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23.6.23

Com mais subidas de juros, metade das famílias com crédito fica “vulnerável”

Sérgio Aníbal, in Público

FMI alerta para o impacto de um cenário mais adverso do que o esperado na economia e defende que apoios do Estado são muito mais eficazes se forem direccionados às famílias com menores rendimentos

Se os portugueses que recorreram a crédito tiverem de enfrentar um cenário de subida de taxas de juro e inflação mais desfavorável, quase metade do total das famílias e 90% dos agregados de mais baixos rendimentos ficariam numa situação de vulnerabilidade financeira, em que se arriscariam a ter de reduzir consumos essenciais ou a falhar a amortização dos seus empréstimos.


O cálculo é feito pela missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) que esteve em Portugal no final do passado mês de Abril e que esta quinta-feira deu a conhecer o seu relatório sobre a economia do país ao abrigo do artigo IV da instituição.

[Artigo exclusivo para assinantes]


17.4.23

“Vamos ter mais fome e pobreza à escala global”. Previsões do FMI assustam especialistas

in CNN

O economista João Santos esteve este sábado em direto na CNN Portugal. Em análise, estiveram as previsões publicadas pelo FMI durante a semana.

17.5.22

Inflação? FMI alinha com Governo sobre decisão salarial na função pública

in Notícias ao Minuto

O FMI partilha da convicção do Governo português de não avançar já para uma atualização da massa salarial da função pública à taxa de inflação esperada para este ano, considerando que a escalada dos preços é temporária.Num 'briefing' com a imprensa hoje, a propósito das conclusões sobre a avaliação anual da instituição a Portugal, Rupa Duttagupta, líder da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI), quando questionada sobre se o executivo português deveria avançar já com a subida dos salários com base na inflação esperada deste ano, disse estar em linha com a postura adotada pelo Governo.

"Nós acreditamos na atual visão do Governo, porque isto é uma questão temporária, de que os salários não precisam de ser ajustados. Concordamos com isso", disse.

Ainda que admitindo que a perspetiva de inflação do FMI para Portugal foi revista em alta para 6% este ano, Rupa Duttagupta mostrou-se convicta, com base nas projeções do Global World Economic Outlook (WEO) para os preços das 'commodities', que grande parte da subida da inflação é sustentada por fatores globais, que devem começar a recuar no segundo semestre do ano.

"Portanto, esperamos que a inflação comece a recuar", vincou.

Ainda assim, a responsável pela missão do FMI a Portugal considerou que uma questão mais ampla é que Portugal tenha padrões de vida "mais fortes ou melhores".

"Uma grande prioridade é melhorar a competitividade dos trabalhadores, a empregabilidade e as condições de emprego. E, para isso, penso que as várias reformas que são direcionadas para aumentar o nível de qualificação, tanto nas habilidades profissionais, como também na digitalização da educação, naturalmente, aumentariam tanto a competitividade quanto os salários de forma mais durável no médio prazo", justificou.

O FMI divulgou hoje as conclusões da avaliação anual a Portugal (Article IV), no qual melhorou a perspetiva de crescimento do PIB português para 4,5% este ano e agravou a da inflação para 6%.

A equipa do FMI manteve contactos com as autoridades portuguesas durante os dias 21 de outubro a 04 de novembro de 2021 (virtualmente) e de 09 a 13 de maio de 2022 (presencialmente).

20.4.22

90% dos empréstimos do FMI impõem austeridade aos países pobres

Alberto Teixeira, in Ecoonline

Oxfam alerta que austeridade exigida pelo FMI aos países em desenvolvimento como contrapartida dos empréstimos vai aumentar a pobreza, fome e desigualdade.

Cerca de 90% dos empréstimos do Fundo Monetário Internacional (FMI) relacionados com a Covid-19 exigem que os países em desenvolvimento adotem medidas de austeridade que vão aumentar a fome, a pobreza e a desigualdade, alerta a Oxfam. Esta organização de combate à pobreza pede que o fundo suspenda estas exigências, quando todo o mundo assiste a um aumento do custo de vida, com a subida dos preços da energia e dos alimentos.

Em 13 dos 15 programas de empréstimo do FMI que foram negociados durante o segundo ano da pandemia, os países em desenvolvimento tiveram de implementar medidas como aumentos de impostos sobre alimentos e combustíveis ou cortes na despesa pública que podem colocar em risco serviços públicos essenciais, como a saúde ou a educação, segundo a análise desta organização não-governamental.

Por exemplo, o Quénia e o FMI fecharam um acordo para um empréstimo de 2,3 mil milhões de dólares no ano passado, que implicou um congelamento dos salários do setor público durante três anos e impostos sobre o gás e alimentação, quando mais de três milhões de quenianos enfrentam a fome perante a maior seca em décadas no país e cerca de metade as famílias terão de pedir comida emprestada ou comprá-la com crédito, diz a Oxfam.

Em nove países, como os Camarões, Senegal e Suriname, as autoridades tiveram de introduzir ou aumentar as taxas de IVA em muitos produtos do dia-a-dia, como alimentação e roupa.

Dez países, incluindo o Quénia e a Namíbia, vão ter de congelar ou cortar salários e empregos no setor público, “o que pode significar menor qualidade da educação e menos enfermeiros e médicos em países” que já têm problemas de falta de pessoal de saúde.

“O FMI deve suspender as condições de austeridade nos empréstimos existentes e aumentar o acesso ao financiamento de emergência. E deve encorajar os países a aumentar os impostos sobre os mais ricos”, considera Nabil Abdo, assessor de Políticas da Oxfam International.

Abdo dá conta “do duplo padrão do FMI”, que exorta a Europa a evitar medidas de austeridade para não colocar em risco a sua recuperação económica, enquanto exige aos países com baixos rendimentos — e que não tiveram acesso às vacinas da Covid-19 — que apertem os cintos.

“A pandemia ainda não acabou para a maior parte do mundo. O aumento dos custos com energia e alimentos estão a prejudicar mais os países pobres. Estes países precisam de ajuda para aumentar o acesso a serviços básicos e proteção social, e não de condições severas” nos apoios financeiros, assinala Nabil Abdo.

De acordo com uma análise da Oxfam e Development Finance International também divulgada esta terça-feira, 43 dos 55 estados-membros da União Africana vão implementar cortes na despesa pública que ascenderão a 183 mil milhões de dólares nos próximos cinco anos. Se isso acontecer, estes cortes poderão colocar em causa os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

FMI prevê retoma mais fraca em Portugal e défice maior que os 1,9% de Medina em 2022

Luís Reis Ribeiro, in Diário de Notícias

FMI diz retoma de 4%, ministro das Finanças acredita em 4,9%. No défice, Fundo aponta para 2,4% do PIB, mas Medina reiterou, há uma semana, meta de 1,9% em 2022.

A economia portuguesa deve crescer cerca de 4% em vez dos 4,9% previstos pelo governo na proposta de Orçamento do Estado de 2022 (OE2022) e o défice deve ultrapassar 1,9% do produto interno bruto (PIB), a meta assumida pelo ministro das Finanças, Fernando Medina, há uma semana, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), que calcula o défice português nos 2,4% do PIB no final deste ano.

O novo panorama económico do FMI (outlook) foi discutido pela cúpula da instituição de Washington a 11 de abril, mas a equipa que o elabora não é clara sobre a data concreta em que fechou estas previsões.

Ainda assim é, neste momento, o FMI é a entidade que recolheu informação mais recente. Isso explica que seja também a mais pessimista quanto à retoma de Portugal.

Em março, o Conselho das Finanças Públicas (CFP) assumiu um crescimento de 4,8% em 2022. O Banco de Portugal 4,9%. O cenário do governo na proposta de OE2022 reiterou a meta de 4,9%. O FMI diz 4%.


