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5.11.19

Portugal compara mal no salário mínimo. E ainda pior nos salários médios

Sónia Lourenço, Carlos Esteves, in Expresso

Com o aumento dos salários entre as prioridades da agenda política, fomos ver como comparamos com os outros países em matéria de salário mínimo e salário médio. E se no caso do salário mínimo já comparamos mal, nos salários médios ganhamos ainda pior que a generalidade dos países europeus. Veja os gráficos com as comparações

Depois de subir quase 24% nos últimos cinco anos, entre 2014 e 2019 - quando passou de 485 euros mensais para os 600 euros - o salário mínimo em Portugal continua entre os mais baixos da União Europeia. E, se a análise incidir sobre o salário médio, Portugal fica ainda pior na figura.

Dados que colocam na ordem do dia a negociação que o Governo está a promover junto dos parceiros sociais, com vista à obtenção de um acordo na concertação social visando a subida dos salários em Portugal.
Segundo a base de dados da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE), em 2018 (último valor disponibilizado), Portugal tinha o sexto salário mínimo mais baixo da zona euro, em termos nominais, entre os países com informação disponível.

Os 8120 euros de remuneração bruta anual auferidos por quem ganhava o salário mínimo em Portugal nesse ano (580 euros por mês) comparavam com 19864 euros na Irlanda, 20556 euros na Holanda, ou com 24233 euros no Luxemburgo, países que lideram o ranking dos salários mínimos mais avultados.

Mais ainda, ajustando esse valor pelo poder de compra em cada país, Portugal fica na sétima pior posição da União Europeia.

Portugal fica mal na figura ao nível do salário mínimo, mas uma análise sobre as remunerações médias deixa o país ainda pior na fotografia.

Em 2018, o salário médio em Portugal era o quinto mais baixo da zona euro em termos nominais, entre os países com dados disponíveis na base de dados da OCDE, nos 17240 euros brutos anuais (cerca de 1230 euros brutos por mês). Um valor que comparava com 64595 euros de salário médio bruto anual no Luxemburgo, o país da moeda única com valores mais elevados.

É certo que no grã-ducado o custo de vida é, também, muito mais elevado. O problema é que mesmo ajustando pelo poder de compra em cada país, Portugal fica na cauda da Europa.

O salário médio em Portugal ajustado por este factor era, em 2018, o terceiro mais baixo da União Europeia, entre todos os países com dados disponíveis. Pior só a Hungria e a Eslováquia.

Recorde-se que, tal como o Expresso já avançou, o Governo já está a negociar com os parceiros sociais um acordo para a valorização dos salários que vá além do salário mínimo.

As conversas têm, para já, um carácter informal, mas visam aferir a disponibilidade de todos os parceiros para um entendimento deste tipo. O modelo final não está fechado, mas tal como o Expresso avançou, o cenário mais provável para o Governo é a definição de um referencial para a negociação coletiva que sirva de orientação para a atualização das grelhas salariais das convenções coletivas. E que poderia estar indexado à evolução do salário mínimo.

Do lado dos patrões, tanto a Confederação Empresarial de Portugal - CIP, e a Confederação do Comércio e Serviços de Portugal (CCP), manifestaram ao Expresso disponibilidade para negociar um acordo sobre política de rendimentos, desde que não ficasse por aí. Ou seja, os patrões querem contrapartidas do Governo, nomeadamente ao nível fiscal.

Já do lado dos sindicatos, a UGT está disponível, mas a CGTP mais reticente, com Arménio Carlos a colocar como condição prévia a revisão da legislação laboral, pondo fim à cláusula de caducidade das convenções coletivas.

25.7.14

Equipa do FMI diz que os salários não caíram em Portugal

por Luís Reis Ribeiro, in Dinheiro Vivo

Pouco potencial de crescimento até 2018, um mercado de trabalho anémico, caro e com desemprego para durar, um ajustamento da balança externa que parece ser de curta duração. Este é, em traços largos, o mais recente diagnóstico de uma equipa de seis peritos do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre Portugal e restantes países da zona euro submetidos a programas de intervenção financeira e económica (Grécia, Espanha e Irlanda).

