Português dos Refugiados Teresa Tito de Morais, confirma que isso é algo que também acontece aos que chagam cá.
“Ao longo destes últimos anos algumas desaparecem. (…) Eu diria que deverá ser entre 10 a 20 por cento dos pedidos de menores não acompanhados que possam depois desaparecer”.
Na opinião de Teresa Tito Morais, os dados da Europol são "muito chocantes, mas infelizmente não são novidade".
Refugiados em Portugal: integração em português, com taekwondo e dois bebés
Raquel Moreiro, in "Expresso"
A 8 de novembro chegaram 45 refugiados. A 17 de dezembro, 24. A semana passada, dois. A vida no novo país só agora começou
Três vezes por semana, os casais sírios Fouad e Souad, Sameer e Susan e o sudanês Belal apanham o autocarro de Penela para Coimbra. Depois de quase três meses em Portugal, já vão sozinhos, sem o apoio presencial da Fundação ADFP (Assistência para o Desenvolvimento e Formação Profissional), a entidade responsável pelo seu acolhimento e integração. O português arranhado dá-lhes suficiente autonomia. E a viagem faz-se exatamente para aprofundar a língua do país que os acolheu.
Desde o início do ano que são alunos da Universidade de Coimbra. Integram o curso intensivo de português para estrangeiros. Mas não só. Fouad Mahmasa, 44 anos, está também a frequentar duas cadeiras de contabilidade para refrescar a licenciatura. Era gestor financeiro num shopping center, em Alepo. Fugiu a tempo. Agora é só ruínas.
Na Faculdade de Ciências, Sameer Ghalyoun, 37, relembra a matéria que o fez engenheiro químico na Síria. Belal Ibrahim, 22 anos, deixou o curso de Geografia a meio, mas não vai terminá-lo. O seu mundo é agora outro e deste não tem saber superior. Mudou para Português-Inglês. Junta-lhe o francês e o árabe, que já domina, e está feito um poliglota, a que não falta a gíria do futebol. Ás terças, quartas e sextas treina no Clube Desportivo e Recreativo Penelense. É mais uma saída profissional.
A 8 de novembro de 2015 chegaram a Portugal 45 refugiados sírios, eritreus e sudaneses, reinstalados ao abrigo do acordo com o ACNUR. Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, já são detentores de autorização de residência, que lhes dá ao acesso ao ensino, SNS, emprego, segurança social e formação profissional nas mesmas condições dos cidadãos nacionais.
“A integração está a correr lindamente, a parte documental está toda tratada mas ainda há muito caminho para andar. Sem se ultrapassar as barreiras da língua nada avança”, reconhece Nataliya Bekh, coordenadora do projeto de acolhimento da ADFP, para onde foram quatro famílias, oito adultos e 12 menores. “Tal como os pais, as cinco crianças do 1º e 2º ciclo estão a aprender português de forma intensiva, com cinco professoras a introduzir pouco a pouco as várias disciplinas. A seguir à Páscoa serão distribuídas pelas turmas normais”, garante Natalyia.
Em Lisboa, o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), que tem a seu cargo três famílias sírias e uma eritreia, já avançou esta semana com a integração de sete crianças na estrutura normal do Colégio de São João de Brito (ver texto). Os adultos preparam-se também para uma prova de fogo. Depois da aprovação na primeira avaliação de português, “iniciarão na próxima semana estágios para começarem a integração no mercado de trabalho”, avança o diretor do JRS, André Costa Jorge. “E durante os próximos meses serão acompanhados pelo nosso gabinete de emprego para preparação de currículo e entrevistas, candidaturas e cursos de formação”, acrescenta.
O REGRESSO AOS TREINOS
Na linha de Sintra, o Conselho Português para os Refugiados (CPR) saltou etapas do projeto-base de reintegração perante a insistência de um refugiado em praticar taekwondo. Os hobbies não costumam ser prioridade. “Mas para ele era. Era a sua profissão. Era treinador, tinha participado em competições. Por isso, inverteu-se um pouco a lógica. Não tem ainda as competências ao nível do português, mas temos a certeza de que o desporto o vai motivar para aprender mais, para poder evoluir naquilo que gosta”, explica Isabel Sales, diretora do Centro de Acolhimento do CPR. Já começou o plano de treinos, três vezes por semana. O sorriso dá certezas quanto ao caminho escolhido.