19.4.22

Mais 250 milhões de pessoas em pobreza extrema até ao final do ano. “A mais profunda queda da humanidade na pobreza de que há memória

João Ruela Ribeiro, in Público

É necessário adiar o pagamento das dívidas dos países mais afectados para poderem atender às suas populações, avisa a Oxfam.

A subida dos preços da alimentação e da energia, causada pela invasão russa da Ucrânia, pode atirar mais 250 milhões de pessoas para a pobreza extrema em todo o mundo até ao fim do ano, alerta a organização humanitária Oxfam. São necessárias “acções radicais” para evitar esse cenário, diz a entidade.

Os efeitos económicos provocados pela guerra na Ucrânia associam-se ao impacto deixado pela pandemia. O Banco Mundial já tinha calculado que cerca de 198 milhões de pessoas poderiam descer ao patamar de pobreza extrema (vivendo, em média, com menos de 1,75 euros por dia) apenas devido à pandemia. Mas a Oxfam estima que esse risco se estenda a mais 65 milhões por causa das consequências da invasão.

A organização não governamental também prevê que mais 28 milhões de pessoas fiquem subnutridas até ao fim do ano. Entre as zonas do globo onde a probabilidade de haver fome em massa é mais elevada, destacam-se o Leste de África, a região do Sahel, o Iémen e a Síria. Ao todo, o ano de 2022 pode acabar com uma população de 860 milhões de pessoas, quase 11% da população mundial, em pobreza extrema.

A factura da subida global dos preços da alimentação é mais pesada nos países mais pobres. Em média, os custos com comida em países riscos rondam os 17% dos gastos de consumo, enquanto na África Subsariana, por exemplo, esse valor ascende para 40%, diz a Oxfam.

“Sem acções radicais imediatas, podemos estar a assistir à mais profunda queda da humanidade na pobreza extrema e no sofrimento de que há memória”, disse a directora executiva da Oxfam, Gabriela Bucher, através de um comunicado. “Esta perspectiva aterradora torna-se mais revoltante pelo facto de biliões de dólares terem sido capturados por um pequeno grupo de homens poderosos que não têm qualquer interesse em interromper esta trajectória”, afirma a mesma responsável.

Vários governos estão numa situação próxima do incumprimento por causa da dívida externa e, por isso, têm sido forçados a cortar subsídios sociais e despesa pública para poder evitar esse cenário.

Ainda esta semana, o Fundo Monetário Internacional reconheceu esse risco. “A guerra na Ucrânia está a juntar riscos aos níveis inéditos de endividamento público, enquanto a pandemia continua a sugar muitos orçamentos governamentais”, observam o director do departamento de Assuntos Fiscais do fundo, Vítor Gaspar, e a directora de estratégia, Ceyla Pazarbasioglu, numa publicação recente. Os dois dirigentes propõem “uma abordagem cooperativa global que possa alcançar uma resolução ordeira dos problemas da dívida e prevenir incumprimentos desnecessários”.

Uma das medidas propostas pela Oxfam, que publicou o relatório antes dos encontros de Primavera do Banco Mundial e do FMI, consiste no cancelamento dos pagamentos de dívida externa dos países mais afectados. A organização acredita que poderiam ser libertados cerca de 30 mil milhões de dólares (27 mil milhões de euros) se esses países pudessem adiar os pagamentos.

A Oxfam também propõe uma subida dos impostos para os mais ricos e para as empresas que têm visto os seus lucros subirem por causa da pandemia e da guerra. Também pediu aos países do G20 para que canalizem cerca de cem mil milhões de dólares (92 mil milhões de euros) que estão actualmente num fundo de austeridade para apoiar a população mais pobre através de subsídios ou cortes de impostos.

“Rejeitamos qualquer ideia de que os governos não têm dinheiro ou os meios necessários para retirar as pessoas da pobreza e da fome, e assegurar a sua saúde e bem-estar”, disse Bucher. “Apenas vemos a falta de imaginação económica e vontade política para o fazer”, acrescentou.
Objectivos insustentável

Se até à pandemia de covid-19, o mundo vinha assistindo à redução gradual da pobreza extrema - que era de 36% da população mundial em 1990, passou a 16% em 2015 e chegou a 10% em 2015 -, o coronavírus primeiro e a guerra na Ucrânia depois travaram esse processo evolutivo. A pobreza extrema voltou a crescer e se chegarmos ao final de 2022 com 860 milhões de pessoas nessa condição, estaremos precisamente com o dobro dos 430 milhões ou 3% da população mundial que as Nações Unidas tinham como objectivo a atingir em 2030.

A meta, estabelecida em 2013 pelo Banco Mundial, figura como o primeiro objectivo da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, já aí reconhecido como “o maior desafio global que o mundo enfrenta hoje e uma exigência indispensável para o desenvolvimento sustentável”.

Em Outubro passado, já quando os números mostravam que a pandemia fizera aumentar a pobreza extrema no mundo, o secretário-geral da ONU chamava-lhe “a acusação moral dos nossos tempos” e falava que “a solidariedade estava desaparecida em combate - exactamente quando mais precisamos dela”.


10.5.21

Mudança climática pode levar 132 milhões de pessoas à extrema pobreza

in TecMundo

O Banco Mundial publicou um relatório com estimativas revisadas dos impactos que as mudanças climáticas devem causar nos índices mundiais de pobreza extrema até 2030. Os resultados são desoladores: com o aumento da vulnerabilidade climática, a previsão saltou de 122 para 132 milhões de pessoas afetadas. Para a organização, é considerada extrema pobreza viver com até 1,90 dólar por dia, o que equivale a pouco mais de R$ 10.

O estudo afirma que já é bem sabido que as mudanças climáticas afetam desproporcionalmente os mais pobres. Segundo ele, doenças devem levar, sozinhas, 44 milhões de pessoas à pobreza extrema, revisando o número original de 30 milhões publicado em 2020 pela organização.

A avaliação foi realizada em nível familiar, usando uma abordagem de baixo para cima: o estudo explorou os efeitos combinados do futuro desenvolvimento socioeconômico, levando em conta as mudanças nas condições climáticas e ambientais.

Preço dos alimentos aumenta desigualdade

Segundo o estudo, mesmo pessoas com renda mais alta podem sentir os impactos das mudanças climáticas no bolso, embora a alta nos preços dos alimentos afete mais as pessoas pobres ou que já vivem perto do nível de pobreza. A análise aponta que muitos nestes grupos gastam uma grande parte de sua renda com alimentos.

Também foi observado que mesmo nas regiões mais ricas, pessoas pobres que conseguem administrar o aumento nos preços dos alimentos podem ser afetadas, uma vez que o aumento nos preços reduz seu consumo real.
Impacto relacionado com a covid-19

O novo estudo também levou em conta como a covid-19 afetou os países mais pobres em 2020 e observou que os prováveis impactos de curto prazo das mudanças climáticas sobre a pobreza são da mesma ordem de magnitude que os impactos da covid-19: 71 a 100 milhões a mais de pessoas em extrema pobreza.

O relatório aponta que é preciso agir para proteger as pessoas afetadas pela covid-19. A ação é considerada urgente na busca por restabelecer a tendência histórica de erradicação da extrema pobreza – até 2018 as projeções eram de diminuição do número.
Os mais pobres pagam o preço mais alto

O jornalista Robert Davis, que cobre habitação, falta de moradia e pobreza em Denver, no Colorado, Estados Unidos, apontou, em conteúdo disponível em inglês no site Medium, o caso de Malawi, país africano. Lá, 63% da renda dos habitantes é gasta com alimentação e bebidas. Com o aumento dos preços, mais da metade da população está pobre e 25% em situação de extrema pobreza - segundo dados do Fundo Monetário Internacional - FMI.