No estudo "Ajustamento nos países deficitários da área do euro", hoje divulgado, o FMI reitera todas as críticas negativas que deixou nas suas últimas avaliações ao programa de ajustamento português. Diz, inclusive, que os salários não caíram e que os custos do trabalho desceram sobretudo devido à forte destruição de empregos. A análise é feita entre o primeiro trimestre de 2009 e o segundo trimestre do ano passado.

A instituição, que tal como a Comissão Europeia, acompanhará Portugal durante várias décadas, fazendo recomendações de política económica e orçamental (Espanha e Grécia, idem), deixa uma lista extensa de avisos relativamente ao "médio prazo".

Na parte salarial, o estudo diz que "em Portugal e Espanha, os salários não caíram e as reduções registadas nos custos unitários do trabalho (5% a 10%) vieram acima de tudo da destruição de emprego" entre o início de 2009 e meados de 2013. "O produto interno bruto real continua abaixo dos níveis pré-crise", observa.

O estudo do FMI diz que talvez Grécia e Portugal tenham entrado no euro sobreavaliados (designadamente ao nível dos salários e das "rigidezes do mercado de trabalho") o que depois, com a crise, acabou por ditar o aprofundamento dos desequilíbrios externos e a perda de força nas exportações.

"O compromisso em aderir à União Económica e Monetária tinha criado grandes expectativas de convergência, mas a produtividade estagnou e os custos unitários do trabalho aumentaram, danificando a competitividade externa", reparam os autores.

Citando o economista francês Olivier Blanchard, que hoje é chefe do departamento económico do Fundo, os peritos acusam ainda "a falta de disciplina orçamental" como sendo um dos principais factores que levaram aos desequilíbrios, sobretudo na Grécia e "em muito menor grau" em Portugal.

Mas, como é apanágio do FMI, é no mercado laboral que estão os maiores bloqueios da economia portuguesa. O ajustamento salarial ainda terá de ser feito caso contrário o desemprego continuará sempre elevado.

No relatório, o grupo acredita pouco nisso. "Não se espera que a taxa de desemprego melhore muito em Espanha e Portugal no médio prazo"; a balança comercial portuguesa melhorou sobretudo devido a exportações mais elevadas, mas também à "compressão nas importações"; o crescimento futuro das exportações deverá ser apenas "modesto" até 2018 na Grécia, Itália e Portugal.

"As projeções para o crescimento do produto potencial vão continuar fracas para todos os países deficitários, com a exceção da Irlanda", avisam, citando as projeções macroeconómicas do Fundo para os próximos quatro anos.

22.5.13

Salário de um português é quase metade da média europeia

por Mara Dionísio, in RR

Noruegueses lideram, com 3.644 euros. Um português aufere em média menos de um terço deste valor.

Um português ganha em média um salário bruto mensal de 1.078 euros, pouco mais de metade da média europeia, que se situa nos 1.936 euros. As conclusões são de um estudo da consultora internacional Adecco, divulgado esta terça-feira.

Portugal fica no 18º lugar entre 27 países (a Noruega é incluída, a Grécia não), que tem como base dados de 2010 publicados pelo Eurostat. Um português ganha menos 537 euros por mês do que um espanhol e menos 1.343 do que um alemão, que leva para casa um salário bruto de 2.421 euros.

A Europa do Norte aparece no topo da tabela da Adecco. Na Noruega, o salário médio bruto é de 3.644 euros, enquanto na vizinha Dinamarca é de 3.572 euros por mês. Quer isto dizer que, em média, ganham mais do triplo que um português.

Abaixo de Portugal só mesmo os países da Europa de Leste. O país onde o salário médio bruto é menor é na Bulgária, onde se aufere 291 euros.