Zacaria, sírio, 29 anos, também já voltou ao trabalho. É um recordista entre os refugiados. Pertence ao grupo de 24 requerentes de asilo que chegou a 17 de dezembro. Em Ferreira do Zêzere, onde foi acolhido com a mulher Abir e o filho Yehia, de um ano, pela Fundação Maria Dias Ferreira, os dotes de mecânico estão a render-lhe €100 por semana. “Estamos a dar prioridade à aprendizagem do português, com aulas quase todos os dias. Mas para já vão fazendo pequenos trabalhos”, conta José Afonso Sousa, presidente da fundação.
Fugiram da Síria para a Turquia pelas montanhas, cinco dias a pé. Daí atravessaram o mar até à Grécia. Abir levava um bebé ao colo e outro na barriga. Está grávida de um menino, que nascerá em abril. E não é a única. Em agosto, também Penela espera um bebé.
A 8 de novembro chegaram 45 refugiados. A 17 de dezembro, 24. A semana passada, dois. A vida no novo país só agora começou
Três vezes por semana, os casais sírios Fouad e Souad, Sameer e Susan e o sudanês Belal apanham o autocarro de Penela para Coimbra. Depois de quase três meses em Portugal, já vão sozinhos, sem o apoio presencial da Fundação ADFP (Assistência para o Desenvolvimento e Formação Profissional), a entidade responsável pelo seu acolhimento e integração. O português arranhado dá-lhes suficiente autonomia. E a viagem faz-se exatamente para aprofundar a língua do país que os acolheu.
Desde o início do ano que são alunos da Universidade de Coimbra. Integram o curso intensivo de português para estrangeiros. Mas não só. Fouad Mahmasa, 44 anos, está também a frequentar duas cadeiras de contabilidade para refrescar a licenciatura. Era gestor financeiro num shopping center, em Alepo. Fugiu a tempo. Agora é só ruínas.
Na Faculdade de Ciências, Sameer Ghalyoun, 37, relembra a matéria que o fez engenheiro químico na Síria. Belal Ibrahim, 22 anos, deixou o curso de Geografia a meio, mas não vai terminá-lo. O seu mundo é agora outro e deste não tem saber superior. Mudou para Português-Inglês. Junta-lhe o francês e o árabe, que já domina, e está feito um poliglota, a que não falta a gíria do futebol. Ás terças, quartas e sextas treina no Clube Desportivo e Recreativo Penelense. É mais uma saída profissional.
A 8 de novembro de 2015 chegaram a Portugal 45 refugiados sírios, eritreus e sudaneses, reinstalados ao abrigo do acordo com o ACNUR. Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, já são detentores de autorização de residência, que lhes dá ao acesso ao ensino, SNS, emprego, segurança social e formação profissional nas mesmas condições dos cidadãos nacionais.
“A integração está a correr lindamente, a parte documental está toda tratada mas ainda há muito caminho para andar. Sem se ultrapassar as barreiras da língua nada avança”, reconhece Nataliya Bekh, coordenadora do projeto de acolhimento da ADFP, para onde foram quatro famílias, oito adultos e 12 menores. “Tal como os pais, as cinco crianças do 1º e 2º ciclo estão a aprender português de forma intensiva, com cinco professoras a introduzir pouco a pouco as várias disciplinas. A seguir à Páscoa serão distribuídas pelas turmas normais”, garante Natalyia.
Em Lisboa, o Serviço Jesuíta aos Refugiados (JRS), que tem a seu cargo três famílias sírias e uma eritreia, já avançou esta semana com a integração de sete crianças na estrutura normal do Colégio de São João de Brito (ver texto). Os adultos preparam-se também para uma prova de fogo. Depois da aprovação na primeira avaliação de português, “iniciarão na próxima semana estágios para começarem a integração no mercado de trabalho”, avança o diretor do JRS, André Costa Jorge. “E durante os próximos meses serão acompanhados pelo nosso gabinete de emprego para preparação de currículo e entrevistas, candidaturas e cursos de formação”, acrescenta.
O REGRESSO AOS TREINOS
Na linha de Sintra, o Conselho Português para os Refugiados (CPR) saltou etapas do projeto-base de reintegração perante a insistência de um refugiado em praticar taekwondo. Os hobbies não costumam ser prioridade. “Mas para ele era. Era a sua profissão. Era treinador, tinha participado em competições. Por isso, inverteu-se um pouco a lógica. Não tem ainda as competências ao nível do português, mas temos a certeza de que o desporto o vai motivar para aprender mais, para poder evoluir naquilo que gosta”, explica Isabel Sales, diretora do Centro de Acolhimento do CPR. Já começou o plano de treinos, três vezes por semana. O sorriso dá certezas quanto ao caminho escolhido.