No Brasil, segundo levantamento do IBGE feito em novembro de 2020, quase 52 milhões de pessoas vivem na pobreza e 13 milhões na pobreza extrema. Nos Estados Unidos, onde Davis vive, segundo o jornalista houve um aumento de 2,2% no número de pessoas sem casa: são 580 mil vivendo nas ruas.

O jornalista lembra ainda que a vida em locais que apresentam condições ruins de habitação – próximo a regiões industriais, por exemplo – leva ao convívio com condições ruins de sobrevivência, como ar poluído. Esse tipo de convívio, não raro, leva a doenças respiratórias severas que, por sua vez, podem levar o portador a um alto gasto com remédios e tratamentos, levando à pobreza extrema.

25.2.21

Líder do FMI afirma que crise vai aumentar desigualdades entre países

Por Notícias ao Minuto

A crise económica provocada pela pandemia está a deixar para trás muitas economias e agrava a situação dos mais pobres, afirmou hoje a diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), apontando o acesso "desigual" às vacinas.

"Estimamos que, no final de 2022, o rendimento acumulado 'per capita' será 13% menor do que indicavam as projeções feitas antes da crise nas economias avançadas, em comparação com 18% para os países de baixos rendimentos e 22% para os países emergentes e em desenvolvimento, excluindo a China", sublinhou Kristalina Georgieva numa nota publicada no blogue do FMI por ocasião de uma reunião virtual de ministros das Finanças e líderes de bancos centrais do G20.

A consequência direta será um aumento "de milhões" no número de pessoas extremamente pobres nos países em desenvolvimento, disse.

A dirigente do FMI lembrou que antes da crise, o FMI previa uma redução na divergência de rendimentos entre as economias mais avançadas e 110 países emergentes e em desenvolvimento entre 2020 e 2022.

"Prevemos agora que apenas 52 economias irão recuperar durante este período, enquanto 58 devem ficar para trás", acrescentou.

Isso deve-se "em parte ao acesso desigual às vacinas" porque, mesmo nas melhores circunstâncias, a maioria das economias em desenvolvimento só devem ter cobertura generalizada de vacinas até ao fim de 2022 ou mesmo depois", escreveu Georgieva.

Alguns países estão particularmente expostos, como os que dependem do turismo e das exportações de petróleo, mais afetados pela crise. "A maioria destes países tem limites devido a uma margem de manobra reduzida nos seus orçamentos", segundo Kristalina Georgieva.

A líder do FMI não se manifestou apenas preocupada com o desvio entre países. "Constatamos também uma divergência acelerada dentro dos países: jovens, trabalhadores pouco qualificados, mulheres e trabalhadores informais foram afetados de forma desproporcional pela perda de empregos", apontou.

Georgieva lembrou ainda que milhões de crianças estão confrontadas com perturbações na educação.

"Seria um erro imperdoável tornarem-se uma geração perdida", considerou.

Neste contexto, Georgieva defendeu que devem continuar os esforços para pôr fim à crise sanitária, acelerando a vacinação, o que pode permitir aumentar em 9 biliões de dólares o rendimento mundial entre 2020 e 2025.

Exortou também os países do G20 a manterem o apoio orçamental e a apoiarem os países mais vulneráveis, por exemplo, com alívios de dívida.

1.2.21

As vítimas económicas da covid-19, segundo o FMI

Jorge Nascimento Rodrigues, in Expresso

A recessão criou mais 90 milhões de pobres, e 110 países em 2022 não terão saído da crise, alerta a organização em Washington

A pandemia já ceifou mais de dois milhões de doentes da covid-19. Mas há uma outra contabilidade global, de custos humanos e geoeconómicos, que o Fundo Monetário Internacional (FMI) destacou esta semana, com a publicação da atualização das suas previsões económicas. São as outras vítimas da pandemia e da crise.

Em suma, há muitas mais dezenas de milhões na pobreza extrema, houve duas áreas do mundo, a América Latina e a zona euro, onde o colapso económico foi superior a 7% e a recuperação económica vai ser profundamente desigual, com 110 países em 2022 sem terem ainda recuperado o PIB per capita que registavam antes da pandemia.

É a herança da maior recessão nos últimos 70 anos, com a riqueza mundial a diminuir 3,5%, mesmo assim abaixo das previsões mais pessimistas que o FMI tinha avançado nos relatórios de junho (-5,2%) e de outubro (-4,4%) do ano passado. Foi uma quebra mundial que mete a um canto a chamada Grande Recessão de 2009, quando o PIB mundial não chegou a recuar 0,1%.

MAIS 90 MILHÕES NA MISÉRIA

O custo humano vai, de facto, para além da contagem letal das mortes pela covid-19. Há uma inversão da tendência de diminuição da pobreza extrema. Gita Gopinath, a economista-chefe do FMI, revelou que “90 milhões de pessoas deverão entrar na pobreza extrema em 2020 e 2021, invertendo as tendências das últimas duas décadas”. Nas contas recentes do Banco Mundial, o aumento poderá ir até entre 90 e 120 milhões já em 2020.

Depois de um pico em 1993, com quase dois mil milhões de cidadãos na extrema pobreza — definida como vivendo com menos de 1,9 dólares (pouco mais de um euro e meio) por dia —, a globalização e a vaga de crescimento em países como a China e a Índia retiraram daquele indicador mais de 1200 milhões de pessoas. Em 2019 atingiu-se um mínimo de 645 milhões na pobreza extrema — mesmo assim quase duas vezes a população da zona euro. Com a pandemia, o número vai subir para um intervalo entre 735 e 769 milhões.

A pobreza agravou-se, inclusive, nas camadas da classe média e média-baixa. Em 69 países não foram atribuídos oficialmente apoios aos afetados pela crise e em muitas economias do G20 os apoios foram inferiores a 50% do rendimento anterior (como na Argentina, Austrália, China e Rússia).
OS PAÍSES MAIS PENALIZADOS

Há também um custo geoeconómico diferenciado, com a América Latina e a zona euro mais penalizadas pelo colapso económico em 2020, registando quedas do produto interno bruto (PIB) de 7,4% e 7,2%, respetivamente. Nos seis grandes países com quebras do PIB superiores a 8%, três são do euro (Espanha, Itália e França) e outro é o México.

Ao todo, 180 economias em 196 países do mundo sofreram uma quebra do PIB per capita em 2020. O problema vai ser quantos se irão livrando desse ‘clube’. O FMI alerta, por isso, para que a retoma económica vai ser desigual. Em 2021, só 30 países saem daquele grupo e estima-se que, mesmo em 2022, 110 economias ainda não terão recuperado o nível do PIB por habitante que tinham em 2019. Ou seja, em 56% dos países a perda de rendimento ainda perdura daqui a dois anos.

Segundo as previsões do FMI para os 26 maiores países cobertos por esta atualização do World Economic Outlook, só sete — incluindo os Estados Unidos e a Índia — sairão da crise já este ano. Economias como a da zona euro, globalmente, Alemanha, Brasil, Canadá, França, Japão e Rússia só completarão a retoma em finais de 2022. E cinco outras economias — África do Sul, Espanha, Itália, México e Reino Unido — só sairão da crise em 2023.

