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16.7.15

"Melhor caminho para a Grécia talvez seja saída temporária do euro"

in SicNotícias

O ministro das Finanças alemão, Wolfgang Schäuble, defendeu hoje que "o melhor caminho para a Grécia talvez seja uma saída temporária do euro", numa entrevista à rádio pública Deutschlandfunk.

Alegando que muitos economistas não acreditam que a Grécia possa avançar sem um corte da dívida, "incompatível com a pertença à união monetária", Schäuble afirmou que "ninguém sabe como pode (a Grécia) continuar sem um corte da dívida".

Mas "todos sabemos que esse corte da dívida é impossível, esta é a situação", sublinhou Schäuble numa entrevista à Deutschlandfunk.

O titular das Finanças, que pôs sobre a mesa no Eurogrupo a ideia de uma saída temporária da Grécia do euro durante cinco anos, sublinhou que essa hipótese não era uma obrigação nem uma proposta para Atenas.

A ideia recolhia, na opinião de Schäuble, o pensamento de muitos economistas, também na Grécia, que duvidam que o país possa solucionar os seus problemas sem um corte da dívida, que, precisou, é impossível de fazer no âmbito da união monetária.

"Veremos se depois de tudo há um caminho para chegar a um programa, perante as crescentes necessidades financeiras" do país, respondeu Schäuble ao ser questionado sobre se também acredita que o melhor caminho seria uma saída temporária.

Há umas semanas cifravam-se as necessidades de financiamento de Atenas em 10.000 milhões de euros, que "não são pequenas", sublinhou Schäuble, a agora fala-se de mais de 80.000 milhões de euros, tornando a situação "excecionalmente complicada".

Segundo Schäuble, a votação realizada na última noite no Parlamento grego é "mais um passo" e agora o Eurogrupo deve verificar que foram aprovadas as reformas acordadas para poder depois recomendar o início das negociações para um terceiro pacote de ajudas.

Questionado sobre se confia no Governo de Alexis Tsipras, Schäuble limitou-se a sublinhar que o Parlamento grego se comprometeu a fazer reformas, mas também recordou que há cinco anos as autoridades gregas já acordaram pôr em andamento as medidas - que agora parecem tão polémicas - e não o fizeram.

O ministro alemão reconheceu a dificuldade do debate de quarta-feira na Grécia, já que a população rejeitou no referendo o que foi aprovado pelo Parlamento.

Se a Grécia quer ajuda, adiantou, deve fazer as reformas necessárias para avançar para uma situação em que possa ser independente dessa ajuda e viver com os seus próprios meios.

Com Lusa

3.7.12

Probabilidade da Grécia e Portugal saírem do euro é de 85%, diz economista

in Sol

Uma economista próxima de Nouriel Roubini, tido como o primeiro a prever a crise financeira de 2008, disse hoje que há «uma probabilidade de 85 por cento» de a Grécia e Portugal saírem do euro.

Num colóquio anual organizado em Atenas pelo jornal britânico The Economist, que nunca escondeu as suas dúvidas sobre a manutenção da Grécia na Zona Euro, Megan Greene, directora de estudos europeus da empresa do analista Nouriel Roubini, afirmou que a Grécia deverá ser a primeira a abandonar a moeda única.

«Estimamos que há uma probabilidade de 85 por cento de ver a Grécia e Portugal saírem da Zona Euro. Na minha opinião, a Grécia vai ser o primeiro país a sair e isso vai acontecer no início do próximo ano», afirmou Greene.

Jörg Asmussen, membro do Banco Central Europeu (BCE), falou na abertura do debate em representação dos credores internacionais de Atenas - BCE, Comissão Europeia (CE) e Fundo Monetário Internacional (FMI).

O responsável foi peremptório: os gregos devem aceitar e acelerar os sacrifícios e as reformas estruturais se quiserem sair da crise e garantir a pertença à Zona Euro.

E, para isso, devem proceder à «desvalorização interna», ou seja, baixar fortemente os custos de produção do país, sobretudo os salários, para poderem entrar num caminho de competitividade e de crescimento, sem desvalorizar a moeda.

Convidado de honra para as conferências que hoje tiveram lugar em Atenas, Alexis Tsipras, líder da oposição e dirigente da esquerda radical grega, o Syriza, que se tornou o segundo partido mais votado do país depois das eleições legislativas de 17 de junho, foi um dos oradores.

Para Tsipras, o esquema de «desvalorização interna» preconizado pelos credores internacionais da Grécia é «doloroso para o povo grego» e «ineficaz», uma vez que conduz a um «desastre humanitário».

«A austeridade», disse, vai «agravar a situação» e «conduzir o país à saída da Zona Euro, que é a única via institucional possível para um Estado no interior da moeda única», acrescentou.

Referindo uma reforma fiscal e a luta contra a corrupção, Tsipras considera que estas alterações «necessárias» não podem ser realizadas de maneira duradoura num ambiente de «afundamento da economia». Entre as medidas que defende, o responsável do Syriza aponta «uma moratória» sobre o pagamento da dívida helénica.

Megan Greene, por seu lado, não acredita que «este governo tenha mais hipóteses do que o anterior de adotar reformas» e afirma que a Grécia «já não pode suportar mais austeridade».

A economista alerta ainda para que, «de qualquer forma, se conseguirem [implementar as reformas], isso vai colocar em risco o crescimento, o que vai ser muito duro para o povo».

«A 'troika' [BCE, CE e FMI] nunca vai permitir uma moratória sobre o pagamento da dívida e a Grécia vai ser obrigada a entrar em incumprimento e, por isso, a sair da Zona Euro», sentenciou a responsável.