Zacaria, sírio, 29 anos, também já voltou ao trabalho. É um recordista entre os refugiados. Pertence ao grupo de 24 requerentes de asilo que chegou a 17 de dezembro. Em Ferreira do Zêzere, onde foi acolhido com a mulher Abir e o filho Yehia, de um ano, pela Fundação Maria Dias Ferreira, os dotes de mecânico estão a render-lhe €100 por semana. “Estamos a dar prioridade à aprendizagem do português, com aulas quase todos os dias. Mas para já vão fazendo pequenos trabalhos”, conta José Afonso Sousa, presidente da fundação.
Fugiram da Síria para a Turquia pelas montanhas, cinco dias a pé. Daí atravessaram o mar até à Grécia. Abir levava um bebé ao colo e outro na barriga. Está grávida de um menino, que nascerá em abril. E não é a única. Em agosto, também Penela espera um bebé.
26.1.16
Refugiados: falhas na recolocação “não é responsabilidade” de Portugal
In "TVI 24"
Ministra da Administração Interna conclui que o sistema de recolocação não está a funcionar e que isso não é uma responsabilidade dos Estados que se disponibilizam para acolher refugiados
A ministra da Administração Interna afirmou, esta segunda-feira, que as falhas no sistema de recolocação dos refugiados “não é uma responsabilidade” dos países da União Europeia (UE) que acederam receber candidatos a proteção internacional.
“O sistema de recolocação não está visivelmente a funcionar”, concluiu Constança Urbano de Sousa, ao citar o “número muito limitado de refugiados recolocados e isso não é uma responsabilidade dos Estados que se disponibilizaram para acolher refugiados, como é o caso de Portugal”.
No final do primeiro dia da reunião informal de ministros do Interior e da Justiça, a decorrer em Amesterdão, na Holanda, a governante indicou à agência Lusa que Portugal recebeu refugiados na “exata medida em que a Grécia e a Itália enviam”, os dois países com centros de registo de candidatos a asilo, no âmbito da recolocação de 160 mil pessoas.
Os números divulgados, esta segunda-feira, pela Comissão Europeia, indicam a recolocação de 351 pessoas, das quais 26 em Portugal.
“(A Grécia e a Itália) estão com dificuldades em fazer o registo e sobretudo em gerir todo o sistema de recolocação, porque as pessoas, muitas vezes, como não estão detidas, pura e simplesmente vão avançando, vão fazendo os seus percursos migratórios”, disse à Lusa.
Acerca do mecanismo voluntário para os Estados-membros receberem refugiados dos campos localizados na Turquia, ao abrigo do plano de ação UE/Turquia, a ministra indicou estarem ainda a ser tomadas medidas.
Comentando as recentes críticas, sobretudo da Áustria, à forma como a Grécia tem gerido as suas fronteiras externas, a ministra notou haver uma “certa tensão”.
“As críticas no conselho (de ministros da UE) não são assim tão aguerridas como fora, aos jornalistas, mas existe uma certa tensão sobre a forma como a fronteira externa com a Turquia está a ser gerida”, relatou Constança Urbano de Sousa, reportando-se ao número elevado de refugiados que continua a chegar à Europa.
“É preciso, de alguma forma, controlar e organizar melhor esses fluxos”, acrescentou a governante, recordando a proposta da Comissão Europeia de criação de uma agência da guarda europeia costeira e marítima e que é uma prioridade para a atual presidência holandesa da UE.
Constança Urbano de Sousa referiu a “grande vontade política da maioria dos Estados de aprovar a proposta” da guarda, que, segundo o executivo de Bruxelas poderia, em última instância, atuar num país sem o consentimento das autoridades locais.
“Temos naturalmente que negociar e ver algumas questões que possam ser mais sensíveis e tentar que haja um compromisso”, afirmou.
A responsável indicou como objetivo atual o reforçar as capacidades da nova guarda para “auxiliar os Estados-membros que tenham mais vulnerabilidades ou uma maior incapacidade” em controlar as suas fronteiras externas e evitar que sejam repostos os controlos nas fronteiras internas e “façam perigar o espaço Schengen, que é vital para a UE” por razões de cidadania e económicas.
Ministra da Administração Interna conclui que o sistema de recolocação não está a funcionar e que isso não é uma responsabilidade dos Estados que se disponibilizam para acolher refugiados
A ministra da Administração Interna afirmou, esta segunda-feira, que as falhas no sistema de recolocação dos refugiados “não é uma responsabilidade” dos países da União Europeia (UE) que acederam receber candidatos a proteção internacional.