4.12.20

FMI não deixa margem para dúvidas. A pandemia está a agravar as diferenças entre ricos e pobres

Vitor Andrade, in Expresso

Os mais abastados podem optar por trabalhar menos durante a pandemia, enquanto os mais pobres têm de sair de casa para ter rendimento, expondo-se ao vírus. Com a testagem em massa, os pobres seriam os mais beneficiados, pois a sua taxa de mortalidade em consequência da covid-19 cairia em aproximadamente três quartos e a economia também sairia a ganhar

A pandemia e os esforços para a controlar têm afetado desproporcionalmente os pobres, tanto dentro dos países como entre eles.

Esta é a principal conclusão a que chegaram três analistas do Fundo Monetário Internacional (FMI) num estudo publicado ontem ao final da tarde, e onde se refere taxativamente que, em todo o mundo, as infeções e mortes por covid-19 são mais numerosas nos bairros pobres do que nos mais ricos.

A explicação é simples: os mais abastados, garantem os responsáveis do FMI, podem reduzir seu risco de infeção porque têm a opção de trabalhar menos e limitar o tempo que passam na rua.

Allan Dizioli, Michal Andrie e John Bluedorn referem que o efeito daquelas escolhas é profundo. “As simulações do modelo de cálculo utilizado [no estudo] indicam que, enquanto pouco mais de 10% das famílias ricas chegam a ser infetados pelo vírus, mais da metade das famílias pobres seriam infetadas ao longo de um período de dois anos. Isso também se reflete na incidência de mortes: o modelo sugere que a probabilidade de membros de famílias pobres morrerem é cerca de quatro vezes maior. Esses números sugerem que recai sobre os pobres a maior parte dos custos da pandemia em termos de saúde”.

Aqueles analistas dizem que o próprio FMI, numa investigação recente, concluiu que há uma conexão mais precisa entre a riqueza e a saúde relacionada com a pandemia. “A análise baseada em modelos [económicos] mostra que a testagem mais ampla e rápida poderia fornecer informações vitais para conter melhor a propagação do vírus, com benefícios para todos, mas, em especial, os pobres. O nosso estudo vai além da maioria dos modelos epidemiológicos ao analisar o comportamento e as escolhas individuais baseadas no seu rendimento, em vez de enfocar apenas na questão da idade, do género ou de outros dados demográficos”.


Corrida à vacina agrava fosso entre ricos e pobres. Os primeiros já garantiram 9 mil milhões de doses, os restantes podem esperar anos
Mais de 80% das doses de vacinas anti-Covid foram compradas por governos que representam apenas 14% da população global. A maioria das pessoas nos países pobres vai ficar à espera da vacina até 2024, se os países mais ricos continuarem a praticar aquilo a que muitos já chamam “vacinacionalismo”


Assim, aqueles responsáveis, sublinham que o comportamento e as escolhas que deixam os mais pobres na linha de frente da infeção durante uma pandemia “costumam ser fruto da necessidade”.

Primeiro, porque muitos trabalhadores com baixos salários estão empregados em serviços considerados essenciais durante a pandemia (como supermercados e serviços de entrega) ou têm poucas opções de trabalho remoto.

Em segundo lugar, porque é maior a probabilidade de os bairros mais pobres terem uma densidade demográfica maior, o que favorece o contágio.

VACINAS TRAZEM ESPERANÇA

Há ainda uma terceira variável, segundo a qual as pessoas nas comunidades mais pobres também tendem a ter poucas reservas de emergência, o que limita a possibilidade de trabalhar menos horas para reduzir o risco de contágio (por exemplo, trabalhadores independentes na economia informal).

Os analistas do FMI admitem que até é provável que as vacinas comecem a ser disponibilizadas de forma gradual nos próximos meses e anos, “mas, nesse meio tempo, as taxas de infeção continuam a aumentar em alguns países a um ritmo mais veloz do que no início da pandemia. As quarentenas, o distanciamento físico e o uso de máscaras têm sido as ferramentas mais comuns para conter o avanço da pandemia. Contudo, testes baratos e rápidos podem ser outra arma nessa luta”.

Allan Dizioli, Michal Andrie e John Bluedorn adiantam que há duas medidas de caráter político que são essenciais e que podem ajudar a aliviar o grande impacto da epidemia sobre os pobres até que vacinas e tratamentos eficazes estejam amplamente disponíveis e sejam oferecidos a todos que necessitem.

Primeiro, o apoio ao rendimento das famílias mais pobres ajudará diretamente a proteger o consumo dessas pessoas contra o grande choque económico adverso.

TESTAR É CADA VEZ MAIS BARATO

Segundo, informações mais precisas sobre a propagação e a contenção da pandemia através de uma testagem ampla reforça a capacidade de identificar e isolar novos casos, reduzindo os riscos de infeção (os testes rápidos desenvolvidos recentemente são baratos – a Organização Mundial de Saúde conseguiu negociá-los recentemente a cinco dólares por unidade e com o aumento da procura e da produção, os preços unitários podem cair para um dólar ou até menos).

A simplicidade desses testes significa, aliás, que qualquer família ou empresa poderia usá-los (sem a necessidade de equipamentos médicos ou de avaliação por um laboratório), dispensando qualquer tipo de processamento ou registo centralizado.

Embora uma estratégia de testagem em massa possa não impedir todos os surtos, em geral poderia reduzir a propagação da pandemia e mantê-la sob controle, sobretudo quando combinada com o uso de máscaras, a lavagem correta das mãos e o distanciamento físico.

REDUZIR A TAXA DE MORTALIDADE

“O uso de testes para identificar e isolar casos positivos é ainda mais eficaz no controle da pandemia em países com uma proporção maior de famílias mais pobres. O nosso estudo mostra que, se metade dos infetados assintomáticos fosse identificada, as mortes seriam reduzidas em pelo menos três quartos no prazo de um ano. Os pobres seriam os mais beneficiados, pois a sua taxa de mortalidade em consequência da Covid-19 cairia em aproximadamente três quartos com avanços nos testes em massa, em comparação com uma queda pela metade no caso dos mais ricos”.

Independentemente da imposição de quarentenas, dispor de informações melhores através da testagem ampla “sem dúvida impulsiona a economia, pois reduz o risco de infeção nas interações com outras pessoas”.

O IMPACTO NO PIB

E concluem que quando nenhum infetado assintomático é testado e o vírus se propaga sem ser detetado, a queda no PIB da economia representativa é de 15% no primeiro ano. Quando os riscos de infeção são maiores, as pessoas optam por se afastar e reduzem a atividade económica tanto quanto possível.

“A perda cai para apenas 3,3% do PIB se 50% dos assintomáticos forem identificados através de testes e isolados para reduzir o contágio. Isso pode ser conseguido com um teste que tenha uma taxa de verdadeiro positivo (sensibilidade) de 80% se cerca de 60% de toda a população puder ser testada semanalmente”, referem ainda os responsáveis do FMI.

Por outro lado, garantem que “como os testes rápidos têm o potencial de evitar grandes perdas do PIB e os seus custos são comparativamente baixos e decrescentes, o retorno da testagem ampla da população combinada com o uso de máscaras é enorme. Essa abordagem também poderia reduzir algumas das desigualdades agravadas pela pandemia, ajudando as famílias pobres e mais vulneráveis a suportar melhor a crise”.

14.10.20

Desemprego em Portugal deverá ficar nos 8,1% em 2020. FMI previa 13,9%

in EcoOnline

As previsões do FMI situam-se abaixo das estimativas do Governo, incluídas no Orçamento do Estado, que apontam para uma taxa de desemprego de 8,7% este ano e 8,2% em 2021.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estimou esta terça-feira, nas Previsões Económicas Mundiais, que a taxa de desemprego em Portugal deverá atingir os 8,1% em 2020, baixando para 7,7% em 2021.

