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5.3.20

Portugal disposto a acolher refugiados sírios bloqueados pela Grécia

in zap

A Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) manifesta a disponibilidade de Portugal para acolher refugiados sírios que foram bloqueados pelas autoridades gregas, depois de a Turquia ter deixado de controlar as suas fronteiras com aquele país.

A situação na fronteira entre a Grécia e a Turquia complicou-se nas últimas horas, depois o Governo turco ter decidido abrir as portas da Europa aos refugiados sírios. Uma forma de pressão sobre as autoridades internacionais, após os bombardeamentos do regime sírio que vitimaram cerca de 30 soldados turcos na região de Idlib.

A Grécia reagiu à “invasão” de refugiados com força, impedindo a entrada de cerca de milhares de migrantes no país. A situação tensa provocou confrontos entre migrantes e polícias, com arremesso de pedras e de barras de metal e com as autoridades a responderem com gás lacrimogéneo.

Perante a situação complicada, a PAR mostra-se, desde já, disponível a acolher “os requerentes de asilo e refugiados que se encontrem em território grego e a colaborar com o Governo português na identificação de obstáculos e no reforço da capacidade de acolhimento portuguesa”, conforme comunicado enviado às redacções.


A Turquia acolhe no seu território cerca de 3,6 milhões de refugiados sírios. A decisão do governo do país de abrir as portas da Europa a estes refugiados preocupa a PAR que destaca que a “já frágil situação humanitária vivida na Grécia, em especial nas ilhas gregas de Lesbos, Quios Samos e Kos, onde mais de 56 mil pessoas aguardam uma resposta ao seu pedido de asilo”, pode agravar-se ainda mais.
A PAR entende ser “absolutamente urgente” que Portugal reforce a sua capacidade de acolhimento para que possa receber mais refugiados e garantir-lhes uma resposta rápida e digna, podendo isso ser feito através do Acordo Bilateral assinado entre Portugal e a Grécia, em Março de 2019.

“A PAR apela assim, mais uma vez, à efectiva transferência de requerentes e beneficiários de asilo ao abrigo do Acordo Bilateral para Portugal, onde sejam tratados como pessoas e encontrem a paz e a estabilidade que merecem e procuram“, aponta-se no documento.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM), cerca de 13 mil pessoas abandonaram o território turco com destino à Grécia, país que se recusa a abrir-lhes as suas portas, prometendo reforçar o controlo das fronteiras.
A PAR ressalva que há famílias acompanhadas de menores e em situação de particular vulnerabilidade, que fogem de perseguições ou que procuram a paz que o seu país não lhes consegue garantir e critica a ausência de uma “resposta europeia concertada à recolocação destas pessoas em território grego pelo espaço comunitário”.

Cerca de 13 mil pessoas estavam no sábado junto da fronteira greco-turca após o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, ter aberto as fronteiras para deixar passar migrantes e refugiados para a Europa, segundo a OIM.
O Presidente da Turquia adiantou que, nas próximas horas, entre 25 mil e 30 mil pessoas podem tentar chegar à Grécia.

Além de milhões de refugiados sírios, a Turquia acolhe ainda centenas de migrantes e refugiados da Ásia, África e Médio Oriente que usam o país como ponto de trânsito para alcançar a Europa através da Grécia.
ZAP // Lusa

20.9.16

Portugal entre países com maior compaixão pelos refugiados

in Jornal de Notícias

Portugal é um dos países europeus onde existe maior compaixão e apoio ao acolhimento de refugiados sírios, indica uma sondagem internacional divulgada hoje pela organização não-governamental International Rescue Committee (IRC).

Dos mil inquiridos nacionais, 206 (21%) mostraram-se muito favoráveis ao acolhimento de refugiados sírios em Portugal e 455 (46%) manifestaram-se bastante favoráveis, totalizando 66% de respostas claramente positivas.