“O sistema de recolocação não está visivelmente a funcionar”, concluiu Constança Urbano de Sousa, ao citar o “número muito limitado de refugiados recolocados e isso não é uma responsabilidade dos Estados que se disponibilizaram para acolher refugiados, como é o caso de Portugal”.
No final do primeiro dia da reunião informal de ministros do Interior e da Justiça, a decorrer em Amesterdão, na Holanda, a governante indicou à agência Lusa que Portugal recebeu refugiados na “exata medida em que a Grécia e a Itália enviam”, os dois países com centros de registo de candidatos a asilo, no âmbito da recolocação de 160 mil pessoas.
Os números divulgados, esta segunda-feira, pela Comissão Europeia, indicam a recolocação de 351 pessoas, das quais 26 em Portugal.
“(A Grécia e a Itália) estão com dificuldades em fazer o registo e sobretudo em gerir todo o sistema de recolocação, porque as pessoas, muitas vezes, como não estão detidas, pura e simplesmente vão avançando, vão fazendo os seus percursos migratórios”, disse à Lusa.
Acerca do mecanismo voluntário para os Estados-membros receberem refugiados dos campos localizados na Turquia, ao abrigo do plano de ação UE/Turquia, a ministra indicou estarem ainda a ser tomadas medidas.
Comentando as recentes críticas, sobretudo da Áustria, à forma como a Grécia tem gerido as suas fronteiras externas, a ministra notou haver uma “certa tensão”.
“As críticas no conselho (de ministros da UE) não são assim tão aguerridas como fora, aos jornalistas, mas existe uma certa tensão sobre a forma como a fronteira externa com a Turquia está a ser gerida”, relatou Constança Urbano de Sousa, reportando-se ao número elevado de refugiados que continua a chegar à Europa.
“É preciso, de alguma forma, controlar e organizar melhor esses fluxos”, acrescentou a governante, recordando a proposta da Comissão Europeia de criação de uma agência da guarda europeia costeira e marítima e que é uma prioridade para a atual presidência holandesa da UE.
Constança Urbano de Sousa referiu a “grande vontade política da maioria dos Estados de aprovar a proposta” da guarda, que, segundo o executivo de Bruxelas poderia, em última instância, atuar num país sem o consentimento das autoridades locais.
“Temos naturalmente que negociar e ver algumas questões que possam ser mais sensíveis e tentar que haja um compromisso”, afirmou.
A responsável indicou como objetivo atual o reforçar as capacidades da nova guarda para “auxiliar os Estados-membros que tenham mais vulnerabilidades ou uma maior incapacidade” em controlar as suas fronteiras externas e evitar que sejam repostos os controlos nas fronteiras internas e “façam perigar o espaço Schengen, que é vital para a UE” por razões de cidadania e económicas.
19.1.16
Um mês depois, refugiados aprendem português e primeiro bebé nasce em maio
In "RTP"
Um mês após terem chegado a Portugal, os 24 refugiados já começaram a ter aulas de português, as crianças já estão na escola e o primeiro bebé de origem síria nascerá em maio em Ferreira do Zêzere.
Ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, Portugal recebeu, a 17 de dezembro, o primeiro grupo de 24 refugiados proveniente da Eritreia, Sudão, Iraque, Síria e Tunísia, que estavam nos centros de acolhimento da Grécia e de Itália.
"O primeiro mês de integração destas famílias está a correr como o planeado e previsto, ou seja, as famílias foram acomodadas pelas instituições anfitriãs nos seus locais de acolhimentos", disse à agência Lusa o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR), instituição que faz parte da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).
André Costa Jorge adiantou que, nesta primeira fase, de acolhimento a prioridade é acolher os refugiados e garantir a articulação com os serviços competentes, como Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), saúde e educação, além de iniciarem a aprendizagem da língua portuguesa.
"Felizmente e, até à data, temos um registo muito positivo da fase de acolhimento com vista à integração", afirmou, sublinhando que "uma das primeira prioridades é aprender o português", uma vez que "é muito difícil para alguém que não domine a língua do país de acolhimento conseguir movimentar-se e fazer as coisas básicas", como pedir um copo de água ou explicar-se no médico.
O diretor do SJR disse que é expetável que os refugiados falem razoavelmente português no final do primeiro ano.
Além da língua, apontou também como obstáculos à integração "todo o património de trauma psicológico", o que leva, muitas vezes, a demorarem algum tempo a ter novamente confiança.