Os números esta terça-feira divulgados fazem parte das Previsões Económicas Mundiais da instituição sediada em Washington, e para Portugal atualizam os números divulgados em abril. À data, o FMI previu que a taxa de desemprego em Portugal chegasse aos 13,9% este ano e recuperasse para os 8,7% em 2021. Em 2019, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 2,2% e a taxa de desemprego foi de 6,5%.

Na segunda-feira foram divulgadas as previsões do Governo associadas ao Orçamento do Estado para 2021 (OE2021), que apontam para uma taxa de desemprego de 8,7% este ano e 8,2% em 2021.

“A melhoria esperada para o mercado de trabalho deverá levar a um crescimento do emprego em 1% (-3,8% em 2020), assim como, a uma redução da taxa de desemprego, a qual deverá diminuir de 8,7%, em 2020, para 8,2%, em 2021″, pode ler-se no relatório que acompanha a proposta de Lei do Governo para o OE2021, divulgada na segunda-feira.

Na semana passada, o Banco de Portugal (BdP) estimou, no seu Boletim Económico, que a taxa de desemprego deverá chegar aos 7,5% em 2020, uma revisão em baixa face aos 10,1% previstos em junho.

De acordo com o banco central, o emprego “cai menos do que seria de esperar, face a anteriores períodos de recessão” e a previsão da queda para este ano é de 2,8%, melhor do que a redução de 4,5% prevista pelo banco central em junho.

Pandemia reverteu duas décadas de luta contra a pobreza

in Sol

O relatório do FMI prevê que PIB da zona euro cai 8,3% em 2020 e cresce 5,2% no próximo ano.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) considera que a pandemia de covid-19 “reverterá os progressos feitos desde os anos 1990” em termos de redução de pobreza, e aumentará a “desigualdade”, segundo as Previsões Económicas Mundiais.

“A pandemia vai reverter o progresso feito desde os anos 1990 em termos de redução da pobreza mundial e vai aumentar a desigualdade”, lê-se no documento da instituição financeira internacional. Segundo o FMI, depois de uma recuperação dos efeitos da pandemia em 2021, “o crescimento mundial deverá abrandar gradualmente para cerca de 3,5% no médio prazo”, numa assunção que compara com o crescimento projetado antes da pandemia para o período 2020-2025.


A pandemia foi “um revés significativo para a melhoria esperada no nível médio de vida em todos os grupos de países”, tanto economias desenvolvidas como em desenvolvimento, afirma o FMI. A instituição assinala que “as pessoas que dependem do seu salário diário e estão fora das redes de apoio formais enfrentaram perdas de rendimento súbitas quando foram impostas restrições à mobilidade”, incluindo os trabalhadores migrantes.

O FMI lembra que o stock das dívidas públicas mundiais vai aumentar de forma “significativa”, e que as menores contribuições fiscais irão dificultar o serviço de dívida dos soberanos. Os riscos para as previsões do FMI, que espera uma queda da economia mundial de 4,4% em 2020, são “anormalmente grandes” em ano de pandemia, segundo o documento. Uma primeira camada [dos riscos] relaciona-se com o caminho da pandemia, a necessária resposta da saúde pública, e as disrupções à atividade doméstica associadas, nomeadamente em setores de contacto intensivo”, sinaliza o FMI.

Uma outra fonte de incerteza “é a extensão dos alastramentos mundiais provenientes da baixa procura, turismo mais fraco e menos remessas”, assinala a instituição liderada por Kristalina Georgieva. O fundo aponta ainda para o sentimento dos mercados financeiros e as suas implicações para os fluxos de capitais mundiais, e ainda para a incerteza ao potencial da oferta, “que vai depender da persistência do choque pandémico, o tamanho e a eficácia das respostas políticas e a extensão das falhas nos recursos”.

Previsões para a zona euro mais otimistas

Também neste relatório, o FMI atualiza as previsões para a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) da zona euro, que estima cair 8,3% em 2020, mas recuperar e subir 5,2% em 2021.

Esta previsão representa uma melhoria face à realizada em junho, em que se avançava para uma queda da economia da zona euro na ordem dos 10,2% Para 2021, a instituição financeira sediada em Washington tinha sinalizado, em junho, um crescimento de 6%.

Relativamente ao desemprego, o FMI estima uma taxa de 8,9% em 2020 e uma subida para 9,1% em 2021. Já a inflação deverá ser de 0,4% em 2020 e de 0,9% em 2021, depois de ter sido de 1,2% em 2019.

6.7.20

Crise mudará as economias e a Europa está em "excelente posição" segundo Christine Lagarde

in Expresso

Christine Lagarde estimou este sábado que a mudança na economia conduzirá a mais ecologia, mais digitalização e à alteração de métodos de trabalho, e que a Europa está em "excelente posição"

A crise económica gerada pela pandemia de covid-19 "mudará profundamente" a economia, considera a presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, para quem a Europa está "em excelente posição". Christine Lagarde estimou este sábado que a mudança na economia conduzirá a mais ecologia, mais digitalização e à alteração de métodos de trabalho, e que a Europa está em "excelente posição".

Lagarde, que participou por videoconferência nas reuniões económicas de Aix-en-Seine, em Paris, afirmou, segundo a agência France-Presse (AFP), que a crise "será uma aceleração de transformações que já estavam latentes nas nossas economias [da Europa]".

"Na produção, no trabalho e no comércio, o que estamos a viver acelerará as transformações e provavelmente levará a uma evolução em direção a um modo de vida mais sustentável e mais verde", acrescentou.

A presidente do BCE referiu o teletrabalho, como um fator que "transformará os métodos de trabalho de todos os funcionários", pelo menos nos países desenvolvidos, e "a aceleração da digitalização, nos serviços ou na automação das indústrias".

"Atualmente, estima-se que a crise leve a uma contração das cadeias de fornecimentos na ordem dos 35%, e a um aumento da robotização nas indústrias em cerca de 70 a 75%", disse Lagarde.

A responsável pelo BCE lembrou que o confinamento, que afetou a maioria dos habitantes do planeta ao mesmo tempo, levou a um desenvolvimento considerável do comércio 'online', que se deve acelerar ainda mais no futuro, "em detrimento do comércio mais tradicional", acrescentou.

Perante estas transformações, "a Europa está numa posição excelente para pôr em marcha esta transição", disse, sublinhando que o continente "já abriga o maior setor de economia circular e de inovação ecológica do mundo", e que o euro foi a primeira moeda usada para a emissão de títulos verdes.

Fatores que, ainda assim, considera não serem suficientes, defendendo que "terá de ser desenvolvido" um quadro de política económica que permita a mobilização do "financiamento necessário".

16.4.20

FMI. Portugal caminha para nova tempestade perfeita na dívida

Luís Reis Ribeiro, in DN

"A nossa mensagem para os governos é: gastem tanto quanto puderem, mas guardem os recibos", avisou Kristalina Georgieva esta quarta-feira.

Está a formar-se uma tempestade que pode arrasar, novamente, com a dívida portuguesa (e não só) e com as taxas de juro soberanas, assinala o Fundo Monetário Internacional (FMI) na nova edição do Monitor Orçamental, estudo que é tutelado pelo ex-ministro das Finanças português Vítor Gaspar.

O trabalho ontem apresentado ao mundo a partir de Washington mostra claramente que todos os países do chamado mundo desenvolvido (cerca de 35, segundo o FMI) vão sair desta "coronacrise" muito endividados, com défices públicos muito mais elevados e com dificuldades em crescer por causa do desemprego elevado e da suspensão, ou cancelamento, dos investimentos neste ano, na melhor das hipóteses.

Mas há países que correm muito mais perigos em termos de crédito público do que outros. Segundo mostra o FMI, Portugal está claramente na linha de fogo quando, e se vier, a tempestade perfeita nos mercados de dívida soberana.