Daqueles que responderam, apenas 93 (9%) portugueses disseram não ver com bons olhos a chegada de refugiados sírios a Portugal, enquanto 177 (18%) expressaram-se pelo menos "um pouco" favoráveis.

O sentimento positivo pelos refugiados sírios é também elevado em Irlanda (68%), Espanha (67%) e Alemanha (65%).

Pelo contrário, na Eslováquia (73%), Roménia (63%), França (55%) e República Checa (53%), a maioria das respostas negativa, mostrando pouca ou nenhuma simpatia pelos refugiados sírios.

Entre as principais razões de receio, estão a pressão no sistema de segurança social, nas finanças públicas e em serviços como escolas e hospitais e também que aumentem os riscos de segurança, seja em termos de ataques terroristas ou de atos criminosos.

Ainda assim, o IRC considera que os níveis de sensibilidade pelos Sírios que chegam à Europa são elevados, e que, em média, três em cada quatro (76%) exprimiram algum tipo de compaixão por todos os 12 países onde se realizou a sondagem, que também incluiu o Reino Unido, Dinamarca, Itália e Suécia.

"Estes resultados mostram que os Europeus ainda têm coração", congratulou-se o presidente da organização não-governamental, David Miliband, antigo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico.

"Numa altura em que a retórica tóxica conseguiu chegar à agenda política, há aqui um sinal claro aos governos para juntarem compaixão à competência na resposta à crise dos refugiados. Segurança, bem-estar económico e tratamento justo dos refugiados podem e devem estar juntos", sublinhou.

A ONG, que presta assistência humanitária e apoio ao desenvolvimento, lançou um apelo para os líderes europeus acolherem metade de todos os refugiados sírios e 25% dos refugiados a nível global, num total de 540 mil nos próximos cinco anos.

Segundo o IRC, a Europa atualmente só tem 8% dos refugiados a nível global, enquanto outros países de baixo ou rendimento médio albergam 86% dos refugados mundiais.

O tema dos refugiados e migrantes vai ser o tema de uma cimeira na Assembleia das Nações Unidas na próxima segunda em Nova Iorque, seguida por uma Cimeira de Líderes sobre a Crise Global de Refugiados, na terça-feira, presidida pelo presidente dos EUA, Barack Obama.



5.8.15

Casal turco partilha festa de casamento com 4.000 refugiados

in RR

Casal reúne dinheiro que recebeu de familiares e troca a festa de casamento pela oferta de uma grande refeição a refugiados sírios.

Fethullah Üzümcüoğlu e Esra Polat decidiram partilhar a alegria do dia do seu casamento a alimentar 4.000 refugiados provenientes da Síria. Festa que teve lugar na cidade turca de Kilis.

Inicialmente a noiva mostrou-se reticente, mas acabou por se render à ideia. “Eu fiquei chocada quando o Fethullah me contou a ideia mas depois de algumas palavras fiquei convencida. Foi uma experiência maravilhosa. Estou feliz por ter tido esta oportunidade de partilhar a nossa refeição de casamento com pessoas que realmente precisam”, confidenciou Esra Polat ao jornal inglês “The Telegraph”.

Fethullah Üzümcüoğlu, o noivo, não se arrependeu e ficou bastante feliz pela forma como deu o primeiro passo ao lado de Esra. "Ver a felicidade nos olhos dos filhos dos refugiados sírios é impagável. Começámos a nossa jornada para a felicidade a fazer os outros felizes e isso é uma grande sensação", disse ele ao jornal.

De acordo com o jornal britânico, a ideia original partiu do pai do noivo, que manifestou ao jornal turco “Serhat Kilis” a esperança de que outros façam o mesmo e partilhem as celebrações do casamento com os seus irmão e irmãs da Síria.

A Turquia acolheu quase dois milhões de refugiados desde o início da guerra civil na Síria. Só na cidade de Kilis existem 4.000, que recebem ajuda da organização turca Kimse Yok Mu.