"Uma das dificuldades é o trauma, por um lado, e, por outro, o desajuste nas expetativas que vão encontrar no país de acolhimento, que faz com que o processo, pelo menos neste primeiro ano, seja mais duro", realçou.
Das duas famílias acolhidas pela PAR, uma delas, proveniente do Iraque, está a viver no Laranjeiro e uma das duas crianças já está a frequentar a escola. A outra família, alojado em Ferreira do Zêzere, é de origem Síria, tem um bebé de 10 meses e o novo membro vai já nascer em Portugal, em maio, estando a mãe a receber todos os cuidados médicos de uma grávida.
O diretor do SJR destacou que, por acaso, o médico de família que está a acompanhar esta grávida é também de origem síria, o que facilita o processo de comunicação.
André Costa Jorge disse ainda que, em ambos os casos, está já a ser preparada a possibilidade de empregabilidade, estando a ser feitos os contactos com várias instituições.
O Conselho Português para os Refugiados (CPR) acolhe um casal e duas primas de 18 e 20 anos da Eritreia.
"Esta família está num processo de integração normal, como os outros requerentes de asilo e refugiados que chegam a Portugal. Está a ter progresso na aprendizagem do português", disse à Lusa a presidente do CPR, Teresa Tito Morais, adiantando que este processo é lento.
Segundo Teresa Tito Morais, estes quatro refugiados vivem num apartamento e recebem um apoio financeiro para alimentação e transportes.
"A prioridade é terem, logo à partida, todo um conjunto de informações e simultaneamente começarem logo com as aulas de português", disse, acrescentando que aos refugiados é dado a conhecer a zona onde estão inseridos, feito um acompanhamento para tratarem do processo de asilo e reencaminhá-los para os serviços de saúde.
Teresa Tito Morais afirmou ainda que, para já, não há, em termos de integração, resultados muito concretos, porque é cedo.
Ao abrigo deste programa, definido em setembro de 2015 pela UE, Portugal disponibilizou-se para acolher cerca de 4.500, tendo apenas chegado este primeiro grupo.
Um mês após terem chegado a Portugal, os 24 refugiados já começaram a ter aulas de português, as crianças já estão na escola e o primeiro bebé de origem síria nascerá em maio em Ferreira do Zêzere.
Ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia, Portugal recebeu, a 17 de dezembro, o primeiro grupo de 24 refugiados proveniente da Eritreia, Sudão, Iraque, Síria e Tunísia, que estavam nos centros de acolhimento da Grécia e de Itália.
"O primeiro mês de integração destas famílias está a correr como o planeado e previsto, ou seja, as famílias foram acomodadas pelas instituições anfitriãs nos seus locais de acolhimentos", disse à agência Lusa o diretor do Serviço Jesuíta aos Refugiados (SJR), instituição que faz parte da Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR).
André Costa Jorge adiantou que, nesta primeira fase, de acolhimento a prioridade é acolher os refugiados e garantir a articulação com os serviços competentes, como Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF), saúde e educação, além de iniciarem a aprendizagem da língua portuguesa.
"Felizmente e, até à data, temos um registo muito positivo da fase de acolhimento com vista à integração", afirmou, sublinhando que "uma das primeira prioridades é aprender o português", uma vez que "é muito difícil para alguém que não domine a língua do país de acolhimento conseguir movimentar-se e fazer as coisas básicas", como pedir um copo de água ou explicar-se no médico.
O diretor do SJR disse que é expetável que os refugiados falem razoavelmente português no final do primeiro ano.
Além da língua, apontou também como obstáculos à integração "todo o património de trauma psicológico", o que leva, muitas vezes, a demorarem algum tempo a ter novamente confiança.
"Uma das dificuldades é o trauma, por um lado, e, por outro, o desajuste nas expetativas que vão encontrar no país de acolhimento, que faz com que o processo, pelo menos neste primeiro ano, seja mais duro", realçou.
Das duas famílias acolhidas pela PAR, uma delas, proveniente do Iraque, está a viver no Laranjeiro e uma das duas crianças já está a frequentar a escola. A outra família, alojado em Ferreira do Zêzere, é de origem Síria, tem um bebé de 10 meses e o novo membro vai já nascer em Portugal, em maio, estando a mãe a receber todos os cuidados médicos de uma grávida.
O diretor do SJR destacou que, por acaso, o médico de família que está a acompanhar esta grávida é também de origem síria, o que facilita o processo de comunicação.
André Costa Jorge disse ainda que, em ambos os casos, está já a ser preparada a possibilidade de empregabilidade, estando a ser feitos os contactos com várias instituições.