De acordo com a informação do FMI analisada pelo DN/Dinheiro Vivo, Portugal passa de uma situação de saneamento gradual das finanças públicas para um caso crítico em termos mundiais: o país terá neste ano o sexto maior aumento no rácio da dívida pública no tal grupo das 35 economias avançadas, um agravamento nesse fardo na ordem dos 17 pontos percentuais (p.p.) do produto interno bruto (PIB). Mais só nos Estados Unidos (22,1 p.p.), Grécia (21,6), Canadá (20,9), Itália (20,8) e Espanha (18).

Com esta subida, Portugal mantêm-se, como até aqui, um líder mundial em endividamento público, só que agora a maré está muito mais alta para todos.

O risco que é precisar de ir ao mercado
De acordo com estas projeções do FMI, que contam com um défice público de 7,1% neste ano, e uma recessão de 8% (ambos podem ser superiores, alertaram já vários decisores), o rácio da dívida portuguesa sobe para 135% do PIB, o quarto mais elevado no grupo dos países avançados. Mais alto só no Japão (251,9%), na Grécia (200,8%) e em Itália (155,5%).

O FMI mostra também como vários soberanos estão particularmente vulneráveis já em 2020 porque precisam, mais do que outros, de ir aos mercados emitir dívida nova para financiar a dívida que vence mais o défice público.

Em três dezenas de economias, Portugal ocupa agora a oitava posição, quando se medem as necessidades brutas de financiamento em 2020. A República necessita do equivalente a 18,6% do PIB em dinheiro novo que terá de vir dos mercados.

Juros altos
Esta alta exposição torna-se perigosa na medida em que o FMI projeta uma pressão muito elevada em termos de taxas de juro, expurgando o efeito de crescimento da economia.

No período de 2020 e 2021, esse diferencial entre taxa de juro projetada e crescimento (no fundo, é um indicador do custo de refinanciamento quando se vai ao mercado emitir obrigações) é de 3,6% no caso português, o sexto maior da lista dos países ditos avançados, prevê o FMI. É o segundo mais elevado da zona euro, já que Espanha e Itália lideram ex aequo, com 4,5%.


No estudo Monitor Orçamental, o FMI avisa logo que vários países correm riscos sérios por causa do problema da dívida excessiva. "Antes do primeiro surto de covid-19, no final de dezembro de 2019, as taxas de juro nominais efetivas (ou seja, os juros médios pagos sobre a dívida pública existente) estavam abaixo de 2% em mais de um terço das economias avançadas e em uma parcela menor (um décimo) no caso dos mercados emergentes e das economias em desenvolvimento."

Se por um lado se "prevê que essas taxas caiam ainda mais em países considerados seguros (por exemplo, Estados Unidos, Japão, Alemanha), existem, no entanto, casos que preocupam. "Tendo em conta os altos níveis de dívida pública - 83% do PIB global em 2019 - e as grandes necessidades brutas de financiamento bruto de vários países, o risco de um aumento nos custos de refinanciamento persiste."

"Guardem os recibos", diz o FMI aos governos
O FMI mostra num gráfico quais são: tirando Japão e Estados Unidos, os Estados na linha de fogo são Itália, Espanha, Bélgica, França e Portugal, por exemplo.

Na apresentação pública do seu relatório, Vítor Gaspar disse que "as medidas de política entretanto tomadas com impacto direto nos Orçamentos chegam aos 3,3 biliões de dólares a nível global [três biliões de euros], as injeções de liquidez chegam aos 1,8 biliões de dólares [cerca de 1,7 biliões de euros], as garantias representam 2,7 biliões de dólares [2,5 biliões de euros]".

A chefe de Vítor Gaspar, Kristalina Georgieva, que dirige o FMI, deixou um aviso à navegação. Em todo o mundo, "são oito biliões de dólares [cerca de 7,3 biliões de euros] em medidas orçamentais" para responder ao vírus". No entanto, "a nossa mensagem é: gastem tanto quanto puderem, mas guardem os recibos. Não queremos que a contabilidade e a transparência sejam negligenciadas nesta crise".

9.4.20

FMI e Banco Mundial defendem perdão imediato da dívida dos países mais pobres

in o Observador

O Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM) defenderam esta quarta-feira, com efeito imediato, um perdão da dívida oficial bilateral dos países mais pobres, entre os quais estão Guiné-Bissau, Moçambique, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

“Com efeito imediato, e consistente com as leis nacionais dos países credores, o Grupo BM e o FMI apelam a todos os credores oficiais bilaterais que suspendam os pagamentos de dívida dos países [abrangidos pela] Associação para o Desenvolvimento Internacional (IDA, na sigla em inglês) que assim o solicitem”, lê-se num comunicado conjunto difundido hoje em Washington pelas duas instituições financeiras internacionais.

Isto vai ajudar os países da IDA com necessidades imediatas de liquidez a lidarem com os desafios colocados pela pandemia do novo coronavírus e dar tempo para uma análise do impacto da crise e sobre as necessidades de financiamento para cada país”, lê-se ainda no texto.

A IDA é uma instituição que funciona no âmbito do Banco Mundial com a missão de apoiar os 76 países mais pobres, entre os quais estão todos os países lusófonos africanos, à exceção de Angola e Guiné Equatorial.

Alimentação e imunidade: mitos e verdades

Neste apelo ao G20, o BM e o FMI apelam a estes países “que façam esta avaliação, incluindo a identificação dos países em situação de dívida insustentável, e preparem propostas para uma ação abrangente dos credores oficiais bilaterais sobre as necessidades de financiamento e de alívio de dívida nestes países”.

O grupo dos 20 países mais industrializados está esta semana a realizar um conjunto de reuniões no seguimento da pandemia da Covid-19, tentando delinear um plano de ação conjunto.


“O FMI e o BM acreditam que neste momento é imperativo fornecer um sentimento global de alívio aos países em desenvolvimento, bem como um forte sinal aos mercados financeiros”, conclui-se no comunicado, que incide apenas sobre a dívida bilateral e não sobre a dívida emitida nos mercados internacionais e detida por investidores privados ou institucionais.

Dos países lusófonos, apenas São Tomé e Príncipe não tem, até ao momento, registo de contágio pelo novo coronavírus.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da Covid-19, já infetou perto de 428 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 19.000.

O continente africano registou 64 mortes devido ao novo coronavírus, ultrapassando os 2.300 casos.

Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

13.9.18

FMI pede o dobro do esforço orçamental antes do abrandamento económico

Marta Moitinho Oliveira, in EcoOnline

No relatório sobre Portugal, Washington prevê que a economia vai abrandar este ano, mas o desemprego vai continuar a cair. Além disso, avisa para a necessidade de antecipar o ajustamento orçamental.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que Portugal devia duplicar o esforço de ajustamento orçamental este ano e no próximo, já que depois disso a economia vai começar a perder força. A recomendação ao Governo português consta do relatório elaborado ao abrigo do Artigo IV, publicado esta quinta-feira, e surge a um mês da entrega do último Orçamento da legislatura.

A instituição liderada por Christine Lagarde afirma que as autoridades nacionais deviam “tirar vantagem” do atual momento económico e antecipar os seus planos orçamentais. De acordo com o Programa de Estabilidade, publicado em abril, o Governo português prevê uma correção do saldo primário estrutural de 1,5 pontos entre 2018 e 2022.

O esforço acumulado reservado para 2018 e 2019 é de 0,5 pontos, prevê o Fundo, sublinhando que “quase todo o esforço” é feito em 2020 e 2021, “quando a equipa de técnicos do Fundo prevê que o crescimento económico seja mais fraco”. No final do horizonte de projeção, em 2023, o Fundo espera que o PIB esteja a crescer apenas 1,3%, cerca de metade do que aumentou em 2017, o que deverá ser o melhor resultado até esse ano desde o ano 2000.

É, neste contexto, que o Fundo pede uma antecipação dos esforços de consolidação orçamental, deixando uma sugestão ao Executivo. “Especificamente, as autoridades nacionais deviam considerar um aperto de 1 ponto do PIB no saldo primário estrutural acumulado em 2018-2019″, escreve o FMI.

O saldo primário estrutural é igual ao saldo orçamental, descontada a fatura com juros da dívida pública e os efeitos de medidas irrepetíveis. Por este motivo é considerada uma medida mais aproximada para avaliar o verdadeiro esforço de consolidação orçamental.

Os avisos quanto à necessidade de antecipar os esforços orçamentais, aproveitando a conjuntura, têm sido recorrentes por parte das organizações internacionais que acompanham a economia nacional. Desta vez, o Fundo decidiu quantificar o objetivo. Também as áreas de alerta se mantêm inalteradas: folha salarial da Função Pública, pensões e saúde.
O relatório publicado esta quinta-feira foi aprovado pelo board do FMI a 7 de setembro, tem data de 21 de agosto. As equipas do FMI estiveram em Lisboa e no Porto entre 16 e 29 de maio, tendo a instituição dado conta nessa altura das conclusões principais.

Por este motivo, no relatório conhecido esta quinta-feira não eram esperadas alterações nas projeções do PIB, do défice e do desemprego. E foi o que aconteceu. O Fundo continua a prever um crescimento económico de 2,3% este ano e 1,8% em 2019. Esta última projeção põe, no entanto, alguma pressão sobre o Governo que está a construir o cenário macroeconómico no âmbito do Orçamento do Estado para 2019 e cuja última previsão apontava para um crescimento do PIB de 2,3%, traduzindo-se numa estabilização face a 2018.
Embora mantenha a previsão de crescimento económico igual para 2018 e 2019, o FMI mudou de opinião quanto às causas para aquela evolução. O Fundo acredita agora que o consumo público terá um crescimento maior do que esperava em abril, apontando para uma taxa de crescimento de 1,9%, contra 1,4%. Nas restantes componentes que formam o PIB, o Fundo espera taxas de crescimento inferiores, incluindo nas importações.

Apesar de esperar um abrandamento económico já este ano face a 2017, a taxa de desemprego vai voltar a cair. Segundo as previsões da instituição liderada por Christine Lagarde, esta taxa vai baixar de 8,9% no ano passado, para 7,3% este ano, recuando depois de novo em 2019, para 6,7%. Uma evolução suportada pelo “crescimento sustentado do emprego”, explica o Fundo.

Também quanto ao défice e à dívida, o Fundo mantém as mesmas previsões que tinha feito em maio. No caso do défice, o FMI aponta para 0,7% e 0,3% do PIB, e 2018 e 2019, neste último caso uma décima pior do que as últimas metas do Governo, que estão em reavaliação no âmbito do Orçamento do Estado para 2019.

No relatório, o FMI mantém também inalteradas as previsões para a dívida pública (120,8% este ano e 117,2% em 2019) e elogia o facto de o Governo estar empenhado na redução da dívida pública. O Fundo chega mesmo a projetar que, se não houver alterações na trajetória do saldo primário estrutural e surpresas no lado da despesa, a dívida pode recuar para 103% em 2023, uma meta próxima da fixada pelo Executivo. No entanto, o Fundo identifica um conjunto de riscos que podem adiar a trajetória de redução da dívida pública, relacionados com a conjuntura económica e eventuais choques financeiros.


19.7.18

‘Excessos’ em alguns setores em Portugal alertam FMI

José Carlos Lourinho e Jornal Económico com Lusa

Relatório do Fundo Monetário Internacional sobre a zona euro foi publicado esta quinta-feira e aconselha Portugal a manter a consolidação orçamental.

Consolidação orçamental, almofadas financeiras e especulação imobiliária são aspetos a reter sobre Portugal no relatório hoje divulgado pelo Fundo Monetário Internacional. Assim, e na opinião da instituição liderada por Christine Lagarde, Portugal deve manter a consolidação orçamental e estar ainda muito atento a possíveis sinais de excessos associados a alguns setores, sobretudo o imobiliário e em diversas regiões do país.

O FMI perspectiva uma acentuação dos riscos globais e, pior que isso, que os mesmos irão coincidir com a saída gradual do Banco Central Europeu do programa de compra dívida, algo que terá um impacto mais acentuado nas designadas economias periféricas.

Relativamente a Portugal, o FMI coloca o país num grupo restrito, com Itália e Espanha e aponta o facto dos mesmos estarem a fazer “ajustamentos pequenos”. Da mesma forma, o Fundo Monetário Internacional ‘aponta o dedo’ à Comissão Europeia, pelo facto de estar a abrandar a vigilância.

Relativamente ao setor imobiliário em Portugal, o FMI coloca Portugal ao mesmo nível da Holanda no que diz respeito aos alertas: existem desequilíbrios entre a oferta e a procura e estes estão a gerar um “disparo na valorização dos preços dos imóveis para habitação e comércio”.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que a expansão da zona euro se mantenha “vigorosa”, mas de forma mais moderada a partir do próximo ano, segundo o relatório hoje divulgado.
O documento hoje divulgado – resultado da reunião do Conselho Executivo do FMI de segunda-feira que reviu o crescimento previsto este ano para a zona euro para 2,2%, duas décimas abaixo do que tinha indicado em abril – estima que em 2019 o crescimento da zona euro abrande para os 1,9%, em 2020 baixe para os 1,7% e em 2021 recue para os 1,5%.

As estimativas do FMI têm em conta principalmente a piores perspetivas para Alemanha, França e Itália.
Os principais ‘motores’ continuam a ser a procura doméstica, suportada por uma criação de emprego “sólida”.

O FMI, que situou as previsões de crescimento económico mundial em 3,9%, tanto para este ano como para o próximo, diz que a inflação na zona euro deve demorar “alguns anos” a convergir com o objetivo do Banco Central Europeu de 2%, mas deve ficar perto deste valor.

O desemprego deverá fixar-se nos 8,4% este ano, baixar para os 8% em 2019, 7,8% em 2020 e 7,6% em 2021.

O FMI considera que os atuais atritos comerciais dos Estados Unidos com vários parceiros comerciais, como a UE, são “a maior ameaça a curto prazo para o crescimento mundial”, já que “terão efeitos adversos na confiança, nos preços dos ativos e no investimento”.

23.2.18

Comissão Europeia e FMI continuam a pedir mais facilidade para despedir em Portugal

in Expresso

Já no verão de 2017, Bruxelas salientava que os trabalhadores mais novos são "afetados desproporcionalmente" por vínculos temporários e têm maiores taxas de desemprego, o que afeta as suas perspetivas de carreira.

O FMI e a Comissão Europeia continuam a defender mais flexibilidade nos contratos permanentes, considerando que é a dificuldade em despedir que motiva as empresas a contratarem a prazo e que, por isso, a diferenciação da TSU não chega.

Durante o período do Programa de Ajustamento Económico e Financeiro (PAEF) foram introduzidas mais de uma dezena de alterações legislativas em matéria laboral, com principal incidência na facilitação do despedimento dos trabalhadores com contratos permanentes e na diminuição das indemnizações associadas.

Ainda assim, a Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional (FMI) têm afirmado, em praticamente todos os relatórios desde que Portugal concluiu o PAEF em 2014, que a legislação laboral continua a ser demasiado restritiva e que é preciso ir mais longe.