O Conselho Português para os Refugiados (CPR) acolhe um casal e duas primas de 18 e 20 anos da Eritreia.
"Esta família está num processo de integração normal, como os outros requerentes de asilo e refugiados que chegam a Portugal. Está a ter progresso na aprendizagem do português", disse à Lusa a presidente do CPR, Teresa Tito Morais, adiantando que este processo é lento.
Segundo Teresa Tito Morais, estes quatro refugiados vivem num apartamento e recebem um apoio financeiro para alimentação e transportes.
"A prioridade é terem, logo à partida, todo um conjunto de informações e simultaneamente começarem logo com as aulas de português", disse, acrescentando que aos refugiados é dado a conhecer a zona onde estão inseridos, feito um acompanhamento para tratarem do processo de asilo e reencaminhá-los para os serviços de saúde.
Teresa Tito Morais afirmou ainda que, para já, não há, em termos de integração, resultados muito concretos, porque é cedo.
Ao abrigo deste programa, definido em setembro de 2015 pela UE, Portugal disponibilizou-se para acolher cerca de 4.500, tendo apenas chegado este primeiro grupo.
Refugiados em Portugal com integração acima das expectativas
João Pedro Campos, in "Jornal de Notícias"
A adaptação dos 20 refugiados instalados em Penela desde 7 de novembro está a surpreender os responsáveis da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, de Miranda do Corvo, responsável pelo acolhimento. Aprender a língua e arranjar trabalho em Portugal são os próximos passos.
"Tínhamos um modelo definido e, ao fim de dois meses, já passámos metade das etapas. Estava previsto estarmos nesta fase aos quatro ou cinco meses", conta a diretora do Centro de Integração de Refugiados da ADFP, Nataliya Bekh, acrescentando que uma família já foi sozinha a Lisboa e alguns dos elementos vão regularmente a Coimbra, à sexta-feira, para ir à mesquita. "Ainda os acompanhamos para fazer compras e ir a consultas médicas". A perspetiva da associação é a de que as quatro famílias sejam autossuficientes ao fim de dez meses em Portugal.
Segundo Nataliya Bekh, a associação, em conjunto com o Ministério da Educação, está a tentar reconhecer as habilitações dos refugiados, entre o 12.º ano e o Ensino Superior. "É um processo moroso porque não há protocolos com o Sudão nem a Síria. O Ministério da Educação está a fazer as tabelas através de contactos com as embaixadas", explica, lembrando que um dos elementos já tem o diploma reconhecido no Egito, onde esteve antes de chegar a Penela.
Prioridade à língua
"Eu sou estudante", diz, num Português já bem percetível, Sameer Ghalyoun, falando da sua ocupação atual. A viver há dois meses em Penela com a mulher e os filhos, o sírio tem como prioridade aprender a língua e está a ter aulas na Universidade de Coimbra três vezes por semana.
"No Egito, consegui arranjar trabalho. Aqui estou a conseguir integrar-me e o primeiro objetivo é aprender Português", aponta Sameer. Na Síria era gestor de Recursos Humanos e em Portugal espera conseguir trabalho na mesma área.
O grupo esteve domingo de visita ao Parque Biológico de Miranda do Corvo, onde contactou com as espécies animais existentes. Os ursos foram o que lhes chamaram mais a atenção, sobretudo às crianças, que saíram do parque a dizer "urso" num Português perfeito. Hoje à tarde visitam a Escola de Penela, onde estarão em contacto com a comunidade estudantil.
A adaptação dos 20 refugiados instalados em Penela desde 7 de novembro está a surpreender os responsáveis da Fundação Assistência, Desenvolvimento e Formação Profissional, de Miranda do Corvo, responsável pelo acolhimento. Aprender a língua e arranjar trabalho em Portugal são os próximos passos.
"Tínhamos um modelo definido e, ao fim de dois meses, já passámos metade das etapas. Estava previsto estarmos nesta fase aos quatro ou cinco meses", conta a diretora do Centro de Integração de Refugiados da ADFP, Nataliya Bekh, acrescentando que uma família já foi sozinha a Lisboa e alguns dos elementos vão regularmente a Coimbra, à sexta-feira, para ir à mesquita. "Ainda os acompanhamos para fazer compras e ir a consultas médicas". A perspetiva da associação é a de que as quatro famílias sejam autossuficientes ao fim de dez meses em Portugal.
Segundo Nataliya Bekh, a associação, em conjunto com o Ministério da Educação, está a tentar reconhecer as habilitações dos refugiados, entre o 12.º ano e o Ensino Superior. "É um processo moroso porque não há protocolos com o Sudão nem a Síria. O Ministério da Educação está a fazer as tabelas através de contactos com as embaixadas", explica, lembrando que um dos elementos já tem o diploma reconhecido no Egito, onde esteve antes de chegar a Penela.
Prioridade à língua
"Eu sou estudante", diz, num Português já bem percetível, Sameer Ghalyoun, falando da sua ocupação atual. A viver há dois meses em Penela com a mulher e os filhos, o sírio tem como prioridade aprender a língua e está a ter aulas na Universidade de Coimbra três vezes por semana.
"No Egito, consegui arranjar trabalho. Aqui estou a conseguir integrar-me e o primeiro objetivo é aprender Português", aponta Sameer. Na Síria era gestor de Recursos Humanos e em Portugal espera conseguir trabalho na mesma área.
O grupo esteve domingo de visita ao Parque Biológico de Miranda do Corvo, onde contactou com as espécies animais existentes. Os ursos foram o que lhes chamaram mais a atenção, sobretudo às crianças, que saíram do parque a dizer "urso" num Português perfeito. Hoje à tarde visitam a Escola de Penela, onde estarão em contacto com a comunidade estudantil.
15.1.16
Segundo grupo de refugiados chegará a Portugal no fim de janeiro
In "Jornal de Notícias"
A nova diretora nacional do SEF, Luísa Maia Gonçalves, disse esta quinta-feira que um segundo grupo de refugiados, vindos de centros de acolhimento da Grécia e Itália, deverá chegar a Portugal no final do mês de janeiro.
Sem avançar uma data definitiva e especificar o número, Luísa Maia Gonçalves adiantou que Portugal deverá receber "mais alguns refugiados" no final do mês de janeiro.
"Não há datas definidas, mas, em princípio, talvez no final do mês possam vir mais alguns", disse aos jornalistas a diretora nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, no final da sua tomada de posse.
O primeiro grupo de refugiados, composto por 24 pessoas, também provenientes de centros de acolhimento de Itália e Grécia, chegou a Portugal a 17 de dezembro.
Ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia (UE), definido em setembro de 2015, Portugal disponibilizou-se para acolher cerca de 4.500, tendo apenas chegado esse primeiro grupo de 24 refugiados.
A diretora do SEF afirmou que o atraso na recolocação dos refugiados "não é da responsabilidade de Portugal", existindo normas sobre a forma como transitam dos "chamados pontos quentes" para os estados-membros.
"O processamento é feito de acordo com as regras da União Europeia, não é Portugal que as define é a UE e há procedimentos que são acautelados e que são tidos em conta nesta situação humanitária", sustentou.
A nova diretora nacional do SEF, Luísa Maia Gonçalves, disse esta quinta-feira que um segundo grupo de refugiados, vindos de centros de acolhimento da Grécia e Itália, deverá chegar a Portugal no final do mês de janeiro.
Sem avançar uma data definitiva e especificar o número, Luísa Maia Gonçalves adiantou que Portugal deverá receber "mais alguns refugiados" no final do mês de janeiro.
"Não há datas definidas, mas, em princípio, talvez no final do mês possam vir mais alguns", disse aos jornalistas a diretora nacional do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras, no final da sua tomada de posse.
O primeiro grupo de refugiados, composto por 24 pessoas, também provenientes de centros de acolhimento de Itália e Grécia, chegou a Portugal a 17 de dezembro.
Ao abrigo do Programa de Relocalização de Refugiados da União Europeia (UE), definido em setembro de 2015, Portugal disponibilizou-se para acolher cerca de 4.500, tendo apenas chegado esse primeiro grupo de 24 refugiados.
A diretora do SEF afirmou que o atraso na recolocação dos refugiados "não é da responsabilidade de Portugal", existindo normas sobre a forma como transitam dos "chamados pontos quentes" para os estados-membros.
"O processamento é feito de acordo com as regras da União Europeia, não é Portugal que as define é a UE e há procedimentos que são acautelados e que são tidos em conta nesta situação humanitária", sustentou.
30.12.15
Refugiados que chegam a Portugal foram “objecto de um escrutínio bastante rigoroso"
In "Rádio Renascença"
A garantia é dada pela ministra da Administração Interna. Primeiro grupo de 24 pessoas chega a Portugal na quinta-feira.
O grupo de 24 refugiados que vai chegar na quinta-feira a Portugal foi cuidadosamente seleccionado, garante a ministra da Administração Interna. Constança Urbano de Sousa afirma que não há risco de associação a grupos de terrorismo.