Este mês, a Comissão Europeia reiterou que Portugal ainda tem espaço "para ir mais longe em reformas que reduzam a proteção laboral excessiva nos contratos permanentes", uma posição que, não sendo nova, acabou por motivar críticas do Governo e dos parceiros que o apoiam no parlamento, por ter sido vista como uma forma de pressão numa altura em que estão em cima da mesa alterações à lei laboral.

O último alerta de Bruxelas tinha chegado em janeiro, depois da missão pós-programa do outono de 2017. A Comissão Europeia avisou que uma estratégia para reduzir a segmentação do mercado de trabalho dependente sobretudo de alterações nas regras dos contratos teria "eficácia limitada", lembrando que alguns empregos são, "por inerência, de natureza temporária".

Embora tenha admitido que alterações nos contratos temporários possam ser úteis, a Comissão afirmou que "não providenciam incentivos suficientes para contratar mais sem termo", defendendo que essas alterações "não atacam o problema subjacente da rigidez que permanece em torno dos despedimentos individuais dos trabalhadores permanentes".

Em causa está a incerteza dos custos do despedimento, a falta de clareza sobre as condições que permitam o despedimento individual por razões económicas e requerimentos processuais ainda complexos, segundo a Comissão.
No verão de 2017, Bruxelas salientava que os trabalhadores mais novos são "afetados desproporcionalmente" por vínculos temporários e têm maiores taxas de desemprego, o que afeta as suas perspetivas de carreira.
Um ano antes, a Comissão Europeia lembrou as "reformas significativas" feitas por Portugal durante o PAEF, insistindo que a legislação continuava a estar "entre as mais restritas na Europa".

Bruxelas sugeriu uma avaliação anterior a alterações na TSU, para garantir que uma diferenciação na contribuição paga pelas empresas "ajuda efetivamente a aumentar a proporção dos contratos permanentes e que não desencoraja a contratação no geral".

No relatório da primeira missão pós-programa, divulgado em dezembro de 2014, Bruxelas defendia uma "avaliação da eficácia das reformas do Código de Trabalho na redução da segmentação" do mercado de trabalho, uma vez que a proporção de trabalhadores com contratos temporários "continua elevada" e a aumentar em linha com o crescimento do emprego.

Estas têm sido das principais preocupações de Bruxelas em matéria laboral, que tem também criticado a falta de flexibilidade da negociação coletiva e alertado para o impacto do fim do banco de horas individual.
Por sua vez, o FMI reiterou, na última missão de acompanhamento pós-programa, que decorreu no final de 2017, que "um mercado de trabalho flexível é um elemento chave para a capacidade da economia em absorver choques negativos", uma posição que também vem sendo repetida nos últimos três anos.

Anteriormente, num relatório de setembro, o Fundo defendeu que a segmentação no mercado de trabalho devia ser resolvida através da flexibilização dos contratos permanentes, em vez de "apenas restringir os contratos temporários".

Além disso, a instituição considerou que as alterações feitas durante o PAEF "devem ser salvaguardadas", porque serviram para tornar a contratação e a negociação coletiva "mais flexíveis".

Um ano antes, a instituição advertiu que uma reversão das reformas do mercado de trabalho durante o período da 'troika' poderia "diminuir as perspetivas de crescimento, emprego e rendimento no médio prazo".

Esta preocupação surgia logo no relatório da primeira missão de acompanhamento, divulgado em janeiro de 2015, onde o FMI citou 'rankings' de competitividade internacionais para afirmar que Portugal tinha um "grande potencial", mas que a "regulação restritiva sobre o emprego e a falta de competição nos mercados locais impediam a contratação".

Outra das preocupações do Fundo é o salário mínimo. Embora na declaração de conclusão da última missão de monitorização a Portugal (ainda não foi divulgado o relatório completo) o Fundo não se refira ao salário mínimo nacional, há um ano avisava que "um novo aumento […] pode penalizar a competitividade do mercado de trabalho".

26.1.18

FMI. “Uma geração inteira pode nunca recuperar” na Europa

Nuno André Martins, in o Observador

Economistas do FMI alertam para o agravamento substancial na desigualdade entre jovens e mais velhos criada na Europa e dizem que isso pode levar a uma polarização nas preferências políticas.

Com salários menores, menos bens, mais dívida e em maior risco de pobreza. Este é o retrato feito pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre os jovens, num artigo onde se escreve que por detrás da relativa estabilização da desigualdade na União Europeia se esconde um autêntico fosso geracional cavado durante a crise, que deixa os jovens numa posição bastante mais difícil. A Europa arrisca-se a ter “uma geração inteira que pode nunca recuperar”, disse a própria diretora-geral do FMI, em Davos, na Suíça.

Esta é a “geração dos sonhos adiados”, afirmou Christine Lagarde, perante uma plateia cheia de líderes económicos e políticos, no Fórum Económico Mundial. Com António Costa na fila da frente, a diretora-geral do FMI deixou ainda um aviso aos líderes europeus: sem medidas urgentes, esta deixará de ser uma geração de sonhos adiados e passará a ser a geração dos “sonhos enterrados”.

O cenário traçado pelo Fundo é negro. Um em cada quatro jovens estão em risco de pobreza, um em cada cinco não tem emprego, o salário destes é inferior a 60% da média, o emprego é mais precário.

Num artigo publicado esta quarta-feira, nove economistas do FMI analisaram a desigualdade e a pobreza entre gerações nos países da União Europeia e a conclusão é que os números que são conhecidos traçam uma realidade perigosa para o futuro da Europa, a vários níveis.

Os dados globais mostram que a desigualdade de rendimentos se manteve relativamente estável ao longo da crise, mas olhando para estes números mais de perto pode observar-se um autêntico fosso geracional que tem vindo a aprofundar-se desde o início dessa crise. “O risco de pobreza entre os jovens, comparando com os que têm mais de 65 anos, era globalmente comparável, movia-se em paralelo. Mas, a partir de 2009, o risco divergiu significativamente”, explicou Irene Yackovlev, uma das autoras do artigo, ao Observador.

25.1.18

Lagarde: “Portugal é um ótimo exemplo de transformação da economia”

Leonor Mateus Ferreira, in Negócios on-line

A presidente do Fundo Monetário Internacional encontrou-se esta quarta-feira com o primeiro-ministro, António Costa, e com o ministro das Finanças, Mário Centeno, em Davos, onde elogiou os progressos nacionais.

Twitter: @mariofcenteno
A presidente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, elogiou os progressos da economia portuguesa e encorajou o governo a continuar com a estratégia atual, esta quarta-feira depois de um encontro com o primeiro-ministro, António Costa, e com o ministro das Finanças, Mário Centeno, em Davos na Suíça.

“Portugal é um ótimo exemplo de um país, que assumiu o compromisso de transformar a economia e está agora a colher os benefícios na forma de crescimento renovado, desemprego decrescente, acesso ao mercado sustentável e capacidade de reembolsas o empréstimo do FMI antes da data”, disse Lagarde, de acordo com um comunicado do FMI.

“Encorajo-os a continuarem neste caminho positivo para Portugal”, afirmou ainda a presidente da instituição de Bretton Woods, que aproveitou também a ocasião para “congratular o ministro das Finanças Mário Centeno pela eleição para presidente do Eurogrupo”.
Os três estão juntos em Davos para participar no 48º Encontro Anual do Fórum Económico Mundial e depois do encontro também Mário Centeno anunciou no Twitter que o país vai terminar esta quarta-feira de reembolsar a parte mais cara do empréstimo do FMI. “Isto significa uma poupança direta em juros para os contribuintes de 400 milhões de euros, dá um sinal forte ao mercado e melhora a sustentabilidade da dívida”, escreveu.