“Todas essas pessoas são perfeitamente escrutinadas antes de serem recolocadas – por isso é que é um processo que está a ser moroso – e são sempre objecto de um escrutínio e de uma identificação bastante rigoroso”, assegura.
A ministra esteve esta terça-feira na conferência nacional "Portugal e os compromissos da agenda europeia para as migrações" organizada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
Na quinta-feira, chega a Portugal o primeiro grupo de refugiados no âmbito do Programa de Relocalização de Refugiados na União Europeia. São seis famílias com crianças, oriundas da Eritreia, do Iraque e da Síria. Estão actualmente na Grécia e em Itália.
O processo de acolhimento ficará a cargo da Câmara de Lisboa e de outras entidades, como o Conselho Português para os Refugiados, a União das Misericórdias Portuguesas e o Serviço Jesuíta aos Refugiados.
Ao chegarem ao aeroporto de Lisboa, serão acolhidos em Lisboa, Cacém, Torres Vedras, Marinha Grande, Penafiel e Vinhais.
O primeiro grupo de refugiados faz parte dos cerca de 4.500 que Portugal deverá receber nos próximos dois anos.
Segundo Constança Urbano de Sousa, não existe ainda prazo previsto para a chegada de mais refugiados, uma vez que a recolocação "depende muito da selecção e de todo um procedimento que ocorre nos centros de acolhimento que é da responsabilidade das autoridades italianos e gregas".
A garantia é dada pela ministra da Administração Interna. Primeiro grupo de 24 pessoas chega a Portugal na quinta-feira.
O grupo de 24 refugiados que vai chegar na quinta-feira a Portugal foi cuidadosamente seleccionado, garante a ministra da Administração Interna. Constança Urbano de Sousa afirma que não há risco de associação a grupos de terrorismo.
“Todas essas pessoas são perfeitamente escrutinadas antes de serem recolocadas – por isso é que é um processo que está a ser moroso – e são sempre objecto de um escrutínio e de uma identificação bastante rigoroso”, assegura.
A ministra esteve esta terça-feira na conferência nacional "Portugal e os compromissos da agenda europeia para as migrações" organizada pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).
Na quinta-feira, chega a Portugal o primeiro grupo de refugiados no âmbito do Programa de Relocalização de Refugiados na União Europeia. São seis famílias com crianças, oriundas da Eritreia, do Iraque e da Síria. Estão actualmente na Grécia e em Itália.
O processo de acolhimento ficará a cargo da Câmara de Lisboa e de outras entidades, como o Conselho Português para os Refugiados, a União das Misericórdias Portuguesas e o Serviço Jesuíta aos Refugiados.
Ao chegarem ao aeroporto de Lisboa, serão acolhidos em Lisboa, Cacém, Torres Vedras, Marinha Grande, Penafiel e Vinhais.
O primeiro grupo de refugiados faz parte dos cerca de 4.500 que Portugal deverá receber nos próximos dois anos.
Segundo Constança Urbano de Sousa, não existe ainda prazo previsto para a chegada de mais refugiados, uma vez que a recolocação "depende muito da selecção e de todo um procedimento que ocorre nos centros de acolhimento que é da responsabilidade das autoridades italianos e gregas".
23.12.15
Portugal recebeu 1.300 refugiados em 1999
Fátima Marques Faria, Paulo Maio Gomes, Dores Queirós, in RTP
Foi a última vez que Portugal esteve envolvido numa grande operação de acolhimento de refugiados. Na altura, perto de 1.300 kosovares vieram para o nosso país e ficaram alguns meses, até serem assinados os acordos de paz.
Dezasseis anos depois, a RTP conversou com alguns dos portugueses que os acolheram.
Portugal volta agora a estar envolvido num novo programa de acolhimento de refugiados. No âmbito do programa da União Europeia vão chegar ao país 4.400 refugiados. 24 deles já estão em Portugal. O programa prolonga-se pelos próximos dois anos.
Foi a última vez que Portugal esteve envolvido numa grande operação de acolhimento de refugiados. Na altura, perto de 1.300 kosovares vieram para o nosso país e ficaram alguns meses, até serem assinados os acordos de paz.
Dezasseis anos depois, a RTP conversou com alguns dos portugueses que os acolheram.
Portugal volta agora a estar envolvido num novo programa de acolhimento de refugiados. No âmbito do programa da União Europeia vão chegar ao país 4.400 refugiados. 24 deles já estão em Portugal. O programa prolonga-se pelos próximos dois anos.
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